sábado, 28 de março de 2009

“O PAPA ESTÁ CERTO”

UM DOS MAIORES ESPECIALISTAS DO MUNDO NO COMBATE À AIDS DIZ: “O PAPA ESTÁ CERTO”. MAS ESSA NOTÍCIA FOI DEVIDAMENTE SONEGADA DOS LEITORES



Há coisas que você jamais vai ler na imprensa brasileira porque, dada a sua “isenção” de propaganda, às vezes letal para a inteligência e a verdade, pouco importa a consideração de uma autoridade científica ou religiosa se o que elas dizem não coincide com a metafísica politicamente correta. Aceita-se a chamada pluralidade, mas sem exageros, é claro. Querem ver?

Vocês se lembram que, em Camarões — e, de fato, foi uma mensagem para o continente africano —, o papa Bento 16 afirmou que a distribuição maciça de camisinhas não era o melhor programa de combate à AIDS. E disse que o problema poderia até se agravar. A estupidez militante logo entendeu, ou fingiu entender, que Sua Santidade contestara a eficiência do preservativo para barrar a transmissão do vírus. Bento 16 não tratava desse assunto, mas de coisa mais ampla. Referia-se a políticas públicas de combate à expansão da doença. Apanhou de todo lado. De todo mundo. No Brasil, noticiou-se a coisa com ares de escândalo. Os valentes nem mesmo investigaram os números no Brasil — a contaminação continua alta e EM ALTA em alguns grupos — e no mundo. Adiante.

Se você pesquisar um pouco, vai saber que o médico e antropólogo Edward Green (foto) é uma das maiores autoridades mundiais no estudo das formas de combate à expansão da AIDS. Ele é diretor do Projeto de Investigação e Prevenção da AIDS (APRP, na sigla em inglês), do Centro de Estudos sobre População e Desenvolvimento de Harvard. Pois bem. Green concedeu uma entrevista sobre o tema. E o que ele disse? O PAPA ESTÁ CERTO. AS EVIDÊNCIAS EMPÍRICAS CONFIRMAM O QUE DIZ SUA SANTIDADE. Ora, como pode o papa estar certo? Vamos sonegar essa informação dos leitores.

Em entrevista aos sites National Review Online (NRO) e Ilsuodiario.net, Green afirma que as evidências que existem apontam que a distribuição em massa de camisinha não é eficiente para reduzir a contaminação na África. Na verdade, ao NRO, ele afirmou que não havia uma relação consistente entre tal política e a diminuição da contaminação. Ao Ilsuodiario, assumiu claramente a posição do papa — e, notem bem!, ele fala como cientista, como estudioso, não como religioso: “O que nós vemos de fato é uma associação entre o crescimento do uso da camisinha e um aumento da AIDS. Não sabemos todas as razões. Em parte, isso pode acontecer por causa do que chamamos ‘risco compensação” — literalmente, nas palavras dele ao NRO: “Quando alguém usa uma tecnologia de redução de risco, freqüentemente perde o benefício (dessa redução) correndo mais riscos do que aquele que não a usa”.

Pois é… Green também afirma que o chamado programa ABC — abstinência, fidelidade e, sim, camisinha (se necessário), que está em curso em Uganda — tem-se mostrado eficiente para diminuir a contaminação. E diz que o grande fator para a queda é a redução de parceiros sexuais. Que coisa, não?

NÃO É MESMO INCRÍVEL QUE SEXO MAIS RESPONSÁVEL CONTRIBUA PRA DIMINUIR OS CASOS DE CONTAMINAÇÃO? Pois é... Critico as campanhas de combate à aids no Brasil desde o Primeira Leitura, como sabem. E, aqui, desde o primeiro dia. Há textos às pencas no arquivo. A petralhada que se pensa cheia de veneno e picardia erótica gritava: “Você quer impor seu padrão religioso ao país...” Ou então: “Você não gosta de sexo...” Pois é. Vai ver Harvard escolheu um idiota católico e sexofóbico para dirigir o programa...

Bento 16 apanhou que deu gosto. E apanhou pelo que não disse — e ele jamais disse que a camisinha facilita a contaminação de um indivíduo em particular — e pelo que disse: a AIDS é, sim, uma doença associada ao comportamento de risco e, pois, às escolhas individuais. Sem que se mude esse compartamento, nada feito.

Pois é... O mundo moderno não aceita que as pessoas possam ter escolhas. Como já escrevi aqui certa feita, transformaram a camisinha numa nova ética. E, como tal, ela é de uma escandalosa ineficiência.

Fonte: Blog do Reinaldo Azevedo

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quinta-feira, 26 de março de 2009

Jornais, Igreja e Estado

Abaixo, reproduzo um interessante texto publicado pelo Estadão, onde o autor faz uma crítica à impressa preconceituosa e avessa à religião da grande maioria dos brasileiros. Se quisermos um jornalismo verdadeiramente profissional é necessário ser imparcial e não ceder ao senso comum, às suas falácias ou à própria convicção, caso contrário não mais descreve a realidade como tal e deixa de ser jornalismo.

Obviamente podemos estender esse conceito à todas as áreas do conhecimento. É importante lembrar principalmente da História que muito tem contribuído para as falsas verdades (normalmente fruto de uma visual parcial oriunda ainda das falácias e preconceitos forjados na Revolução Francesa).

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Carlos Alberto Di Franco

O Brasil é um país de expressiva maioria católica. A informação de religião, portanto, merece atenção especial. A quantidade da informação religiosa, em geral, é bastante razoável. Alguns riscos, no entanto, ameaçam a qualidade da cobertura jornalística. Sobressai, entre eles, a falta de especialização, o razoável desconhecimento técnico e, reconheçamos, certa dose de preconceito. Acresce a tudo isso o amadorismo, o despreparo e a falta de transparência da comunicação eclesiástica. Recentes episódios, lamentáveis, evidenciam a urgente necessidade de profissionalização da comunicação institucional da Igreja.

A Igreja Católica, instituição de grande presença e influência na agenda pública brasileira, é sempre notícia. Trabalhar a informação religiosa com rigor e isenção é um desafio. Muitas vezes ganhamos. Outras, perdemos. Em sua primeira viagem à África, o papa Bento XVI reafirmou a oposição da Igreja ao uso dos preservativos. Os jornais afirmaram que Bento XVI teria dito que "a camisinha agrava a aids". Errado. O que o papa disse e tem repetido é que a verdadeira luta contra a aids passa pela "humanização da sexualidade". A mera distribuição de preservativos é, segundo a Igreja, uma estratégia equivocada. A Igreja prega abertamente que a fidelidade dentro do casamento heterossexual, a castidade e a abstinência são a melhor maneira de combater a aids. Tal postura não decorre de uma histeria conservadora. Resulta, na verdade, de conceitos antropológicos profundos, embora, reconheço, politicamente incorretos. Podemos concordar ou discordar, podemos achar que se trata de uma exigência excessiva, mas não podemos desqualificar por baixo.

A mídia dá foco absoluto ao que a Igreja faz ou fará. Gente de todas as denominações cristãs (e até mesmo sem qualquer profissão religiosa) dá opiniões sobre os caminhos que a Igreja Católica deve adotar. Se a Igreja estivesse de fato fora do tempo, anacrônica e ultrapassada, poucos se dariam a esse trabalho. A eleição de Bento XVI, por exemplo, foi um case jornalístico interessante. A cobertura, lá fora e aqui, foi quantitativamente exuberante. Do ponto de vista da qualidade, no entanto, ficou bastante aquém do que poderíamos ter feito. Ficaram, alguns jornais, reféns de declarações de reduzidos e conhecidos desafetos do então cardeal Ratzinger. Criou-se, assim, uma falsa imagem do novo papa. Bento XVI seria um eclesiástico duro, quase intratável. Quem o conhece, e nós o vimos de perto aqui no Brasil, sabe que se trata de um brilhante intelectual, mas também de um homem simples, cordial, com uma ponta de timidez que desarma e cativa.

Agora, como papa, por óbvio, defende o núcleo fundamental da fé católica. Sem essa defesa, muitas vezes na contramão dos modismos de ocasião, a Igreja perderia sua identidade. Se os papas procurassem o "sucesso" - que parece ser a medida suprema da realização para os que tudo medem pelos ibopes -, bastaria que, esquecendo-se da verdade que custodiam, se tivessem bandeado pouco a pouco, como fazem certos "teólogos", para os "novos valores" (em linguagem cristã, contravalores) que cada vez mais tentam dominar o mundo.

É patente que, na hora atual, vivemos uma encruzilhada histórica em que são incontáveis os que parecem andar pela vida sem norte nem rumo, entre as areias movediças do niilismo. O papa teve sempre plena consciência dessa situação e, em vez de sentir a tentação daqueles teólogos que aspiram aos afagos do mundo para dele receberem diploma de "modernos" e "progressistas", ele dá, diariamente, a vida por uma verdade que pode resgatar este mundo, sem se importar com que o chamem de retrógrado, conservador ou desatualizado. Ou será que se espera um papa que deixe de ser cristão para ser mais bem aceito?

Pretende-se que, perante este deslizamento do mundo para baixo, com a glorificação de todo nonsense moral, o papa exerça a sua missão acompanhando a descida, cedendo a tudo e se limitando a um vago programa socioecológico, a belos discursos de paz e amor e a um ecumenismo em que todos os equívocos se podem abraçar e congraçar, porque ninguém acredita mais em coisa alguma, a não ser em viver bem? Mas a coerência doutrinal da Igreja, por vezes conflitante com certas posturas comportamentais, tem sido um fator de defesa e elevação ética das sociedades.

O crescimento da Igreja, como salientou Bento XVI, dá-se "muito mais por atração", nunca por imposição. Entre uma pessoa de fé e um fanático existe uma fronteira nítida: o apreço pela liberdade. O sectário assume a sua convicção com intolerância. O fanático impõe. A pessoa de fé, ao contrário, assenta serenamente em seus valores. Por isso, a sua convicção não a move a impor, mas a estimula a propor, a expor à livre aceitação dos outros as ideias que acredita dignas de serem compartilhadas.

A correta informação sobre a Igreja passa pelo reconhecimento de seu papel na sociedade e pelo seu direito de transitar no espaço público. Caso contrário, cairíamos no laicismo antidemocrático. O Estado é laico, mas não é ateu. O laicismo militante pretende ser a "única verdade"racional, a única digna de ser levada em consideração na cultura, na política, na legislação, no ensino, etc. Por outras palavras, o laicismo é um dogmatismo secular, algo tão pernicioso quanto o clericalismo do passado.

Tentar expulsar a Igreja do debate em defesa da vida, por exemplo, é arbítrio laicista. A independência é um bem para a Igreja e para o Estado. Mas não significa ruptura e, muito menos, virar as costas para o Brasil real, uma nação de raízes culturais cristãs. Informar com isenção é um desafio. E é aí que mora o fascínio da nossa profissão.

Carlos Alberto Di Franco, doutor em Comunicação pela Universidade de Navarra, professor de Ética, é diretor do Master em Jornalismo (www.masteremjornalismo.org.br) e da Di Franco - Consultoria em Estratégia de Mídia (www.consultoradifranco.com)

E-mail: difranco@iics.org.br

[destaques meus]

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quarta-feira, 25 de março de 2009

O Sal da terra: o Cristianismo e a Igreja Católica no século XXI: um diálogo com Peter Seewakd

Abaixo, transcrevo uma questão do livro-entrevista sobre o papa Bento XVI (quando ainda era cardeal Ratzinger). O livro é muito bom para entendermos como pensa e o que leva o Sumo Pontífice a tomar certas atitudes e posturas, obviamente, também mostra um Joseph Ratzinger mais humano do que a mídia está acostumada a apresentar e com uma forte tendência ao diálogo e a aceitação dos outros nas suas limitações. Aborda temas que vão da sua infância, juventude e carreira de professor a épocas mais recentes como prefeito da Congregação para Doutrina da Fé (recorda os casos de Hans Küng e Leonardo Boff). Vale ressaltar que ainda não terminei de lê-lo mas vale a indicação. Recomendo!


Trecho do Livro: “O Sal da terra: o Cristianismo e a Igreja Católica no século XXI: um diálogo com Peter Seewakd.” (Páginas: 37-38. Editora Imago).


“ Peter Seewald: O senhor cresceu no campo, sendo o mais novo de três filhos. O seu pai era policial, a família mais pobre do que rica. O senhor contou uma vez que sua mãe até fazia sabão.

Joseph Ratzinger: Meus pais tinham se casado tarde, e um policial bávaro com a graduação do meu pai, um simples comissário, recebia um salário muito modesto. Não éramos pobres no sentido estrito da palavra , porque o salário mensal estava garantido, mas tínhamos de viver com muita economia e simplicidade, pelo que estou muito agradecido. Porque é precisamente assim que surgem alegrias que não se podem ter na riqueza. Lembro muitas vezes como era bom, como éramos capazes de nos alegrar com as coisas mais insignificantes e como tentávamos também ajudar uns aos outros. Desta situação muito modesta e financeiramente muito difícil nasceu uma solidariedade interior que nos ligou profundamente uns aos outros.


Para que os três filhos pudessem freqüentar a universidade, meus pais tiveram que fazer enormes sacrifícios. Também nos apercebemos disso e procuramos corresponder a essa situação. Foi precisamente graças a esse ambiente de grande simplicidade que também cresceu muita alegria e amor uns pelos outros. Sentíamos o que nos era dado e quanto nossos pais tomavam sobre si.


A historia do sabão é um caso a parte. Não estava relacionada com a pobreza, mas com o fato de que, durante a guerra, era preciso arranjar, de alguma maneira, gêneros que não existiam em quantidade suficiente. Nossa mãe era cozinheira de profissão e sabia fazer tudo, até essas receitas sabia de cor. Com a grande imaginação e o sentido prático que tinha, soube, sobretudo quando o país passava fome, fazer uma boa refeição com os meios mais simples.


Minha mãe era muito calorosa e possuía uma grande força interior, enquanto meu pai tinha uma índole mais racional e decidida; tinha uma convicção de fé refletida, compreendia tudo muito depressa e conseguia sempre formular juízos extraordinariamente pertinentes. Quando Hitler chegou ao poder , meu pai disse: Agora vai haver guerra, precisamos de uma casa! ”


[Grifos meus]

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domingo, 22 de março de 2009

SOBRE O JEJUM

Quinta-feira depois das cinzas

I. — Pratica-se o jejum por três motivos:
1. Primeiro, para reprimir as concupiscências da carne. Donde o dizer o Apóstolo (2 Cor 6, 5): «Nos jejuns, na necessidade», porque o jejum conserva a castidade. Pois, como diz Jerônimo, «sem Ceres e Baco Vênus esfria», i. é, pela abstinência da comida e da bebida a luxúria se amortece.

2. Segundo, praticamos o jejum para mais livremente se nos elevar a alma na contemplação das sublimes verdades. Por isso, refere a Escritura que Daniel (Dn 10), depois de ter jejuado três semanas, recebeu de Deus a revelação.

3. Terceiro, para satisfazer pelos nossos pecados. Por isso, diz a Escritura (Jl 2, 12): «Convertei-vos a mim de todo o vosso coração em jejum e em lágrimas e em gemido». E é o que ensina Agostinho num sermão: «O jejum purifica a alma, eleva os sentidos, sujeita a carne ao espírito, faz-nos contrito e humilhado o coração, dissipa o nevoeiro da concupiscência, extingue os odores da sensualidade, acende a verdadeira luz da castidade».


II. — O jejum é objeto de preceito. Pois o jejum é útil para delir e coibir as nossas culpas e elevar-nos a mente para as coisas espirituais. Ora, cada um está obrigado, pela razão natural, a jejuar tanto quanto lhe for necessário para conseguir tal fim. Por onde, o jejum, em geral, constitui um preceito da lei natural. Mas, a determinação do tempo e do modo de jejuar, conforme à conveniência e à utilidade do povo Cristão, constitui um preceito de direito positivo, instituído pelos superiores eclesiásticos. E tal é o jejum da Igreja, diferente do jejum natural.

III. — Os tempos de jejum estão convenientemente determinados pela Igreja. O jejum é ordenado por dois motivos: para delir a culpa e para nos elevar a mente às coisas espirituais. Por isso, os jejuns foram ordenados especialmente naqueles tempos em que, sobretudo, devemos os fiéis nos purificar dos pecados e elevar a mente a Deus pela devoção. O que sobretudo se dá antes da solenidade Pascal, quando as culpas são delidas pelo batismo, celebrado solenemente na vigília da Páscoa, em memória da sepultura do Senhor; pois, pelo batismo, somos sepultados com Cristo para «morrer ao pecado», na frase do Apóstolo (Rm 6, 4). E também na festa Pascal devemos, sobretudo, pela devoção, elevar a mente à glória da eternidade, a que Cristo deu começo pela sua ressurreição. Por isso, imediatamente antes da solenidade Pascal, a Igreja nos manda jejuar; e pela mesma razão, nas vigílias das principais festividades, quando devemos nos preparar devotamente para celebrar as festas que se vão celebrar.

Ia IIae, q. CXLVII, a. 1, 3, 5.

(P. D. Mézard, O. P., Meditationes ex Operibus S. Thomae.)

Fonte: Permanência

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quarta-feira, 18 de março de 2009

Cientistas e intelectuais se manifestam contra aborto na Espanha

da France Presse, em Madri

Uma associação contra o aborto apresentou nesta terça-feira (17) um manifesto assinado por centenas de cientistas e intelectuais contra o projeto do governo para legalizar a interrupção voluntária da gravidez dentro de um prazo determinado.

Os assinantes consideram no manifesto "que o aborto é um ato simples e cruel de interrupção de uma vida humana", afirmando que a vida começa no momento da fecundação.

Campanha publicitária anti-aborto, capitaneada por bispos católicos; cientistas e intelectuais assinam manifesto contra a prática na Espanha
Campanha anti-aborto traz bebê comparado à preservação de espécies na Espanha;
cientistas assinam manifesto contra a prática

"Quase 1.000 cientistas e intelectuais assinaram o texto", afirmou, durante entrevista à imprensa, um dos promotores da iniciativa, Nicolás Jouve de la Barreda, professor de genética da Universidade de Alcalá de Henares, em Madri.

A iniciativa da associação HazteOir, que é contra o aborto e a eutanásia e a favor da família como instituição básica da ordem social, coincide com o lançamento, pela Igreja espanhola, de uma polêmica campanha publicitária contra o aborto.

Os bispos espanhóis lançaram uma campanha para denunciar o fato de espécies animais ameaçadas estarem mais protegidas, segundo eles, do que embriões humanos na Espanha.

O fundador de HazteOir, Ignacio Arsuaga, que se declara católico, considerou que a campanha dos bispos foi muito bem feita e aborda bem o problema.

Na campanha dos bispos, um bebê aparece ao lado de um lince ibérico --espécie protegida na Espanha por sua vulnerabilidade--, com a frase "Lince protegido". O bebê pergunta: "E eu?" e, acrescenta, "Proteja minha vida!"

