sábado, 28 de março de 2009

“O PAPA ESTÁ CERTO”

UM DOS MAIORES ESPECIALISTAS DO MUNDO NO COMBATE À AIDS DIZ: “O PAPA ESTÁ CERTO”. MAS ESSA NOTÍCIA FOI DEVIDAMENTE SONEGADA DOS LEITORES



Há coisas que você jamais vai ler na imprensa brasileira porque, dada a sua “isenção” de propaganda, às vezes letal para a inteligência e a verdade, pouco importa a consideração de uma autoridade científica ou religiosa se o que elas dizem não coincide com a metafísica politicamente correta. Aceita-se a chamada pluralidade, mas sem exageros, é claro. Querem ver?

Vocês se lembram que, em Camarões — e, de fato, foi uma mensagem para o continente africano —, o papa Bento 16 afirmou que a distribuição maciça de camisinhas não era o melhor programa de combate à AIDS. E disse que o problema poderia até se agravar. A estupidez militante logo entendeu, ou fingiu entender, que Sua Santidade contestara a eficiência do preservativo para barrar a transmissão do vírus. Bento 16 não tratava desse assunto, mas de coisa mais ampla. Referia-se a políticas públicas de combate à expansão da doença. Apanhou de todo lado. De todo mundo. No Brasil, noticiou-se a coisa com ares de escândalo. Os valentes nem mesmo investigaram os números no Brasil — a contaminação continua alta e EM ALTA em alguns grupos — e no mundo. Adiante.

Se você pesquisar um pouco, vai saber que o médico e antropólogo Edward Green (foto) é uma das maiores autoridades mundiais no estudo das formas de combate à expansão da AIDS. Ele é diretor do Projeto de Investigação e Prevenção da AIDS (APRP, na sigla em inglês), do Centro de Estudos sobre População e Desenvolvimento de Harvard. Pois bem. Green concedeu uma entrevista sobre o tema. E o que ele disse? O PAPA ESTÁ CERTO. AS EVIDÊNCIAS EMPÍRICAS CONFIRMAM O QUE DIZ SUA SANTIDADE. Ora, como pode o papa estar certo? Vamos sonegar essa informação dos leitores.

Em entrevista aos sites National Review Online (NRO) e Ilsuodiario.net, Green afirma que as evidências que existem apontam que a distribuição em massa de camisinha não é eficiente para reduzir a contaminação na África. Na verdade, ao NRO, ele afirmou que não havia uma relação consistente entre tal política e a diminuição da contaminação. Ao Ilsuodiario, assumiu claramente a posição do papa — e, notem bem!, ele fala como cientista, como estudioso, não como religioso: “O que nós vemos de fato é uma associação entre o crescimento do uso da camisinha e um aumento da AIDS. Não sabemos todas as razões. Em parte, isso pode acontecer por causa do que chamamos ‘risco compensação” — literalmente, nas palavras dele ao NRO: “Quando alguém usa uma tecnologia de redução de risco, freqüentemente perde o benefício (dessa redução) correndo mais riscos do que aquele que não a usa”.

Pois é… Green também afirma que o chamado programa ABC — abstinência, fidelidade e, sim, camisinha (se necessário), que está em curso em Uganda — tem-se mostrado eficiente para diminuir a contaminação. E diz que o grande fator para a queda é a redução de parceiros sexuais. Que coisa, não?

NÃO É MESMO INCRÍVEL QUE SEXO MAIS RESPONSÁVEL CONTRIBUA PRA DIMINUIR OS CASOS DE CONTAMINAÇÃO? Pois é... Critico as campanhas de combate à aids no Brasil desde o Primeira Leitura, como sabem. E, aqui, desde o primeiro dia. Há textos às pencas no arquivo. A petralhada que se pensa cheia de veneno e picardia erótica gritava: “Você quer impor seu padrão religioso ao país...” Ou então: “Você não gosta de sexo...” Pois é. Vai ver Harvard escolheu um idiota católico e sexofóbico para dirigir o programa...

Bento 16 apanhou que deu gosto. E apanhou pelo que não disse — e ele jamais disse que a camisinha facilita a contaminação de um indivíduo em particular — e pelo que disse: a AIDS é, sim, uma doença associada ao comportamento de risco e, pois, às escolhas individuais. Sem que se mude esse compartamento, nada feito.

Pois é... O mundo moderno não aceita que as pessoas possam ter escolhas. Como já escrevi aqui certa feita, transformaram a camisinha numa nova ética. E, como tal, ela é de uma escandalosa ineficiência.

Fonte: Blog do Reinaldo Azevedo
Leia Mais…

quinta-feira, 26 de março de 2009

Jornais, Igreja e Estado

Abaixo, reproduzo um interessante texto publicado pelo Estadão, onde o autor faz uma crítica à impressa preconceituosa e avessa à religião da grande maioria dos brasileiros. Se quisermos um jornalismo verdadeiramente profissional é necessário ser imparcial e não ceder ao senso comum, às suas falácias ou à própria convicção, caso contrário não mais descreve a realidade como tal e deixa de ser jornalismo.

Obviamente podemos estender esse conceito à todas as áreas do conhecimento. É importante lembrar principalmente da História que muito tem contribuído para as falsas verdades (normalmente fruto de uma visual parcial oriunda ainda das falácias e preconceitos forjados na Revolução Francesa).

---------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Carlos Alberto Di Franco

O Brasil é um país de expressiva maioria católica. A informação de religião, portanto, merece atenção especial. A quantidade da informação religiosa, em geral, é bastante razoável. Alguns riscos, no entanto, ameaçam a qualidade da cobertura jornalística. Sobressai, entre eles, a falta de especialização, o razoável desconhecimento técnico e, reconheçamos, certa dose de preconceito. Acresce a tudo isso o amadorismo, o despreparo e a falta de transparência da comunicação eclesiástica. Recentes episódios, lamentáveis, evidenciam a urgente necessidade de profissionalização da comunicação institucional da Igreja.

A Igreja Católica, instituição de grande presença e influência na agenda pública brasileira, é sempre notícia. Trabalhar a informação religiosa com rigor e isenção é um desafio. Muitas vezes ganhamos. Outras, perdemos. Em sua primeira viagem à África, o papa Bento XVI reafirmou a oposição da Igreja ao uso dos preservativos. Os jornais afirmaram que Bento XVI teria dito que "a camisinha agrava a aids". Errado. O que o papa disse e tem repetido é que a verdadeira luta contra a aids passa pela "humanização da sexualidade". A mera distribuição de preservativos é, segundo a Igreja, uma estratégia equivocada. A Igreja prega abertamente que a fidelidade dentro do casamento heterossexual, a castidade e a abstinência são a melhor maneira de combater a aids. Tal postura não decorre de uma histeria conservadora. Resulta, na verdade, de conceitos antropológicos profundos, embora, reconheço, politicamente incorretos. Podemos concordar ou discordar, podemos achar que se trata de uma exigência excessiva, mas não podemos desqualificar por baixo.

A mídia dá foco absoluto ao que a Igreja faz ou fará. Gente de todas as denominações cristãs (e até mesmo sem qualquer profissão religiosa) dá opiniões sobre os caminhos que a Igreja Católica deve adotar. Se a Igreja estivesse de fato fora do tempo, anacrônica e ultrapassada, poucos se dariam a esse trabalho. A eleição de Bento XVI, por exemplo, foi um case jornalístico interessante. A cobertura, lá fora e aqui, foi quantitativamente exuberante. Do ponto de vista da qualidade, no entanto, ficou bastante aquém do que poderíamos ter feito. Ficaram, alguns jornais, reféns de declarações de reduzidos e conhecidos desafetos do então cardeal Ratzinger. Criou-se, assim, uma falsa imagem do novo papa. Bento XVI seria um eclesiástico duro, quase intratável. Quem o conhece, e nós o vimos de perto aqui no Brasil, sabe que se trata de um brilhante intelectual, mas também de um homem simples, cordial, com uma ponta de timidez que desarma e cativa.

