segunda-feira, 13 de abril de 2009

Desinformação na Isto É

Fonte: http://cooperadordaverdade.wordpress.com/2009/04/13/desinformacao-na-isto-e/

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A edição desta semana da revista Isto É traz uma matéria sobre a ordenação de mulheres. A revista, que parece querer disputar o título de revista semanal mais anticlerical com a Veja, a Época e a Superinteressante, traz algumas pérolas da desinformação anticatólica. Vejamos:

O direito de as mulheres exercerem o sacerdócio é um dos maiores e mais antigos tabus do catolicismo

Em primeiro lugar, ninguém tem direito ao sacerdócio, nem mesmo os homens. Ser padre não é semelhante a ser deputado, a ocupar um cargo público depois de passar num concurso ou qualquer coisa semelhante. O sacerdócio é uma vocação. Ninguém vira padre porque lhe deu na telha, mas porque Deus o chamou para servi-Lo e à sua Igreja no sacerdócio. Importante lembrar que não é o próprio seminarista que sozinho vai decidir se Deus o chamou, mas a Igreja, por meio dos professores do seminário e do bispo local.

A ordenação de mulheres não é e nunca foi tabu para a Igreja Católica. Ela sempre teve uma posição clara e justificada sobre o assunto. Mas para os modernistas nada disso interessa: o importante é moldar a Igreja à semelhança do mundo moderno. Se dependesse deles a Igreja aceitaria o aborto, o casamento entre homossexuais, métodos anticoncepcionais, sexo antes do casamento e etc.

…a Igreja de Roma é intransigente em relação a qualquer mudança em suas leis que amplie o poder feminino na hierarquia cristã.”

Nesse trecho a revista entrega a posição das feministas: para elas é tudo uma questão de poder. Isso mostra o quanto quem defende a ordenação de mulheres está longe de ser católico. Sacerdócio é, antes de tudo, serviço e não poder.

Cada vez mais incomodadas com a situação, as próprias católicas resolveram se rebelar.”

Gostaria de saber onde está essa rebelião. Fora alguns nichos feministas, compostos em grande parte por gente que nem é católica e só quer subverter a Igreja porque Ela não sucumbiu ao feminismo, o assunto é praticamente inexistente dentro da própria Igreja.

Uma série de iniciativas se espalham pelo mundo na tentativa de insuflar o debate na sociedade. E, principalmente, incomodar a Santa Sé, a ponto de ele não poder ficar indiferente. Em março, por exemplo, um grupo de 300 religiosas se postou em frente à embaixada do Vaticano, em Washington.”

A revista quer inventar barulho onde não existe nada, criar fogo onde não há nem fumaça. Fora as considerações que fiz acima, falar em um grupo de 300 religiosas não significa nada. No Domingo de Ramos a média de pessoas nas Santas Missas celebradas girou em torno de 500 para cada Santa Missa (são sete).

As mulheres protestavam contra a ameaça de excomunhão do padre Roy Bourgeois, 71 anos, que em agosto do ano passado ordenou uma freira na Geórgia.”

Impossível o padre ter ordenado alguém, pois quem realiza o sacramento da ordenação é um bispo e não um padre.

Exceto a Igreja Católica, a maioria das religiões cristãs – que não têm uma autoridade centralizada – já supera a questão do gênero no sacerdócio. Até mesmo a conservadora Igreja da Inglaterra, a mais tradicional entre os anglicanos, realizou em fevereiro a última votação para regulamentar a ordenação de mulheres, que entrará em vigor em 2010. Foram 281 votos a favor e 114 contra. Cerca de 80% das igrejas anglicanas de todo o mundo já permitem a ordenação feminina.”

Falso. A Igreja Ortodoxa não ordena mulheres e não pensa em ordená-las. Também várias comunidades protestantes mais tradicionais não ordenam mulheres. Não custa lembrar que até o começo do século XX a ordenação de mulheres era praticamente inexistente, até que algumas comunidades protestantes atingidas pelo modernismo passaram a ordenar mulheres. Também não custa lembrar mais duas coisas: Para a Igreja não é importante o que outros grupos cristãos estão fazendo. Ela deve manter o depósito da Fé. E, para o repórter desavisado que compara a Igreja Católicos a outras comunidades cristãs uma pequena nota: a Igreja ensina que não há sacerdócio verdadeiro nas comunidades protestantes, então não adianta comparar alhos com bugalhos.

Pequeno detalhe: Desde que a Igreja Anglicana passou a ordenar mulheres várias paróquias e comunidades anglicanas saíram da comunidade inglesa e pediram para serem aceitas na Igreja Católica.

O papa Bento XVI é o alvo preferencial das manifestações. No dia 16 de abril do ano passado, enquanto comemorava seu aniversário na Casa Branca, cerca de 1,3 mil religiosas de diversos países se reuniram no evento Giving the Gift of Women’s Leadership (Presenteando com a Liderança Feminina). Na ocasião, mesmo sob o risco da excomunhão, elas realizaram missas em conformidade com os ritos canônicos. O objetivo era pedir ao sumo pontífice a inclusão da ordenação feminina na pauta de debate do Vaticano.”