O governo espanhol quer permitir o aborto livre legal dentro de um prazo de gestação limitado, como já ocorre em diversos países europeus.

Atualmente, o aborto é permitido no país durante as primeiras 12 semanas de gestação em caso de estupro, 22 semanas em caso de má formação do feto, e sem limite de tempo em caso de risco físico ou psíquico para a mãe.


Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u536078.shtml

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terça-feira, 17 de março de 2009

DECLARAÇÃO DA ARQUIDIOCESE DE OLINDA E RECIFE

A respeito do artigo intitulado “Dalla parte della bambina brasiliana” e publicado no L´OSSERVATORE ROMANO no dia 15 de março, nós, abaixo assinados, declaramos:

1. O fato não aconteceu em Recife, como diz o artigo, mas sim na cidade de Alagoinha (Diocese de Pesqueira).

2. Todos nós – começando pelo pároco de Alagoinha (abaixo assinado) -tratamos a menina grávida e sua família com toda caridade e doçura. O Pároco, fazendo uso de sua solicitude pastoral, ao saber da notícia em sua residência, dirigiu-se de imediato à casa da família, onde se encontrou com a criança para lhe prestar apoio e acompanhamento, diante da grave e difícil situação em que a menina se encontrava. E esta atitude se deu durante todos os dias, desde Alagoinha até Recife, onde aconteceu o triste desfecho do aborto de dois inocentes. Portanto, fica evidente e inequívoco que ninguém pensou em primeiro lugar em “excomunhão”. Usamos todos os meios ao nosso alcance para evitar o aborto e assim salvar as TRÊS vidas. O Pároco acompanhou pessoalmente o Conselho Tutelar da cidade em todas as iniciativas que visassem o bem da criança e de seus dois filhos. No hospital, em visitas diárias, demonstrou atitudes de carinho e atenção que deram a entender tanto à criança quanto à sua mãe que não estavam sozinhas, mas que a Igreja, ali representada pelo Pároco local, lhes garantia a assistência necessária e a certeza de que tudo seria feito pelo bem da menina e para salvar seus dois filhos.

3. Depois que a menina foi transferida para um hospital da cidade do Recife, tentamos usar todos os meios legais para evitar o aborto. A Igreja em momento algum se fez omissa no hospital. O Pároco da menina realizou visitas diárias ao hospital, deslocando-se da cidade que dista 230 km de Recife, sem medir esforço algum para que tanto a criança quanto a mãe sentissem a presença de Jesus Bom Pastor que vai ao encontro das ovelhas que mais precisam de atenção. De tal sorte que o caso foi tratado com toda atenção devida da parte da Igreja e não “sbrigativamente” como diz o artigo.

4. Não concordamos com a afirmação de que “a decisão é árdua… para a própria lei moral”. Nossa Santa Igreja continua a proclamar que a lei moral é claríssima: nunca é lícito eliminar a vida de um inocente para salvar outra vida. Os fatos objetivos são estes: há médicos que explicitamente declaram que praticam e continuarão a praticar o aborto, enquanto outros declaram com a mesma firmeza que jamais praticarão o aborto. Eis a declaração escrita e assinada por um médico católico brasileiro: “(…) Como médico obstetra durante 50 anos, formado pela Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil, e ex chefe da Clínica Obstétrica do Hospital do Andaraí, onde servi 35 anos até minha aposentadoria, para dedicar-me ao Diaconato, e tendo realizado 4.524 (quatro mil quinhentos e vinte e quatro) partos, muitos de menores de idade, nunca precisei recorrer ao aborto para “salvar vidas”, assim como todos os meus colegas íntegros e honestos em sua profissão e cumpridores de seu juramento hipocrático. (…)”.

5. É falsa a afirmação de que o fato foi divulgado nos jornais somente porque o Arcebispo de Olinda e Recife se apressou em declarar a excomunhão. Basta ver que o caso veio a público em Alagoinha na quarta-feira, dia 25 de fevereiro, o Arcebispo se pronunciou na imprensa no dia 03 de março e o aborto se deu no dia 4 de março. Seria demasiado imaginar que a imprensa brasileira, diante de um fato de tamanha gravidade, tenha silenciado nesse intervalo de seis dias. Assim sendo, a notícia da menina (“Carmen”) grávida já estava divulgada nos jornais antes da consumação do aborto. Somente então, interrogado pelos jornalistas, no dia 3 de março (terça-feira), o Arcebispo mencionou o cânon 1398. Estamos convictos de que a divulgação desta penalidade medicinal (a excomunhão) fará bem a muitos católicos, levando-os a evitar este pecado gravíssimo. O silêncio da Igreja seria muito prejudicial, sobretudo ao constatar-se que no mundo inteiro estão acontecendo cinqüenta milhões de abortos cada ano e só no Brasil um milhão de vidas inocentes são ceifadas. O silêncio pode ser interpretado como conivência ou cumplicidade. Se algum médico tem “consciência perplexa” antes de praticar um aborto (o que nos parece extremamente improvável) ele – se é católico e deseja observar a lei de Deus - deve consultar um diretor espiritual.

6. O artigo é, em outras palavras, uma direta afronta à defesa pela vida das três crianças feita veementemente por Dom José Cardoso Sobrinho e demonstra quanto o autor não tem bases e informações necessárias para falar sobre o assunto, por total desconhecimento dos detalhes do fato. O texto pode ser interpretado como uma apologia ao aborto, contrariando o Magistério da Igreja. Os médicos abortistas não estiveram na encruzilhada moral sustentada pelo texto, ao contrário, eles praticaram o aborto com total consciência e em coerência com o que acreditam e o que ensinam. O hospital que realizou o aborto na menininha é um dos que sempre realizam este procedimento em nosso Estado, sob o manto da “legalidade”. Os médicos que atuaram como carrascos dos gêmeos declararam e continuam declarando na mídia nacional que fizeram o que já estavam acostumados a fazer “com muito orgulho”. Um deles, inclusive, declarou que: “Já fui, então, excomungado várias vezes”.

7. O autor arvorou-se do direito de falar sobre o que não conhecia, e o que é pior, sequer deu-se ao trabalho de conversar anteriormente com o seu irmão no episcopado e, por esta atitude imprudente, está causando verdadeiro tumulto junto aos fiéis católicos do Brasil que estão acreditando ter Dom José Cardoso Sobrinho sido precipitado em seus pronunciamentos. Ao invés de consultar o seu irmão no episcopado, preferiu acreditar na nossa imprensa declaradamente anticlerical.

Recife-PE, 16 de março de 2009

Pe Edson Rodrigues

Pároco de Alagoinha-PE - Diocese de Pesqueira

Mons. Edvaldo Bezerra da Silva

Vigário Geral - Arquidiocese de Olinda e Recife

Pe Moisés Ferreira de Lima - Reitor do Seminário Arquidiocesano

Dr. Márcio Miranda - Advogado da Arquidiocese de Olinda e Recife


Fonte: http://blog.cancaonova.com/padrejoaozinho/2009/03/17/declaracao-da-arquidiocese-de-olinda-e-recife/

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segunda-feira, 16 de março de 2009

'A Igreja católica nunca condenou Darwin ou seus escritos'

Arcebispo Gianfranco Ravasi falou ao 'Estado' sobre a Teoria da Evolução e congresso sobre o tema do Vaticano

Alexandre Gonçalves, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - "Não cabe à Igreja dizer se a evolução é uma tese, uma hipótese ou qualquer outra coisa", afirmou o arcebispo italiano Gianfranco Ravasi ao Estado. Ele foi o principal responsável pelo congresso sobre darwinismo patrocinado pelo Vaticano no início do mês. Presidente do Conselho Pontifício para a Cultura - órgão da Santa Sé que promove o diálogo da Igreja católica com o mundo contemporâneo -, Ravasi comentou também o ensino do evolucionismo nas escolas, a interpretação dos textos bíblicos sobre a criação e o fenômeno contemporâneo do ateísmo.

Por que a Igreja realizou um congresso sobre evolucionismo?

As relações entre ciência e fé foram turbulentas. É justo reconhecer que houve momentos negativos. Refiro-me sobretudo ao caso Galileu. No ano 2000, João Paulo II quis pedir perdão e enterrar este passado. Agora, procuramos nos orientar para o futuro. O tema este ano é a evolução. Vale a pena lembrar que a Igreja católica nunca condenou Darwin ou seus escritos. Em 1950, Pio XII considerava compatíveis evolução biológica e doutrina católica. Em 1996, João Paulo II disse que a teoria da evolução é praticamente um consenso entre os cientistas, o que convida a um diálogo com a teologia, que naturalmente se move em um plano diferente. Por isso, patrocinamos este congresso internacional que contou com a presença de cientistas de renome que conversaram com filósofos e teólogos. Cada um segundo sua própria perspectiva.

Bento XVI fez alguma indicação concreta?

O papa deixou muito livre o debate. Participaram do congresso pesquisadores que não creem ou professam outros credos, como budistas, por exemplo. Estiveram presentes várias expressões culturais e cada uma delas pode falar. Mesmo na filosofia e na teologia estavam representadas diversas abordagens. Bento XVI quis reafirmar, como em outras ocasiões, a importância do diálogo entre razão e fé. Inspira-se em Agostinho de Hipona que dizia: "Se a fé não é pensada, não é nada." Bento XVI não deu nenhuma indicação precisa porque prejudicaria o diálogo.

O que a Igreja pensa da evolução?

A Igreja católica não deve pensar nada, porque é uma questão especificamente científica. João Paulo II disse que "novos conhecimentos levam a considerar que a teoria da evolução é mais do que uma hipótese". Foi simplesmente uma constatação, pois o papa desejava abrir o diálogo teológico. No entanto, cabe ao cientista argumentar sobre o status do darwinismo. Se a evolução é a posição dominante entre os pesquisadores, faz sentido começar a reflexão teológica sobre ela. Mas não cabe à Igreja dizer se a evolução é uma tese, uma hipótese ou qualquer outra coisa.

Como compreender a narrativa bíblica da criação?

A religião judaico-cristã não é uma religião do livro. A Palavra de Deus precede e ultrapassa a Bíblia. Por isso, na sua forma escrita final, necessita interpretação. Tradicionalmente, há dois caminhos para compreender a Escritura. O primeiro tenta distinguir os "sentidos espirituais" do texto sagrado - a mensagem divina expressa nas palavras humanas. O segundo é a análise histórico-crítica que investiga as palavras humanas - pronunciadas em idiomas concretos e ligadas a uma cultura particular, a coordenadas históricas precisas e a determinados gêneros literários. Os dois métodos precisam dialogar. É um relacionamento análogo ao que deve existir entre ciência e teologia.

Mas como interpretar os primeiros capítulos do Gênesis?

No Gênesis, fala-se da origem histórica da humanidade para revelar seu sentido profundo, que é meta-histórico. Fala-se do primeiro homem, não porque desejamos descrever o que aconteceu durante a evolução - não se pensava nisso quando a Bíblia foi escrita: as espécies são fixas na sua narrativa -, mas para compreender a humanidade. É uma realidade histórica que somos filhos de Adão - ou seja, todos descendemos da mesma linhagem humana -, mas a mensagem principal é meta-histórica. O relato do Gênesis procura identificar as três relações fundamentais: com o Criador, com a criação e com o próximo. A Bíblia coloca naquele personagem primordial o rosto de todos os homens. O nome Adão, em hebraico, confirma esta intenção: ha'-adam. Ha é o artigo definido "o". 'adam significa "aquele que tem a cor ocre da argila". É o Homem com "H" maiúsculo. Não é um nome próprio, mas uma representação. Trata-se de uma análise sapiencial, o que não significa uma análise teórica ou vaga. Procuro quem sou eu refletindo sobre minha origem. Mas a pergunta "quem sou eu" tem um caráter metafísico e meta-histórico. Não é uma indagação científica sobre a origem biológica do homem.

É possível harmonizar o relato bíblico com a teoria da evolução?

A evolução, quando lida do ponto de vista teológico, é a obra criadora de Deus que não compreende só um instante no qual tudo se constitui, mas um verdadeiro itinerário, assim como a história da salvação descrita na Bíblia é um percurso com diversas etapas. Dentro deste itinerário evolutivo, no surgimento do homem, há um selo singular de Deus, que costumamos chamar alma. A Bíblia só usa este termo em épocas mais tardias. De qualquer forma, é uma palavra para designar a especifidade da criatura humana. O genoma do homem é 97% semelhante ao do chimpanzé. Uma diferença genética de apenas 3% torna-se imensa quando consideramos a capacidade simbólica, estética e racional do ser humano. A teologia não pretende saber quando esta diferença surgiu dentro da trama evolutiva. Mas, quando o homem se constitui de forma vital, existe naquele momento a alma humana, com seu mistério, sua transcendência e sua capacidade de amar até a doação de si que vai muito além do instinto natural - às vezes, até a morte. Aqui começa aquela dimensão que é propriamente humana e se constitui objeto de estudo da filosofia e da teologia.

Na sua opinião, como deve ser ensinada a origem do homem nos colégios?

É uma questão complexa. A ciência não deve considerar a teologia ou a filosofia como discursos de um passado arqueológico, mas como reflexões necessárias que - de modo semelhante à arte - revelam dimensões secretas da pessoa. Por outro lado, a teologia não deve impor seus próprios esquemas como já aconteceu no passado. Movendo-se em planos diferentes, precisam dialogar. Nas escolas, uma não deve invadir o espaço da outra, mas mostrar que são abordagens diferentes para os mistérios do homem e da natureza. Seria conveniente que os dois professores manifestassem mutuamente seus pontos de vista e, depois, apresentassem as diferentes perspectivas aos alunos. Nos temas mais prementes, como a origem do homem ou a bioética, poderiam estar juntos para fomentar o confronto de idéias. Esta interdisciplinaridade é a linha adotada em muitas universidades. De alguma forma, fizemos isso no congresso sobre Darwin.

A Bíblia diz: "Os céus narram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos" (Sl 18, 2). Para muitas pessoas, os céus e o firmamento não dizem nada sobre Deus.

Descobrir no interior do cosmos, não a casualidade e o caos, mas uma mensagem, é um caminho espiritual. O famoso teólogo Daniélou chamava este itinerário de "revelação cósmica". Todos os homens deveriam se esforçar para compreender o pergaminho que se estende do céu até a terra - a palavra secreta da própria criação. Tiro esta imagem da tradição sinagogal. Muitos homens veem o cosmos e permanecem insensíveis porque perderam a capacidade de se admirar. Contemplam o mundo com um olhar técnico, frio. Talvez por isso, violentemos a terra e escondamos os céus atrás da poluição. Precisamos fomentar a disposição que animava Pascal. Ele olhava os espaços infinitos, considerava a fragilidade humana e ficava perplexo diante de um contraste tão grande. O escritor inglês Chesterton dizia que o mundo não perecerá por falta de maravilhas - são muitas - mas por falta de admiração. A verdadeira ciência é diferente da técnica. A técnica mede. A ciência tenta compreender o conjunto dos fenômenos. O físico Max Planck escreveu: "Ciência e religião não estão em conflito, mas se completam na mente do homem que pensa de forma integral". A verdadeira ciência ajuda-nos a compreender que estamos imersos em um mistério. A priori, não vou qualificá-lo como divino, mas seguramente transcende a razão humana e a própria humanidade. Recordo a belíssima imagem de Newton que se via como uma criança que brinca na praia e descobre conchas, seixos, pedras... contudo, diante dela, abre-se o imenso oceano da realidade.


Fonte: o Estadão

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Não reclamem ao bispo

Publicada na Revista Veja

Entrevista Dom José Cardoso Sobrinho

Juliana Linhares


"Estou com a minha consciência tranquila. Não podia prever essa reação em nível nacional e internacional, mas remorso sentiria se tivesse ficado em silêncio"

Ao longo de 2 000 anos de história, duas forças, ora conflitantes, ora complementares, moldaram a Igreja Católica: a doutrina do amor e o amor pela doutrina. Dom José Cardoso Sobrinho, arcebispo de Olinda e Recife, é sem dúvida um homem da segunda força. Aos 75 anos, pequenino e orgulhosamente teimoso, ele reitera ponto por ponto as declarações que o transformaram na figura mais criticada no caso da menina de 9 anos estuprada pelo padrasto que engravidou de gêmeos e fez um aborto legal. A excomunhão dos adultos envolvidos é exigida pelas leis da Igreja, diz dom José, que considera ter cumprido o seu dever. "Estou tranquilíssimo", repete nesta entrevista, concedida na casa da arquidiocese na presença de outras cinco pessoas – um advogado, uma psicóloga, um médico e sua mulher, e um vigário. "Eles estão me dando apoio", explicou.

Por que o senhor acha que tantas pessoas, católicas em sua maioria, ficaram revoltadas com a sua posição no caso da excomunhão dos adultos envolvidos no aborto da menina violentada? Em primeiro lugar, nós temos de colocar essa questão no âmbito religioso. Acreditamos em Deus? É sim ou é não. E eu suponho que a grande maioria das pessoas acredita. E acreditar em Deus significa aceitar que Deus é a origem de tudo e é também o nosso fim. Essa é uma verdade fundamental. É premissa importantíssima para dizer que a lei de Deus está acima de qualquer lei humana. E a lei de Deus não permite o aborto. Então, se uma lei humana está contradizendo uma lei de Deus, no caso, a que permitiu a operação, essa lei não tem nenhum valor. Quanto ao que você afirma, sobre as pessoas estarem revoltadas, tenho de dizer que também houve um clamor grande, eu diria enorme, de autoridades de Roma a meu favor. Tenho sido insultado, claro, mas hoje mesmo recebi uma carta de Giovanni Battista Re, prefeito da Congregação para os Bispos em Roma, em que me elogia.


O que o senhor diria aos católicos que condenaram sua atitude?

Antes de tudo, quero deixar bem claro que não fui eu que excomunguei os médicos que praticaram o aborto e a mãe da menina. Isso é falso. Eu não posso excomungar ninguém. Eu simplesmente mencionei o que está escrito na lei da Igreja, o cânone 1 398, do Código de Direito Canônico, que está aí nas livrarias para qualquer um ler. Por essa lei, qualquer pessoa que comete aborto está excomungada, por uma penalidade que se chama latae sententiae, um termo técnico que significa automática. Então, não foi dom José Cardoso Sobrinho quem os excomungou. Eu simplesmente disse a todos: "Tomem consciência disto". Qualquer pessoa no mundo inteiro que pratique o aborto está incorrendo nessa penalidade – mesmo que ninguém fale nada. Quem é católico sabe que na primeira carta de São Paulo a Timóteo, no capítulo II, está escrito: Deus quer que todos sejam salvos.


Por que estupradores não são também automaticamente excomungados?

A nossa santa Igreja condena todos os pecados graves. O estupro é um pecado gravíssimo para a Igreja, assim como o homicídio. Agora, a Igreja diz que o aborto, isto é, o ato de tirar a vida de um inocente indefeso, é muito mais grave que o estupro, que o homicídio de um adulto. Qualquer pessoa inteligente é capaz de compreender isso. Eu não estou dizendo que o estupro e a pedofilia são coisas boas. Mas o aborto é muito mais grave e, por isso, a Igreja estipulou essa penalidade automática de excomunhão.