Agora, como papa, por óbvio, defende o núcleo fundamental da fé católica. Sem essa defesa, muitas vezes na contramão dos modismos de ocasião, a Igreja perderia sua identidade. Se os papas procurassem o "sucesso" - que parece ser a medida suprema da realização para os que tudo medem pelos ibopes -, bastaria que, esquecendo-se da verdade que custodiam, se tivessem bandeado pouco a pouco, como fazem certos "teólogos", para os "novos valores" (em linguagem cristã, contravalores) que cada vez mais tentam dominar o mundo.

É patente que, na hora atual, vivemos uma encruzilhada histórica em que são incontáveis os que parecem andar pela vida sem norte nem rumo, entre as areias movediças do niilismo. O papa teve sempre plena consciência dessa situação e, em vez de sentir a tentação daqueles teólogos que aspiram aos afagos do mundo para dele receberem diploma de "modernos" e "progressistas", ele dá, diariamente, a vida por uma verdade que pode resgatar este mundo, sem se importar com que o chamem de retrógrado, conservador ou desatualizado. Ou será que se espera um papa que deixe de ser cristão para ser mais bem aceito?

Pretende-se que, perante este deslizamento do mundo para baixo, com a glorificação de todo nonsense moral, o papa exerça a sua missão acompanhando a descida, cedendo a tudo e se limitando a um vago programa socioecológico, a belos discursos de paz e amor e a um ecumenismo em que todos os equívocos se podem abraçar e congraçar, porque ninguém acredita mais em coisa alguma, a não ser em viver bem? Mas a coerência doutrinal da Igreja, por vezes conflitante com certas posturas comportamentais, tem sido um fator de defesa e elevação ética das sociedades.

O crescimento da Igreja, como salientou Bento XVI, dá-se "muito mais por atração", nunca por imposição. Entre uma pessoa de fé e um fanático existe uma fronteira nítida: o apreço pela liberdade. O sectário assume a sua convicção com intolerância. O fanático impõe. A pessoa de fé, ao contrário, assenta serenamente em seus valores. Por isso, a sua convicção não a move a impor, mas a estimula a propor, a expor à livre aceitação dos outros as ideias que acredita dignas de serem compartilhadas.

A correta informação sobre a Igreja passa pelo reconhecimento de seu papel na sociedade e pelo seu direito de transitar no espaço público. Caso contrário, cairíamos no laicismo antidemocrático. O Estado é laico, mas não é ateu. O laicismo militante pretende ser a "única verdade"racional, a única digna de ser levada em consideração na cultura, na política, na legislação, no ensino, etc. Por outras palavras, o laicismo é um dogmatismo secular, algo tão pernicioso quanto o clericalismo do passado.

Tentar expulsar a Igreja do debate em defesa da vida, por exemplo, é arbítrio laicista. A independência é um bem para a Igreja e para o Estado. Mas não significa ruptura e, muito menos, virar as costas para o Brasil real, uma nação de raízes culturais cristãs. Informar com isenção é um desafio. E é aí que mora o fascínio da nossa profissão.

Carlos Alberto Di Franco, doutor em Comunicação pela Universidade de Navarra, professor de Ética, é diretor do Master em Jornalismo (www.masteremjornalismo.org.br) e da Di Franco - Consultoria em Estratégia de Mídia (www.consultoradifranco.com)

E-mail: difranco@iics.org.br

[destaques meus]
Leia Mais…

quarta-feira, 25 de março de 2009

O Sal da terra: o Cristianismo e a Igreja Católica no século XXI: um diálogo com Peter Seewakd

Abaixo, transcrevo uma questão do livro-entrevista sobre o papa Bento XVI (quando ainda era cardeal Ratzinger). O livro é muito bom para entendermos como pensa e o que leva o Sumo Pontífice a tomar certas atitudes e posturas, obviamente, também mostra um Joseph Ratzinger mais humano do que a mídia está acostumada a apresentar e com uma forte tendência ao diálogo e a aceitação dos outros nas suas limitações. Aborda temas que vão da sua infância, juventude e carreira de professor a épocas mais recentes como prefeito da Congregação para Doutrina da Fé (recorda os casos de Hans Küng e Leonardo Boff). Vale ressaltar que ainda não terminei de lê-lo mas vale a indicação. Recomendo!


Trecho do Livro: “O Sal da terra: o Cristianismo e a Igreja Católica no século XXI: um diálogo com Peter Seewakd.” (Páginas: 37-38. Editora Imago).


“ Peter Seewald: O senhor cresceu no campo, sendo o mais novo de três filhos. O seu pai era policial, a família mais pobre do que rica. O senhor contou uma vez que sua mãe até fazia sabão.

Joseph Ratzinger: Meus pais tinham se casado tarde, e um policial bávaro com a graduação do meu pai, um simples comissário, recebia um salário muito modesto. Não éramos pobres no sentido estrito da palavra , porque o salário mensal estava garantido, mas tínhamos de viver com muita economia e simplicidade, pelo que estou muito agradecido. Porque é precisamente assim que surgem alegrias que não se podem ter na riqueza. Lembro muitas vezes como era bom, como éramos capazes de nos alegrar com as coisas mais insignificantes e como tentávamos também ajudar uns aos outros. Desta situação muito modesta e financeiramente muito difícil nasceu uma solidariedade interior que nos ligou profundamente uns aos outros.


Para que os três filhos pudessem freqüentar a universidade, meus pais tiveram que fazer enormes sacrifícios. Também nos apercebemos disso e procuramos corresponder a essa situação. Foi precisamente graças a esse ambiente de grande simplicidade que também cresceu muita alegria e amor uns pelos outros. Sentíamos o que nos era dado e quanto nossos pais tomavam sobre si.


A historia do sabão é um caso a parte. Não estava relacionada com a pobreza, mas com o fato de que, durante a guerra, era preciso arranjar, de alguma maneira, gêneros que não existiam em quantidade suficiente. Nossa mãe era cozinheira de profissão e sabia fazer tudo, até essas receitas sabia de cor. Com a grande imaginação e o sentido prático que tinha, soube, sobretudo quando o país passava fome, fazer uma boa refeição com os meios mais simples.


Minha mãe era muito calorosa e possuía uma grande força interior, enquanto meu pai tinha uma índole mais racional e decidida; tinha uma convicção de fé refletida, compreendia tudo muito depressa e conseguia sempre formular juízos extraordinariamente pertinentes. Quando Hitler chegou ao poder , meu pai disse: Agora vai haver guerra, precisamos de uma casa! ”


[Grifos meus]

Leia Mais…

domingo, 22 de março de 2009

SOBRE O JEJUM

Quinta-feira depois das cinzas

I. — Pratica-se o jejum por três motivos:
1. Primeiro, para reprimir as concupiscências da carne. Donde o dizer o Apóstolo (2 Cor 6, 5): «Nos jejuns, na necessidade», porque o jejum conserva a castidade. Pois, como diz Jerônimo, «sem Ceres e Baco Vênus esfria», i. é, pela abstinência da comida e da bebida a luxúria se amortece.

2. Segundo, praticamos o jejum para mais livremente se nos elevar a alma na contemplação das sublimes verdades. Por isso, refere a Escritura que Daniel (Dn 10), depois de ter jejuado três semanas, recebeu de Deus a revelação.

3. Terceiro, para satisfazer pelos nossos pecados. Por isso, diz a Escritura (Jl 2, 12): «Convertei-vos a mim de todo o vosso coração em jejum e em lágrimas e em gemido». E é o que ensina Agostinho num sermão: «O jejum purifica a alma, eleva os sentidos, sujeita a carne ao espírito, faz-nos contrito e humilhado o coração, dissipa o nevoeiro da concupiscência, extingue os odores da sensualidade, acende a verdadeira luz da castidade».


