quarta-feira, 27 de maio de 2009

Hedonismo, mais uma praga para o século XXI


Dizem-nos que a vida deve ser aproveitada ao máximo e com o máximo prazer, argumentando que a vida é uma dádiva e por isso temos que a saber gozar, e ainda que o prazer sensitivo é a única coisa que levamos desta vida. Usando desta perspectiva e inserido no pacote da mentalidade revolucionária chega até nós, tremendamente amplificado pela hegemonia socialista, o hedonismo. Esta busca desenfreada da felicidade faz corresponder o bem supremo, o valor mais elevado, com o prazer. A felicidade é pois apresentada como prazer, a maximização do prazer surge assim como móbil e finalidade para a vida. Mas, muitas vezes, esse prazer não passa de aparência, a realidade verifica-se diferente, o vício é inimigo do perfeccionismo, mas amigo do descontentamento. Por outro lado as exigências mais elevadas assentes na racionalidade e que efectivamente evoluem a humanidade, dependentes do esforço e do sacrifício pessoal, como as verdades tradicionais (sabedoria, fortaleza, temperança e justiça) são amplamente negligenciadas. Devemos ter em conta, ainda, que o prazer dos desejos desnecessários não está incluído na esfera dos bens da vida que são naturais (vida, saúde). O prazer tal como concebido na modernidade é antinatural. Os desejos de poder, a necessidade de ostentação, os vícios, são estranhos à nossa natureza. O homem pode por isso aperfeiçoar-se libertando-se do domínio do irracional. Muitos, vítimas da insatisfação, acabam nas teias implacáveis do mundo da droga. Quantas famílias destruídas, quantos inválidos e mortes desnecessárias devidos à procura do máximo prazer corporal?

Prova-se que a vida sã, vítima da mente perversa, desmorona-se como um castelo de cartas assim que os primeiros vícios se apoderam do organismo indefeso. Com a intensificação dos vícios adquiridos e a vinda de outros novos, uma vez que o hábito minimiza o prazer, o sujeito torna-se um farrapo humano desperdiçando assim a sua vida, pois, tornando-se inútil, torna-se um fardo para a sociedade. Esta extrema liberdade individual escrava dos prazeres corporais promove inevitavelmente o anarquismo. Na ânsia de maior satisfação, porém atingimos o paradoxo, no meio da desordem os sujeitos forçosamente se digladiam ora por questões de sobrevivência ora para satisfação da ambição desmedida de que padecem os hedonistas. E dá-se também o irracional porque o homem sempre procurou defender-se da desordem que o ameaça. Por outro lado, o hedonista vê-se privado do maior dos prazeres que é a satisfação do dever cumprido. O homem realiza-se na rectidão. Repare-se como Sócrates, face à morte pela cicuta, prefere o cumprimento do dever à manutenção da vida e olhe-se para os mártires que preferiram as piores torturas a abdicar do seu dever. Os homens sensatos sabem que não há maior felicidade do que praticar o bem. O bem nunca é o prazer egoísta mas sim a entrega altruísta. À medida que nos afastamos da nossa própria natureza aumenta a singularidade despida de racionalidade, aumenta o comportamento aberrante. O adepto entusiasta do desregrado hedonismo passa directamente da fase da juventude para a fase de declínio, a fase intermédia, da maturidade que é a de fecunda criação, acaba por lhe ser estranha. A medíocre cultura do vício e dos excessos está forçosamente reprovada.

