terça-feira, 27 de julho de 2010

Encíclica do Papa denuncia zelo excessivo das afirmações dos direitos de propriedade intelectual


O Papa Bento XVI emitiu hoje uma declaração dizendo que "Há um zelo excessivo por parte dos países ricos em proteger o conhecimento por meio de uma afirmação desnecessariamente rígida do direito de propriedade intelectual, especialmente na área da saúde." As críticas vieram em uma seção da sua mais recente Encíclica, que trata de questões sociais, enfocando especificamente o desenvolvimento humano internacional e falhas sistemáticas de órgãos pequenos e grandes, para resolver problemas de desenvolvimento.

Caritas In Veritate / Caridade na Verdade, datada de 29 de junho de 2009, é a terceira Encíclica do Papa Bento XVI. O documento de 30.468 palavras contém uma introdução, seis capítulos, uma conclusão, 159 notas de rodapé e trata em grande parte das questões sociais de importância para a Igreja .*

Em anúncio feito em 13 de Junho, o Papa declarou que o documento iria “destacar o que, para nós na qualidade de cristãos, são os objetivos que devem ser perseguidos e os valores a serem incansavelmente promovidos e defendidos a fim de criar uma forma de convivência humana verdadeiramente livre e unida."

Em sua Seção 22, intitulada "Desenvolvimento Humano no Nosso Tempo", a carta estabeleceu a visão do Papa quanto às metas de desenvolvimento humano. A Seção 22 destacou também as falhas do atual sistema, citando a rígida ideologia, o “superdesenvolvimento” consumista, a corrupção, além dos “modelos culturais e normas sociais de comportamento (...), que dificultam o processo de desenvolvimento.”. Utilizando-se de um tom surpreendentemente pragmático, a Encíclica destaca a complexidade das questões relativas ao desenvolvimento, que “deveriam nos inspirar a nos libertarmos das ideologias que simplificam demais a realidade, de maneira artificial, e deveria nos levar a analisar objetivamente toda a dimensão humana dos problemas.”

Embora Encíclicas Papais não determinem uma doutrina oficial para a Igreja, elas oferecem uma oportunidade para anunciar os pensamentos pessoais do Papa e incentivar as prioridades específicas que o Papa pretende definir para a Igreja. Encíclicas, como a Caritas in Veritate são tradicionalmente dirigidas aos superiores da Igreja, e não aos leigos em geral (embora a atual pareça ser uma exceção, e todas sejam disponibilizadas publicamente). Elas são a segunda mais importante declaração que pode ser emitida pelo Papa (após uma Constituição Apostólica, que proclama dogmas e/ou questões de direito canônico).

22. Hoje a imagem do desenvolvimento tem muitas camadas sobrepostas. Os atores e as causas em ambos – subdesenvolvimento e desenvolvimento – são múltiplas, as falhas e os méritos são diferenciados. Este fato deveria nos inspirar a nos libertarmos das ideologias, que costumam simplificar demais a realidade de maneira artificial, e isso deveria levar-nos a analisar objetivamente toda a dimensão humana dos problemas. Como João Paulo II já observou, a demarcação entre países ricos e pobres não é mais tão clara como era na época da Populorum Progressio [55]. A riqueza do mundo está crescendo em termos absolutos, contudo, as desigualdades estão também aumentando. Nos países ricos, novos setores da sociedade estão sucumbindo à pobreza e novas formas de pobreza estão surgindo. Nas áreas mais pobres, alguns grupos desfrutam uma espécie de "superdesenvolvimento" do tipo desperdiçador e consumista, formando um contraste inaceitável com as situações de desumanizadora privação. O “escândalo das desigualdades gritantes" [56] continua. Infelizmente, corrupção e ilegalidade são evidentes na conduta da classe política e econômica nos países ricos, sejam antigos ou novos, bem como nos países pobres. Entre aqueles que, por vezes, faltam com o respeito aos direitos humanos dos trabalhadores, estão grandes empresas multinacionais, assim como produtores locais. A ajuda internacional tem sido muitas vezes desviada de seus verdadeiros fins, através de ações irresponsáveis em ambas as cadeias de doadores e de beneficiários. Similarmente, no contexto de causas imateriais ou culturais de desenvolvimento ou subdesenvolvimento, nós encontramos os mesmos padrões de responsabilidade sendo reproduzidos. No tocante aos países ricos, há um zelo excessivo na proteção ao conhecimento por meio de uma afirmação excessivamente rígida do direito de propriedade intelectual, especialmente na área da saúde. Ao mesmo tempo, em alguns países pobres, modelos culturais e normas sociais de comportamento persistem, obstruindo o processo de desenvolvimento..

*"Carta encíclica Caritas In Veritate, do Supremo Pontífice Bento XVI, aos bispos, sacerdotes e diáconos, homens e mulheres religiosos, fiéis leigos e todas as pessoas de boa vontade com o desenvolvimento humano integral, a caridade e a verdade", 29 de junho de 2009.
Fonte: http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate_en.html.