II. — O jejum é objeto de preceito. Pois o jejum é útil para delir e coibir as nossas culpas e elevar-nos a mente para as coisas espirituais. Ora, cada um está obrigado, pela razão natural, a jejuar tanto quanto lhe for necessário para conseguir tal fim. Por onde, o jejum, em geral, constitui um preceito da lei natural. Mas, a determinação do tempo e do modo de jejuar, conforme à conveniência e à utilidade do povo Cristão, constitui um preceito de direito positivo, instituído pelos superiores eclesiásticos. E tal é o jejum da Igreja, diferente do jejum natural.

III. — Os tempos de jejum estão convenientemente determinados pela Igreja. O jejum é ordenado por dois motivos: para delir a culpa e para nos elevar a mente às coisas espirituais. Por isso, os jejuns foram ordenados especialmente naqueles tempos em que, sobretudo, devemos os fiéis nos purificar dos pecados e elevar a mente a Deus pela devoção. O que sobretudo se dá antes da solenidade Pascal, quando as culpas são delidas pelo batismo, celebrado solenemente na vigília da Páscoa, em memória da sepultura do Senhor; pois, pelo batismo, somos sepultados com Cristo para «morrer ao pecado», na frase do Apóstolo (Rm 6, 4). E também na festa Pascal devemos, sobretudo, pela devoção, elevar a mente à glória da eternidade, a que Cristo deu começo pela sua ressurreição. Por isso, imediatamente antes da solenidade Pascal, a Igreja nos manda jejuar; e pela mesma razão, nas vigílias das principais festividades, quando devemos nos preparar devotamente para celebrar as festas que se vão celebrar.

Ia IIae, q. CXLVII, a. 1, 3, 5.

(P. D. Mézard, O. P., Meditationes ex Operibus S. Thomae.)

Fonte: Permanência
Leia Mais…

quarta-feira, 18 de março de 2009

Cientistas e intelectuais se manifestam contra aborto na Espanha

da France Presse, em Madri

Uma associação contra o aborto apresentou nesta terça-feira (17) um manifesto assinado por centenas de cientistas e intelectuais contra o projeto do governo para legalizar a interrupção voluntária da gravidez dentro de um prazo determinado.

Os assinantes consideram no manifesto "que o aborto é um ato simples e cruel de interrupção de uma vida humana", afirmando que a vida começa no momento da fecundação.

Campanha publicitária anti-aborto, capitaneada por bispos católicos; cientistas e intelectuais assinam manifesto contra a prática na Espanha
Campanha anti-aborto traz bebê comparado à preservação de espécies na Espanha;
cientistas assinam manifesto contra a prática

"Quase 1.000 cientistas e intelectuais assinaram o texto", afirmou, durante entrevista à imprensa, um dos promotores da iniciativa, Nicolás Jouve de la Barreda, professor de genética da Universidade de Alcalá de Henares, em Madri.

A iniciativa da associação HazteOir, que é contra o aborto e a eutanásia e a favor da família como instituição básica da ordem social, coincide com o lançamento, pela Igreja espanhola, de uma polêmica campanha publicitária contra o aborto.

Os bispos espanhóis lançaram uma campanha para denunciar o fato de espécies animais ameaçadas estarem mais protegidas, segundo eles, do que embriões humanos na Espanha.

O fundador de HazteOir, Ignacio Arsuaga, que se declara católico, considerou que a campanha dos bispos foi muito bem feita e aborda bem o problema.

Na campanha dos bispos, um bebê aparece ao lado de um lince ibérico --espécie protegida na Espanha por sua vulnerabilidade--, com a frase "Lince protegido". O bebê pergunta: "E eu?" e, acrescenta, "Proteja minha vida!"

O governo espanhol quer permitir o aborto livre legal dentro de um prazo de gestação limitado, como já ocorre em diversos países europeus.

Atualmente, o aborto é permitido no país durante as primeiras 12 semanas de gestação em caso de estupro, 22 semanas em caso de má formação do feto, e sem limite de tempo em caso de risco físico ou psíquico para a mãe.


Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u536078.shtml
Leia Mais…

terça-feira, 17 de março de 2009

DECLARAÇÃO DA ARQUIDIOCESE DE OLINDA E RECIFE

A respeito do artigo intitulado “Dalla parte della bambina brasiliana” e publicado no L´OSSERVATORE ROMANO no dia 15 de março, nós, abaixo assinados, declaramos:

1. O fato não aconteceu em Recife, como diz o artigo, mas sim na cidade de Alagoinha (Diocese de Pesqueira).

2. Todos nós – começando pelo pároco de Alagoinha (abaixo assinado) -tratamos a menina grávida e sua família com toda caridade e doçura. O Pároco, fazendo uso de sua solicitude pastoral, ao saber da notícia em sua residência, dirigiu-se de imediato à casa da família, onde se encontrou com a criança para lhe prestar apoio e acompanhamento, diante da grave e difícil situação em que a menina se encontrava. E esta atitude se deu durante todos os dias, desde Alagoinha até Recife, onde aconteceu o triste desfecho do aborto de dois inocentes. Portanto, fica evidente e inequívoco que ninguém pensou em primeiro lugar em “excomunhão”. Usamos todos os meios ao nosso alcance para evitar o aborto e assim salvar as TRÊS vidas. O Pároco acompanhou pessoalmente o Conselho Tutelar da cidade em todas as iniciativas que visassem o bem da criança e de seus dois filhos. No hospital, em visitas diárias, demonstrou atitudes de carinho e atenção que deram a entender tanto à criança quanto à sua mãe que não estavam sozinhas, mas que a Igreja, ali representada pelo Pároco local, lhes garantia a assistência necessária e a certeza de que tudo seria feito pelo bem da menina e para salvar seus dois filhos.

3. Depois que a menina foi transferida para um hospital da cidade do Recife, tentamos usar todos os meios legais para evitar o aborto. A Igreja em momento algum se fez omissa no hospital. O Pároco da menina realizou visitas diárias ao hospital, deslocando-se da cidade que dista 230 km de Recife, sem medir esforço algum para que tanto a criança quanto a mãe sentissem a presença de Jesus Bom Pastor que vai ao encontro das ovelhas que mais precisam de atenção. De tal sorte que o caso foi tratado com toda atenção devida da parte da Igreja e não “sbrigativamente” como diz o artigo.

4. Não concordamos com a afirmação de que “a decisão é árdua… para a própria lei moral”. Nossa Santa Igreja continua a proclamar que a lei moral é claríssima: nunca é lícito eliminar a vida de um inocente para salvar outra vida. Os fatos objetivos são estes: há médicos que explicitamente declaram que praticam e continuarão a praticar o aborto, enquanto outros declaram com a mesma firmeza que jamais praticarão o aborto. Eis a declaração escrita e assinada por um médico católico brasileiro: “(…) Como médico obstetra durante 50 anos, formado pela Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil, e ex chefe da Clínica Obstétrica do Hospital do Andaraí, onde servi 35 anos até minha aposentadoria, para dedicar-me ao Diaconato, e tendo realizado 4.524 (quatro mil quinhentos e vinte e quatro) partos, muitos de menores de idade, nunca precisei recorrer ao aborto para “salvar vidas”, assim como todos os meus colegas íntegros e honestos em sua profissão e cumpridores de seu juramento hipocrático. (…)”.