Em alternativa, a felicidade deve repousar no conhecimento contemplativo da razão, à boa maneira aristotélica. O prazer mais puro é a alegria de pensar bem, conservando a lógica de subordinação do corpo ao espírito. Caso contrário, a escravização dos prazeres agrava a despersonalização uma vez que o homem distingue-se pela moral. O sujeito subjugado aos exacerbados apetites do corpo jamais será virtuoso. Quanto mais negamos a racionalidade mais nos assemelhamos a animais irracionais. A irracionalidade do hedonista chega a promover a necessidade, a dependência, identificando-as com a virtude. E, estamos perante mais uma subversão revolucionária. Poder-se-á argumentar que o homem sério por vezes se sente frustrado, é verdade. Mas, a esses dizemos, usando uma máxima do liberal Mill, "mais vale Sócrates insatisfeito do que um porco satisfeito". A razão é o maior dos bens, não podemos por isso concordar com a subordinação da razão ao prazer. A promoção da degradação do ser humano deve pois ser repelida por todos aqueles que se consideram possuidores de verticalidade. É preciso uma alteração do modo de pensar que retire o indivíduo da mediocridade e o coloque na competição saudável pela superioridade. O ascetismo inimigo dos prazeres sensuais é o oposto do hedonismo. Não enveredando por extremos, moderadamente é recomendável a guerra ao consumismo, ao materialismo, ao individualismo, e ao relativismo. A solução passa por voltarmos à sagrada união familiar e de grupo por afinidades e pelo sangue, tudo o resto são alienações. O corpo move-se no espaço e no tempo, a alma, unicamente no tempo, e reparem como a alma sem matéria comanda não só o corpo como todas as coisas e é eterna. Acreditamos que após a embriaguez inicial trazida pelo hedonismo é ainda possível um saudável regresso à razão que conduzirá a uma nova atitude. Negamos igualmente quer o vício como norma da vida quer o valor do facilitismo. Exaltamos, à boa maneira da Grécia clássica, o divino como medida de todas as coisas promovendo desta forma a excelência, cuja consequente elevação da personalidade possibilitará uma verdadeira emancipação da humanidade. Não há felicidade sem educação. Precisamos, pois, mais de uma Doutrina dos Deveres do que uma cartilha dos direitos. É imperativo que a justiça reine.

Bibliografia:
F. Heinemann, A Filosofia no Século XX, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2008.

Fonte: Blog Nacional Cristianismo
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domingo, 24 de maio de 2009

A Igreja Católica e a Teoria da Evolução de Charles Darwin

Esse mês uma reportagem da Scientific American Brasil me deixou pensativo. A reportagem era sobre a nossa pequena diferença genética em relação aos chimpanzés (cerca de 1%). Um amigo do Veritas (Erimar) queria informações a cerca do debate sobre o criacionismo e o evolucionismo, então me pus a procura de artigos na Internet que pudessem elucidar essa questão.

Dentre as descobertas constatei que:
- O papa Bento XVI desqualifica a teoria do "design inteligente" por ser parcial e seletiva no que diz respeito às provas.
- O papa João Paulo II declarou que: a teoria da evolução é "mais que apenas uma hipótese" e que é compatível com a fé cristã.
- O papa Pio XII na Encíclia Humani Generis permite a discussão do evolucionismo como hipótese mas condena o poligenismo como contrário a Fé Cristã.

Nenhum dos três declarou infalivelmente mas todas as afirmações fazem muito sentido e buscam conciliar a Fé Cristã com o conhecimento científico a cerca da origem do mundo. Quando tiver mais tempo lerei a encíclica de Pio XII e posto alguma coisa aqui sobre. Abaixo, o link de algumas notícias que considero relevantes sobre o tema.

Papa Bento 16 vai discutir teoria da evolução com ex-alunos

Papa Bento XVI aceita a teoria da evolução

Papa defende a Evolução

Papa questiona teoria da evolução de Charles Darwin

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sábado, 16 de maio de 2009

Por que os católicos veneram imagens?

Desde a antigüidade, o homem sempre usou pinturas figuras, desenhos e esculturas, entre outros, para dar a entender ou explicar algo. Estes meios servem para ajudar a visualizar o invisível; para explicar o que não se pode ser explicado com palavras. Quando o homem caiu pelo pecado e perdeu a intimidade com Deus, começou a confundir Deus com outras coisas e a render-lhe como se fossem deuses. Este culto era representado freqüentemente com esculturas ou imagens idolátricas. A proibição do Decálogo contra as imagens se explica pela função de tais representações.

Entretanto, ainda quando muitas pessoas pensam que o primeiro mandamento proíbe a veneração das imagens isto não é necessariamente assim. O culto cristão às imagens não é contrário ao primeiro mandamento porque a honra que se presta a uma imagem pertence a quem nelas é representado. Que dizer, se venera uma imagem não por ser a imagem em si, mas pelo que esta representa.

Neste sentido, Santo Tomás de Aquino em sua monumental Summa Theologiae assinala que "o culto da religião não se dirige às imagens em si mesmas como realidades, mas que as olha sob seu aspecto próprio de imagens que nos conduzem a Deus encarnado. Pois bem, o movimento que se dirige à imagem em quanto tal, não se detém nela, mas tende à realidade da que é imagem".

