sexta-feira, 13 de março de 2009

REAÇÕES À CARTA DO PAPA SOBRE OS LEFEBVRIANOS

Ao que parece a carta do papa aos bispos de todo mundo justificando a remissão das excomunhões do bispos da FSSPX rendeu bons frutos. Abaixo, os comentários de alguns prelados ao redor do mundo publicados pela Rádio Vaticana.

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Cidade do Vaticano, 12 mar (RV) – Foi apresentada, esta manhã, na Sala de Imprensa da Santa Sé, a “Carta de Bento XVI aos Bispos da Igreja Católica, sobre a remissão da excomunhão dos quatro bispos consagrados pelo arcebispo Lefébvre”.

A Carta, dirigida aos Bispos da Igreja Católica, consiste num esclarecimento das intenções do papa e dos órgãos da Santa Sé, para “contribuir para a paz na Igreja”, após “uma discussão veemente” que há muito tempo não se verificava. A Carta foi iniciada em meados de fevereiro e concluída antes dos Exercícios Espirituais do Papa e da Cúria Romana.

No documento, Bento XVI reflete sobre as “desventuras ou erros”, que influenciaram negativamente no “caso Williamson” e o equívoco que, com a remissão da excomunhão, pudesse alterar o caminho da reconciliação entre cristãos e judeus, a partir do Concílio. O Santo Padre reconhece uma informação insuficiente e agradece os “amigos judeus”, que ajudaram a superar o mal-entendido e a restabelecer a atmosfera de confiança.

Após a apresentação da Carta do Papa, o Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Padre Federico Lombardi, fez um longo comentário sobre este difícil esforço de reconciliação.

O documento, diz Padre Lombardi, é inusual e digno da máxima atenção. Até agora, Bento XVI jamais havia se pronunciado de forma tão pessoal e intensa sobre um assunto semelhante em seu pontificado. Ele viveu o acontecimento da remissão da excomunhão e suas respectivas reações com evidente participação e sofrimento.

Com lucidez e humildade, o pontífice reconhece as limitações e erros, que influenciaram negativamente no caso, manifestando a sua solidariedade com seus colaboradores.

Bento XVI quer, com a sua Carta, esclarecer a natureza, o significado e as intenções sobre a remissão da excomunhão. Ele explica que a excomunhão era apenas uma punição às pessoas que colocavam a risco a unidade da Igreja, sem reconhecer a autoridade do papa.

Diante das questões levantadas por muitos: “Era realmente necessário adotar a medida de remissão da excomunhão? Não há questões mais importantes e urgentes na Igreja?”

A resposta a estas perguntas ocupa mais da metade de toda a Carta do Papa, explica o Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé.

De modo sintético, Bento XVI recorda as grandes prioridades do seu pontificado, bem conhecidas desde o início: levar os homens a Deus; unidade dos cristãos; diálogo entre os crentes em Deus a serviço da paz; testemunho da caridade na dimensão social da vida cristã.

O Santo Padre convida, depois, seus interlocutores a uma profunda reflexão pessoal e eclesial, com base no critério da “reconciliação com o irmão”.

Enfim, o papa conclui seu documento com um convite ao amor, como prioridade absoluta do cristão, e com um auspício profundo de paz na comunidade eclesial. Logo, ele nos encaminha, com decisão e coragem, ao Evangelho, como critério fundamental e último, não apenas da vida cristã e eclesial, mas também do seu governo da Igreja.

Somente por meio de uma conversão ao Evangelho, conclui Padre Lombardi, podemos esperar uma superação das divisões, como também a compreensão da profunda convergência da Tradição e do Concílio. Desta forma, podemos compreender que o nosso papa, expondo-se em primeira pessoa também em situações de crise, nos guia a reencontrar o ponto essencial, mais profundo e radical, do qual retomar nosso caminho. (MT)

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