5. É falsa a afirmação de que o fato foi divulgado nos jornais somente porque o Arcebispo de Olinda e Recife se apressou em declarar a excomunhão. Basta ver que o caso veio a público em Alagoinha na quarta-feira, dia 25 de fevereiro, o Arcebispo se pronunciou na imprensa no dia 03 de março e o aborto se deu no dia 4 de março. Seria demasiado imaginar que a imprensa brasileira, diante de um fato de tamanha gravidade, tenha silenciado nesse intervalo de seis dias. Assim sendo, a notícia da menina (“Carmen”) grávida já estava divulgada nos jornais antes da consumação do aborto. Somente então, interrogado pelos jornalistas, no dia 3 de março (terça-feira), o Arcebispo mencionou o cânon 1398. Estamos convictos de que a divulgação desta penalidade medicinal (a excomunhão) fará bem a muitos católicos, levando-os a evitar este pecado gravíssimo. O silêncio da Igreja seria muito prejudicial, sobretudo ao constatar-se que no mundo inteiro estão acontecendo cinqüenta milhões de abortos cada ano e só no Brasil um milhão de vidas inocentes são ceifadas. O silêncio pode ser interpretado como conivência ou cumplicidade. Se algum médico tem “consciência perplexa” antes de praticar um aborto (o que nos parece extremamente improvável) ele – se é católico e deseja observar a lei de Deus - deve consultar um diretor espiritual.

6. O artigo é, em outras palavras, uma direta afronta à defesa pela vida das três crianças feita veementemente por Dom José Cardoso Sobrinho e demonstra quanto o autor não tem bases e informações necessárias para falar sobre o assunto, por total desconhecimento dos detalhes do fato. O texto pode ser interpretado como uma apologia ao aborto, contrariando o Magistério da Igreja. Os médicos abortistas não estiveram na encruzilhada moral sustentada pelo texto, ao contrário, eles praticaram o aborto com total consciência e em coerência com o que acreditam e o que ensinam. O hospital que realizou o aborto na menininha é um dos que sempre realizam este procedimento em nosso Estado, sob o manto da “legalidade”. Os médicos que atuaram como carrascos dos gêmeos declararam e continuam declarando na mídia nacional que fizeram o que já estavam acostumados a fazer “com muito orgulho”. Um deles, inclusive, declarou que: “Já fui, então, excomungado várias vezes”.

7. O autor arvorou-se do direito de falar sobre o que não conhecia, e o que é pior, sequer deu-se ao trabalho de conversar anteriormente com o seu irmão no episcopado e, por esta atitude imprudente, está causando verdadeiro tumulto junto aos fiéis católicos do Brasil que estão acreditando ter Dom José Cardoso Sobrinho sido precipitado em seus pronunciamentos. Ao invés de consultar o seu irmão no episcopado, preferiu acreditar na nossa imprensa declaradamente anticlerical.

Recife-PE, 16 de março de 2009

Pe Edson Rodrigues

Pároco de Alagoinha-PE - Diocese de Pesqueira

Mons. Edvaldo Bezerra da Silva

Vigário Geral - Arquidiocese de Olinda e Recife

Pe Moisés Ferreira de Lima - Reitor do Seminário Arquidiocesano

Dr. Márcio Miranda - Advogado da Arquidiocese de Olinda e Recife


Fonte: http://blog.cancaonova.com/padrejoaozinho/2009/03/17/declaracao-da-arquidiocese-de-olinda-e-recife/

Leia Mais…

segunda-feira, 16 de março de 2009

'A Igreja católica nunca condenou Darwin ou seus escritos'

Arcebispo Gianfranco Ravasi falou ao 'Estado' sobre a Teoria da Evolução e congresso sobre o tema do Vaticano

Alexandre Gonçalves, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - "Não cabe à Igreja dizer se a evolução é uma tese, uma hipótese ou qualquer outra coisa", afirmou o arcebispo italiano Gianfranco Ravasi ao Estado. Ele foi o principal responsável pelo congresso sobre darwinismo patrocinado pelo Vaticano no início do mês. Presidente do Conselho Pontifício para a Cultura - órgão da Santa Sé que promove o diálogo da Igreja católica com o mundo contemporâneo -, Ravasi comentou também o ensino do evolucionismo nas escolas, a interpretação dos textos bíblicos sobre a criação e o fenômeno contemporâneo do ateísmo.

Por que a Igreja realizou um congresso sobre evolucionismo?

As relações entre ciência e fé foram turbulentas. É justo reconhecer que houve momentos negativos. Refiro-me sobretudo ao caso Galileu. No ano 2000, João Paulo II quis pedir perdão e enterrar este passado. Agora, procuramos nos orientar para o futuro. O tema este ano é a evolução. Vale a pena lembrar que a Igreja católica nunca condenou Darwin ou seus escritos. Em 1950, Pio XII considerava compatíveis evolução biológica e doutrina católica. Em 1996, João Paulo II disse que a teoria da evolução é praticamente um consenso entre os cientistas, o que convida a um diálogo com a teologia, que naturalmente se move em um plano diferente. Por isso, patrocinamos este congresso internacional que contou com a presença de cientistas de renome que conversaram com filósofos e teólogos. Cada um segundo sua própria perspectiva.

Bento XVI fez alguma indicação concreta?

O papa deixou muito livre o debate. Participaram do congresso pesquisadores que não creem ou professam outros credos, como budistas, por exemplo. Estiveram presentes várias expressões culturais e cada uma delas pode falar. Mesmo na filosofia e na teologia estavam representadas diversas abordagens. Bento XVI quis reafirmar, como em outras ocasiões, a importância do diálogo entre razão e fé. Inspira-se em Agostinho de Hipona que dizia: "Se a fé não é pensada, não é nada." Bento XVI não deu nenhuma indicação precisa porque prejudicaria o diálogo.

O que a Igreja pensa da evolução?

A Igreja católica não deve pensar nada, porque é uma questão especificamente científica. João Paulo II disse que "novos conhecimentos levam a considerar que a teoria da evolução é mais do que uma hipótese". Foi simplesmente uma constatação, pois o papa desejava abrir o diálogo teológico. No entanto, cabe ao cientista argumentar sobre o status do darwinismo. Se a evolução é a posição dominante entre os pesquisadores, faz sentido começar a reflexão teológica sobre ela. Mas não cabe à Igreja dizer se a evolução é uma tese, uma hipótese ou qualquer outra coisa.

Como compreender a narrativa bíblica da criação?

A religião judaico-cristã não é uma religião do livro. A Palavra de Deus precede e ultrapassa a Bíblia. Por isso, na sua forma escrita final, necessita interpretação. Tradicionalmente, há dois caminhos para compreender a Escritura. O primeiro tenta distinguir os "sentidos espirituais" do texto sagrado - a mensagem divina expressa nas palavras humanas. O segundo é a análise histórico-crítica que investiga as palavras humanas - pronunciadas em idiomas concretos e ligadas a uma cultura particular, a coordenadas históricas precisas e a determinados gêneros literários. Os dois métodos precisam dialogar. É um relacionamento análogo ao que deve existir entre ciência e teologia.

Mas como interpretar os primeiros capítulos do Gênesis?

No Gênesis, fala-se da origem histórica da humanidade para revelar seu sentido profundo, que é meta-histórico. Fala-se do primeiro homem, não porque desejamos descrever o que aconteceu durante a evolução - não se pensava nisso quando a Bíblia foi escrita: as espécies são fixas na sua narrativa -, mas para compreender a humanidade. É uma realidade histórica que somos filhos de Adão - ou seja, todos descendemos da mesma linhagem humana -, mas a mensagem principal é meta-histórica. O relato do Gênesis procura identificar as três relações fundamentais: com o Criador, com a criação e com o próximo. A Bíblia coloca naquele personagem primordial o rosto de todos os homens. O nome Adão, em hebraico, confirma esta intenção: ha'-adam. Ha é o artigo definido "o". 'adam significa "aquele que tem a cor ocre da argila". É o Homem com "H" maiúsculo. Não é um nome próprio, mas uma representação. Trata-se de uma análise sapiencial, o que não significa uma análise teórica ou vaga. Procuro quem sou eu refletindo sobre minha origem. Mas a pergunta "quem sou eu" tem um caráter metafísico e meta-histórico. Não é uma indagação científica sobre a origem biológica do homem.

É possível harmonizar o relato bíblico com a teoria da evolução?