Fonte: http://www.creativecommons.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=124&Itemid=57

Obra licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuio 2.0 Brasil.
Leia Mais…

segunda-feira, 26 de julho de 2010

A Amizade entre Homens e Mulheres

A amizade entre homem e mulher sempre foi vista com certa desconfiança por muitas pessoas. Para alguns, esse tipo de amizade chega a ser até mesmo impossível. Quando iniciamos um relacionamento amistoso com alguém do sexo oposto, os nossos pais e familiares já começam a dizer que “isso vai terminar em namoro... noivado... casamento”. Para eles, é somente isso que pode haver entre um jovem e uma jovem. Eles foram educados assim. É difícil para as pessoas mais velhas entenderem que também é possível haver amizade entre um moço e uma moça, que eles podem se encontrar, sair, conversar, partilhar a vida, fazer confidências... e serem apenas amigos!

A amizade heterossexual nos complementa. É o que nos testemunha o sacerdote espanhol Atilano Alaiz, no seu belíssimo livro O Valor da Amizade: “Não podemos nos esquecer de algo elementar: o homem e a mulher são seres que se completam, não somente a nível físico, sexual, mas a nível psicológico e, portanto, todo encontro autêntico é enriquecedor e favorece o equilíbrio interior. Pouco a pouco vão amadurecendo, naqueles que cultivam a amizade com pessoas do sexo oposto, certas dimensões da personalidade que, caso contrário, ficariam atrofiadas”. De fato, a amizade entre homem e mulher é tão importante que não se trata simplesmente de um gosto ou uma opção, mas de uma necessidade. Necessitamos estabelecer relações de amizade com a pessoa do outro sexo. Quando ignoramos isso, tornamo-nos seres humanos incompletos, pela metade: no homem, faltará a presença da sensibilidade feminina; na mulher, faltará a presença da proteção masculina. Essa amizade é um relacionamento de descobrimento e de crescimento para ambos. Anselm Grün nos confirma isso no seu livro Eu lhe Desejo um Amigo: “A amizade entre homem e mulher tem sempre algo de inspirador e vivificante”.

A amizade com pessoas do sexo oposto nos eleva. Não é difícil perceber isso. É bastante notar o quanto esse relacionamento influencia aqueles que fazemos essa experiência. É incrível como a presença de certas pessoas transforma a nossa vida, fazendo-nos enxergar o mundo e os outros seres humanos com novos olhos; fazendo-nos descobrir aqueles valores que possuímos, mas não os reconhecíamos; fazendo-nos ser melhores do que aquilo que somos. É o mistério do amor que só a amizade tem...! O sacerdote jesuíta Teilhard de Chardin, renomado cientista e pesquisador francês, dá-nos um valioso testemunho disso, quando nos fala da presença de três mulheres na sua vida, com as quais se correspondeu por meio de diversas cartas: “Desde o momento em que comecei a acordar para mim mesmo e realmente expressar a mim mesmo, nada mais se desenvolveu dentro de mim que não fosse sob o olhar e a influência de uma mulher”. A amizade com essas mulheres o fez estudar com uma sensibilidade maior os problemas do fenômeno humano.

Sem desconfiança, como faz a maioria das pessoas, mas sem ingenuidade também, é preciso reconhecer um certo perigo que há nas amizades heterossexuais. Isso existe porque se trata de um relacionamento entre pessoas de carne e osso. Mas sabemos também que existem pessoas maduras, tanto afetivamente quanto sexualmente, que, para além de suas diferenças de gênero, admiram-se e vivem com toda simplicidade e responsabilidade essa amizade – sem em momento algum deixar o erotismo se apossar do relacionamento. Em outro belíssimo livro seu – O Amigo, um Tesouro –, Atilano Alaiz nos oferece uma reflexão muito adequada sobre isso. Ele escreve: “O relacionamento amistoso com a pessoa de outro sexo educa a afetividade, ensina a conviver com naturalidade com o outro sexo”. Devemos admitir, com toda certeza, que sempre existiram pessoas que viveram de maneira sublime esse tipo de amizade. Não somente os santos, como São Francisco de Assis e Santa Clara, São João da Cruz e Santa Teresa de Ávila, mas também pessoas solteiras e casadas. Conhecemos exemplos de jovens do nosso dia-a-dia, jovens que se relacionam com todo carinho e respeito – na simplicidade dos filhos de Deus. Os livros nos relatam exemplos de mulheres casadas que, com toda fidelidade aos seus maridos, viveram uma rica e profunda amizade com homens de bem. É o caso de Raïssa, esposa do filósofo francês Jacques Maritain, e de Christine, esposa de Van der Meer. Essas mulheres foram amigas do convertido ao catolicismo Léon Bloy, um homem de caráter e mestre espiritual delas. Em momento algum esse relacionamento prejudicou ou sufocou o casamento dessas mulheres virtuosas, nem tampouco seus maridos sentiram ciúmes (como fazem muitos homens fracos...). A amizade respeita a vida e a vocação do outro! Ao contrário de muitos, Jacques Maritain, um católico de verdade, reconheceu que a falta de amizades femininas na vida de um homem pode ser um “grave dano para o progresso e aperfeiçoamento da vida moral”. Os casados, especialmente, que vivem essa amizade sabem o quanto ela é importante – principalmente quando a pessoa é amiga do casal.