Inclusive já no Antigo Testamento, Deus ordenou ou permitiu a instituição de imagens que conduziriam simbolicamente à salvação pelo Verbo encarnado, e como exemplo disso temos a serpente de bronze ou a arca da aliança e os querubins.

As primeiras comunidades cristãs representaram a Jesus com imagens de Bom Pastor, mais adiante apareceram as de Cordeiro Pascal e outros ícones representando a vida de Cristo. As imagens têm sido sempre um meio para dar a conhecer e transmitir a fé em Cristo e a veneração e amor à Santíssima Virgem e aos santos. Prova disso, são as catacumbas -a maioria localizada me Roma- onde ainda se conservam imagens feitas pelos primeiros cristãos, como as catacumbas de Santa Priscila, pintadas na primeira metade do século III.

Entretanto, com a encarnação de Jesus Cristo foi inaugurada uma nova economia das imagens.Cristo tomou e resgatou os ensinamentos do Antigo Testamento e lhe deu uma interpretação mais perfeita em sua própria pessoa. Antes de Cristo ninguém podia ver o rosto de Deus; em Cristo Deus se fez visível. Antes de Jesus as imagens com freqüência representavam a ídolos, eram usadas para a idolatria. Agora o verdadeiro Deus quis tomar imagem humana já que ele é a imagem visível do Pai.

Maria e os Santos

A igreja Católica venera aos santos mais não os adora. Adorar algo ou alguém que não seja Deus é idolatria. Há que saber distinguir entre adorar e venerar. São Paulo ensina a necessidade de recordar com especial estima aos nossos precursores na fé. Eles não desapareceram no nada mas a nossa fé nos dá a certeza do céu onde os que morreram na fé estão já vitoriosos em Cristo.

A igreja respeita as imagens da mesma forma que se respeita e venera a fotografia de um ser querido. Todos sabemos que não é o mesmo contemplar a fotografia e contemplar a própria pessoa de carne e osso. Não está, então, a tradição Católica contra a Bíblia. A Igreja é fiel a autêntica interpretação cristã desde suas origens.

A igreja procurou sempre com interesse especial que os objetos sagrados servissem ao esplendor do culto com dignidade e beleza, aceitando a variedade de matéria, forma e ornato que o progresso da técnica tem produzido ao longo dos séculos. Mais ainda: a Igreja se considerou sempre como árbitro das mesmas, escolhendo entre as obras artísticas as que melhor responderam à fé, à piedade e às normar religiosas tradicionais, e que assim seriam melhor adaptadas ao uso sagrado.


Fonte: http://www.acidigital.com/controversia/imagens.htm

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quarta-feira, 13 de maio de 2009

"Anjos e Demônios" é picaretagem pura

Ontem fui ver uma sessão para a imprensa de Anjos e Demônios, baseado no romance de Dan Brown, e que estreia depois de amanhã. Resumindo bem resumido o enredo, uma sociedade secreta se aproveita das pesquisas do Grande Colisor de Hádrons (o famoso LHC, a "máquina do fim do mundo") e elabora um plano para explodir o Vaticano exatamente durante o conclave que elegerá o sucessor de um Papa morto recentemente. O especialista em símbolos Robert Langdon é chamado pelo Vaticano para ajudar a desvendar a conspiração. Como suspense, é até melhorzinho que O código Da Vinci, mas a avaliação artística eu deixo para o roteiro do Caderno G, que sai na sexta, e para meu colega Paulo Camargo, da Central de Cinema. Também não vou comentar os erros factuais grotescos, especialmente os relativos ao conclave. Nosso negócio aqui é ciência e religião, e nisso o filme é picaretagem pura.

Uma ideia de fundo observada durante todo o longa (exceto em um discursinho conciliador no desfecho) é a oposição entre Igreja e ciência; mais ainda, a perseguição aos cientistas promovida pela Igreja. Essa perseguição estaria na origem dos Illuminati (a tal sociedade secreta), e o roteiro coloca essa ideia até mesmo na boca de personagens pertencentes ao clero. Ainda entrou no filme uma cena completamente idiota (e que não tem influência alguma no enredo) em que militantes a favor da pesquisa com embriões enfrentam os católicos que aguardam a eleição do Papa, tudo em plena Praça de São Pedro. Como não podia deixar de ser, ninguém se preocupa em esclarecer que a Igreja se opõe apenas ao uso de células-tronco embrionárias, enquanto encoraja a pesquisa com células-tronco adultas.