A evolução, quando lida do ponto de vista teológico, é a obra criadora de Deus que não compreende só um instante no qual tudo se constitui, mas um verdadeiro itinerário, assim como a história da salvação descrita na Bíblia é um percurso com diversas etapas. Dentro deste itinerário evolutivo, no surgimento do homem, há um selo singular de Deus, que costumamos chamar alma. A Bíblia só usa este termo em épocas mais tardias. De qualquer forma, é uma palavra para designar a especifidade da criatura humana. O genoma do homem é 97% semelhante ao do chimpanzé. Uma diferença genética de apenas 3% torna-se imensa quando consideramos a capacidade simbólica, estética e racional do ser humano. A teologia não pretende saber quando esta diferença surgiu dentro da trama evolutiva. Mas, quando o homem se constitui de forma vital, existe naquele momento a alma humana, com seu mistério, sua transcendência e sua capacidade de amar até a doação de si que vai muito além do instinto natural - às vezes, até a morte. Aqui começa aquela dimensão que é propriamente humana e se constitui objeto de estudo da filosofia e da teologia.

Na sua opinião, como deve ser ensinada a origem do homem nos colégios?

É uma questão complexa. A ciência não deve considerar a teologia ou a filosofia como discursos de um passado arqueológico, mas como reflexões necessárias que - de modo semelhante à arte - revelam dimensões secretas da pessoa. Por outro lado, a teologia não deve impor seus próprios esquemas como já aconteceu no passado. Movendo-se em planos diferentes, precisam dialogar. Nas escolas, uma não deve invadir o espaço da outra, mas mostrar que são abordagens diferentes para os mistérios do homem e da natureza. Seria conveniente que os dois professores manifestassem mutuamente seus pontos de vista e, depois, apresentassem as diferentes perspectivas aos alunos. Nos temas mais prementes, como a origem do homem ou a bioética, poderiam estar juntos para fomentar o confronto de idéias. Esta interdisciplinaridade é a linha adotada em muitas universidades. De alguma forma, fizemos isso no congresso sobre Darwin.

A Bíblia diz: "Os céus narram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos" (Sl 18, 2). Para muitas pessoas, os céus e o firmamento não dizem nada sobre Deus.

Descobrir no interior do cosmos, não a casualidade e o caos, mas uma mensagem, é um caminho espiritual. O famoso teólogo Daniélou chamava este itinerário de "revelação cósmica". Todos os homens deveriam se esforçar para compreender o pergaminho que se estende do céu até a terra - a palavra secreta da própria criação. Tiro esta imagem da tradição sinagogal. Muitos homens veem o cosmos e permanecem insensíveis porque perderam a capacidade de se admirar. Contemplam o mundo com um olhar técnico, frio. Talvez por isso, violentemos a terra e escondamos os céus atrás da poluição. Precisamos fomentar a disposição que animava Pascal. Ele olhava os espaços infinitos, considerava a fragilidade humana e ficava perplexo diante de um contraste tão grande. O escritor inglês Chesterton dizia que o mundo não perecerá por falta de maravilhas - são muitas - mas por falta de admiração. A verdadeira ciência é diferente da técnica. A técnica mede. A ciência tenta compreender o conjunto dos fenômenos. O físico Max Planck escreveu: "Ciência e religião não estão em conflito, mas se completam na mente do homem que pensa de forma integral". A verdadeira ciência ajuda-nos a compreender que estamos imersos em um mistério. A priori, não vou qualificá-lo como divino, mas seguramente transcende a razão humana e a própria humanidade. Recordo a belíssima imagem de Newton que se via como uma criança que brinca na praia e descobre conchas, seixos, pedras... contudo, diante dela, abre-se o imenso oceano da realidade.


Fonte: o Estadão

Leia Mais…

Não reclamem ao bispo

Publicada na Revista Veja

Entrevista Dom José Cardoso Sobrinho

Juliana Linhares


"Estou com a minha consciência tranquila. Não podia prever essa reação em nível nacional e internacional, mas remorso sentiria se tivesse ficado em silêncio"

Ao longo de 2 000 anos de história, duas forças, ora conflitantes, ora complementares, moldaram a Igreja Católica: a doutrina do amor e o amor pela doutrina. Dom José Cardoso Sobrinho, arcebispo de Olinda e Recife, é sem dúvida um homem da segunda força. Aos 75 anos, pequenino e orgulhosamente teimoso, ele reitera ponto por ponto as declarações que o transformaram na figura mais criticada no caso da menina de 9 anos estuprada pelo padrasto que engravidou de gêmeos e fez um aborto legal. A excomunhão dos adultos envolvidos é exigida pelas leis da Igreja, diz dom José, que considera ter cumprido o seu dever. "Estou tranquilíssimo", repete nesta entrevista, concedida na casa da arquidiocese na presença de outras cinco pessoas – um advogado, uma psicóloga, um médico e sua mulher, e um vigário. "Eles estão me dando apoio", explicou.

Por que o senhor acha que tantas pessoas, católicas em sua maioria, ficaram revoltadas com a sua posição no caso da excomunhão dos adultos envolvidos no aborto da menina violentada? Em primeiro lugar, nós temos de colocar essa questão no âmbito religioso. Acreditamos em Deus? É sim ou é não. E eu suponho que a grande maioria das pessoas acredita. E acreditar em Deus significa aceitar que Deus é a origem de tudo e é também o nosso fim. Essa é uma verdade fundamental. É premissa importantíssima para dizer que a lei de Deus está acima de qualquer lei humana. E a lei de Deus não permite o aborto. Então, se uma lei humana está contradizendo uma lei de Deus, no caso, a que permitiu a operação, essa lei não tem nenhum valor. Quanto ao que você afirma, sobre as pessoas estarem revoltadas, tenho de dizer que também houve um clamor grande, eu diria enorme, de autoridades de Roma a meu favor. Tenho sido insultado, claro, mas hoje mesmo recebi uma carta de Giovanni Battista Re, prefeito da Congregação para os Bispos em Roma, em que me elogia.


O que o senhor diria aos católicos que condenaram sua atitude?

Antes de tudo, quero deixar bem claro que não fui eu que excomunguei os médicos que praticaram o aborto e a mãe da menina. Isso é falso. Eu não posso excomungar ninguém. Eu simplesmente mencionei o que está escrito na lei da Igreja, o cânone 1 398, do Código de Direito Canônico, que está aí nas livrarias para qualquer um ler. Por essa lei, qualquer pessoa que comete aborto está excomungada, por uma penalidade que se chama latae sententiae, um termo técnico que significa automática. Então, não foi dom José Cardoso Sobrinho quem os excomungou. Eu simplesmente disse a todos: "Tomem consciência disto". Qualquer pessoa no mundo inteiro que pratique o aborto está incorrendo nessa penalidade – mesmo que ninguém fale nada. Quem é católico sabe que na primeira carta de São Paulo a Timóteo, no capítulo II, está escrito: Deus quer que todos sejam salvos.


Por que estupradores não são também automaticamente excomungados?

A nossa santa Igreja condena todos os pecados graves. O estupro é um pecado gravíssimo para a Igreja, assim como o homicídio. Agora, a Igreja diz que o aborto, isto é, o ato de tirar a vida de um inocente indefeso, é muito mais grave que o estupro, que o homicídio de um adulto. Qualquer pessoa inteligente é capaz de compreender isso. Eu não estou dizendo que o estupro e a pedofilia são coisas boas. Mas o aborto é muito mais grave e, por isso, a Igreja estipulou essa penalidade automática de excomunhão.

Em que outros casos se aplica a excomunhão automática?