Em que outros casos se aplica a excomunhão automática?

No Código de Direito Canônico anterior, promulgado por Bento XV, havia cerca de quarenta motivos para a excomunhão automática. Em 1983, sob a autoridade de João Paulo II, foi publicado um novo Código. O atual os reduziu a apenas nove. São eles: o aborto; a apostasia, que é quando a pessoa abandona a religião; a heresia, que acontece quando uma pessoa nega um dogma da Igreja; a violência física contra a pessoa do papa; a consagração de um bispo sem a licença do papa; o cisma; a absolvição por um sacerdote do cúmplice de um pecado da carne; a violação direta do segredo da confissão; e a profanação das hóstias consagradas.

O que a Igreja e o senhor pessoalmente ofereceram à menina, em matéria de apoio material e espiritual, caso não fizesse o aborto?

Agradeço muito essa pergunta. Essa criança residia na diocese de Pesqueira, na cidade de Alagoinha, no interior de Pernambuco. Quando aconteceu isso, o bispo de Pesqueira me informou que a menina seria trazida para o Recife. Ele e eu queríamos fazer o que fosse possível para salvar a vida dela e a dos filhos que ela concebera. Nós tivemos várias reuniões com nossos advogados para saber o que poderíamos fazer para impedir o aborto. Pedimos audiência ao desembargador, e ele ligou para várias varas da infância e da juventude para tentar fazer algo. O pai da menina esteve também nesse encontro e declarou ser contra o aborto. Ele é analfabeto, mas repetiu desde o começo que não estava de acordo. Fez até uma procuração para o nosso advogado e assinou. Quer dizer, assinou não, pôs o dedão lá. Então, nós fizemos tudo o que foi possível.


Foram oferecidos abrigo, sustento material, uma eventual família adotiva?

Repito mais uma vez: essa menina é residente em outra cidade, portanto, em outra diocese. O bispo de Pesqueira foi quem acompanhou tudo de perto. O padre de lá deu toda a assistência possível. A menina não tinha nenhum problema de necessidade material nem passava fome. E, se acontecesse o parto, a cidade de Alagoinha iria ajudar. A menina não ficaria abandonada. A nossa santa Igreja iria ajudar. Nós temos aí abrigos para os pobres. Mas eu queria voltar a insistir no fato de que estamos sempre tentando cumprir a lei de Deus. E o quinto mandamento diz: não matar. Então, não é lícito, para salvar uma vida, eliminar a vida de dois inocentes. O fim não justifica os meios. Eu posso ter uma finalidade ótima, salvar a vida daquela menina grávida. O meio para chegar lá pode ser usar todos os recursos da medicina. Mas nunca, jamais, eliminar a vida de um inocente para salvar a vida de outro. O aborto é um crime nefando.


O senhor esteve com ela alguma vez?

Não consegui. Quando eu soube do caso, passei o dia todo, das 7 da manhã às 10 da noite, trabalhando na tentativa de evitar a operação. Mais tarde, eu estava me dirigindo ao primeiro hospital onde a menina foi internada, no interior do estado, para tentar convencer a família a desistir do aborto, e eis que tive uma surpresa. Um médico amigo me telefonou para dizer que um grupo de mulheres chamadas feministas tinha convencido a mãe a assinar um documento em que assumia a responsabilidade pela filha e autorizava a sua alta. Ela então seguiu para outro hospital, no Recife, onde o aborto foi feito já no dia seguinte. Eu fiquei muito angustiado.


O senhor sabe como era a vida da menina dentro da casa onde ocorriam os estupros?

Com licença, esses detalhes eu não sei. Se alguém tiver interesse, o caminho mais curto é ligar para o padre da cidade de Alagoinha e perguntar.


Qual é o nome dela?

A menina... Como se chama? (A pergunta é dirigida às cinco pessoas que acompanharam a entrevista a pedido do arcebispo; ninguém sabe responder.)


Como o senhor se sente em face das críticas e dos ataques que vem recebendo?

Eu quero dizer que estou com a minha consciência tranquila. Cumpri o meu dever. Não podia prever essa reação em nível nacional e internacional, mas remorso eu sentiria se tivesse ficado em silêncio. Humanamente falando, é muito mais cômodo cruzar os braços e fechar os olhos. Eu estou tranquilíssimo. Espero que os fiéis católicos se conscientizem da gravidade de um aborto. Nós sabemos que no mundo inteiro acontecem 50 milhões de abortos por ano. No Brasil, há 1 milhão a cada ano. Quero lembrar o que aconteceu na II Guerra Mundial. Hitler, aquele ditador, queria eliminar o povo judaico e dizem que ele chegou a matar 6 milhões de judeus. Não podemos esquecer esse delito. Agora, eu pergunto: por que vamos ficar em silêncio quando estão acontecendo 50 milhões de abortos no mundo? Eu chamo isso de o holocausto silencioso. E nós, cristãos, não podemos ficar quietos.


Do ponto de vista da doutrina da Igreja, qual é a situação da menina?

Ela não foi excomungada, porque essa sentença só se aplica a maiores de idade. Essa menina vai ser recebida na paróquia dela para ter instrução religiosa. Eu não sei se fez a primeira comunhão. Se ela tiver consciência de algum pecado, vai se confessar e receber o perdão. Não existe pecado sem perdão para aqueles que se arrependem, inclusive para os que incorrem na excomunhão. A Igreja só aplica essa penalidade para levar a pessoa à conversão ou, se era católica antes, à nova conversão. Se a pessoa se converte, a Igreja tem poderes para absolvê-la.


Se o senhor ficasse frente a frente com a menina, o que diria a ela?

Eu diria: o que aconteceu já passou. Daqui para a frente, procure praticar a religião com os meninos da sua idade, ir para a igreja e aprender o catecismo. Seria tão bom se as criancinhas fossem como antigamente, quando nem tinham uso da razão mas já sabiam rezar o Pai-Nosso e a Ave-Maria.


Se encontrasse o padrasto que a violentou, o que diria a ele?

Eu iria procurar convertê-lo. Iria perguntar se reconhece que errou e se está arrependido. Eu não sei onde ele está, se está preso, sei lá. Mas, se tivesse a oportunidade de visitá-lo, diria a ele que pedisse perdão a Deus. Iria ajudá-lo a fazer uma oração pedindo perdão.


O senhor acredita que uma educação religiosa poderia ter evitado o estupro?

Certamente. E o aborto também. Soube esses dias de um caso parecido, mas que teve um desenrolar muito diferente. É uma menina de 12 anos, do Rio Grande do Sul, que também engravidou assim. A diferença é que o médico dela me ligou dizendo que não vai fazer o aborto. Esse é um exemplo edificante que, infelizmente, não encontra muita difusão na imprensa. Outro exemplo: dia desses, uma mulher da mesma diocese dessa menina (pernambucana), que tinha um filho de 1 ano e meio, engravidou de novo. Ela não queria ter esse segundo filho. Então, foi procurar um médico querendo abortar e levou o menino mais velho junto, para dizer que não tinha condições. Mas o médico era católico e disse à mulher que, já que ela não podia ter dois filhos, ele ia matar o primeiro e ela ficava com o segundo, o que estava na barriga. A mulher, na hora, despertou e não aceitou mais o aborto.


O senhor já fez sermões contra a pedofilia, contra o estupro?

Nós temos na arquidiocese uma rádio católica. Eu tenho um programa diário e estou explicando ao povo o catecismo da Igreja. Leio um parágrafo e faço um comentário. Estou cumprindo o meu dever. E falo sobre todos os pecados. Ninguém pode dizer que dom José não condena a pedofilia e que dom José não condena o estupro. Mas não posso falar diariamente sobre a pedofilia. Vão dizer que estou louco. Eu não omito nenhum tema da lei de Deus.


Os adversários da Igreja são rápidos em reavivar os erros do passado, como a Inquisição e as perseguições religiosas, e projetá-los no presente. A Igreja raramente rebate. Isso significa que ela se desacostumou do embate de ideias?

Não. O que acontece é que a doutrina teológica diz que qualquer problema teológico, na história da Igreja, tem de ser escutado para ver quais são as opiniões. A diversidade de opiniões é permitida na Igreja. Agora, quando se trata de dogmas, a Igreja não pode admitir que se discorde. Quem não aceita esses dogmas está fora. E não adianta um católico dizer que, porque uma lei brasileira permite tal coisa, ele pode fazer essa coisa, como é o caso do divórcio, e ficar tranquilo. Fica não.


O senhor tem mais algo a dizer sobre o caso?

Sim, eu lamento não poder ter feito o batizado desses dois bebês. Eu estava planejando uma festa para esse dia, mas não aconteceu.

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domingo, 15 de março de 2009

CF 2009: Verdadeira cultura da paz

Cardeal Odilo Pedro Scherer

Desde o lançamento da Campanha da Fraternidade (CF) deste ano, recebi diversas manifestações de apreço pelo fato de a Igreja ter escolhido a “segurança pública” como tema da CF de 2009: “que bom, que a Igreja entrou nesta questão!” Sente-se de muitas formas a falta de segurança e muitas pessoas esperavam por esta iniciativa da Igreja “para fazer alguma coisa”... Está claro que a questão de fundo é a violência, que se alastra sempre mais, embora isso não apareça no enunciado do tema da CF.

Para que a CF tenha o efeito desejado, isto é, menos violência e mais paz na convivência social, a sociedade é chamada para uma reflexão ampla sobre os fatos de violência e, sobretudo, sobre suas causas, que podem ser tantas. Para isso, apela para o envolvimento e a participação de todos os seus filhos e filhas e de todas as suas organizações. Coloca à disposição materiais de apoio já conhecidos, como o Texto-Base e o Manual da CF, que apresentam a abordagem do tema e a propostas de reflexão e de ação; há ainda materiais para destinatários e grupos diversos, como escolas, a catequese, a juventude e as famílias.

Mas a reflexão não deve ficar apenas dentro do âmbito da Igreja: esta é missionária e quer falar a toda a sociedade. Para isso, é necessário que o tema chegue às páginas dos jornais e revistas, às telas das TVs, ao rádio e à Internet. Manifestações públicas podem ser organizadas para chamar mais a atenção sobre algum aspecto do problema. Iniciativas e criatividade estão liberadas amplamente e são muito desejadas. Leigos e suas organizações podem dar grande contribuição para esta tarefa, valendo-se de sua competência profissional e de suas responsabilidades e competências na vida e nas organizações da sociedade. Penso que toda iniciativa para propor uma reflexão sobre o tema da violência nos ambientes de trabalho e de convivência social seja bem-vinda; ações poderão ser promovidas de forma ecumênica, de mãos dadas com outros grupos religiosos ou organizações sociais e culturais. Os beneficiados serão as pessoas e a sociedade inteira.

Chamamos a atenção para as responsabilidades do Estado na solução do problema da violência: segurança pública é um direito dos cidadãos e um dever do Estado; denunciamos os esquemas de violência organizada e criminosa, as injustiças sociais não resolvidas e que são uma violência contínua, especialmente sobre as pessoas e as camadas sociais frágeis e indefesas; alertamos para certa cultura complacente com a violência, que aparece no apreço dado a espetáculos deprimentes de violência, ou na exploração, como mercadoria e recurso para captar lucros, da curiosidade mórbida sobre fatos de violência; vai-se formando assim a insensibilidade e a indiferença das consciências diante das situações concretas de violência, que se tornam corriqueiras e parte do dia-a-dia.

A CF levanta um forte grito de alerta contra a violência, antes que esta fique incontrolável; quem nada faz para combatê-la, acabará sendo vitimado por ela. É preciso haver uma verdadeira “conversão social”, para não dar lugar à cultura da violência, às estruturas e organizações que fazem da violência o seu modo de se impor e ter vantagens; é preciso que seja difundida a cultura da dignidade do ser humano e do respeito aos seus direitos; e que sejam criadas favorecidas as condições de uma verdadeira justiça social, pois sem justiça não haverá paz.

Na nossa proposta para a solução desse problema, porém, há um diferencial, que queremos afirmar claramente durante esta Quaresma: a superação da violência não depende apenas de condições externas, mas também da conversão do coração e da orientação da vida segundo a verdade e o bem. “O reino de Deus chegou! Convertei-vos e crede no Evangelho!” (cf Mc 1,15). Este anúncio de Jesus orienta toda a caminhada quaresmal e a vida cristã. Quem quer viver segundo Deus deve mudar de conduta, abandonar o que não convém diante de Deus e abraçar aquilo que é coerente com seu reinado.

Também a CF orienta-se por este princípio fundamental. Na medida em que o coração humano aceitar o reino de Deus e sua justiça, mudam também as relações sociais. Por isso a CF nos traz a sabedoria preciosa e já bem antiga do profeta Isaías: “A paz é fruto da justiça!” (37,17). E, no reino de Deus, o modo de viver e conviver é a fraternidade, onde o próximo é visto como um irmão, filho do mesmo Pai celeste e digno de todo o respeito e consideração. Viver segundo o reino de Deus é promover a verdadeira cultura da paz.


Card. Dom Odilo P. Scherer
Arcebispo de S.Paulo
Artigo publicado em O SÃO PAULO na ed. de 3.03.2009

Fonte: http://www.cnbb.org.br/ns/modules/articles/article.php?id=550

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Imagem do Dia

Um braço pedindo socorro...

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Entrevista com o Jornal O SÃO PAULO

1. Porque a Igreja resolveu falar de “Segurança Pública”? Não é um tema muito distante do interesse religioso?
R. A falta de segurança é preocupante e se manifesta nos fatos e situações de violência que atingem a população, ferindo a dignidade das pessoas e seus direitos fundamentais. A segurança pública é um dever do Estado e um direito dos cidadãos; por outro lado, ela não depende apenas do Estado, mas também dos cidadãos. A Igreja acredita que uma forte tomada de consciência sobre a situação de violência e sobre seus motivos possa contribuir para a tomada de atitudes corretas na superação desse problema. Os temas da Campanha da Fraternidade não são necessariamente “religiosos”, mas referem-se a situações que o povo vive e onde fica caracterizado um “pecado social” e a falta de fraternidade. A motivação da Campanha é religiosa; chama à conversão do coração e à vivência da caridade concreta e da fraternidade, como atitudes coerentes com a fé e o amor a Deus.

2. Quais resultados a Igreja espera obter com uma campanha dessas?
R. Antes de tudo, é desejável o envolvimento amplo da sociedade nesta Campanha para que ela não fique apenas “dentro” da Igreja; o problema atinge a todos. Esperamos que a Campanha também possa contribuir para despertar a sensibilidade das consciências diante de certa cultura da violência que se vai afirmando e na qual a violência acaba sendo aceita como “normal” e até inevitável. A solução, no fundo, está ligada em grande parte a uma correta educação para a paz, desde o berço até à morte. Evidentemente, a Igreja quer chamar à conversão dos corações, para que o respeito ao próximo, à sua dignidade, aos seus direitos e à sua vida; e que o agir violento seja superado. Claro é que a Igreja também espera que a Campanha ajude a superar as situações de violência estrutural na sociedade, de maneira que a justiça social verdadeira tenha como fruto a paz social.

3. A Igreja acredita que a corrupção também é sintoma da falta de segurança pública na sociedade brasileira. Por que?
R. A corrupção vinga no campo da impunidade; ela é uma forma de violência porque desrespeita o direito dos outros e o bem comum. Aquilo que é surrupiado ao patrimônio público pela corrupção fará falta sobretudo aos mais necessitados e lhes faz violência. Os fatos de violência nunca são isolados mas acabam desencadeando uma espiral de violência. Não é diferente com a corrupção que, por isso mesmo, precisa ser combatida mediante a afirmação do direito e ao respeito ao próximo.

4. O Texto-Base da CF 2009 mostra que as diversas formas de violência no Brasil são um fenômeno social. Quais as implicações dessa afirmação?
R. Não todas as formas de violência são um fenômeno social, nem se pode afirmar que a violência depende sempre de problemas sociais. Muitos fatos de violência dependem mesmo da falta de uma ética pessoal e da corrupção dos costumes. Por isso, a Igreja também apela nesta Campanha da Fraternidade para a conversão pessoal, para o abandono do vício da violência e para a reorientação de tendências à violência para hábitos de respeito e de paz. Mas não há dúvidas que há muitas situações e fatos de violência que estão implicados com problemas sociais e culturais; as injustiças sociais e certos mecanismos de organização social e econômica são promotores de violência contra as pessoas. Por isso também se faz necessária a “conversão” das estruturas de violência com as quais temos que conviver todos os dias.

5. Na cidade de SP as pessoas sofrem bastante com a violência crescente. Concretamente, de que maneira a Igreja local aqui em SP pretende contribuir na solução deste problema?
R. Infelizmente, a violência passou a fazer parte do dia a dia das cidades grandes, médias e pequenas. O risco é que nos habituemos com ela e fiquemos sem reação. A Igreja age em diversas frentes: socorro e assistência às vítimas da violência, educação para a justiça, a fraternidade e a paz, alerta às consciências para o respeito à pessoa do próximo, à sua dignidade, seus direitos e sua vida; podemos dizer que a ação da Igreja é sobretudo educativa, pois ela não dispõe de recursos para a vigilância ou a repressão da violência, nem seria isso de sua competência, mas do Estado.

6. Como uma campanha sobre segurança pública pode ajudar na preparação da Páscoa para os católicos?
R. A Campanha da Fraternidade insere-se no apelo quaresmal da conversão ao Evangelho e da busca da “vida nova”; também a superação da violência e a construção de relações de justiça e fraternidade está nessa mesma linha. A conversão deve ser pessoal, mediante o arrependimento dos pecados que tenham relação com a violência; mas a Campanha da Fraternidade também é um chamado à conversão comunitária, para somar esforços na superação mais eficaz de um “pecado social” e de suas causas.


S.Paulo, 7.3.09
+ Odilo P. Scherer

O SÃO PAULO, ed. 10.03.09

Fonte: http://www.cnbb.org.br/ns/modules/articles/article.php?id=547

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O Tempo da Quaresma (parte XII)

V. NORMAS LITÚRGICAS COMPLEMENTARES.
1. Quarta-feira de Cinza. A bênção e imposição da cinza se faz depois do evangelho e da homilia. Com motivo deste rito penitencial, ao começar a missa deste dia se suprime o ato penitencial acostumado. Por isso, depois que o celebrante beijou o altar, saúda o povo e, continuando, podem-se dizer as invocações, “Senhor tenha piedade”, (sem antepor outras frases, pois hoje não são o ato penitencial), e a oração coleta, e acontece com a liturgia da palavra.

Depois da homilia se faz a bênção e imposição da cinza; acabada esta, o celebrante lava as mãos e continua a celebração com a oração dos fiéis.