Segundo o filme, Galileu e Bernini eram membros da sociedade. Bom, mas o próprio site de Dan Brown afirma, como fato real, que os Illuminati foram fundados em 1776 e dissolvidos poucos anos depois. Então, como raios Galileu (que morreu em 1642) e Bernini (que morreu em 1680) poderiam ter feito parte dos Illuminati? Mas dá pra entender a tentação de incluir Galileu no rolo: costuma-se pintar o astrônomo e matemático como uma espécie de "mártir" da ciência, imolado por um bando de religiosos retrógrados (você pode clicar aqui para conhecer melhor alguns detalhes sobre os problemas de Galileu com a Inquisição). Dan Brown inclusive inventa uma "última obra" de Galileu chamada Diagramma Veritatis. Ora, basta consultar qualquer site de referência sobre Galileu para saber que seu livro final foi Discursos e demonstrações matemáticas sobre duas novas ciências.

Divulgação

Divulgação / Robert Langdon busca (e encontra) o

Robert Langdon busca (e encontra) o "Diagramma Veritatis" de Galileu. O fato de essa obra nunca ter existido não parece ser problema para Dan Brown.

O livro chega a ser ainda mais explícito na tentativa de criar oposição entre religião (especialmente a Igreja Católica) e ciência. Em um trecho aparecem cartazes, trazidos por religiosos, dizendo "cientista = satanista". Brown ainda alega que Nicolau Copérnico foi "assassinado" (na verdade ele morreu em sua cama, de ataque cardíaco), e que os católicos consideravam inadequado dar tratamento médico a pessoas jovens.


Divulgação

Divulgação / "O êxtase de santa Teresa", de Bernini, tem papel importante na trama. Diz o livro que o papa Urbano VIII achou a estátua praticamente pornográfica e, em vez de colocá-la no Vaticano, mandou-a para uma capela obscura numa igreja distante. Na verdade, Urbano VIII morreu 8 anos antes de a estátua ficar pronta, e a obra foi encomendada pelo cardeal Cornaro especificamente para a mesmíssima capela onde está hoje. Mas nem isso parece ter incomodado Dan Brown.
Caso alguém queira um antídoto contra a série de mentiras que Brown tenta fazer passar como fatos, recomendo as obras de Thomas Woods Jr. (especialmente o capítulo "A Igreja e a ciência" de Como a Igreja Católica construiu a civilização ocidental) e Rodney Stark, para quem a ciência floresceu na Europa especificamente graças ao catolicismo.

Meu maior problema com livros e filmes do tipo Anjos e Demônios é que, ao misturar ficção e realidade, a tendência é que tudo seja absorvido pelo público como realidade. Não é como os livros do Jô Soares, que são comédias usando personagens históricos. Dan Brown se pretende sério; coloca "listas de fatos" no começo de seus livros. A pessoa vai ao cinema ver Anjos e Demônios e sai realmente achando que Galileu e Bernini eram Illuminati, que Copérnico morreu assassinado, que a Igreja atrapalha a ciência, que Pio IX era um maníaco que atravessava o Vaticano de martelo na mão, que a Igreja "marcou" quatro Illuminati (Langdon reprova o chefe da Guarda Suíça, perguntando se os católicos não leem sua própria história. Bom, nós lemos; é que La purga não é história, é invenção de Dan Brown), que os cientistas querem refazer o momento da criação, que Galileu escreveu o tal Diagramma e por aí vai. Isso é um desserviço considerável à verdade histórica, e também à ciência.

Como curiosidade, a Organização Europeia de Pesquisas Nucleares (Cern) criou um site apenas para esclarecer as pessoas sobre o que é real e o que é ficção (mas passa como verdade) sobre antimatéria, bombas devastadoras, "partículas de Deus" e outras coisinhas de Anjos e Demônios. Lá, por exemplo, você vai descobrir que não é possível criar uma bomba como a dos Illuminati. "Ah, mas aí não vai ter livro nem filme", alguém pode dizer. Fico pensando aqui comigo, talvez tivesse sido melhor assim...