No Código de Direito Canônico anterior, promulgado por Bento XV, havia cerca de quarenta motivos para a excomunhão automática. Em 1983, sob a autoridade de João Paulo II, foi publicado um novo Código. O atual os reduziu a apenas nove. São eles: o aborto; a apostasia, que é quando a pessoa abandona a religião; a heresia, que acontece quando uma pessoa nega um dogma da Igreja; a violência física contra a pessoa do papa; a consagração de um bispo sem a licença do papa; o cisma; a absolvição por um sacerdote do cúmplice de um pecado da carne; a violação direta do segredo da confissão; e a profanação das hóstias consagradas.

O que a Igreja e o senhor pessoalmente ofereceram à menina, em matéria de apoio material e espiritual, caso não fizesse o aborto?

Agradeço muito essa pergunta. Essa criança residia na diocese de Pesqueira, na cidade de Alagoinha, no interior de Pernambuco. Quando aconteceu isso, o bispo de Pesqueira me informou que a menina seria trazida para o Recife. Ele e eu queríamos fazer o que fosse possível para salvar a vida dela e a dos filhos que ela concebera. Nós tivemos várias reuniões com nossos advogados para saber o que poderíamos fazer para impedir o aborto. Pedimos audiência ao desembargador, e ele ligou para várias varas da infância e da juventude para tentar fazer algo. O pai da menina esteve também nesse encontro e declarou ser contra o aborto. Ele é analfabeto, mas repetiu desde o começo que não estava de acordo. Fez até uma procuração para o nosso advogado e assinou. Quer dizer, assinou não, pôs o dedão lá. Então, nós fizemos tudo o que foi possível.


Foram oferecidos abrigo, sustento material, uma eventual família adotiva?

Repito mais uma vez: essa menina é residente em outra cidade, portanto, em outra diocese. O bispo de Pesqueira foi quem acompanhou tudo de perto. O padre de lá deu toda a assistência possível. A menina não tinha nenhum problema de necessidade material nem passava fome. E, se acontecesse o parto, a cidade de Alagoinha iria ajudar. A menina não ficaria abandonada. A nossa santa Igreja iria ajudar. Nós temos aí abrigos para os pobres. Mas eu queria voltar a insistir no fato de que estamos sempre tentando cumprir a lei de Deus. E o quinto mandamento diz: não matar. Então, não é lícito, para salvar uma vida, eliminar a vida de dois inocentes. O fim não justifica os meios. Eu posso ter uma finalidade ótima, salvar a vida daquela menina grávida. O meio para chegar lá pode ser usar todos os recursos da medicina. Mas nunca, jamais, eliminar a vida de um inocente para salvar a vida de outro. O aborto é um crime nefando.


O senhor esteve com ela alguma vez?

Não consegui. Quando eu soube do caso, passei o dia todo, das 7 da manhã às 10 da noite, trabalhando na tentativa de evitar a operação. Mais tarde, eu estava me dirigindo ao primeiro hospital onde a menina foi internada, no interior do estado, para tentar convencer a família a desistir do aborto, e eis que tive uma surpresa. Um médico amigo me telefonou para dizer que um grupo de mulheres chamadas feministas tinha convencido a mãe a assinar um documento em que assumia a responsabilidade pela filha e autorizava a sua alta. Ela então seguiu para outro hospital, no Recife, onde o aborto foi feito já no dia seguinte. Eu fiquei muito angustiado.


O senhor sabe como era a vida da menina dentro da casa onde ocorriam os estupros?

Com licença, esses detalhes eu não sei. Se alguém tiver interesse, o caminho mais curto é ligar para o padre da cidade de Alagoinha e perguntar.


Qual é o nome dela?

A menina... Como se chama? (A pergunta é dirigida às cinco pessoas que acompanharam a entrevista a pedido do arcebispo; ninguém sabe responder.)


Como o senhor se sente em face das críticas e dos ataques que vem recebendo?

Eu quero dizer que estou com a minha consciência tranquila. Cumpri o meu dever. Não podia prever essa reação em nível nacional e internacional, mas remorso eu sentiria se tivesse ficado em silêncio. Humanamente falando, é muito mais cômodo cruzar os braços e fechar os olhos. Eu estou tranquilíssimo. Espero que os fiéis católicos se conscientizem da gravidade de um aborto. Nós sabemos que no mundo inteiro acontecem 50 milhões de abortos por ano. No Brasil, há 1 milhão a cada ano. Quero lembrar o que aconteceu na II Guerra Mundial. Hitler, aquele ditador, queria eliminar o povo judaico e dizem que ele chegou a matar 6 milhões de judeus. Não podemos esquecer esse delito. Agora, eu pergunto: por que vamos ficar em silêncio quando estão acontecendo 50 milhões de abortos no mundo? Eu chamo isso de o holocausto silencioso. E nós, cristãos, não podemos ficar quietos.


Do ponto de vista da doutrina da Igreja, qual é a situação da menina?

Ela não foi excomungada, porque essa sentença só se aplica a maiores de idade. Essa menina vai ser recebida na paróquia dela para ter instrução religiosa. Eu não sei se fez a primeira comunhão. Se ela tiver consciência de algum pecado, vai se confessar e receber o perdão. Não existe pecado sem perdão para aqueles que se arrependem, inclusive para os que incorrem na excomunhão. A Igreja só aplica essa penalidade para levar a pessoa à conversão ou, se era católica antes, à nova conversão. Se a pessoa se converte, a Igreja tem poderes para absolvê-la.


Se o senhor ficasse frente a frente com a menina, o que diria a ela?

Eu diria: o que aconteceu já passou. Daqui para a frente, procure praticar a religião com os meninos da sua idade, ir para a igreja e aprender o catecismo. Seria tão bom se as criancinhas fossem como antigamente, quando nem tinham uso da razão mas já sabiam rezar o Pai-Nosso e a Ave-Maria.


Se encontrasse o padrasto que a violentou, o que diria a ele?

Eu iria procurar convertê-lo. Iria perguntar se reconhece que errou e se está arrependido. Eu não sei onde ele está, se está preso, sei lá. Mas, se tivesse a oportunidade de visitá-lo, diria a ele que pedisse perdão a Deus. Iria ajudá-lo a fazer uma oração pedindo perdão.


O senhor acredita que uma educação religiosa poderia ter evitado o estupro?

Certamente. E o aborto também. Soube esses dias de um caso parecido, mas que teve um desenrolar muito diferente. É uma menina de 12 anos, do Rio Grande do Sul, que também engravidou assim. A diferença é que o médico dela me ligou dizendo que não vai fazer o aborto. Esse é um exemplo edificante que, infelizmente, não encontra muita difusão na imprensa. Outro exemplo: dia desses, uma mulher da mesma diocese dessa menina (pernambucana), que tinha um filho de 1 ano e meio, engravidou de novo. Ela não queria ter esse segundo filho. Então, foi procurar um médico querendo abortar e levou o menino mais velho junto, para dizer que não tinha condições. Mas o médico era católico e disse à mulher que, já que ela não podia ter dois filhos, ele ia matar o primeiro e ela ficava com o segundo, o que estava na barriga. A mulher, na hora, despertou e não aceitou mais o aborto.


O senhor já fez sermões contra a pedofilia, contra o estupro?

Nós temos na arquidiocese uma rádio católica. Eu tenho um programa diário e estou explicando ao povo o catecismo da Igreja. Leio um parágrafo e faço um comentário. Estou cumprindo o meu dever. E falo sobre todos os pecados. Ninguém pode dizer que dom José não condena a pedofilia e que dom José não condena o estupro. Mas não posso falar diariamente sobre a pedofilia. Vão dizer que estou louco. Eu não omito nenhum tema da lei de Deus.


Os adversários da Igreja são rápidos em reavivar os erros do passado, como a Inquisição e as perseguições religiosas, e projetá-los no presente. A Igreja raramente rebate. Isso significa que ela se desacostumou do embate de ideias?

