quarta-feira, 25 de março de 2009

O Sal da terra: o Cristianismo e a Igreja Católica no século XXI: um diálogo com Peter Seewakd

Abaixo, transcrevo uma questão do livro-entrevista sobre o papa Bento XVI (quando ainda era cardeal Ratzinger). O livro é muito bom para entendermos como pensa e o que leva o Sumo Pontífice a tomar certas atitudes e posturas, obviamente, também mostra um Joseph Ratzinger mais humano do que a mídia está acostumada a apresentar e com uma forte tendência ao diálogo e a aceitação dos outros nas suas limitações. Aborda temas que vão da sua infância, juventude e carreira de professor a épocas mais recentes como prefeito da Congregação para Doutrina da Fé (recorda os casos de Hans Küng e Leonardo Boff). Vale ressaltar que ainda não terminei de lê-lo mas vale a indicação. Recomendo!


Trecho do Livro: “O Sal da terra: o Cristianismo e a Igreja Católica no século XXI: um diálogo com Peter Seewakd.” (Páginas: 37-38. Editora Imago).


“ Peter Seewald: O senhor cresceu no campo, sendo o mais novo de três filhos. O seu pai era policial, a família mais pobre do que rica. O senhor contou uma vez que sua mãe até fazia sabão.

Joseph Ratzinger: Meus pais tinham se casado tarde, e um policial bávaro com a graduação do meu pai, um simples comissário, recebia um salário muito modesto. Não éramos pobres no sentido estrito da palavra , porque o salário mensal estava garantido, mas tínhamos de viver com muita economia e simplicidade, pelo que estou muito agradecido. Porque é precisamente assim que surgem alegrias que não se podem ter na riqueza. Lembro muitas vezes como era bom, como éramos capazes de nos alegrar com as coisas mais insignificantes e como tentávamos também ajudar uns aos outros. Desta situação muito modesta e financeiramente muito difícil nasceu uma solidariedade interior que nos ligou profundamente uns aos outros.


Para que os três filhos pudessem freqüentar a universidade, meus pais tiveram que fazer enormes sacrifícios. Também nos apercebemos disso e procuramos corresponder a essa situação. Foi precisamente graças a esse ambiente de grande simplicidade que também cresceu muita alegria e amor uns pelos outros. Sentíamos o que nos era dado e quanto nossos pais tomavam sobre si.


A historia do sabão é um caso a parte. Não estava relacionada com a pobreza, mas com o fato de que, durante a guerra, era preciso arranjar, de alguma maneira, gêneros que não existiam em quantidade suficiente. Nossa mãe era cozinheira de profissão e sabia fazer tudo, até essas receitas sabia de cor. Com a grande imaginação e o sentido prático que tinha, soube, sobretudo quando o país passava fome, fazer uma boa refeição com os meios mais simples.


Minha mãe era muito calorosa e possuía uma grande força interior, enquanto meu pai tinha uma índole mais racional e decidida; tinha uma convicção de fé refletida, compreendia tudo muito depressa e conseguia sempre formular juízos extraordinariamente pertinentes. Quando Hitler chegou ao poder , meu pai disse: Agora vai haver guerra, precisamos de uma casa! ”


[Grifos meus]

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