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Maria Mariana - “Deus quer o homem no leme”

A escritora carioca que foi ícone da juventude nos anos 90 volta a polemizar com “Confissões de mãe”

por Martha Mendonça

Aos 19 anos, a carioca Maria Mariana tornou-se um ícone da década de 90. Seu livro Confissões de adolescente, lançado em 1992, vendeu 200 mil cópias, virou peça de teatro e tornou-se um memorável seriado de televisão. Aos 36 anos, distante da fama e mãe de quatro filhos, a escritora, atriz e filha do cineasta Domingos de Oliveira lança Confissões de mãe (Editora Agir), um livro nada rebelde, recheado de ideias que vão irritar as feministas. Nesta entrevista, realizada em Macaé, no Estado do Rio de Janeiro, onde mora hoje, ela defende as mães que deixam de trabalhar para cuidar de seus filhos. “Amamento há nove anos seguidos”, afirma. Com a mesma expressão serena que as pessoas se acostumaram a ver na série de televisão, a escritora diz ser contra o aborto e afirma que as mulheres deprimidas depois do parto são as que passaram a gravidez comprando roupinhas para o bebê.


ENTREVISTA - MARIA MARIANA

Guillermo Giansanti QUEM É
Maria Mariana Plonczynski de Oliveira, 36 anos, escritora, autora, diretora e atriz. Filha do cineasta Domingos de Oliveira. Mãe de quatro filhos, casada, mora em Macaé, no Estado do Rio de Janeiro

O QUE FEZ
Ficou famosa ao escrever Confissões de adolescente, que virou peça de teatro e seriado da TV Cultura na década de 90

O QUE PUBLICOU
Confissões de adolescente (Ed. Relume Dumará), Confissões de mãe (Ed. Agir)

ÉPOCA – O que a adolescente dos anos 90 e a mãe de quatro filhos têm em comum?
Maria Mariana –
Mudei muito, mas algumas coisas ficaram. Acredito que uma delas seja a criatividade no dia a dia. Eu sei fazer de um limão uma limonada. Tenho sempre um coelho na cartola, um assunto engraçado numa hora chata, uma forma de tornar aconchegante um ambiente ou uma situação difícil. Isso vem também do fato de eu adorar ser mãe. Mas a maternidade está em baixa.

ÉPOCA – Por que você diz isso?
Maria –
O valor de ser mãe não está sendo levado em conta. Sinto isso há quase dez anos, desde que eu decidi parar todas as minhas atividades para ter filhos e cuidar deles. A pressão foi inimaginável e veio de todos os lados. Da família, dos amigos, de quem mal me conhecia. Muita gente me perguntou se eu estava deprimida ou tinha síndrome de pânico. Meu pai também custou a entender. Eu era bem-sucedida, e largar a fama é um absurdo para as pessoas. Se alguém saiu da mídia por vontade própria, é porque tem algum problema grave. A verdade é que eu só descobri o que é trabalhar depois de ser mãe! Ser mãe é um trabalho social, o maior deles. É um esforço para garantir a criação de indivíduos de valor, mentalmente sadios, que contribuam para o bem geral. Pessoas equilibradas, educadas, que consigam se manter. Quando pequeno, o filho precisa de atenção especial e exclusiva. É nesse período que se formam a base do que ele será, o caráter, os valores. Depois, é difícil consertar.

ÉPOCA – Como foi sair de uma vida badalada no Rio para uma cidade pequena?
Maria –
Eu trabalhava como roteirista, sempre amparada pela sombra do sucesso de Confissões de adolescente, mas alguma coisa não estava fechando. Tive um primeiro casamento, dos 20 aos 23 anos, que não deu certo. Depois fui morar sozinha e tinha a impressão de que a vida se movia em círculos. Ao mesmo tempo, sempre tive a obsessão de ter filhos. Quando meus pais se separaram, eu estava com 7 anos e passei a viver com meu pai. Era filha única, muito madura, lia Dostoiévski e estava sempre cercada por amigos intelectuais dele. Mas eu sonhava com uma enorme mesa de família com aquela macarronada no domingo. Eu queria mudar de degrau, mudar de história. No meio disso tudo, conheci o André, meu marido. Um mês depois, estava grávida. Todos os meus filhos foram planejados. A primeira, Clara, foi de cesariana, o que foi uma decepção para mim. Os outros foram de parto normal.