Não. O que acontece é que a doutrina teológica diz que qualquer problema teológico, na história da Igreja, tem de ser escutado para ver quais são as opiniões. A diversidade de opiniões é permitida na Igreja. Agora, quando se trata de dogmas, a Igreja não pode admitir que se discorde. Quem não aceita esses dogmas está fora. E não adianta um católico dizer que, porque uma lei brasileira permite tal coisa, ele pode fazer essa coisa, como é o caso do divórcio, e ficar tranquilo. Fica não.


O senhor tem mais algo a dizer sobre o caso?

Sim, eu lamento não poder ter feito o batizado desses dois bebês. Eu estava planejando uma festa para esse dia, mas não aconteceu.

Leia Mais…

domingo, 15 de março de 2009

CF 2009: Verdadeira cultura da paz

Cardeal Odilo Pedro Scherer

Desde o lançamento da Campanha da Fraternidade (CF) deste ano, recebi diversas manifestações de apreço pelo fato de a Igreja ter escolhido a “segurança pública” como tema da CF de 2009: “que bom, que a Igreja entrou nesta questão!” Sente-se de muitas formas a falta de segurança e muitas pessoas esperavam por esta iniciativa da Igreja “para fazer alguma coisa”... Está claro que a questão de fundo é a violência, que se alastra sempre mais, embora isso não apareça no enunciado do tema da CF.

Para que a CF tenha o efeito desejado, isto é, menos violência e mais paz na convivência social, a sociedade é chamada para uma reflexão ampla sobre os fatos de violência e, sobretudo, sobre suas causas, que podem ser tantas. Para isso, apela para o envolvimento e a participação de todos os seus filhos e filhas e de todas as suas organizações. Coloca à disposição materiais de apoio já conhecidos, como o Texto-Base e o Manual da CF, que apresentam a abordagem do tema e a propostas de reflexão e de ação; há ainda materiais para destinatários e grupos diversos, como escolas, a catequese, a juventude e as famílias.

Mas a reflexão não deve ficar apenas dentro do âmbito da Igreja: esta é missionária e quer falar a toda a sociedade. Para isso, é necessário que o tema chegue às páginas dos jornais e revistas, às telas das TVs, ao rádio e à Internet. Manifestações públicas podem ser organizadas para chamar mais a atenção sobre algum aspecto do problema. Iniciativas e criatividade estão liberadas amplamente e são muito desejadas. Leigos e suas organizações podem dar grande contribuição para esta tarefa, valendo-se de sua competência profissional e de suas responsabilidades e competências na vida e nas organizações da sociedade. Penso que toda iniciativa para propor uma reflexão sobre o tema da violência nos ambientes de trabalho e de convivência social seja bem-vinda; ações poderão ser promovidas de forma ecumênica, de mãos dadas com outros grupos religiosos ou organizações sociais e culturais. Os beneficiados serão as pessoas e a sociedade inteira.

Chamamos a atenção para as responsabilidades do Estado na solução do problema da violência: segurança pública é um direito dos cidadãos e um dever do Estado; denunciamos os esquemas de violência organizada e criminosa, as injustiças sociais não resolvidas e que são uma violência contínua, especialmente sobre as pessoas e as camadas sociais frágeis e indefesas; alertamos para certa cultura complacente com a violência, que aparece no apreço dado a espetáculos deprimentes de violência, ou na exploração, como mercadoria e recurso para captar lucros, da curiosidade mórbida sobre fatos de violência; vai-se formando assim a insensibilidade e a indiferença das consciências diante das situações concretas de violência, que se tornam corriqueiras e parte do dia-a-dia.

A CF levanta um forte grito de alerta contra a violência, antes que esta fique incontrolável; quem nada faz para combatê-la, acabará sendo vitimado por ela. É preciso haver uma verdadeira “conversão social”, para não dar lugar à cultura da violência, às estruturas e organizações que fazem da violência o seu modo de se impor e ter vantagens; é preciso que seja difundida a cultura da dignidade do ser humano e do respeito aos seus direitos; e que sejam criadas favorecidas as condições de uma verdadeira justiça social, pois sem justiça não haverá paz.

Na nossa proposta para a solução desse problema, porém, há um diferencial, que queremos afirmar claramente durante esta Quaresma: a superação da violência não depende apenas de condições externas, mas também da conversão do coração e da orientação da vida segundo a verdade e o bem. “O reino de Deus chegou! Convertei-vos e crede no Evangelho!” (cf Mc 1,15). Este anúncio de Jesus orienta toda a caminhada quaresmal e a vida cristã. Quem quer viver segundo Deus deve mudar de conduta, abandonar o que não convém diante de Deus e abraçar aquilo que é coerente com seu reinado.

Também a CF orienta-se por este princípio fundamental. Na medida em que o coração humano aceitar o reino de Deus e sua justiça, mudam também as relações sociais. Por isso a CF nos traz a sabedoria preciosa e já bem antiga do profeta Isaías: “A paz é fruto da justiça!” (37,17). E, no reino de Deus, o modo de viver e conviver é a fraternidade, onde o próximo é visto como um irmão, filho do mesmo Pai celeste e digno de todo o respeito e consideração. Viver segundo o reino de Deus é promover a verdadeira cultura da paz.


Card. Dom Odilo P. Scherer
Arcebispo de S.Paulo
Artigo publicado em O SÃO PAULO na ed. de 3.03.2009

Fonte: http://www.cnbb.org.br/ns/modules/articles/article.php?id=550
Leia Mais…

Imagem do Dia

Um braço pedindo socorro...

Leia Mais…

Entrevista com o Jornal O SÃO PAULO

1. Porque a Igreja resolveu falar de “Segurança Pública”? Não é um tema muito distante do interesse religioso?
R. A falta de segurança é preocupante e se manifesta nos fatos e situações de violência que atingem a população, ferindo a dignidade das pessoas e seus direitos fundamentais. A segurança pública é um dever do Estado e um direito dos cidadãos; por outro lado, ela não depende apenas do Estado, mas também dos cidadãos. A Igreja acredita que uma forte tomada de consciência sobre a situação de violência e sobre seus motivos possa contribuir para a tomada de atitudes corretas na superação desse problema. Os temas da Campanha da Fraternidade não são necessariamente “religiosos”, mas referem-se a situações que o povo vive e onde fica caracterizado um “pecado social” e a falta de fraternidade. A motivação da Campanha é religiosa; chama à conversão do coração e à vivência da caridade concreta e da fraternidade, como atitudes coerentes com a fé e o amor a Deus.

2. Quais resultados a Igreja espera obter com uma campanha dessas?
R. Antes de tudo, é desejável o envolvimento amplo da sociedade nesta Campanha para que ela não fique apenas “dentro” da Igreja; o problema atinge a todos. Esperamos que a Campanha também possa contribuir para despertar a sensibilidade das consciências diante de certa cultura da violência que se vai afirmando e na qual a violência acaba sendo aceita como “normal” e até inevitável. A solução, no fundo, está ligada em grande parte a uma correta educação para a paz, desde o berço até à morte. Evidentemente, a Igreja quer chamar à conversão dos corações, para que o respeito ao próximo, à sua dignidade, aos seus direitos e à sua vida; e que o agir violento seja superado. Claro é que a Igreja também espera que a Campanha ajude a superar as situações de violência estrutural na sociedade, de maneira que a justiça social verdadeira tenha como fruto a paz social.

3. A Igreja acredita que a corrupção também é sintoma da falta de segurança pública na sociedade brasileira. Por que?
R. A corrupção vinga no campo da impunidade; ela é uma forma de violência porque desrespeita o direito dos outros e o bem comum. Aquilo que é surrupiado ao patrimônio público pela corrupção fará falta sobretudo aos mais necessitados e lhes faz violência. Os fatos de violência nunca são isolados mas acabam desencadeando uma espiral de violência. Não é diferente com a corrupção que, por isso mesmo, precisa ser combatida mediante a afirmação do direito e ao respeito ao próximo.

