segunda-feira, 26 de julho de 2010

A Amizade entre Homens e Mulheres

A amizade entre homem e mulher sempre foi vista com certa desconfiança por muitas pessoas. Para alguns, esse tipo de amizade chega a ser até mesmo impossível. Quando iniciamos um relacionamento amistoso com alguém do sexo oposto, os nossos pais e familiares já começam a dizer que “isso vai terminar em namoro... noivado... casamento”. Para eles, é somente isso que pode haver entre um jovem e uma jovem. Eles foram educados assim. É difícil para as pessoas mais velhas entenderem que também é possível haver amizade entre um moço e uma moça, que eles podem se encontrar, sair, conversar, partilhar a vida, fazer confidências... e serem apenas amigos!

A amizade heterossexual nos complementa. É o que nos testemunha o sacerdote espanhol Atilano Alaiz, no seu belíssimo livro O Valor da Amizade: “Não podemos nos esquecer de algo elementar: o homem e a mulher são seres que se completam, não somente a nível físico, sexual, mas a nível psicológico e, portanto, todo encontro autêntico é enriquecedor e favorece o equilíbrio interior. Pouco a pouco vão amadurecendo, naqueles que cultivam a amizade com pessoas do sexo oposto, certas dimensões da personalidade que, caso contrário, ficariam atrofiadas”. De fato, a amizade entre homem e mulher é tão importante que não se trata simplesmente de um gosto ou uma opção, mas de uma necessidade. Necessitamos estabelecer relações de amizade com a pessoa do outro sexo. Quando ignoramos isso, tornamo-nos seres humanos incompletos, pela metade: no homem, faltará a presença da sensibilidade feminina; na mulher, faltará a presença da proteção masculina. Essa amizade é um relacionamento de descobrimento e de crescimento para ambos. Anselm Grün nos confirma isso no seu livro Eu lhe Desejo um Amigo: “A amizade entre homem e mulher tem sempre algo de inspirador e vivificante”.

A amizade com pessoas do sexo oposto nos eleva. Não é difícil perceber isso. É bastante notar o quanto esse relacionamento influencia aqueles que fazemos essa experiência. É incrível como a presença de certas pessoas transforma a nossa vida, fazendo-nos enxergar o mundo e os outros seres humanos com novos olhos; fazendo-nos descobrir aqueles valores que possuímos, mas não os reconhecíamos; fazendo-nos ser melhores do que aquilo que somos. É o mistério do amor que só a amizade tem...! O sacerdote jesuíta Teilhard de Chardin, renomado cientista e pesquisador francês, dá-nos um valioso testemunho disso, quando nos fala da presença de três mulheres na sua vida, com as quais se correspondeu por meio de diversas cartas: “Desde o momento em que comecei a acordar para mim mesmo e realmente expressar a mim mesmo, nada mais se desenvolveu dentro de mim que não fosse sob o olhar e a influência de uma mulher”. A amizade com essas mulheres o fez estudar com uma sensibilidade maior os problemas do fenômeno humano.

Sem desconfiança, como faz a maioria das pessoas, mas sem ingenuidade também, é preciso reconhecer um certo perigo que há nas amizades heterossexuais. Isso existe porque se trata de um relacionamento entre pessoas de carne e osso. Mas sabemos também que existem pessoas maduras, tanto afetivamente quanto sexualmente, que, para além de suas diferenças de gênero, admiram-se e vivem com toda simplicidade e responsabilidade essa amizade – sem em momento algum deixar o erotismo se apossar do relacionamento. Em outro belíssimo livro seu – O Amigo, um Tesouro –, Atilano Alaiz nos oferece uma reflexão muito adequada sobre isso. Ele escreve: “O relacionamento amistoso com a pessoa de outro sexo educa a afetividade, ensina a conviver com naturalidade com o outro sexo”. Devemos admitir, com toda certeza, que sempre existiram pessoas que viveram de maneira sublime esse tipo de amizade. Não somente os santos, como São Francisco de Assis e Santa Clara, São João da Cruz e Santa Teresa de Ávila, mas também pessoas solteiras e casadas. Conhecemos exemplos de jovens do nosso dia-a-dia, jovens que se relacionam com todo carinho e respeito – na simplicidade dos filhos de Deus. Os livros nos relatam exemplos de mulheres casadas que, com toda fidelidade aos seus maridos, viveram uma rica e profunda amizade com homens de bem. É o caso de Raïssa, esposa do filósofo francês Jacques Maritain, e de Christine, esposa de Van der Meer. Essas mulheres foram amigas do convertido ao catolicismo Léon Bloy, um homem de caráter e mestre espiritual delas. Em momento algum esse relacionamento prejudicou ou sufocou o casamento dessas mulheres virtuosas, nem tampouco seus maridos sentiram ciúmes (como fazem muitos homens fracos...). A amizade respeita a vida e a vocação do outro! Ao contrário de muitos, Jacques Maritain, um católico de verdade, reconheceu que a falta de amizades femininas na vida de um homem pode ser um “grave dano para o progresso e aperfeiçoamento da vida moral”. Os casados, especialmente, que vivem essa amizade sabem o quanto ela é importante – principalmente quando a pessoa é amiga do casal.

Finalmente, a escritora portuguesa Ana Paula Bastos escreveu um singelo livrinho intitulado Mensagem de Amizade, que traz um parágrafo muito significativo sobre a amizade entre homens e mulheres. Entre outras coisas, ela diz que a amizade “entre um homem maduro e uma mulher madura, no auge de suas faculdades intelectuais, afetivas, espirituais, é qualquer coisa de maravilhoso, por aquilo que tem de aventura, de descoberta e de exploração dos mistérios da vida. Tem algo de busca de crescimento interior a dois, de partilha de vida interior cada vez mais íntima, cada vez mais profunda, cada vez mais bela...”. Portanto, admitimos que é difícil uma amizade entre um homem e uma mulher (e isso por vários motivos), mas não é impossível! Admitimos que é também perigosa (e nós sabemos os motivos), mas muito mais perigoso é viver sem essa amizade. Quem a vive sabe muito bem...! Vale a pena arriscar... e ser infinitamente feliz!!!

Fonte: http://venicreator2008.blogspot.com/2009/06/falando-de-amizade-vii.html

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