sexta-feira, 9 de abril de 2010

A verdadeira justiça vem de Deus

por Gabriel de Souza Leitão

Quando se lê isoladamente a sentença “com a mesma medida que medirdes sereis medidos” (Mt 7,2) pode-se questionar sobre aonde estaria o Deus misericordioso de Jesus, aonde estaria aquele Deus que perdoa a tudo e a todos. Fora de seu contexto a afirmação parece fazer eco à antiga Lei de Talião, do Código de Hamurabi: “Olho por olho, dente por dente”. Entretanto, ao prosseguirmos na leitura as semelhanças chegam ao seu termo, pois, Jesus nos leva a enxergar as coisas com os olhos divinos e, Deus não vê apenas o externo mas, penetra fundo no coração do ser humano.
 
O coração humano que se considera capaz de julgar os outros não tem espaço no Reino de Deus, pois, ele mesmo não reservou espaço para Deus, que é o “verdadeiro juiz” (Tg 4,11). Por isso, quando o homem se esquece que Deus nos deixou apenas uma lei (“amai-vos uns aos outros como eu vos amei” – Jo 13,14) e julga os outros indiscriminadamente, não percebe que ele próprio é réu pelo primeiro dos vícios capitais: o orgulho.
 
O vício do orgulho é execrável por servir de motor a muitos outros e caracteriza-se pela estima exagerada de si mesmo. Quem o possui se torna incapaz de amar verdadeiramente as outras criaturas e coloca-se fora da dinâmica do Amor Divino, pois, o orgulho conduz à ambição, à vaidade e à inveja nos fazendo renunciar a Cristo e sua mensagem.
 
Todo aquele que adere ao Evangelho deve se afastar do orgulho e de todas as outras “inclinações desordenadas” (EE 1), a fim de que possa enxergar com os olhos de Deus e discernir apenas segundo a vontade dEle. Para isso, é necessário purificar o coração e exercitar a humildade que auxilia o cristão a se coloca em seu verdadeiro lugar e atribuir a Deus todos os dons que possui. Somente desse modo chegar-se-á à verdadeira Lei do Amor e à verdadeira Justiça.

Fortaleza, 23 de março de 2010

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