2. Domingo IV de Quaresma. Por ser no domingo da alegria no caminho quaresmal para a Páscoa, durante todo no domingo IV, dos I Vésperas que se celebram na sábado anterior, é conveniente pôr flores no altar e tocar música durante as celebrações. Desta maneira se sublinha a quão fiéis esta perto a grande festa da Páscoa e que o fruto de nosso esforço quaresmal, será ressuscitar com o Senhor à vida verdadeira.

3. Feiras da V Semana de Quaresma. As feiras da V Semana de Quaresma –antiga semana de Paixão- têm umas pequenas características próprias: sem deixar de ser tempo de Quaresma, já tomam algo da cor própria de na próxima Semana Santa e com isso inauguram, em certa maneira, a preparação do Tríduo Pascal, nos levando a contemplação da glória da cruz de Jesus Cristo.

É conveniente não esquecer que na missa, diz-se todos os dias o prefácio I da Paixão do Senhor

Fonte: http://www.acidigital.com/fiestas/quaresma/tempo.htm

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sábado, 14 de março de 2009

Fraternidade e segurança pública

Cardeal Odilo Pedro Scherer

Não é preciso pensar muito para compreender por que a Igreja no Brasil escolheu como tema da Campanha da Fraternidade deste ano a questão da segurança pública. Basta acompanhar um pouco os noticiários de rádio e TV, ou a imprensa escrita. As notícias sobre atos e situações de violência estão na ordem do dia. E não é simplesmente por que os meios de comunicação social colocam demasiada ênfase nas notícias sobre fatos de violência: esses fatos existem mesmo em abundância!

É violência contra a pessoa, sua integridade física e moral, sua dignidade e seus direitos fundamentais, contra a sua vida... É a violência diária das situações de injustiça não superadas, e que pesam sobretudo sobre camadas sociais e pessoas indefesas... A violência acaba se tornando corriqueira e nem mais chama a atenção, a não ser que venha acompanhada de algum detalhe especialmente repugnante. Vai se ficando indiferente diante da violência, que vai sendo absorvida como uma componente da cultura. E as pessoas defendem-se como podem, levantando muros, colocando alarmes, contratando seguranças, comprando armas.

Atrás desta busca de autodefesa vai se definindo uma situação especialmente grave: a violência como um fato normal e parte do dia a dia; é a aceitação inconsciente da cultura da violência. Não se confia no Estado e nas instituições de segurança, sobretudo diante da fragilidade e ineficiência dessas instituições para combater a violência, sem impor violência ainda maior. A segurança pública é um direito do cidadão e um dever do Estado. Porém, não só do Estado, mas também dos cidadãos. Evidentemente, o respeito às leis faz parte desse dever de cidadania. Mas a lei, por si só, não resolve; há tanta lei boa que não é observada. É preciso ir à raiz do problema, que é a perda do valor da pessoa e a busca da vantagem acima de tudo. Se o ser humano, como pessoa, não vale mais nada ou só conta enquanto traz vantagem para alguém, todos os direitos referidos à pessoa se perdem.

A questão da violência tem um componente importante, que não pode ser esquecido e que o lema da Campanha da Fraternidade deste ano evidencia profeticamente: a paz é fruto da justiça (cf Is 32,17). Não pode haver paz social e nas relações entre as pessoas sem a prática da justiça; e assim também nas relações entre os povos. A injustiça é sempre uma violência contra os direitos da pessoa ou dos povos; por isso, a superação das injustiças é condição para que haja paz verdadeira.

A Igreja, porém, vai ainda além disso e ensina que o mero cumprimento da justiça ainda não é suficiente para cultivar a paz. Esta também é fruto do arrependimento das culpas, do perdão dado e recebido e da reparação das ofensas. E mais: ela é assegurada nas atitudes fraternas e solidárias, que vão além da medida estrita da justiça e já são expressão do coração que se alarga para amar e acolher o próximo.

Por isso, a proposta da Campanha da Fraternidade é feita no período da Quaresma e vem unida ao chamado à penitência e à conversão. É necessário mudar atitudes e hábitos violentos, como a prepotência e a soberba nas relações humanas. A cultura da paz precisa ser difundida e alimentada, sem ceder à tentação das soluções violentas para os conflitos. A paz é cultivada no respeito e na benevolência nas relações humanas; e também no reconhecimento e na afirmação da dignidade de cada ser humano, desde o primeiro instante de sua existência até o final de sua vida. Evidentemente, a paz é também um fato social e político e requer o empenho de todos para que se mantenham as condições sociais, políticas e econômicas de sua afirmação.

A Quaresma, iniciada com a 4ª. feira de cinzas, é o caminho de preparação à Páscoa, para celebrar a vida nova que o Cristo ressuscitado nos comunica; neste itinerário de preparação, somos convidados a rever a vida, a fazer penitência e a nos convertermos sempre mais ao caminho de Cristo e do Evangelho. “Convertei-vos e crede no Evangelho”, eis o anúncio e a ordem de Cristo, que nos deve orientar e motivar neste período. Cabe também a reflexão sobre a violência presente, talvez, na convivência familiar, nas relações profissionais e de trabalho e no cultivo do lazer. Não podemos aceitar, indiferentes, a violência pequena do dia a dia, como se fosse “normal”. Não somos feitos para a violência, mas para a paz e para a mútua edificação.


Card. Odilo P. Scherer
Arcebispo de S.Paulo

Artigo publicado em O SÃO PAULO na ed. de 24.02.2009

Fonte: http://www.cnbb.org.br/ns/modules/articles/article.php?id=544

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Segurança e Punição

Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues

Punir foi, em todos os tempos, uma forma de coibir o mal na vida da sociedade. Quem faz o mal deve ser punido sempre, do contrário a distinção entre bem e mal desaparece da cultura e instala-se na sociedade o tanto faz. E é necessário premiar o bem. Ensina a neurociência que em nosso cérebro existe a instância da recompensa como também a da desaprovação, da punição, da culpa. Até os sete anos a criança recebe de fora - pais e educadores - as sinalizações necessárias sobre o que é o bem e o mal nas situações concretas. A partir daí a própria criança, em progressiva autonomia, se dirigirá na vida orientada pela sua própria consciência. Esta, a consciência, deve ser continuamente alimentada por valores que traduzam de forma concreta a dignidade da pessoa e que de fato a conduzam pelos caminhos da própria realização e da realização da humanidade como um todo. Não são quaisquer caminhos que fazem a pessoa realizada e, consequentemente, feliz. A voz da consciência é a voz de Deus, porque é a voz da natureza profunda da pessoa humana, por Ele criada à sua imagem e semelhança. Essa voz é de aprovação ou de desaprovação - recompensa ou punição - conforme o caminho tomado seja construtivo ou destrutivo da própria dignidade. A desaprovação pode vir sob a forma de uma insatisfação indefinida ou sob a forma de culpa mais ou menos clara. É o reclamo da dignidade humana ofendida. É o grito da verdade pedindo espaço. A revelação cristã considera uma verdadeira graça poder identificar o próprio pecado, confessá-lo, dar-lhe um nome: “pequei, Senhor, misericórdia”(Sl 32,3-5 2; Sl 50). A voz da consciência se faz sempre ouvir, por mais que dela fujamos. Esta forma de entender a consciência, como instância garantidora da segurança no caminho da realização da pessoa e da comunidade humana, permite-nos pensar a moral como codificação dos valores e das normas que na cultura expressam a voz da consciência e como garantia da dignidade do ser humano. As novas gerações recebem da cultura, dentro da qual crescem, esses valores e essas normas. A família é a primeira nesse processo, logo depois vem a escola e outras instituições sociais. A religião tem nesse processo papel fundamental bem como as Igrejas com seus ritos, sua catequese e sua proposta de felicidade. O Estado deve zelar para que a educação seja integral e não apenas uma forma de preparar para o mercado. Esse é o horizonte mais amplo dentro do qual devemos interpretar a atual crise que assola a sociedade. Está na ordem do dia o tema da impunidade. Ele volta sempre que um crime especialmente repugnante interrompe a rotina já aceita de crimes menores e menos violentos - será o aborto um crime menor e menos violento? - e outras desordens morais, algumas estimuladas pela atual cultura. Toda ação má deve ser punida. E todo desvio de conduta precisa ser desaprovado e toda conduta correta estimulada. Isso começa em casa, na primeira infância. E continua pela vida afora. O amor deve presidir esse processo para não transformar a obra educativa em mera repressão, geradora de angústia e culpabilidade mórbida. Quando uma sociedade perde a noção do correto e do moralmente incorreto, está aberto o caminho de sua própria decadência. Não será isso o que está acontecendo hoje onde se prega que tudo é permitido desde que se evitem as conseqüências negativas das próprias escolhas? Não se pode isolar um aspecto da vida moral dos outros aspectos. A impunidade dos chamados crimes de “colarinho branco” enseja os latrocínios. Os vícios da bebida e as infidelidades conjugais desintegram a vida familiar e geram pessoas revoltadas. A prática do sexo, desvinculada de critérios morais, fora de sua finalidade e da aliança de amor, enfraquece o gosto pela virtude e pelo sacrifício, necessários à construção da justiça. Vivemos uma atmosfera cultural onde a busca da própria satisfação imediata - confundida com direito de ser feliz - se tornou o critério maior das decisões humanas. É o corpo inteiro que está doente. À ausência da devida punição por parte da sociedade deve se acrescentar a erosão do senso ético nos indivíduos produzida por um progressivo relaxamento - amparado pela cultura do “carpe diem” - dos costumes em escala global. Os bispos do Brasil ligam a violência ao processo mais amplo de banalização da vida: “O empenho em resolver problemas práticos e técnicos e a rejeição a qualquer questionamento a respeito do significado último e do destino de tudo, produz uma maneira banal de considerar a existência. A vasta operação de banalização leva muitos a viverem sem ideal e sem fim transcendente. Impossível não reconhecer uma conexão entre essa cultura da banalidade e o crescimento vertiginoso da violência urbana, especialmente na última década”(CNBB, doc. 80 )

Fonte: http://www.cnbb.org.br/ns/modules/articles/article.php?id=543

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Aborto do Dia

A grande maioria das fotos tem uma moeda, comparem o tamanho das imagens...

Fonte: Sítio do Colégio S. Francisco

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O Tempo da Quaresma (parte XI)

8. A Virgem Maria na Quaresma. No plano salvífico de Deus (ver Lc 2,34-35) estão associados Cristo crucificado e a Virgem dolorosa. Como Cristo é o “homem de dores” (Is 53,3), por meio do qual se agradou Deus em “reconciliar consigo todos os seres: os do céu e os da terra, fazendo a paz pelo sangue de sua cruz” (Col 1,20), assim Maria é a “mulher da dor”, que Deus quis associar a seu Filho, como mãe e partícipe de sua Paixão. Dos dias da infância de Cristo, toda a vida da Virgem, participando do rechaço de que era objeto seu Filho, transcorreu sob o sinal da espada (ver Lc 2,35).

Por isso a Quaresma é também tempo oportuno para crescer em nosso amor filial Àquela que ao pé da Cruz entregou a seu Filho, e se entregou Ela mesma com Ele, por nossa salvação. Este amor filial podemos expressar durante a Quaresma impulsionando certas devoções marianas próprias deste tempo: “As sete dores de Santa Maria Virgem”; a devoção a “Nossa Senhora, a Virgem das Dores” (cuja memória litúrgico se pode celebrar na sexta-feira da V semana de Quaresma; e a reza do Santo Rosário, especialmente os mistérios de dor.

Também podemos impulsionar o culto da Virgem Maria através de Missas da Bem-aventurada Virgem Maria, cujos formulários de Quaresma podem ser usados no sábado.

(continua)

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sexta-feira, 13 de março de 2009

Mais uma de aborto

As imagens são chocantes, cada vez que posto aumenta a minha incompreensão de como ainda existem pessoas capazes de defender essa atrocidade que é o aborto.



Fonte: Sítio do Colégio S. Francisco

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REAÇÕES À CARTA DO PAPA SOBRE OS LEFEBVRIANOS

Ao que parece a carta do papa aos bispos de todo mundo justificando a remissão das excomunhões do bispos da FSSPX rendeu bons frutos. Abaixo, os comentários de alguns prelados ao redor do mundo publicados pela Rádio Vaticana.

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Cidade do Vaticano, 12 mar (RV) – Foi apresentada, esta manhã, na Sala de Imprensa da Santa Sé, a “Carta de Bento XVI aos Bispos da Igreja Católica, sobre a remissão da excomunhão dos quatro bispos consagrados pelo arcebispo Lefébvre”.

A Carta, dirigida aos Bispos da Igreja Católica, consiste num esclarecimento das intenções do papa e dos órgãos da Santa Sé, para “contribuir para a paz na Igreja”, após “uma discussão veemente” que há muito tempo não se verificava. A Carta foi iniciada em meados de fevereiro e concluída antes dos Exercícios Espirituais do Papa e da Cúria Romana.

No documento, Bento XVI reflete sobre as “desventuras ou erros”, que influenciaram negativamente no “caso Williamson” e o equívoco que, com a remissão da excomunhão, pudesse alterar o caminho da reconciliação entre cristãos e judeus, a partir do Concílio. O Santo Padre reconhece uma informação insuficiente e agradece os “amigos judeus”, que ajudaram a superar o mal-entendido e a restabelecer a atmosfera de confiança.

Após a apresentação da Carta do Papa, o Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Padre Federico Lombardi, fez um longo comentário sobre este difícil esforço de reconciliação.

O documento, diz Padre Lombardi, é inusual e digno da máxima atenção. Até agora, Bento XVI jamais havia se pronunciado de forma tão pessoal e intensa sobre um assunto semelhante em seu pontificado. Ele viveu o acontecimento da remissão da excomunhão e suas respectivas reações com evidente participação e sofrimento.

Com lucidez e humildade, o pontífice reconhece as limitações e erros, que influenciaram negativamente no caso, manifestando a sua solidariedade com seus colaboradores.

Bento XVI quer, com a sua Carta, esclarecer a natureza, o significado e as intenções sobre a remissão da excomunhão. Ele explica que a excomunhão era apenas uma punição às pessoas que colocavam a risco a unidade da Igreja, sem reconhecer a autoridade do papa.

Diante das questões levantadas por muitos: “Era realmente necessário adotar a medida de remissão da excomunhão? Não há questões mais importantes e urgentes na Igreja?”

A resposta a estas perguntas ocupa mais da metade de toda a Carta do Papa, explica o Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé.

De modo sintético, Bento XVI recorda as grandes prioridades do seu pontificado, bem conhecidas desde o início: levar os homens a Deus; unidade dos cristãos; diálogo entre os crentes em Deus a serviço da paz; testemunho da caridade na dimensão social da vida cristã.

O Santo Padre convida, depois, seus interlocutores a uma profunda reflexão pessoal e eclesial, com base no critério da “reconciliação com o irmão”.

Enfim, o papa conclui seu documento com um convite ao amor, como prioridade absoluta do cristão, e com um auspício profundo de paz na comunidade eclesial. Logo, ele nos encaminha, com decisão e coragem, ao Evangelho, como critério fundamental e último, não apenas da vida cristã e eclesial, mas também do seu governo da Igreja.

Somente por meio de uma conversão ao Evangelho, conclui Padre Lombardi, podemos esperar uma superação das divisões, como também a compreensão da profunda convergência da Tradição e do Concílio. Desta forma, podemos compreender que o nosso papa, expondo-se em primeira pessoa também em situações de crise, nos guia a reencontrar o ponto essencial, mais profundo e radical, do qual retomar nosso caminho. (MT)

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Dom Dedé: "A excomunhão é automática"

Dom José Cardoso Sobrinho, o dom Dedé, arcebispo de Olinda e Recife envolvido na polêmica da menina de 9 anos que fez um aborto, diz que não pode excomungar o estuprador e que é "progressista, dependendo do tema"

Marco Bahe, do Recife

Dom Dedé: "Simplesmente citei uma lei da Igreja pela qual quem comete o aborto automaticamente já está excomungado"

Nesta quinta-feira (11), a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil divulgou uma nota em que afirma que o arcebispo Dom José Cardoso Sobrinho não excomungou os médicos e a mãe da menina de 9 anos que fez um aborto depois de ser estuprada pelo padrasto. Nesta entrevista, Dom José explica que, de fato, "não aplicou a pena da excomunhão": apenas citou uma lei do código canônimo que diz que quem comete um aborto está automaticamente excomungado.

ÉPOCA – Como o senhor vê a reação das pessoas frente ao episódio da excomunhão da mãe e dos médicos que realizaram o aborto na menina de 9 anos grávida em função dos abusos praticados pelo padrasto?
Dom José Cardoso Sobrinho –
Eu quero dizer que tenho recebido mensagens positivas de apoio e solidariedade, até de Roma. É claro que existem mensagens negativas e até ofensivas. Todo mundo tem o direito a dar sua opinião. Mas primeiro eu queria retificar uma versão errônea que tem se passado. Estão dizendo que Dom José excomungou, o que é totalmente errôneo. Não é verdade que eu excomunguei, pois significaria que eu teria aplicado a pena da excomunhão. Eu simplesmente citei uma lei da Igreja pela qual quem comete o aborto automaticamente já está excomungado. Está escrito no Código de Direito Canônico. No Direito Civil isso é impossível, pois nesse caso é aberto um processo e no final o juiz aplica a penalidade. Na Igreja há a possibilidade de aplicação de penalidades automáticas, dentre esses crimes está o do aborto. Em outras palavras, não fui eu que excomunguei ninguém, eu só lembrei desta lei da Igreja, que está em vigor desde o primeiro século da nossa Santa Igreja. Mas eu tenho a impressão que essa difusão (do episódio) irá produzir bons efeitos, sobretudo naqueles que são católicos. Porque estamos vivendo um período de silêncio que pode ser até interpretado como cumplicidade. Todo ano há, em Israel, uma solenidade para relembrar aqueles judeus mortos na Segunda Guerra Mundial, que foram 6 milhões de judeus. Todo ano se relembra o holocausto e o papa sempre manda representantes da Igreja Católica. Mas há um silêncio total sobre outro holocausto que acontece todos os anos. São 50 milhões de abortos todos os anos, 1 milhão no Brasil. Por isso, temos que relembrar a todos que acima das leis humanas existem as leis de Deus. A lei dos homens no Brasil diz que se pode praticar o aborto em determinadas circunstâncias, como o estupro e ameaça à vida de mãe. A lei de Deus diz que jamais é lícito eliminar uma vida inocente mesmo que para salvar outra vida.

ÉPOCA – Muita gente criticou o fato de o violador da menina também não ter sido submetido à excomunhão...
Dom José –
A Igreja condena o estupro e a pedofilia. Mas a Igreja só colocou essa penalidade automática para os crimes previstos, são apenas sete delitos, dentre eles o aborto. Essa penalidade é medicinal. A Igreja está oferecendo um remédio espiritual para que essa pessoa se conscientize. A consciência é a voz de Deus dentro de nós. Mas a Igreja também permite a salvação dessa pessoa. E qual é o caminho? Arrepender-se. Não existe pecado sem perdão para aqueles que se arrependem.