Finalmente, a escritora portuguesa Ana Paula Bastos escreveu um singelo livrinho intitulado Mensagem de Amizade, que traz um parágrafo muito significativo sobre a amizade entre homens e mulheres. Entre outras coisas, ela diz que a amizade “entre um homem maduro e uma mulher madura, no auge de suas faculdades intelectuais, afetivas, espirituais, é qualquer coisa de maravilhoso, por aquilo que tem de aventura, de descoberta e de exploração dos mistérios da vida. Tem algo de busca de crescimento interior a dois, de partilha de vida interior cada vez mais íntima, cada vez mais profunda, cada vez mais bela...”. Portanto, admitimos que é difícil uma amizade entre um homem e uma mulher (e isso por vários motivos), mas não é impossível! Admitimos que é também perigosa (e nós sabemos os motivos), mas muito mais perigoso é viver sem essa amizade. Quem a vive sabe muito bem...! Vale a pena arriscar... e ser infinitamente feliz!!!

Fonte: http://venicreator2008.blogspot.com/2009/06/falando-de-amizade-vii.html
Leia Mais…

sábado, 24 de julho de 2010

Tríduo Inaciano Jovem

Leia Mais…

domingo, 18 de julho de 2010

Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus

Por Dom Luiz Gonzaga Bergonzini,
Bispo de Guarulhos.

 
Com esta frase Jesus definiu bem a autonomia e o respeito, que deve haver entre a política (César) e a religião (Deus). Por isto a Igreja não se posiciona nem faz campanha a favor de nenhum partido ou candidato, mas faz parte da sua missão zelar para que o que é de “Deus” não seja manipulado ou usurpado por “César” e vice-versa.

Quando acontece essa usurpação ou manipulação é dever da Igreja intervir convidando a não votar em partido ou candidato que torne perigosa a liberdade religiosa e de consciência ou desrespeito à vida humana e aos valores da família, pois tudo isso é de Deus e não de César. Vice-versa extrapola da missão da Igreja querer dominar ou substituir- se ao estado, pois neste caso ela estaria usurpando o que é de César e não de Deus.

Já na campanha eleitoral de 1996, denunciei um candidato que ofendeu pública e comprovadamente a Igreja, pois esta atitude foi uma usurpação por parte de César daquilo que é de Deus, ou seja o respeito à liberdade religiosa.

Na atual conjuntura política o Partido dos Trabalhadores (PT) através de seu IIIº e IVº Congressos Nacionais (2007 e 2010 respectivamente), ratificando o 3º Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH3) através da punição dos deputados Luiz Bassuma e Henrique Afonso, por serem defensores da vida, se posicionou pública e abertamente a favor da legalização do aborto, contra os valores da família e contra a liberdade de consciência.

Na condição de Bispo Diocesano, como r e s p o n s á v e l pela defesa da fé, da moral e dos princípios fundamentais da lei natural que - por serem naturais procedem do próprio Deus e por isso atingem a todos os homens -, denunciamos e condenamos como contrárias às leis de Deus todas as formas de atentado contra a vida, dom de Deus,como o suicídio, o homicídio assim como o aborto pelo qual, criminosa e covardemente, tira-se a vida de um ser humano, completamente incapaz de se defender. A liberação do aborto que vem sendo discutida e aprovada por alguns políticos não pode ser aceita por quem se diz cristão ou católico. Já afirmamos muitas vezes e agora repetimos: não temos partido político, mas não podemos deixar de condenar a legalização do aborto. (confira-se Ex. 20,13; MT 5,21).

Isto posto, recomendamos a todos verdadeiros cristãos e verdadeiros católicos a que não dêem seu voto à Senhora Dilma Rousseff e demais candidatos que aprovam tais “liberações”, independentemente do partido a que pertençam.

Evangelizar é nossa responsabilidade, o que implica anunciar a verdade e denunciar o erro, procurando, dentro desses princípios, o melhor para o Brasil e nossos irmãos brasileiros e não é contrariando o Evangelho que podemos contar com as bênçãos de Deus e proteção de nossa Mãe e Padroeira, a Imaculada Conceição.

D. Luiz Gonzaga Bergonzini
Bispo de Guarulhos

Leia Mais…