ÉPOCA – No livro, você diz que mulheres que não conseguem o parto normal estão “envolvidas com pequenas questões de ego”. Explique.
Maria –
Respeito a história da maternidade de cada mulher. Mas, depois que tive o parto normal, vi que é uma vivência fundamental. Se a mulher parir naturalmente, será uma mãe melhor. Todos falam do nascimento do bebê, mas esquecem que a mãe também nasce naquela hora. A mulher também tem de estar focada na amamentação.

“Apanhar cueca suja que o marido deixa no chão
é um aprendizado de paciência e dedicação “

ÉPOCA – A maioria das mulheres não está preocupada em amamentar?
Maria –
Muitas não estão. Amamentar não é um detalhe, é para a mãe que merece. É importante e simplifica a vida. Vejo muitas mulheres com preocupações estéticas, se o peito vai cair, se vai ficar alguma cicatriz se o peito rachar. Aí o leite não vem. Amamento há nove anos seguidos. Só desmamo um quando engravido do outro. Minha caçula, de 2 anos, ainda mama. Existe a realidade de cada um, mas é preciso elevar a consciência sobre o que fazemos. Há mulheres que passam nove meses no shopping, comprando roupinhas, aí depois marcam a cesárea e pronto. Acabou o processo. Aí sabe o que acontece? Elas têm depressão pós-parto.

ÉPOCA – Você não teme ser repreendida pelas feministas?
Maria –
Não acredito na igualdade entre homens e mulheres. Todos merecem respeito, espaço. Mas o homem tem uma função no mundo e a mulher tem outra. São habilidades diferentes. Penso nesta imagem: homem e mulher estão no mesmo barco, no mesmo mar. Há ondas, tempestades, maremotos. Alguém precisa estar com o leme na mão. Os dois, não dá. Deus preparou o homem para estar com o leme na mão. Porque ele é mais forte, tem raciocínio mais frio. A mulher tem mais capacidade de olhar em volta, ver o todo e desenvolver a sensibilidade para aconselhar. A mulher pode dirigir tudo, mas o lugar dela não é com o leme.

ÉPOCA – Mas você não valoriza a emancipação da mulher?
Maria –
Valorizo. Teve seu momento, foi fundamental para abrir espaços, possibilidades. Mas as necessidades hoje são outras. Precisamos unir a geração de nossas avós com a de nossas mães para chegar a um equilíbrio feminino. Eu não sou dona da verdade. Não à toa, fiz meu livro como um diálogo entre mim e minha filha. Quero dizer às jovens do mundo de hoje que existe uma pressão para que elas sejam autossuficientes profissionalmente, sejam mulher e homem ao mesmo tempo, como se fosse a única forma de realização. Para isso, elas têm de desenvolver agressividade, frieza – sentimentos que não têm a ver com o que é ser mãe. O valor básico da maternidade é cuidar do outro, doar, servir. Nada a ver com o mundo competitivo. Maternidade é tirar seu ego do centro.

ÉPOCA – O que pensa sobre o casamento?
Maria –
Casamento é um degrau que a pessoa tem para caminhar para a frente. Quem opta por ficar sozinho não desenvolve aprendizados que o casamento dá. Apanhar cueca suja que o marido deixa no chão é um aprendizado de paciência e dedicação. As pessoas pensam em união apenas como o espaço da alegria, do conforto. Casamento é embate, negociação e paciência. É preciso insistir e vencer. Saber que não se muda o outro. É preciso mudar a nós mesmos.

Fonte: Revista Época
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sábado, 2 de maio de 2009

Quem é o Espírito Santo?

Segundo o Catecismo da Igreja Católica, o Espírito Santo é a "Terceira Pessoa da Santíssima Trindade". Quer dizer, havendo um só Deus, existem nele três pessoas diferentes: Pai, Filho e Espírito Santo. Esta verdade foi revelada por Jesus em seu Evangelho.

O Espírito Santo coopera com o Pai e o Filho desde o começo da história até sua consumação, quando o Espírito se revela e nos é dado, quando é reconhecido e acolhido como pessoa. O Senhor Jesus no-lo apresenta e se refere a Ele não como uma potência impessoal, mas como uma Pessoa diferente, com seu próprio atuar e um caráter pessoal.

O Espírito Santo, o Dom de Deus

"Deus é Amor" (Jo 4,8-16) e o Amor que é o primeiro Dom, contém todos os demais. Este amor "Deus o derramou em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado" (Rm 5,5).