ÉPOCA – Será que a interpretação da lei de Deus ao pé da letra é mesmo compatível com os tempos atuais? Como poderíamos estar, por exemplo, apedrejando mulheres adúlteras, como manda o Antigo Testamento?
Dom José –
Essa opinião está totalmente errada. Há assuntos teológicos que ainda são discutíveis, mas quando se chega a uma doutrina definida não há que discutir.

ÉPOCA – Os seus críticos dizem que o senhor é muito rígido e muito conservador. Alguns dizem que o senhor teria chegado ao Recife com a missão de desmontar o trabalho considerado progressista de Dom Helder Câmara em Pernambuco. O senhor acha justa essa crítica?
Dom José –
Em primeiro lugar, essa história de conservador e progressista depende do ponto de vista, depende do tema. Dependendo do assunto, eu tenho certeza que todos os bispos e cristãos do mundo são conservadores. Quando a gente fala da lei de Deus, da indissolubilidade do matrimônio, do dever de preservar a vida humana desde o primeiro momento... Isso é a lei de Deus. Não adianta dizer 'eu sou progressista e penso de um jeito diferente'. Agora, o progresso todos nós desejamos, e eu também. Nossa Igreja se adaptou a tempo, sobretudo a partir do Concilio do Vaticano II. Temos hoje a liturgia na língua vernácula (língua local, comumente falada). Quando eu virei padre, faz apenas uns 50 anos, a missa era em latim.

ÉPOCA – Então, o senhor não aceita o rótulo de conservador?
Dom José
– Como eu disse, depende. Eu sou dos que pretendem conservar as leis de Deus. Por exemplo, quem não aceita o culto à Nossa Senhora não aceita as leis de Deus. Não adianta andar com a bíblia embaixo do braço, ler a bíblia todo o dia... É um gesto até bonito esse, mas não adianta de nada se não aceitar o culto a Nossa Senhora, pois está lá em Lucas, capítulo 1, como Deus veio ao mundo. A fé não é imposta a ninguém, ela é oferecida. Aceita quem quiser.

ÉPOCA – O senhor disse que é a favor do progresso na Igreja...
Dom José –
Sou, dependendo do tema.

ÉPOCA – Então, que temas o senhor defende? O celibato opcional, por exemplo, qual sua opinião?
Dom José –
O celibato, por lei de Deus, já é opcional, não pode ser imposto por ninguém. Os padres não se casam porque não querem. Nenhuma autoridade do mundo, nem o Papa, pode proibir alguém de se casar. Ou seja, é uma opção livre. Mas, do outro lado, há também o direito da Igreja, a opção da autoridade da Igreja, de escolher seus ministros, seus sacerdotes. Ninguém coloca em dúvida o direito de um presidente escolher seus ministros. A Igreja, através dos séculos, fez essa opção: escolher como sacerdotes aqueles que escolhem o celibato.

ÉPOCA – Por que o senhor afastou tantos padres e párocos na sua gestão? Falam em mais de 30...
Dom José
– Não é verdade.

ÉPOCA – Houve um episódio de uma passeata de padres contra o fechamento do Instituto Teológico do Recife, no início da sua gestão. O instituto foi fundado por Dom Helder e era uma referência no mundo...
Dom José –
Havia ali uma experiência negativa porque eles fizeram uma experiência, um instituto misto, não somente para a formação de padres mas para qualquer outro que queria fazer curso de teologia. Havia candidatos ao sacerdócio, candidatos à vida religiosa, havia mulheres negras, negros, e inclusive não-católicos. Quando eu cheguei aqui, o Iter estava funcionando havia muitos anos. Dizia-se, abertamente, abre aspas, havia mais ou menos 50 homossexuais declarados. Isso não era um ambiente próprio para formar os futuros sacerdotes. Antes mesmo de eu chegar aqui, a Santa Sé mandou um visitador para examinar a situação. Depois da minha chegada, eu sabendo dessa situação, retirei os alunos da arquidiocese e reabri o seminário de Olinda apenas para a formação de sacerotes. Aí veio um decreto fechando o Iter. Quero deixar bem claro que foi uma decisão de Roma, da Santa Sé.

ÉPOCA – Depois de tanto tempo à frente da arquidiocese, há alguma coisa que o senhor faria diferente se pudesse?
Dom José –
Não. Fiz tudo com a consciência de estar cumprindo as leis de Deus e as determinações da Santa Igreja.

Fonte: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI63883-15228,00-DOM+DEDE+A+EXCOMUNHAO+E+AUTOMATICA.html

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Comunicado do Superior Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, Dom Bernard Fellay

O Papa Bento XVI dirigiu uma carta aos bispos da Igreja católica, em data de 10 de março de 2009, na qual lhes faz saber as intenções que lhe guiaram neste passo importante que constitui o Decreto de 21 de janeiro de 2009.

Após recente “desencadeamento de uma onda de protestos”, nós agradecemos vivamente o Santo Padre por ter colocado o debate à altura de onde deve se realizar, a da fé. Nós compartilhamos plenamente sua preocupação prioritária da pregação “à nossa época onde em vastas regiões da terra a fé corre risco de se apagar como uma chama que não encontra mais com o que se alimentar”.

A Igreja atravessa, com efeito, uma crise essencial que poderá ser resolvida se não por um regresso integral à pureza da fé. Com Santo Atanásio, nós professamos que “todo aquele que quer se salvar, deve sobretudo ter a fé católica: o que não a guarda íntegra e inviolada irá, indubitavelmente, à sua perda eterna” (Símbolo Quicumque).

Longe de querer parar a Tradição em 1962, nós desejamos considerar o Concílio Vaticano II e o ensino pós-conciliar à luz desta Tradição que São Vicente de Lérins definiu como “o que foi crido sempre, por toda a parte e por todos” (Commonitorium), sem ruptura e num desenvolvimento perfeitamente homogêneo. É assim que nós poderemos contribuir eficazmente à evangelização pedida pelo Salvador. (cf. Mateus 28,19-20)

A Fraternidade Sacerdotal São Pio X assegura a Bento XVI sua vontade de abordar as questões doutrinais reconhecidas como “necessárias” pelo Decreto de 21 de janeiro, com o desejo servir à Verdade revelada que é a primeira caridade a manifestar a respeito de todos os homens, cristãos ou não. Ela lhe assegura sua oração a fim de que sua fé não desfaleça e que ele possa confirmar todos os seus irmãos. (cf. Luc. 22,32)

Colocamos estas questões doutrinais sob a proteção de Nossa Senhora de Toda Confiança, com segurança de que ela nos obterá a graça de transmitir fielmente o que recebemos, “tradidi quod et accepi” (I Cor. 15,3).

+ Bernard Fellay

Fonte: DICI


Tradução: Fratres in Unum

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O Tempo da Quaresma (parte X)

7. A Quaresma e a Piedade Popular. A Quaresma é tempo propício para uma interação fecunda entre liturgia e piedade popular. Entre as devoções de piedade popular mais freqüentes durante a Quaresma, que podemos animar estão:

A Veneração a Cristo Crucificado. No Tríduo pascal, na sexta-feira Santa, dedicado a celebrar a Paixão do Senhor, é o dia por excelência para a “Adoração da Santa Cruz”. Entretanto, a piedade popular deseja antecipar a veneração cultual da Cruz. De fato, ao longo de todo o tempo quaresmal, na sexta-feira, que por uma antiqüíssima tradição cristã é o dia comemorativo da Paixão de Cristo, os fiéis dirigem com gosto sua piedade para o mistério da Cruz.

Contemplando ao Salvador crucificado captam mais facilmente o significado da dor imensa e injusta que Jesus, o Santo, o Inocente, padeceu pela salvação do homem, e compreendem também o valor de seu amor solidário e a eficácia de seu sacrifício redentor.

Nas manifestações de devoção a Cristo crucificado, os elementos acostumados da piedade popular como cantos e orações, gestos como a ostensão e o beijo da cruz, a procissão e a bênção com a cruz, combinam-se de diversas maneiras, dando lugar a exercícios de piedade que às vezes resultam preciosos por seu conteúdo e por sua forma.

Não obstante, a piedade em relação à Cruz, com freqüência, tem necessidade de ser iluminada. deve-se mostrar aos fiéis a referência essencial da Cruz ao acontecimento da Ressurreição: a Cruz e o sepulcro vazio, a Morte e a Ressurreição de Cristo, são inseparáveis na narração evangélica e no intuito salvífico de Deus.

A Leitura da Paixão do Senhor. Durante o tempo de Quaresma, o amor a Cristo crucificado deverá levar a comunidade cristã a preferir na quarta-feira e na sexta-feira, sobre tudo, para a leitura da Paixão do Senhor.

Esta leitura, de grande sentido doutrinal, atrai a atenção dos fiéis tanto pelo conteúdo como pela estrutura narrativa, e suscita neles sentimentos de autêntica piedade: arrependimento das culpas cometidas, porque os fiéis percebem que a Morte de Cristo aconteceu para remissão dos pecados de todo o gênero humano e também dos próprios; compaixão e solidariedade com o Inocente injustamente açoitado; gratidão pelo amor infinito que Jesus, o Irmão primogênito, demonstrou em sua Paixão para com todos os homens, seus irmãos; decisão de seguir os exemplos de mansidão, paciência, misericórdia, perdão das ofensas e abandono crédulo nas mãos do Pai, que Jesus deu de modo abundante e eficaz durante sua Paixão.

Via Sacra. Entre os exercícios de piedade com os que os fiéis veneram a Paixão do Senhor, há poucos que sejam tão estimados como a Via Sacra. Através deste exercício de piedade os fiéis percorrem, participando com seu afeto, a última parte do caminho percorrido pelo Jesus durante sua vida terrena: do Monte das Oliveiras, onde no “horto chamado Getsemani” (Mc 14,32) o Senhor foi “presa da angústia” (Lc 22,44), até o Monte Calvário, onde foi crucificado entre dois malfeitores (ver Lc 23,33), ao jardim onde foi sepultado em um sepulcro novo, escavado na rocha (ver Jo 19,40-42).

Um testemunho do amor do povo cristão por este exercício de piedade são os inumeráveis Via Sacras nas Igrejas, nos santuários, nos claustros e inclusive ao ar livre, no campo, ou na ascensão a uma colina, a qual as diversas estações lhe conferem uma fisionomia sugestiva. No exercício de piedade da Via Sacra confluem também diversas expressões características da espiritualidade cristã: a compreensão da vida como caminho ou peregrinação; como passo, através do mistério da Cruz, do exílio terreno à pátria celeste; o desejo de conformar-se profundamente com a Paixão de Cristo; as exigências do seguimento de Cristo, segundo a qual o discípulo deve caminhar atrás do Mestre, levando cada dia sua própria cruz (ver Lc 9,23) portanto devemos motivar sua oração nas quartas-feiras e/ou sexta-feira de quaresma.

(continua)

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Menina de 11 anos dá à luz no RS

Padrasto é suspeito de ter abusado de enteada e ser pai da recém-nascida.
Mãe e filha passam bem e devem ficar três dias em observação.

Do G1, em São Paulo, com informações do ClicRBS*

Uma garota de 11 anos deu à luz uma menina na quarta-feira (11), em Tenente Portela (RS). O bebê nasceu com 2,8 quilos e 45 centímetros, de cesárea. As duas passam bem. A jovem mãe teria sido violentada pelo padrasto, de 51 anos. Ele está preso e é suspeito de ser pai da recém-nascida.

O ginecologista e obstetra Claudio José Furini, que fez o parto, disse que a gestação já havia completado oito meses e meio. "Sob o ponto de vista médico, está tudo ótimo com a mãe e com a filha. A menina parece feliz com a maternidade, já pegou o bebê no colo", afirmou.

Mãe e filha deverão ficar internadas, em observação, durante pelo menos três dias. Depois, devem retornar juntas para casa, em Iraí (RS). Familiares afirmam que a menina faz questão de cuidar da própria filha e descartam a possibilidade de encaminhamento para adoção. "Nem dar (o bebê) ela não quer, diz que vai ser a relíquia dela, que ela mesma vai cuidar", conta a irmã de criação de 25 anos, que mora na mesma casa.

O padrasto, que é pedreiro, foi denunciado por estupro. Ele se apresentou à polícia na terça-feira (10) e foi encaminhado a um presídio.

*(Com informações do Zero Hora)

Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL1039563-5598,00-MENINA+DE+ANOS+DA+A+LUZ+NO+RS.html

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quarta-feira, 11 de março de 2009

Imagem do Dia

Tipos de Aborto

"O caso da foto a cima ocorreu em 1983 nos EUA. Este bebê, pesando 3 quilos, ia ser incinerado junto com cães e gatos. Segundo a legislação americana atual, um feto pode ser morto em qualquer momento, até o nono mês de gestação, por quaisquer motivos. Matar a criança após o nascimento é considerado infanticídio. Mas, se esta classificação se aplica na verdade a todo óvulo fecundado, o que dizer do assassinato de uma criança de 9, 8 ou até mesmo 7 meses, que pode sobreviver fora do útero materno?"

Fonte: www.colegiosaofrancisco.com.br

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Truque besta

Abaixo, reproduzo um interessante artigo do filósofo Olavo de Carvalho sobre o Lula, a ministra Dilma e o projeto de algumas entidades de destruir a família e os valores éticos e morais. É uma análise simples mas que denuncia muito do que vem acontecendo no mundo hoje. Os grifos são meus.

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por Olavo de Carvalho


O sr. presidente da República mostra-se escandalizado, chocado, abalado até o fundo de seus sentimentos éticos mais nobres quando a Igreja discorda de sua singela opinião de que para proteger uma criança deve-se matar duas.

Se ele fosse ateu, budista ou membro da Seicho-no-Ie, tudo o que os católicos poderiam fazer diante de seu discurso abortista seria resmungar. Mas ao defender o aborto como dever moral ele insiste em enfatizar que o faz “como cristão e católico”, o que o enquadra, sem a mais mínima possibilidade de dúvida, na categoria dos heresiarcas. Heresia, para quem não sabe, não é qualquer doutrina adversa à da Igreja: é falsa doutrina católica vendida como católica – exatamente como o discurso presidencial contra Dom José Cardoso Sobrinho.

Mas, no fundo, isso não faz a menor diferença. Por seu apoio continuado e impenitente aos regimes e partidos comunistas, Lula já está excomungado latae sententiae faz muito tempo e não precisa ser excomungado de novo. A excomunhão latae sententiae, isto é, “em sentido amplo” decorre automaticamente de ações ou palavras, independentemente de sentença oficial e até mesmo de aviso ao excomungado. Na mesma categoria encontra-se a sra. Dilma Roussef. A presença de qualquer um desses dois num templo católico – quanto mais junto ao altar, na condição de co-celebrantes – é uma ofensa intolerável a todos os fiéis, e só o oportunismo de um clero corrupto até à medula explica que ela seja tolerada e até festejada entre sorrisos de subserviência abjeta. Neste caso, como em todos os similares, a covardia e a omissão não explicam tudo. Alguém manda nos covardes e omissos, e este alguém não é nada disso: é ousado e ativíssimo a serviço do comunismo.

Quanto ao exército inteiro dos que se fingem de indignados junto com o sr. presidente – e ainda o apóiam nesse paroxismo de hipocrisia que é o “Dia Nacional de Luta contra a Hipocrisia” –, seu papel no caso é dos mais evidentes. Os estupros de crianças, cujo número crescente escandaliza e choca a população, são constantemente alegados por essa gente como pretextos para debilitar a autoridade dos pais e submeter as famílias a controles governamentais cada vez mais invasivos. A ONU, os partidos de esquerda, a mídia iluminada, os educadores progressistas e uma infinidade de ONGs – as mesmas entidades que promoveram o feminismo, o divórcio, o gayzismo e todos os demais movimentos que destruíram a integridade das famílias – posam hoje como os heróicos defensores das crianças contra o risco permanente de ser estupradas por seus próprios pais. Toda a credibilidade dessas campanhas advém da ocultação sistemática de um dado estatístico inúmeras vezes comprovado: a quase totalidade dos casos de abuso sexual de crianças acontecem em casas de mães solteiras, cujo namorado – ou namorada – é o autor preferencial desse tipo de delitos. Na Inglaterra, os filhos de mães solteiras sofrem 73 vezes mais abusos fatais – e 33 vezes mais abusos sérios sem morte – do que as crianças criadas em famílias completas. Nos EUA, 55 por cento dos assassinatos de menores de idade acontecem em casas de mães solteiras. Raríssimos casos de abusos de menores acontecem em lares íntegros, com um pai e uma mãe regularmente casados. A presença de um pai é, hoje como sempre, a maior garantia de segurança física para as crianças. Aqueles que removeram esse pai, entregando as crianças à mercê dos amantes de suas mães, são diretamente culpados pela epidemia crescente de violência contra crianças, e são eles mesmos que tiram proveito dela, arrogando-se cada vez mais autoridade para solapar a da família constituída e colocar um número cada vez maior de crianças sob a guarda de assistentes sociais politicamente corretos.

A seqüência dialética é de uma nitidez impressionante. Tese: a pretexto de proteger mulheres e crianças, procede-se à demolição da autoridade paterna, bem como dos princípios morais que a sustentam; antítese: nas famílias desfeitas – surpresa! –, proliferam os estupros e a gravidez infantil; síntese: o aborto é elevado à categoria de obrigação moral, e em seu nome o Estado condena a religião como imoral e desumana e se autoconstitui em guia espiritual da sociedade.

Pensando bem, é um truque simples, até besta. Mas o tempo decorrido entre a tese e a síntese torna invisível a continuidade do processo aos olhos da multidão.

Fonte: http://www.olavodecarvalho.org/semana/090310dc.html

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Todos contra dom José

Essa polêmica toda em torno do aborto e da posição católica em defesa da Vida Humana gerou uma excelente charge feita pelo Emerson Oliveira e publicada no Blog do Veritatis.



Parabéns a todos pela valente posição e defesa dos valores humanos. Continuemos assim.

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terça-feira, 10 de março de 2009

Aborto do dia

Tipos de Aborto

"Esse método de assassinato é chamado de "parto parcial". Nesse caso, puxa-se o bebê para fora, deixando apenas a cabeça dentro, já que ela é grande demais. Daí, introduz-se um tubo em sua nuca, que sugará a massa cerebral, levando-a à morte. Só então o bebê consegue ser totalmente retirado."

Fonte: Sítio do Colégio S. Francisco

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O que os olhos não veem...

Ainda sobre o caso da criança e o aborto... conversando com colegas e amigos sobre isso e cheguei a algumas conclusões interessantes e uma delas motivou essa postagem.