Mulher não celebra missa, não pode celebrar. Seria como querer usar um bolo e refrigerante na Consagração, ao invés de pão e vinho. Por favor, não me apareça alguém falando que estou comparando mulher a um pão. A questão é que em ambos os casos não há matéria válida para se realizar um sacramento. Nenhuma mulher pode ser ordenada, mesmo participando numa ordenação. Só homens podem ser ordenados. Caso uma mulher esteja sendo “ordenada”,3 o máximo que acontece ali é uma encenação, um teatro.

Ademais, o Vaticano já excomungou várias mulheres “ordenadas”. Essas devem ser excomungadas também. Não custa lembrar que isso não é maldade do papa, mas apenas o reconhecimento que elas não estão em comunhão com a Igreja.

A Igreja Católica alega não permitir o sacerdócio de mulheres porque Jesus teria escolhido apenas homens para pregar o Evangelho – os apóstolos. “A Bíblia diz que somos todos iguais perante Deus, mas a Igreja trata homens e mulheres de forma diferente”, contesta Aisha Taylor, diretora da Women’s Ordination Conference (Conferência pela Ordenação de Mulheres). “

Igualdade em dignidade, mas a Igreja sempre ensinou que homens e mulheres possuem naturezas diferentes e complementares. No sacerdote, em seu serviço eclesial, é o próprio Cristo que está presente a sua Igreja. Ao encarnar, Cristo tomou para si uma natureza humana, a masculina. Logo, só é possível àqueles de mesma natureza assumir o Seu lugar no serviço eclesial.

Os sacerdotes não querem compartilhar o poder porque temem o avanço feminino, já que elas são maioria”, afirma o padre Roy Bourgeois

Novamente eles se entregam: Para eles é tudo questão de poder. E esse suposto temor, só existe na cabeça do padre.

Segundo levantamento do grupo Women Priests (Mulheres Sacerdotisas), oito em cada dez teólogos no mundo apoiam a ordenação de mulheres”

Que levantamento? Que pesquisa é essa? Quem foram os teólogos que responderam ao levantamento? Com esse resultado deve ter sido uma pesquisa feita exclusivamente entre teólogos modernistas. Extremamente suspeito a revista ter jogado esse dado sem maiores fontes.

Os partidários da renovação católica acreditam que a ordenação de mulheres poderia ser uma solução para um dos maiores problemas da Igreja na atualidade – a crise de vocação.

Caracterizar algo contrário à fé católica como renovação da mesma seria piada, se não fosse esforço proposital justamente para destruir a fé católica. Solução para crise de vocação é fidelidade ao que ensinou Jesus, fé e oração, e não aderir ao politicamente correto.

Ao longo dos anos, conheci padres incapazes de serem párocos e mulheres consagradas na direção das comunidades”, afirma dom Clemente Isnard, que defende o fim do celibato de padres e a ordenação de mulheres. “Nas numerosas congregações femininas, muitas mulheres brilham mais do que os homens.”

Uma mulher pode administrar magnificamente uma paróquia, mas continuará não podendo ser sacerdote. Que um bispo confunda as duas coisa é algo muito triste. Não nos escandalizamos, no entanto. Lembremos que Jesus disse que o joio estaria misturado em meio ao trigo.

Segundo o bispo Glauco Soares, da Igreja Anglicana no Brasil, os católicos confundem sociologia e teologia para justificar a supremacia masculina: “Os apóstolos eram homens porque a sociedade era patriarcal, não porque Jesus Cristo determinou que apenas eles poderiam representá-lo.”

Falso como uma moeda de três reais. Cristo elevou o papel das mulheres, quebrando vários costumes da época. Ele conversou publicamente com uma samaritana, deixou uma mulher pecadora se aproximar Dele na casa do fariseu Simão, afirmou a igualdade de direitos entre homens e mulheres no que concerne ao casamento e perdoou a adúltera. Isso sem contar que também tinha um grupo de fiéis seguidores e que sua Mãe Santíssima ocupou um lugar privilegiado na incipiente Igreja.De fato, Maria Santíssima é maior que todos os homens santos que existiram, só ficando abaixo do próprio Cristo. Por que o próprio Filho de Deus iria se submeter aos costumes patriarcais da época tendo os ignorado várias vezes?

Por fim, quem fez a matéria ignora o mais importante sobre o assunto: a Igreja Católica já definiu o assunto de uma vez por todas, razão pela qual é simplesmente inútil discutir o assunto. Não bastasse o Magistério Ordinário bimilenar da Igreja ensinar a impossibildade da ordenação de mulheres, o Papa João Paulo II publicou, em 1994, a Carta Apostólica Ordinatio Sacerdotalis onde afirma o seguinte:

Portanto, para que seja excluída qualquer dúvida em assunto da máxima importância, que pertence à própria constituição divina da Igreja, em virtude do meu ministério de confirmar os irmãos (cfr. Lc 22,32), declaro que a Igreja não tem absolutamente a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres, e que esta sentença deve ser considerada como definitiva por todos os fiéis da Igreja”.

As palavras escolhidas pelo papa (ex: “em virtude do meu ofício de confirmar os irmãos”) mostram muito bem que é uma declaração revestidade de infalibilidade. Não que isso vá mudar o comportamento desses modernistas…

A matéria, em suma, é pura propaganda anticatólica.


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