Poste que morremos, ou ao menos, fomos feridos pelo pecado, o primeiro efeito do Dom do Amor é a remissão de nossos pecados. A Comunhão com o Espírito Santo, "A graça do Senhor Jesus Cristo, e a caridade de Deus, e a comunicação do Espírito Santo sejam todos vossos" (2Cor 13,13;) é a que, na Igreja, volta a dar ao batizados a semelhança divina perdida com o pecado.

Pelo Espírito Santo nós podemos dizer que "Jesus é o Senhor", quer dizer para entrar em contato com Cristo é necessário Ter sido atraído pelo Espírito Santo.

Mediante o Batismo nos é dado a graça do novo nascimento em Deus Pai por meio de seu Filho no Espírito Santo. Porque os que são portadores do Espírito de Deus são conduzidos ao Filho; mas o Filho os apresenta ao Pai, e o Pai lhes concede a incorruptibilidade. Portanto, sem o Espírito não é possível ver ao Filho de Deus, e sem o Filho, ninguém pode aproximar-se do Pai, porque o conhecimento do Pai é o Filho, e o conhecimento do Filho de Deus se alcança pelo Espírito Santo.

Vida e Fé. O Espírito Santo com sua graça é o "primeiro" que nos desperta na fé e nos inicia na vida nova. Ele é quem nos precede e desperta em nós a fé. Entretanto, é o "último" na revelação das pessoas da Santíssima Trindade.

O Espírito Santo coopera com o Pai e o Filho desde o começo do Desígnio de nossa salvação e até sua consumação. Somente nos "últimos tempos", inaugurados com a Encarnação redentora do Filho, é quando o Espírito se revela e nos é dado, e é reconhecido e acolhido como Pessoa.

O Paráclito. Palavra do grego "parakletos", o mediador, o defensor, o consolador. Jesus nos apresenta ao Espírito Santo dizendo: "O Pai vos dará outro Paráclito" (Jo 14,16). O advogado defensor é aquele que, pondo-se de parte dos que são culpáveis devido a seus pecados os defende do castigo merecido, os salva do perigo de perder a vida e a salvação eterna. Isto é o que Cristo realizou, e o Espírito Santo é chamado "outro paráclito" porque continua fazendo operante a redenção com a que Cristo nos livrou do pecado e da morte eterna.

Espírito da Verdade: Jesus afirma de si mesmo: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida" (Jo 14,6). E ao prometer o Espírito Santo naquele "discurso de despedida" com seus apóstolos na Última Ceia, diz que será quem depois de sua partida, manterá entre os discípulos a mesma verdade que Ele anunciou e revelou.

O Paráclito, é a verdade, como o é Cristo. Os campos de ação em que atua o Espírito Santo são o espírito humano e a história do mundo. A distinção entre a verdade e o erro é o primeiro momento de tal atuação.

Permanecer e atuar na verdade é o problema essencial para os Apóstolos e para os discípulos de Cristo, desde os primeiros anos da Igreja até o final dos tempos, e é o Espírito Santo quem torna possível que a verdade sobre Deus, o homem e seu destino, chegue até nossos dias sem alterações.

Símbolos

O Espírito Santo é representado de diferentes formas:

  • Água: O simbolismo da água é significativo da ação do Espírito Santo no Batismo, já que a água se transforma em sinal sacramental do novo nascimento.

  • Unção: Simboliza a força. A unção com o óleo é sinônimo do Espírito Santo. No sacramento da Confirmação o confirmando é ungido para prepará-lo para ser testemunha de Cristo.

  • Fogo: Simboliza a energia transformadora dos atos do Espírito.

  • Nuvem e Luz: Símbolos inseparáveis nas manifestações do Espírito Santo. Assim desce sobre a Virgem Maria para "cobri-la com sua sombra" . No monte Tabor, na Transfiguração, no dia da Ascensão; aparece uma sombra e uma nuvem.

  • Selo: é um símbolo próximo ao da unção. Indica o caráter indelével da unção do Espírito nos sacramentos e falam da consagração do cristão.

  • A Mão: Mediante a imposição das mãos os Apóstolos e agora os Bispos, transmitem o "Dom do Espírito".

  • A Pomba: No Batismo de Jesus, o Espírito Santo aparece em forma de pomba e posa sobre Ele.

Fonte: http://www.acidigital.com/fiestas/pentecostes/espiritusanto.htm
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