Talvez poucas pessoas lembrem que em Belo Horizonte no ano de janeiro de 2006 uma mãe jogou a filha em uma lagoa pra morrer. Sinceramente, o que você acha dessa história? Acredito que a grande maioria das pessoas vai responder que é algo desumano, que a mãe estava louca, fora-de-si ou provavelmente com depressão pós-parto. Provavelmente, também não se recordam que a mãe foi "considerada culpada das acusações de tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe (repulsivo), com uso de meio cruel e contra descendente"(Folha de São Paulo). O que você acharia se a sua irmã assassinasse seu sobrinho recém-nascido ou mesmo ainda criança de 1 ano? Qual a diferença disso em relação a um aborto? Se você considera que matar uma criança não pode ser comparado a (ou não é a mesma coisa que) um aborto então, você também deve achar que ocorreu algum tipo de mágica durante o parto para que aquele ser que estava no ventre da mulher transformou-se em um ser humano. Por que uma criança inocente é sentenciada à morte por um crime que não cometeu? Ou, por acaso, o crime dela é justamente ter vida?! Quem se arroga a ser o juiz de uma vida inocente?


Parece que mais do que em qualquer outra época aquele ditado: "O que os olhos não veem o coração não sente" é válido. Só porque um bebê ainda não saiu do ventre de sua mãe não tem direito a continuar vivendo se a mulher assim o desejar? Ela está realmente opinando sobre o corpo dela? Será que é mesmo o corpo dela ou o corpo de outra pessoa que está dentro dela?


Se um dos problemas é não enxergar o assassinato, a partir desta postagem todos os dias (se a situação assim permitir) postarei uma imagem do corpo de uma criança morta inocentemente! Porque não há diferença alguma entre os milhares de abortos que acontecem por ano ao redor do mundo e os campos de concentração nazistas.


Feto humano com 19 semanas. O abortista retira o líquido amniótico de dentro do útero e coloca uma substância contendo sal. Em algum tempo, a criança morrerá, será retirada de sua mãe e, finalmente, jogada no lixo. Fonte: Colégio S. Francisco

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domingo, 8 de março de 2009

Católicos?!

O mais famoso caso de estupro e aborto no Brasil tá redendo e reacendendo a discussão sobre o aborto. E isso é muito bom. Acredito que ninguém esperava que um bispo católico fosse se levantar contra o aborto, ou melhor, contra o atentado ao Direito Humano mais básico: a Vida.

Mas, em meio a toda discussão e polêmica fiquei triste, pronfundamente triste por ver pessoas (amigos meus) que se dizem católicos e ao invés de defender a Igreja ajudam a jogar pedras, ao invés de se aprofundar e ajudar se limitam a emitir opiniões rasas sobre esses assuntos e se opõem a querer ouvir as motivações da Igreja a esse respeito.

Tenho minhas dúvidas de que pessoas que se dizem católicas afirmando acreditar na Eucaristia e venerar Nossa Senhora mas sejam tão desinformados e consumidos pela paródia midiática a ponto de se colocar contra a Igreja Católica quando o assunto é aborto e defesa da Vida. Sinceramente, tenho minhas dúvidas de que essas pessoas sejam realmente católicas.

Acredito que o termo mais adequado (inclusive empregado a um famoso senhor que mora no Planalto Central) a essas pessoas é caótica, elas não são católicas mas caóticas. Pois, não sabem o que estão dizendo, não sabem o que estão fazendo e assim pregam doutrinas completamete adversas daquilo que a Igreja ensina amplamente fundamentada nas Sagradas Escrituras e na Sagrada Tradição.

Em nome da liberdade e consciência se recusam a dar ouvidos ao que a Igreja afirma. Conversei com pessoas que não quiseram nem saber o porquê da posição da Igreja em relação a esse tema. É esse o pais democrático em que vivemos? Em que qualquer um pode falar o que quiser e quando quiser mas no momento em que um cristão (não incluo apenas os católicos) se posiciona contra a corrente, contra o pensamento imposto pela mídia é chamado de retrógrado, medieval, obscuratista ou sei lá o quê.

Ver pessoas consumidas pelo relativismo, pelo mal, pelo orgulho e egoísmo me deixa profundamente triste porque se continuarmos agindo e pensando dessa maneira o mundo não chegará muito longe e a humanidade se auto-destruirá.

Rezemos pelo ser humano, para que possa enxergar o mal que faz a si mesmo e aos outros e assim se converta para que todos assumamos nosso lugar no Reino de Deus.

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sábado, 7 de março de 2009

O Tempo da Quaresma (parte IX)

6. A Confissão.

A Quaresma é tempo penitencial por excelência e portanto se apresenta como tempo propício para impulsionar a pastoral este de sacramento conforme ao que nos pediu recentemente o Santo Pai e nosso Arcebispo Primaz, já que a confissão sacramental é a via ordinária para alcançar o perdão e a remissão dos pecados graves cometidos depois do Batismo.


Não terá que esquecer que nossos fiéis sabem, por uma larga tradição eclesiástica, que o tempo de Quaresma-Páscoa está em relação com o preceito da Igreja de confessar o próprios pecados graves, ao menos uma vez ao ano. Por tudo isso, terá que oferecer horários abundantes de confissões.


(continua)

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Nota da Presidência da CNBB

Nota da Presidência da CNBB

"A Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB, reunida em Roma nestes dias, acompanha perplexa, como toda a sociedade brasileira, a notícia da menina de nove anos que, em Pernambuco, há três anos vinha sofrendo violência sexual por parte de seu padrasto, tendo sido por ele estuprada, do que resultou uma gravidez de gêmeos. Repudiamos veementemente este ato insano e defendemos a rigorosa apuração dos fatos, e que o culpado seja devidamente punido, de acordo com a Justiça.

Lamentamos que este não seja um caso isolado. Preocupa-nos o crescente número de atentados à vida de crianças, vítimas de abuso sexual. Neste contexto, a Igreja se faz solidária com esta e com todas as crianças vítimas de tamanha brutalidade, bem como com suas famílias.

A Igreja, em fidelidade ao Evangelho, se coloca sempre a favor da vida, numa condenação inequívoca de toda violência que fere a dignidade da pessoa humana.

Os bispos do Regional Nordeste 2 da CNBB acabam de se manifestar sobre esse doloroso acontecimento. Assumimos seu pronunciamento e com eles reafirmamos: "diante da complexidade do caso, lamentamos que não tenha sido enfrentado com a serenidade, tranquilidade e o tempo necessário que a situação exigia. Além disso, não concordamos com o desfecho final de eliminar a vida de seres humanos indefesos

Roma, 06 de março de 2009

Dom Geraldo Lyrio Rocha
Arcebispo de Mariana
Presidente da CNBB

Dom Luiz Soares Vieira
Arcebispo de Manaus
Vice-presidente da CNBB

Dom Dimas Lara Barbosa
Bispo auxiliar do Rio de Janeiro
Secretário-geral da CNBB".

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Nota dos bispos do Regional Nordeste 2

"Nota em defesa da vida

Nos, Bispos da Igreja Católica, coordenadores e coordenadoras de Pastoral, reunidos na sede da CNBB do Regional NE 2, na Cidade do Recife, tomamos conhecimento do caso de uma menina de nove anos da cidade de Alagoinha-PE, grávida de gêmeos, resultado do estupro praticado pelo padrasto e da interrupção da gravidez. Diante do fato e da sua repercussão, sentimo-nos levados a fazer uma breve reflexão:

1. A Igreja, historicamente, sempre se colocou a favor da vida, desde a sua concepção e desenvolvimento até o seu declínio natural, iluminada pela Palavra de Jesus: "Eu vim para que todos tenham vida e a tenham plenamente" (Jo 10,10).

2. Esse princípio norteou a prática da Igreja no Brasil, também na época do regime militar, instaurado em 1964, quando se colocou a favor da vida e da dignidade das pessoas, defendendo os direitos humanos dos perseguidos, torturados e refugiados políticos.

3. A campanha da fraternidade que, a cada ano, promove a vida e defende a dignidade das pessoas, coloca-se contra todo tipo de violência, em qualquer circunstância, para construir uma sociedade baseada na "civilização do amor".

4. Hoje, cresce a consciência dos direitos humanos, que não admite nenhum tipo de violência, tanto mais, envolvendo a criança e a mulher. No caso específico, repudiamos o estupro e o abuso sexual sofridos pela criança.

5. Vivemos em uma sociedade pluralista onde o Estado se estrutura e se rege por uma legislação, refletindo a cultura dominante, que nem sempre respeita os princípios éticos e naturais. Nem sempre se pode identificar o que está amparado por leis, com princípios éticos e valores morais. Para nós, sempre terá precedência o mandamento do Senhor: "Não matarás"!

Portanto, diante da complexidade do caso, lamentamos que não tenha sido enfrentado com a serenidade, tranquilidade e o tempo necessário que a situação exigia. Além disso, não concordamos com o desfecho final de eliminar a vida de seres humanos indefesos.

Cabe a nós externar publicamente as nossas convicções em defesa da vida que é sempre um dom de Deus."

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u530753.shtml

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Dom José: "Não dei excomunhão. É a lei da Igreja"

Já estou enjoado de apenas ler e discutir sobre o aborto, PT, políticos e o caso da menina de 9 de Pernambuco. Tá na hora de fazermos alguma coisa prática!!! Esse é o momento de fazer passeata, de protestar, de mostrar a Verdade! Esse é o momento de mostrar quem são os católicos de verdade! Quem está com a Igreja está com Cristo!!!

Se os abortistas de plantão aí acham que ser cristão é "solidarizar-se" com a pobre garotinha e assassinar outras duas estão redondamente enganados. Ser cristão de verdade é assumir os valores evangélicos com toda a sua responsabilidade, com todos os seus percalços. Assim, a verdadeira fé cristã é aquela que nos faz enxergar que há vida mesmo na morte, que há esperança mesmo nas maiores dificuldades, que há alegria mesmo na dor.

Afinal, foi São Paulo quem afirmou na Carta aos Coríntios: " A linguagem da cruz é loucura para os que se perdem, mas, para os que foram salvos, para nós, é uma força divina. Está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios, e anularei a prudência dos prudentes (Is 29,14). Onde está o sábio? Onde o erudito? Onde o argumentador deste mundo? Acaso não declarou Deus por loucura a sabedoria deste mundo? Já que o mundo, com a sua sabedoria, não reconheceu a Deus na sabedoria divina, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura de sua mensagem. Os judeus pedem milagres, os gregos reclamam a sabedoria; mas nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos" (1 Cor 1, 18-23).

Agora eu pergunto: cadê os Direitos Humanos?

A seguir uma entrevista de Dom José Cardoso que saiu hoje de manhã na Terra Maganize:
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Juliana Leitão/Diário de Pernambuco/Reuters
O arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso, contrário ao aborto: Há pessoas que escolhem o mal. É a fraqueza humana. A nossa liberdade é optar ...
O arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso, contrário ao aborto: "Há pessoas que escolhem o mal. É a fraqueza humana. A nossa liberdade é optar pela lei de Deus"

Claudio Leal

No ano do centenário de dom Hélder Câmara (1909-1999), ex-arcebispo de Olinda e Recife, a arquidiocese pernambucana está no centro de um debate que escapa ao legado do líder religioso progressista.

O atual arcebispo, dom José Cardoso Sobrinho, condenou o aborto legal feito por uma garota de 9 anos, em Recife. Vítima de estupros do padrasto, ela corria o risco de morrer se levasse adiante a gravidez de gêmeos. O religioso tentou dissuadir a família e os médicos. Mas a mãe decidiu pelo aborto.

Leia também:
» Arcebispo critica aborto em crianças vítimas de estupro
» Igreja excomunga responsáveis por aborto de menina de 9 anos

Depois da operação, dom José declarou à imprensa que os envolvidos no aborto - exceto a garota - incorreram em excomunhão. No torvelinho da polêmica, o arcebispo de Olinda e Recife agora alivia as tintas, embora recrudesça o discurso anti-abortista:

- Está escrito no Código Canônico, o catecismo da Igreja Católica, que está difundido no mundo inteiro e no Brasil também. Eu apenas relembrei que quem comete aborto já está excomungado. Não fui eu, dom José, que apliquei essa penalidade. É uma penalidade latae sententiae (automática) - declara a Terra Magazine.

Para salvar uma vida, argumenta, não é possível suprimir outra vida. Por princípio, a Igreja não deve admitir o aborto. O religioso afirma que estava ciente dos riscos à vida da menor, mas cita o exemplo da Santa Gianna Beretta Molla, canonizada pelo papa João Paulo II:

- Os amigos médicos aconselharam a fazer o aborto, pra salvar a própria vida. Ela disse: "Eu sou católica, não vou fazer isto, não". Isso aconteceu, no parto ela faleceu; a menina que nasceu, sobreviveu... Está colocada nos altares como uma santa.

Nesta entrevista por telefone, dom José avalia que o homem tem um "dom de Deus": a liberdade. A fraqueza humana, porém, levaria muitas pessoas a usarem a liberdade para escolher o mal - por exemplo, o aborto.

Terra Magazine - Por que a Arquidiocese decretou a excomunhão dos envolvidos no aborto dos gêmeos da garota de 9 anos?
Dom José Cardoso Sobrinho - É uma boa pergunta porque eu quero esclarecer, deixar bem claro. Dom José Cardoso, o arcebispo, não excomungou ninguém. Eu soube até que houve um discurso na Câmara dos Deputados, saiu nos jornais a notícia falsa: "o arcebispo excomungou"... Eu não excomunguei ninguém. Agora, o que foi que eu fiz? Primeiro, antes de acontecer o aborto, a menina estava internada num hospital de Recife. Fiz tudo o possível, convenci o diretor do hospital, ele suspendeu tudo o que estava preparado para o aborto. Depois, as pessoas entraram lá e levaram a menina pra outro hospital, onde ocorreu o aborto. Da minha parte, fiz tudo o que podia para evitar. Depois que o aborto aconteceu, vieram me entrevistar e eu relembrei o que está escrito no Código de Direito Canônico, a lei da Igreja, que diz: "quem comete o aborto está excomungando". É uma lei da Igreja. Chama-se excomunhão latae sententiae, automática. É a própria lei da Igreja que determinou isso. Se uma pessoa comete o aborto - até de uma maneira oculta, ninguém soube de nada -, está excomungada.

O senhor apenas lembrou isso?
Quero repetir. Está escrito no Código Canônico, o catecismo da Igreja Católica, que está difundido no mundo inteiro e no Brasil também. Eu apenas relembrei que quem comete aborto já está excomungado. Não fui eu, dom José, que apliquei essa penalidade. É uma penalidade latae sententiae. Somente a Igreja pode fazer isso. Agora, é pra quem tem fé, pra quem acredita em Jesus Cristo e na Igreja Católica. Outra coisa: quem está condenado a essa penalidade, não está condenado indefinidamente. A Igreja tem portas abertas. Espera a conversão. Até uma pessoa que cometeu maior delito, e está excomungado, se se arrepender, a Igreja absolve. Quero deixar bem claro: não foi dom José que excomungou.

Uma garota de 9 anos tem condição de ser mãe? Como seria a maternidade dela?
Veja bem. Aqui é um problema interessante. Falei com vários médicos, que me disseram: "Não há dúvida de que há risco de vida". Outros médicos disseram: "Vamos esperar, quem sabe é possível fazer uma cesariana no sexto mês". Agora, vamos supor que haja realmente perigo de vida. A Igreja diz que para salvar uma vida nós não podemos suprimir outra vida. Entendeu? Para salvar a vida da mãe, não é lícito matar os inocentes que estão no seio materno. Então, é um princípio fundamental da lei natural, isto é, os fins não justificam os meios. Eu tenho uma finalidade boa, salvar a vida daquela jovem que está grávida, mas para fazer isso não é lícito suprimir a vida de dois inocentes.

Nesse caso houve o estupro do padrasto. Não seria um peso enorme pra uma garota de 9 anos ter filhos do padrasto?
O estupro é outro pecado gravíssimo, quem fez isso vai responder diante de Deus, mas não justifica. Porque houve um estupro, eu posso agora praticar um aborto? É um princípio muito importante da lei da Igreja e nós não podemos praticar o mal para conseguir o bem, digamos assim. A Igreja relembra um caso muito importante que aconteceu há alguns anos na Itália. É uma senhora médica, que também estava grávida e sabia que corria risco de vida. Os amigos médicos aconselharam a fazer o aborto, pra salvar a própria vida. Ela disse: "Eu sou católica, não vou fazer isto, não". Isso aconteceu, no parto ela faleceu; a menina que nasceu, sobreviveu. Pois bem. Esta senhora foi canonizada, foi declarada santa pelo papa João Paulo II. O nome dela é Santa Gianna Beretta Molla. Está colocada nos altares como uma santa. Preferiu sacrificar a própria vida, e não a vida da filha.

Quando a Igreja procura a família e os médicos para tentar reverter a decisão de fazer o aborto, não fere a liberdade individual?
Todo mundo tem liberdade, mas nunca podemos decidir algo contra a lei de Deus. Aliás, a liberdade é um grande dom que Deus dá. Ninguém tem liberdade de escolher o mal. Por isso que o ser humano é superior a todas as criaturas sensíveis, porque nós temos a parte espiritual, a nossa vontade, a nossa inteligência, a nossa liberdade. Mas nossa liberdade não nos dá o direito de agir contra a lei de Deus. Nós temos a possibilidade de fazer escolhas aqui na Terra. Infelizmente isso acontece com muitas pessoas... escolhem o mal. É a fraqueza humana. Há pessoas que cometem pecados, o pecado do adultério... Usou da liberdade, mas usou mal. A nossa liberdade é optar pela lei de Deus, de acordo com Deus.

O senhor não admite o aborto em nenhuma hipótese?
Veja, não sou eu, não! É a Santa Igreja Católica, a lei de Deus. Pode acontecer o aborto espontâneo, aí ninguém tem culpa. Mas a Igreja diz: "não é lícito tirar a vida de inocentes". E é o quinto mandamento da lei de Deus: "Não matar". Nós não podemos jamais aprovar que alguém cometa o aborto. Nenhum motivo pode justificar isso. Na esperança de salvar a vida da mãe, não podemos fazer isso.

Conseguiu falar com a mãe?
Não, eu até planejei quando ela estava aí. Mas a notícia que eu recebi é que ela já tinha tirado a filha do primeiro hospital e levado para outro. Consegui falar com o pai, né? A menina veio lá do interior de Pernambuco, de Alagoinha, veio pra aqui, passou um dia. Estive com ele na presença do superintendente da polícia do Estado Pernambuco. O pai da menina falou: "Desde o começo eu disse que não aceito o aborto".

O senhor não vai manter mais contato com a família?
Se quiserem, estou sempre aqui, às ordens. Mas o que nós podíamos fazer, foi feito. Quero insistir muito nesse ponto: não foi dom José que aplicou a excomunhão. Qualquer pessoa interessada, por favor, leia o catecismo da Igreja Católica, está explicado lá.

Para quem não entende de Direito Canônico: há uma questão de interpretação? O código não depende de uma aplicação, que muda muito de arcebispo para arcebispo?
Está escrito: "Quem cometer aborto, incorre em excomunhão latae sententiae". Não vai ter ninguém pra interpretar o contrário. É uma coisa claríssima. Essa penalidade da Igreja está no Código Canônico atual, mas vem desde o começo. O primeiro dia da geração da Igreja, logo no primeiro século, também está registrado no catecismo. Já dizia a mesma coisa. Não há possibilidade de interpretação diversa pra uma coisa óbvia.

