quarta-feira, 7 de abril de 2010

Divagações sobre Tudo e Nada

Alguns dizem que escrever é útil, agradável e prazeroso, que através da escrita e leitura se pode viajar pelo mundo inteiro ou mesmo alçar vôos muito, muito altos. Pode-se fazer viagens interplanetárias, percorrendo vários universos, múltiplas realidades, culturas, inventar mundos e vidas. Devo confessar que me associo a este primeiro grupo de seres aparentemente terrenos.
 
Outros garantem que ler e escrever são atividades demasiado cansativas e pedantes. Mas, mesmo estes que, em geral, se afundam em leituras “modernóides”, por assim dizer, também lêem. Entretanto, é uma leitura que parece impulsionar e ser impulsionada por uma indústria, uma cultura do ridículo, do simplório, do ler por ler. Penso que estes últimos tornam-se meros expectadores da realidade e escravos do pensamento e ideologia de outrem.

O caríssimo leitor pode estar pensando sobre o que me motivou a escrever os dois parágrafos anteriores, por isso, recorro a outras duas palavras: Tudo e Nada. Quando me foi proposta a redação de um texto cujo tema seria livre pensei em milhões de assuntos: de computação à religião, de agricultura à astronomia. De repente, percebi quão diversos poderiam ser meus interesses e quão vastas seriam as possibilidades de escrita. Assim me veio o dilema: sobre o que escrever? Juro pelas ancas de uma certa cabra pernambucana (que um companheiro conhece bem) que pensei em não escrever sobre nada. Ora se antes poderia e queria escrever sobre tudo, como passei a não querer escrever sobre nada?
 
Num instante você tem massa e proporções bem definidas e num outro é apenas energia condensada num ponto infinitesimal que ao passar por um momento de singularidade pode se tornar qualquer coisa, a qualquer momento. Por isso, de certo modo inspirado no Universo decidi escrever sobre o tudo e o nada. Semelhante a um buraco negro que abocanha tudo a sua volta e fica com mais “fome” como se continuasse vazio de sentido. Semelhante também àqueles leitores do segundo parágrafo.
 
“O Brasil é uma República Federativa cheia de árvores e gente dizendo adeus” (Oswald de Andrade)

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