Para o Código Canônico ter efeito, não é necessário o senhor aplicar?
Pois é. É uma coisa própria da Igreja. Na sociedade civil, quando alguém comete um delito... Vamos supor: alguém comete um homicídio. Eu não posso dizer: "já está automaticamente...". Não. Tem que fazer um processo, vai pro tribunal, o juiz profere a sentença. O juiz está aplicando a penalidade. Dentro da Igreja, para esses delitos gravíssimos, a Igreja tem poderes de aplicar automaticamente a penalidade, inclusive quando é delito oculto. Agora, isso é para as pessoas que tem fé. Relembrando também que quem incorre em excomunhão não está condenado pro resto da vida. A Igreja está sempre de portas abertas. Qualquer pessoa que se converte, que pede perdão, a Igreja está pronta pra absolver. Para delitos gravíssimos desse nível, as pessoas precisam ser alertadas. A cada ano, há um milhão de abortos. E estão aí em silêncio... A Igreja deve defender a lei do humano.

A garota de 9 anos é católica?
Toda a família é católica.

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CASO DA MENINA DE ALAGOINHA

O lado que a imprensa deixou de ver

por Padre Edson Rodrigues*

No dia 25 de fevereiro, nossa cidade foi tomada de surpresa por uma trágica notícia de um acontecimento que chocou o país: uma menina de nove anos de idade, tendo sofrido violência sexual por parte de seu padrasto, engravidou de dois gêmeos. Além dela, também sua irmã, de treze anos, com necessidade de cuidados especiais, foi vitima do mesmo crime. Aos olhos de muitos, o caso pareceu absurdo, como de fato assim também o entendemos, dada a gravidade e a forma como há três anos isso vinha acontecendo dentro da própria casa, onde moravam a mãe, as duas garotas e o acusado.

O Conselho Tutelar de Alagoinha, ciente do fato, tomou as devidas providências no sentido de apossar-se do caso para os devidos fins e encaminhamentos. Na sexta-feira, dia 27 de fevereiro, sob ordem judicial, levou as crianças ao IML de Caruaru-PE e depois ao IMIP (Instituto Médico Infantil de Pernambuco), de Recife a fim de serem submetidas a exames sexológicos e psicológicos. Chegando ao IMIP, em contato com a Assistente Social Karolina Rodrigues, a Conselheira Tutelar Maria José Gomes, foi convidada a assinar um termo em nome do Conselho Tutelar que autorizava o aborto. Frente à sua consciência cristã, a Conselheira negou-se diante da assistente a cometer tal ato. Foi então quando recebeu das mãos da assistente Karolina Rodrigues um pedido escrito de próprio punho da mesma que solicitava um “encaminhamento ao Conselho Tutelar de Alagoinha no sentido de mostrar-se favorável à interrupção gestatória da menina, com base no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) e na gravidade do fato”. A Conselheira guardou o papel para ser apreciado pelos demais Conselheiros colegas em Alagoinha e darem um parecer sobre o mesmo com prazo até a segunda-feira dia 2 de março. Os cinco Conselheiros enviaram ao IMIP um parecer contrário ao aborto, assinado pelos mesmos. Uma cópia deste parecer foi entregue à assistente social Karolina Rodrigues que o recebeu na presença de mais duas psicólogas do IMIP, bem como do pai da criança e do Pe. Edson Rodrigues, Pároco da cidade de Alagoinha.

No sábado, dia 28, fui convidado a acompanhar o Conselho Tutelar até o IMIP em Recife, onde, junto à conselheira Maria José Gomes e mais dois membros de nossa Paróquia, fomos visitar a menina e sua mãe, sob pena de que se o Conselho não entregasse o parecer desfavorável até o dia dois de março, prazo determinado pela assistente social, o caso se complicaria. Chegamos ao IMIP por volta das quinze horas. Subimos ao quarto andar onde estavam a menina e sua mãe em apartamento isolado. O acesso ao apartamento era restrito, necessitando de autorização especial. Ao apartamento apenas tinham acesso membros do Conselho Tutelar, e nem tidos. Além desses, pessoas ligadas ao hospital. Assim sendo, à área reservada tiveram acesso naquela tarde as conselheiras Jeanne Oliveira, de Recife, e Maria José Gomes, de nossa cidade.

Com a proibição de acesso ao apartamento onde menina estava me encontrei com a mãe da criança ali mesmo no corredor. Profunda e visivelmente abalada com o fato, expôs para mim que tinha assinado “alguns papéis por lá”. A mãe é analfabeta e não assina sequer o nome, tendo sido chamada a pôr as suas impressões digitais nos citados documentos.

Perguntei a ela sobre o seu pensamento a respeito do aborto. Valendo-se se um sentimento materno marcado por preocupação extrema com a filha, ela me disse da sua posição desfavorável à realização do aborto. Essa palavra também foi ouvida por Robson José de Carvalho, membro de nosso Conselho Paroquial que nos acompanhou naquele dia até o hospital. Perguntei pelo estado da menina. A mãe me informou que ela estava bem e que brincava no apartamento com algumas bonecas que ganhara de pessoas lá no hospital. Mostrava-se também muito preocupada com a outra filha que estava em Alagoinha sob os cuidados de uma família. Enquanto isso, as duas conselheiras acompanhavam a menina no apartamento. Saímos, portanto do IMIP com a firme convicção de que a mãe da menina se mostrava totalmente desfavorável ao aborto dos seus netos, alegando inclusive que “ninguém tinha o direito de matar ninguém, só Deus”.

Na segunda-feira, retornamos ao hospital e a história ganhou novo rumo. Ao chegarmos, eu e mais dois conselheiros tutelares, fomos autorizados a subirmos ao quarto andar onde estava a menina. Tomamos o elevador e quando chegamos ao primeiro andar, um funcionário do IMIP interrompeu nossa subida e pediu que deixássemos o elevador e fôssemos à sala da Assistente Social em outro prédio. Chegando lá fomos recebidos por uma jovem assistente social chamada Karolina Rodrigues. Entramos em sua sala eu, Maria José Gomes e Hélio, Conselheiros de Alagoinha, Jeanne Oliveira, Conselheira de Recife e o pai da menina, o Sr. Erivaldo, que foi conosco para visitar a sua filha, com uma posição totalmente contrária à realização do aborto dos seus netos. Apresentamo-nos à Assistente e, ao saber que ali estava um padre, ela de imediato fez questão de alegar que não se tratava de uma questão religiosa e sim clínica, ainda que este padre acredite que se trata de uma questão moral.

Perguntamos sobre a situação da menina como estava. Ela nos afirmou que tudo já estava resolvido e que, com base no consentimento assinado pela mãe da criança em prol do aborto, os procedimentos médicos deveriam ser tomados pelo IMI dentro de poucos dias. Sem compreender bem do que se tratava, questionei a assistente no sentido de encontrar bases legais e fundamentos para isto. Ela, embora não sendo médica, nos apresentou um quadro clínico da criança bastante difícil, segundo ela, com base em pareceres médicos, ainda que nada tivesse sido nos apresentado por escrito.

Justificou-se com base em leis e disse que se tratava de salvar apenas uma criança, quando rebatemos a idéia alegando que se tratava de três vidas. Ela, desconsiderando totalmente a vida dos fetos, chegou a chamá-los em “embriões” e que aquilo teria que ser retirado para salvar a vida da criança. Até então ela não sabia que o pai da criança estava ali sentado ao seu lado. Quando o apresentamos, ela perguntou ao pai, o Sr. Erivaldo, se ele queria falar com ela. Ele assim aceitou. Então a assistente nos pediu que saíssemos todos de sua sala os deixassem a sós para a essa conversa. Depois de cerca de vinte e cinco minutos, saíram dois da sala para que o pai pudesse visitar a sua filha. No caminho entre a sala da assistente e o prédio onde estava o apartamento da menina, conversei com o pai e ele me afirmou que sua idéia desfavorável ao aborto agora seria diferente, porque “a moça me disse que minha filha vai morrer e, se é de ela morrer, é melhor tirar as crianças”, afirmou o pai quase que em surdina para mim, uma vez que, a partir da saída da sala, a assistente fez de tudo para que não nos aproximássemos do pai e conversássemos com ele. Ela subiu ao quarto andar sozinha com ele e pediu que eu e os Conselheiros esperássemos no térreo. Passou-se um bom tempo. Eles desceram e retornamos à sala da assistente social. O silêncio de que havia algo estranho no ar me incomodava bastante. Desta vez não tive acesso à sala. Porém, em conversa com os conselheiros e o pai, a assistente social Karolina Rodrigues, em dado momento da conversa, reclamou da Conselheira porque tinha me permitido ver a folha de papel na qual ela solicitara o parecer do Conselho Tutelar de Alagoinha favorável ao aborto e rasgou a folha na frente dos conselheiros e do pai da menina. A conversa se estendeu até o final da tarde quando, ao sair da sala, a assistente nos perguntava se tinha ainda alguma dúvida. Durante todo o tempo de permanência no IMIP não tivemos contato com nenhum médico. Tudo o que sabíamos a respeito do quadro da menina era apenas fruto de informações fornecidas pela assistente social. Despedimo-nos e voltamos para nossas casas com a promessa da assistente social de que a documentação sobre a menina dos 9 anos com o parecer médico e os encaminhamentos para o aborto seriam enviados ao Conselho Tiutelar de Alagoinha até a quarta-feira, dia 4 de março, o que até hoje no Conselho Tutelar se espera. Foram enviados apenas os documentos relativos às informações sobre a menina irmã de 14 anos, também violentada.

Aos nossos olhos, tudo estava consumado e nada mais havia a fazer, pois estava claro para nós que em pouco tempo seria iniciado o processo abortivo.

Dada a repercussão do fato, o Arcebispo Metropolitano de Olinda e Recife, Dom José Cardoso, e o bispo de nossa Diocese de Pesqueira, Dom Francisco Biasin sentiram-se impelidos a rever o fato, dada a forma como ele se deu. Dom José Cardoso convocou, portanto, uma equipe de médicos, advogados, psicólogos, juristas e profissionais ligados ao caso para estudar a forma como tudo se seu. Nessa reunião, que se deu na terça-feira, dia 3, pela manhã, no Palácio dos Manguinhos, residência do Arcebispo, também estava presente o Sr. Antonio Figueiras, diretor do IMIP que, constatando o abuso das atitudes da assistente social frente a nós e especialmente para com o pai, ligou ao IMIP e mandou que fosse suspensa toda e qualquer iniciativa que favorecesse o aborto das crianças. E assim se fez por volta das 8 horas da manhã.

Outro encontro de grande importância na luta pela vida dos bebês aconteceu. Desta vez foi no Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco, na tarde da terça-feira, dia 3. Para este, eu e mais dois Conselheiros, bem como o pai da menina fomos convidados naquela tarde. Lá no Tribunal, ficamos na sala de espera, mas o desembargador Jones Figueiredo, junto a demais magistrados presentes, se mostrou disposto a tomar as devidas e possíveis providências para que as vidas das três crianças pudessem ser salvas. Neste encontro, que se deu na Sala da Presidência do TJPE, também estava presente o pai da criança, o Sr. Erivaldo. Depois de cerca de 1 hora de reunião, deixamos o Tribunal esperançosos de que as vidas das crianças ainda pudessem ser salvas, com base na orientação dada pelo diretor do IMIP para cancelamento de toda e qualquer iniciativa pró-aborto naquele dia.

Já a caminho do Palácio dos Manguinhos, residência do Arcebispo, por volta das cinco e meia da tarde, Dom José Cardoso Sobrinho recebeu um telefonema do Diretor do IMIP no qual ele lhe comunicava que um grupo de uma entidade chamada Curumins, de mentalidade feminista pró-aborto, acompanhada de dois técnicos da Secretaria de Saúde do Estado de Pernambuco, teriam ido ao IMIP e convencido a mãe a assinar um pedido de transferência da criança para outro hospital, o que a mãe teria aceitado. Sem saber do fato, cheguei ao IMIP por volta das 18 horas, acompanhado dos Conselheiros Tutelares de Alagoinha para visitar a criança e a mãe. A Conselheira Maria José Gomes subiu ao quarto andar para ver a criança. Eu e o Conselheiro Hélio ficamos embaixo esperando a volta de Maria José. Ela, na recepção do quarto andar, identificou-se e a atendente, certamente ciente que a criança não estava mais na unidade, pediu que a Conselheira sentasse e aguardasse um pouco, porque naquele momento “estava havendo troca de plantão de enfermagem”. A Conselheira sentiu um clima meio estranho, visto que todos faziam questão de manter um silêncio sigiloso no ambiente. Ninguém ousava tecer um comentário sequer sobre a menina.

No andar térreo, fui informado do que a criança e sua mãe não estavam mais lá, pois teriam sido levadas a um outro hospital há pouco tempo acompanhadas de uma senhora chamada Vilma Guimarães. Nenhum funcionário sabia dizer para qual hospital a criança teria sido levada. Tentamos entrar em contato com a Sra. Vilma Guimarães, visto que nos lembramos que em uma de nossas primeiras visitas ao IMIP para ver a criança, quando do assédio de jornalistas querendo subir ao apartamento reservado exclusivamente para a menina e a sua mãe, uma balconista (enfermeira atendente) chamada Sandra afirmou meio irritada em alta voz que só seria permitida a entrada de jornalistas com a devida autorização do Sr. Antonio Figueiras ou da Sra. Vilma Guimarães, o que nos leva a crer que se trata de alguém influente na casa.

Ficamos então a nos perguntar o seguinte: lá no IMIP nos foi afirmado que a criança estava correndo “risco de morte” e que, por isso, deveria ser submetida urgentemente aos procedimentos abortivos para que a situação não se agravasse mais ainda. A pergunta é: como alguém correndo risco de morte poderia ter alta de um hospital. A credibilidade do IMIP não estaria em jogo se liberasse uma paciente que corre risco de morte? Como explicar isso? Como um quadro pode mudar tão repentinamente e a criança ter condições de ser removida a um outro hospital? O que teriam dito as militantes do grupo Curumins à mãe para que ela mudasse de opinião? Seria semelhante ao que foi feito com o pai, que depois de cerca de vinte e cinco minutos de conversa, a sós, com a Assistente Social, a portas fechadas, saiu da sala totalmente convicto de que a sua filha deveria abortar os seus netos, desfazendo sua opinião primeira favorável à vida das crianças? Por que ninguém no IMIP informou ao Conselho Tutelar para onde teria sido transferida a criança? Por que tanto silêncio e tanto mistério? Estariam, por acaso, fazendo algo errado que não pudesse ser conhecido?

De lá do IMIP voltamos ao Palácio dos Manguinhos sem saber muito que fazer, uma vez que nenhuma pista nós tínhamos de onde a menina e a sua mãe se encontravam. Convocamos órgãos de imprensa para fazer uma denúncia, frente ao apelo do pai que queria saber onde estava a sua filha naquela noite.

Na manhã da quarta-feira, dia 4 de março, já em Alagoinha, ficamos sabendo, por meio da imprensa, que a criança estava internada no CISAM, acompanhada de sua mãe. O Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (FUSAM) é um hospital especializado em gravidez de risco, localizado no bairro da Encruzilhada, Zona Norte do Recife. Lá, por volta das 9 horas da manhã, nosso sonho e luta para salvar as duas crianças se foi, baseado num ato de manipulação da consciência, extrema negligência e desrespeito à vida humana como se de nada estivéssemos falando.

Tudo isto foi relatado para que se tenha clareza quanto aos fatos como verdadeiramente eles aconteceram. Nada mais que isso houve. Porém, lamentamos profundamente que as pessoas se deixem mover por uma mentalidade formada pela mídia que está a favor de uma cultura de morte. Espero que casos como este não se repitam mais.

Ao IMIP, temos que agradecer pela acolhida da criança lá dentro e até onde pode cuidar dela. Mas por outro lado não podemos deixar de lamentar a sua negligência e indiferença ao caso quando, no momento em que, sabendo do verdadeiro quadro clínico das crianças, permitiu a saída da menina de lá, mesmo com o consentimento da mãe, parecendo ato visível de quem quer se ver livre de um problema.

Aos que se solidarizaram conosco, nossa gratidão eterna em nome dos bebês que a esta hora, diante de Deus, rezam por nós. “Vinde a mim as crianças”, disse Jesus. E é com a palavra dele mesmo que continuaremos a soltar nossa voz em defesa da vida onde quer que ela esteja ameaçada: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham plenamente” (Jo. 10,10).
Nisso cremos, nisso apostamos e por isso nos gastaremos sempre.

Acima de tudo, a Vida, dom de Deus para todos!

Fonte: http://padreedson.blogspot.com/


* Padre Edson Rodrigues é Pároco de Alagoinha-PE

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quinta-feira, 5 de março de 2009

O Tempo da Quaresma (parte VIII)

5. A abstinência e o jejum.
A prática do jejum, tão característica da antigüidade neste tempo litúrgico, é um “exercício” que libera voluntariamente das necessidades da vida terrena para redescobrir a necessidade da vida que vem do céu: “Não só de pão vive o homem, mas também de toda palavra que sai da boca de Deus” (MT 4,4; ver Dt 8,3; Lc 4,4; antífona de comunhão do I Domingo de Quaresma)

O que exigem a Abstinência e o Jejum?
A abstinência proíbe o uso de carnes, mas não de ovos, laticínios e qualquer condimento a base de gordura de animais. São dias de abstinência todas as sextas-feiras.

O jejum exige fazer uma só refeição durante o dia, mas não proíbe tomar um pouco de alimento pela manhã e de noite, atendo-se, no que respeita à qualidade e quantidade, aos costumes locais passados (Constituição Apostólica poenitemi, sobre doutrina e normas da penitência, III, 1,2). São dias de jejum e abstinência a Quarta-feira de Cinza e a Sexta-feira Santa.

Quem está chamados à abstinência e ao jejum?
À Abstinência de carne: os maiores de 14 anos.
Ao Jejum: os maiores de idade (18 anos) até os 59 anos.

por que o Jejum? Fala-nos o Santo Padre:
“É necessário dar uma resposta profunda a esta pergunta, para que fique clara a relação entre o jejum e a conversão, isto é, a transformação espiritual que aproxima o homem a Deus.

“O abster-se da comida e a bebida tem como fim introduzir em à existência do homem não só o equilíbrio necessário, mas também também o desprendimento do que se poderia definir como “atitude consumista.
“Tal atitude veio a ser em nosso tempo uma das características da civilização ocidental. A atitude consumista! O homem, orientado para os bens materiais, muito freqüentemente abusa deles. A civilização se mede então segundo a quantidade e a qualidade das coisas que estão em condições de prover ao homem e não se mede com o metro adequado ao homem.

“Esta civilização de consumo ministra os bens materiais não só para que sirvam ao homem em ordem a desenvolver as atividades criativas e úteis, mas sim cada vez mais para satisfazer os sentidos, a excitação que se deriva deles, o prazer momentâneo, uma multiplicação de sensações cada vez maior.

“O homem de hoje deve jejuar, quer dizer, abster-se de muitos meios de consumo, de estímulos, de satisfação dos sentidos: jejuar significa abster-se de algo. O homem é ele mesmo solo quando consegue dizer-se a si mesmo: Não. Não é a renúncia pela renúncia: mas sim para o melhor e mais equilibrado desenvolvimento de si mesmo, para viver melhor os valores superiores, para o domínio de si mesmo”.

(continua)

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quarta-feira, 4 de março de 2009

O Tempo da Quaresma (parte VII)

4. Oração, mortificação e caridade.
São as três grandes práticas quaresmais ou meios da penitência cristã (ver MT 6,1-6.16-18).

Acima de tudo, está a vida de oração, condição indispensável para o encontro com Deus. Na oração, o cristão ingressa no diálogo íntimo com o Senhor, deixa que a graça entre em seu coração e, a semelhança de Santa Maria, abre-se à oração do Espírito cooperando a ela com sua resposta livre e generosa (ver Lc 1,38). portanto devemos neste tempo animar a nossos fiéis a uma vida de oração mais intensa.

Para isso poderia ser aconselhável introduzir a reza de Alaúdes ou Vésperas, na forma que resulte mais adequada: os domingos ou nos dias de trabalho, como uma celebração independente ou unidos à Missa; convidar a nossos fiéis a formar algum grupo de oração que se reúna estavelmente sob nosso guia, uma vez por semana durante meia hora. Desta maneira além de rezar podemos lhes ensinar a fazer oração; incentivar a oração pela conversão dos pecadores, oração própria deste tempo; etc. Além disso, não se pode esquecer que a Quaresma é tempo propício para ler e meditar diariamente a Palavra de Deus.

Por isso seria muito bom oferecer a nossos fiéis a relação das leituras bíblicas da liturgia da Igreja de cada dia com a confiança de que sua meditação seja de grande ajuda para a conversão pessoal que nos exige este tempo litúrgico.

A mortificação e a renúncia, nas circunstâncias ordinárias de nossa vida, também constituem um meio concreto para viver o espírito da Quaresma. Não se trata tanto de criar ocasiões extraordinárias, mas sim mas bem oferecer aquelas circunstâncias cotidianas que nos são molestas; de aceitar com humildade, gozo e alegria, os distintos contratempos que nos apresenta o ritmo da vida diária, fazendo ocasião deles para nos unir à cruz do Senhor. Da mesma maneira, o renunciar a certas coisas legítimas ajuda a viver o desapego e o desprendimento. Inclusive o fruto dessas renúncias e desprendimentos o podemos traduzir em alguma esmola para os pobres. Dentro desta praxe quaresmal estão o jejum e a abstinência, dos que nos ocuparemos mais adiante em um parágrafo especial.

A caridade. De entre as distintas práticas quaresmais que nos propõe a Igreja, a vivência da caridade ocupa um lugar especial. Assim nos lembra São Leão Magno: “estes dias quaresmais nos convidam de maneira premente ao exercício da caridade; se desejamos chegar à Páscoa santificados em nosso ser, devemos pôr um interesse especialíssimo na aquisição desta virtude, que contém em si às demais e cobre multidão de pecados”. Esta vivência da caridade devemos viver a de maneira especial com aquele a quem temos mais perto, no ambiente concreto no que nos movemos. Desta maneira, vamos construindo no outro “o bem mais precioso e efetivo, que é o da coerência com a própria vocação cristã” (João Paulo II).

“Há maior felicidade em dar que em receber” (At 20,35). Segundo João Paulo II, o chamado a dar “não se trata de um simples chamado moral, nem de um mandato que chega ao homem de fora” mas sim “está radicado no mais fundo do coração humano: toda pessoa sente o desejo de ficar em contato com os outros, e se realiza plenamente quando se dá livremente a outros”. “Como não ver na Quaresma a ocasião propícia para fazer opções decididas de altruísmo e generosidade? Como médios para combater o desmedido apego ao dinheiro, este tempo propõe a prática eficaz do jejum e a esmola. Privar-se não só do supérfluo, mas também também de algo mais, para distribui-lo a quem vive em necessidade, contribui à negação de si mesmo, sem a qual não há autêntica praxe de vida cristã. Nutrindo-se com uma oração incessante, o batizado demonstra, além disso, a prioridade efetiva que Deus tem na própria vida”.

Por isso será oportuno discernir, conforme à realidade de nossas comunidades, que campanhas a favor dos pobres podem organizar durante a Quaresma, e como devemos animar a nossos fiéis à caridade pessoal.

A oração, a mortificação e a caridade, ajudam-nos a viver a conversão pascal: do fechamento do egoísmo (pecado), estas três práticas da quaresma nos ajuda a viver a dinâmica da abertura a Deus, a nós mesmos e a outros.

(continua)

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VGA [SiS] 771/671 no ubuntu 8.10 (Intrepid)

Recentemente configurei um Notebook da Positivo e qual foi a minha surpresa quando instalei o Ubuntu 8.10 e a resolução não passava de 600x800... ninguém merece. Então, procurei na internet algo que me ajudasse e depois de muita busca, teste e surra, finalmente consegui. Segue abaixo, os passos que tracei para solucionar meu problema com o vídeo. Espero que ajude outras pessoas...

O controlador de vídeo é:
01:00.0 VGA compatible controller: Silicon Integrated Systems [SiS] 771/671 PCIE VGA Display Adapter (rev 10)

Procedimento:
  1. Remova qualquer menção a drivers no xorg.conf com: sudo dpkg-reconfigure -phigh xserver-xorg
  2. Baixe e instale o driver.
  3. Abra o xorg.conf com gksu gedit /etc/X11/xorg.conf e insira a linha Driver "sis671" dentro de Section "Device"
  4. Reinicie o computador (reiniciar apenas o "X" deveria bastar, mas para mim não deu certo).
Isso resolveu o meu problema.

A solução original pode ser encontrada em:
http://linuxieu.blogspot.com/2009/01/vga-sis-771671-no-ubuntu-810e.html

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terça-feira, 3 de março de 2009

O Tempo da Quaresma (parte VI)

d. Preces Eucarísticas.
Podem ser usadas duas preces eucarísticas sobre a reconciliação, sobre tudo quarta-feira e sexta-feira, que são os dias mais penitenciais da Quaresma.

E. Introdução ao Pai Nosso.
Durante o tempo de Quaresma, pode ser sugestivo destacar na introdução ao Pai Nosso o pedido: “nos perdoe nossas ofensas”, ou “Livrai-nos do mal”.
F. Bênção Solene e Orações sobre o povo.
A nova edição do Missal Romano (1988), incorporou uma bênção solene para este tempo, que na edição anterior do Missal não existia. Por isso será oportuno usá-la sobre tudo Na Quarta-feira de Cinza e os domingos de Quaresma.
Também se podem usar para os domingos as “orações sobre o povo” que traz o Missal Romano ao final do elenco das Bênçãos Solenes, e que são as antigas bênçãos romanas. Para os domingos as mais aconselháveis são as dos números 4, 11, 18, 20 e 21. Não deve-se esquecer no domingo VI de Quaresma ou de Paixão tem bênção própria.
Se para as feiras quer empregar alguma das “orações sobre o povo”, as mais apropriadas são as dos números, 6, 10, 12, 15, 17 e 24. A 17 são muito apropriada para as sextas-feira.

2. Programa de cantos.
a) Canto de entrada da missa.
Este canto tem que dar a cor quaresmal ao conjunto da celebração eucarística. Deve ser penitencial ou, nos dias sexta-feira e nas duas últimas semanas, alusivos à cruz do Senhor. portanto terá que pôr muito cuidado em sua escolha.

b) Salmo responsorial.
Deve-se respeitar sempre na liturgia da Missa e não ser alegremente substituído por qualquer canto. Não nos cansaremos de dizer que o Salmo forma parte integral da Liturgia da Palavra; que é Palavra de Deus, e que a palavra divina nunca pode ser substituída pela palavra humana.
Na medida do possível se deve cantar. Mas se a assembléia não pode cantar a antífona própria do salmo da missa, podem-se procurar algumas antífonas aplicáveis a todas as missas, sempre e quanto estas antífonas respeitem o sentido do salmo.
Assim por exemplo se podem selecionar antífonas penitenciais, quando o salmo for penitencial (por exemplo, “Perdão, Senhor, Perdão”; ou “Sim me levantarei”); ou aclamações que aludam à paixão do Senhor, quando o salmo sugira a oração de Cristo na cruz (por exemplo “me Proteja meu Deus”).
Em caso que isto tampouco se possa fazer é preferível ler o salmo, e a assembléia responder com a antífona indicada, a cantar uma resposta que não tenha o mesmo sentido do salmo.

c) Aclamação antes do evangelho.
Podem fazer-se estas indicações:
- É melhor reservá-la unicamente para os dias mais solenes (domingos e três primeiras feiras de Semana Santa), e omiti-la nas feiras.
- Nunca a deve cantar um solista (não é um segundo salmo responsorial), mas sim a assembléia ou um coro. O melhor é que seja um canto vibrante e aclamação a Cristo que falará no santo evangelho.

d) Cantos de comunhão.
Deverão ser evitados os que tiverem um matiz penitencial, pois a comunhão é sempre um momento festivo. No momento de comungar não se trata de criar um ambiente quaresmal, mas sim acompanhar festivamente a procissão eucarística. Por isso é bom para este momento da Santa Missa escolher cantos alusivos ao convite eucarístico.

e) Preparação dos cantos da Vigília e do Tempo pascal.
Terá que dedicar durante a Quaresma um tempo cada semana para ensaiar cantos pascais. Isto não se situa somente na linha de uma necessidade prática com vistas às festas e ao tempo litúrgico que se aproximam, mas sim além disso contribuirá a viver a Quaresma como um caminho para a páscoa, criando o desejo de desejar sua celebração.
Nesta linha, tem tanta importância os ensaios em si como a explicação de alguns textos cantados. Nestes ensaios quaresmais deveria procurar-se que o repertório pascal progredisse de ano em ano, e, assim, os cantos pascais superassem os dos outros ciclos, como a Páscoa supera em solenidade as outras festas.
Como cantos mais importantes poderiam ser:
Um “Aleluia” vibrante (e possivelmente novo) que, bem ensaiado desde o começo da Quaresma, poderia-o saber bem toda a assembléia.
Um “Glória” solene e extraordinário, que poderia estrear-se na Noite Santa de Páscoa e converter-se no “Glória” próprio da cinquentena, ou pelo menos da Oitava de Páscoa. É bom recordar que o “Glória” que se escolha deve recolher em sua totalidade o texto litúrgico do Missal Romano.
Aquele que cantará o “Pregão Pascal” na Vigília Pascal, deverá praticá-lo com a suficiente antecipação e nunca deixar seu ensaio para o último momento.

3. Preparação do círio pascal.
O círio pascal é talvez o sinal mais próprio e expressivo das celebrações pascais. Por isso, não é suficiente comprá-lo (seria imperdoável usar o círio de outros anos, pois a Páscoa é a renovação de tudo), mas sim é necessário ambientar sua futura presença, e, obter que os fiéis o desejem, pois o representa ao Senhor glorificado.
Por isso sugerimos que se organize o IV Domingo de Quaresma uma coleta entre os fiéis para adquiri-lo. O IV Domingo de Quaresma, é no domingo da alegria no caminho penitencial para a Páscoa, e nos convida a pensar na Páscoa como uma celebração já muito próxima.
Com isso resultaria mais verdadeira a expressão que se cantará no pregão pascal: “Em esta noite de graça, aceita, Pai santo, este sacrifício vespertino de louvor que a Santa Igreja te oferece por meio de seus ministros na solene oferenda deste círio”. É evidente que esta expressão perde todo seu sentido se se usar um círio que já foi, por dizê-lo assim, “devotado” anteriormente.
(continua)

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O Tempo da Quaresma (parte V)

1. O Tempo da Quaresma (parte i)
2. O Tempo da Quaresma (parte II)
3. O Tempo da Quaresma (parte III)
4. O Tempo da Quaresma (parte IV)

Prefácio II: A penitência espiritual.

A ser usado sobre tudo no domingo, quando não assinalou um prefácio próprio.

Este prefácio sublinha o sentido da penitência quaresmal. A Quaresma é apresentada como um tempo de graça (tempo de misericórdia), que Deus nos oferece para conseguir a purificação interior do espírito. nos ver livres do pecado, de nossos vícios e escravidões, reordenando adequadamente nossas potências e paixões, aprendendo a usar os bens materiais como médios e não como fins, compreendendo sua natureza perecível e portanto não nos apegando a eles desordenadamente. Este é o sentido da penitência quaresmal: mudança de mentalidade (metanóia), despojar do homem velho para revestir do homem novo.

Prefácio III: Os frutos das privações voluntárias.

A usar-se durante as feiras e os dias de abstinência e jejum.

Este prefácio concreta ainda mais esta “penitência” e assinala o por que da abstinência e o jejum. O jejum tem uma dupla finalidade: por uma parte mitigar nossos apetites desordenados, e por outra parte aliviar as necessidades do próximo com o fruto de nossa renúncia. Com isso damos graças a Deus e nos fazemos discípulos e instrumentos de seu amor.

Prefácio IV: Os frutos do jejum.

A usar-se durante as feiras e os dias de abstinência e jejum.

É o mais antigo dos prefácios quaresmais. limita-se a destacar o jejum como elemento central da Quaresma, nos apresentando o aspecto “ascético” deste tempo litúrgico.

Prefácio V: O caminho do êxodo quaresmal.

A usar-se durante as feiras deste tempo.

Este prefácio foi incorporado na última edição do Missal Romano (1988). Tem um título dinâmico e sugestivo. Apresenta a Deus como Pai rico em misericórdia, quem toma a iniciativa de nossa salvação porque “pelo grande amor com que nos amou, estando mortos por causa de nossos delitos, vivificou-nos junto com Cristo –por graça fostes salvos- e com Ele nos ressuscitou e nos fez sentar nos céus em Cristo Jesus” (Ef 2,4-6). O prefácio apresenta o caminho da Igreja na Quaresma como um “novo êxodo”, onde a Igreja está chamada a fazer penitência e renovar sua vocação de povo da aliança nova e eterna, chamado a bendizer o nome de Deus, a escutar sua Palavra e a experimentar com gozo suas maravilhas.

Além destes cinco prefácios numerados, há outros vários, virtualmente para cada domingo, sobre tudo no Ciclo A.

Primeiro no domingo, centra-se nas tentações de Jesus no deserto.

Segundo no domingo, sobre a Transfiguração do Senhor.

Os terceiro, quarto e quinto domingos, têm prefácios claramente batismais, respondendo às leituras evangélicas, que apresentam os grandes temas quaresmais da água (a samaritana), a luz (o cego de nascimento) e a vida (Lázaro).

Como já indicamos há outros dois prefácios de Paixão, para os últimos dias da Quaresma e Semana Santa.

São onze prefácios em total. Podemos tirar proveito deles para nossa pregação e nossa catequese. Neles estão as idéias-força do mistério de salvação que sucede em nosso caminho quaresmal-pascal.

(continua)

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O Tempo da Quaresma (parte IV)

1. O Tempo da Quaresma (parte i)
2. O Tempo da Quaresma (parte II)
3. O Tempo da Quaresma (parte III)

IV. RECOMENDAÇÕES E SUGESTÕES.

1. Textos eucológicos.

A Quaresma é o tempo do ano que possui maior riqueza de textos eucológicos (conjunto de orações de um livro litúrgico ou de uma celebração). A missa não só tem própria a primeira oração de cada dia, mas também inclusive a oração sobre as ofertas e a oração depois da comunhão. Mas, além destes textos obrigatórios, sublinharíamos a importância de outros formulários que podem usar-se livremente:

A. O ato penitencial da missa.

Seria recomendável destacar, durante este tempo, esta parte da celebração. Poderiam, por exemplo, variar-se cada dia da semana as invocações (a nova edição do Missal Romano oferece para isso uma variedade de possibilidades), e cantar diariamente –não limitar-se a rezar- o “Senhor tenha piedade”. É uma maneira singela de sublinhar o caráter penitencial destes dias.

B. Oração dos fiéis.

Conviria empregar alguns formulários nos quais se atendesse o significado próprio deste tempo, e nos que se incluíram algumas solicite pelos pecadores, a teor do que se diz a respeito no Concílio Vaticano II (ver Sacrosanctum Concilium, N. 109). Do mesmo modo, e seguindo o pedido do Papa, podem-se incluir petições pela paz do mundo, pela família, pela defesa da vida, e pelas vocações.

C. Prefácios.

No ano A, todos os domingos têm um prefácio próprio que glosa o evangelho do dia. Nos anos B e C, têm prefácio próprio os domingos I e II e no domingo de Ramos. Os restantes domingos, usa-se um dos prefácios comuns de Quaresma. O mais apropriado para no domingo IV é o prefácio I, por suas alusões à Páscoa que se aproxima. Em troca o prefácio IV por suas alusões ao jejum, não é apropriado para no domingo.

Para as feiras há cinco prefácios. Todos estes prefácios terá que distribui-los de maneira que nenhum deles fique esquecido. Por seu caráter penitencial, o IV está especialmente indicado para as sextas-feiras.

C. 1 O espírito da Quaresma em seus Prefácios.

A última edição de Missal Romano (1988), traz cinco Prefácios de Quaresma, destinados às quatro primeiras semanas deste tempo.

A semana V e VI, como se recorda, dispõem de dois Prefácios da Paixão do Senhor. Os cinco prefácios quaresmais são estes:

Prefácio I: Significação espiritual da Quaresma.

A usar-se sobre tudo no domingo, quando não assinalou prefácio próprio.

Este prefácio apresenta quatro linhas de força:

Em primeiro lugar define a atitude do cristão na quaresma: “desejar ano após ano a solenidade da páscoa”. Este prefácio apresenta a meta positiva do processo quaresmal e da vida cristã: participar de plenitude do mistério pascal do Senhor Jesus. O que desejamos e celebramos é o mistério de Cristo renovado em nossa vida: a Igreja, que se incorpora à Páscoa de seu Senhor.

Em segundo lugar a tarefa quaresmal se descreve com três pinceladas: nos libertar do pecado e nos purificar interiormente; nos dedicar com maior empenho ao louvor divino (vida de oração); e finalmente viver mais intensamente o amor fraterno (a caridade).

Em terceiro lugar sublinha que a meta última a que tende o processo quaresmal é “chegar a ser com plenitude filhos de Deus”, em Cristo, o Filho por excelência, em quem fomos enxertados pelo Batismo.

Finalmente, em quarto lugar, o prefácio sublinha que tudo é iniciativa divina, a que a pessoa humana deve corresponder segundo o máximo de suas possibilidades ou capacidades: “por Ele concede a seus filhos desejar, ano após ano...” A Palavra de Deus e os Sacramentos nos ajudam em nosso caminho para a santidade.

(continua)


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