4. O Texto-Base da CF 2009 mostra que as diversas formas de violência no Brasil são um fenômeno social. Quais as implicações dessa afirmação?
R. Não todas as formas de violência são um fenômeno social, nem se pode afirmar que a violência depende sempre de problemas sociais. Muitos fatos de violência dependem mesmo da falta de uma ética pessoal e da corrupção dos costumes. Por isso, a Igreja também apela nesta Campanha da Fraternidade para a conversão pessoal, para o abandono do vício da violência e para a reorientação de tendências à violência para hábitos de respeito e de paz. Mas não há dúvidas que há muitas situações e fatos de violência que estão implicados com problemas sociais e culturais; as injustiças sociais e certos mecanismos de organização social e econômica são promotores de violência contra as pessoas. Por isso também se faz necessária a “conversão” das estruturas de violência com as quais temos que conviver todos os dias.

5. Na cidade de SP as pessoas sofrem bastante com a violência crescente. Concretamente, de que maneira a Igreja local aqui em SP pretende contribuir na solução deste problema?
R. Infelizmente, a violência passou a fazer parte do dia a dia das cidades grandes, médias e pequenas. O risco é que nos habituemos com ela e fiquemos sem reação. A Igreja age em diversas frentes: socorro e assistência às vítimas da violência, educação para a justiça, a fraternidade e a paz, alerta às consciências para o respeito à pessoa do próximo, à sua dignidade, seus direitos e sua vida; podemos dizer que a ação da Igreja é sobretudo educativa, pois ela não dispõe de recursos para a vigilância ou a repressão da violência, nem seria isso de sua competência, mas do Estado.

6. Como uma campanha sobre segurança pública pode ajudar na preparação da Páscoa para os católicos?
R. A Campanha da Fraternidade insere-se no apelo quaresmal da conversão ao Evangelho e da busca da “vida nova”; também a superação da violência e a construção de relações de justiça e fraternidade está nessa mesma linha. A conversão deve ser pessoal, mediante o arrependimento dos pecados que tenham relação com a violência; mas a Campanha da Fraternidade também é um chamado à conversão comunitária, para somar esforços na superação mais eficaz de um “pecado social” e de suas causas.


S.Paulo, 7.3.09
+ Odilo P. Scherer

O SÃO PAULO, ed. 10.03.09

Fonte: http://www.cnbb.org.br/ns/modules/articles/article.php?id=547
Leia Mais…

O Tempo da Quaresma (parte XII)

V. NORMAS LITÚRGICAS COMPLEMENTARES.
1. Quarta-feira de Cinza. A bênção e imposição da cinza se faz depois do evangelho e da homilia. Com motivo deste rito penitencial, ao começar a missa deste dia se suprime o ato penitencial acostumado. Por isso, depois que o celebrante beijou o altar, saúda o povo e, continuando, podem-se dizer as invocações, “Senhor tenha piedade”, (sem antepor outras frases, pois hoje não são o ato penitencial), e a oração coleta, e acontece com a liturgia da palavra.

Depois da homilia se faz a bênção e imposição da cinza; acabada esta, o celebrante lava as mãos e continua a celebração com a oração dos fiéis.

2. Domingo IV de Quaresma. Por ser no domingo da alegria no caminho quaresmal para a Páscoa, durante todo no domingo IV, dos I Vésperas que se celebram na sábado anterior, é conveniente pôr flores no altar e tocar música durante as celebrações. Desta maneira se sublinha a quão fiéis esta perto a grande festa da Páscoa e que o fruto de nosso esforço quaresmal, será ressuscitar com o Senhor à vida verdadeira.

3. Feiras da V Semana de Quaresma. As feiras da V Semana de Quaresma –antiga semana de Paixão- têm umas pequenas características próprias: sem deixar de ser tempo de Quaresma, já tomam algo da cor própria de na próxima Semana Santa e com isso inauguram, em certa maneira, a preparação do Tríduo Pascal, nos levando a contemplação da glória da cruz de Jesus Cristo.

É conveniente não esquecer que na missa, diz-se todos os dias o prefácio I da Paixão do Senhor

Fonte: http://www.acidigital.com/fiestas/quaresma/tempo.htm
Leia Mais…

sábado, 14 de março de 2009

Fraternidade e segurança pública

Cardeal Odilo Pedro Scherer

Não é preciso pensar muito para compreender por que a Igreja no Brasil escolheu como tema da Campanha da Fraternidade deste ano a questão da segurança pública. Basta acompanhar um pouco os noticiários de rádio e TV, ou a imprensa escrita. As notícias sobre atos e situações de violência estão na ordem do dia. E não é simplesmente por que os meios de comunicação social colocam demasiada ênfase nas notícias sobre fatos de violência: esses fatos existem mesmo em abundância!

É violência contra a pessoa, sua integridade física e moral, sua dignidade e seus direitos fundamentais, contra a sua vida... É a violência diária das situações de injustiça não superadas, e que pesam sobretudo sobre camadas sociais e pessoas indefesas... A violência acaba se tornando corriqueira e nem mais chama a atenção, a não ser que venha acompanhada de algum detalhe especialmente repugnante. Vai se ficando indiferente diante da violência, que vai sendo absorvida como uma componente da cultura. E as pessoas defendem-se como podem, levantando muros, colocando alarmes, contratando seguranças, comprando armas.

Atrás desta busca de autodefesa vai se definindo uma situação especialmente grave: a violência como um fato normal e parte do dia a dia; é a aceitação inconsciente da cultura da violência. Não se confia no Estado e nas instituições de segurança, sobretudo diante da fragilidade e ineficiência dessas instituições para combater a violência, sem impor violência ainda maior. A segurança pública é um direito do cidadão e um dever do Estado. Porém, não só do Estado, mas também dos cidadãos. Evidentemente, o respeito às leis faz parte desse dever de cidadania. Mas a lei, por si só, não resolve; há tanta lei boa que não é observada. É preciso ir à raiz do problema, que é a perda do valor da pessoa e a busca da vantagem acima de tudo. Se o ser humano, como pessoa, não vale mais nada ou só conta enquanto traz vantagem para alguém, todos os direitos referidos à pessoa se perdem.

A questão da violência tem um componente importante, que não pode ser esquecido e que o lema da Campanha da Fraternidade deste ano evidencia profeticamente: a paz é fruto da justiça (cf Is 32,17). Não pode haver paz social e nas relações entre as pessoas sem a prática da justiça; e assim também nas relações entre os povos. A injustiça é sempre uma violência contra os direitos da pessoa ou dos povos; por isso, a superação das injustiças é condição para que haja paz verdadeira.

A Igreja, porém, vai ainda além disso e ensina que o mero cumprimento da justiça ainda não é suficiente para cultivar a paz. Esta também é fruto do arrependimento das culpas, do perdão dado e recebido e da reparação das ofensas. E mais: ela é assegurada nas atitudes fraternas e solidárias, que vão além da medida estrita da justiça e já são expressão do coração que se alarga para amar e acolher o próximo.

Por isso, a proposta da Campanha da Fraternidade é feita no período da Quaresma e vem unida ao chamado à penitência e à conversão. É necessário mudar atitudes e hábitos violentos, como a prepotência e a soberba nas relações humanas. A cultura da paz precisa ser difundida e alimentada, sem ceder à tentação das soluções violentas para os conflitos. A paz é cultivada no respeito e na benevolência nas relações humanas; e também no reconhecimento e na afirmação da dignidade de cada ser humano, desde o primeiro instante de sua existência até o final de sua vida. Evidentemente, a paz é também um fato social e político e requer o empenho de todos para que se mantenham as condições sociais, políticas e econômicas de sua afirmação.

A Quaresma, iniciada com a 4ª. feira de cinzas, é o caminho de preparação à Páscoa, para celebrar a vida nova que o Cristo ressuscitado nos comunica; neste itinerário de preparação, somos convidados a rever a vida, a fazer penitência e a nos convertermos sempre mais ao caminho de Cristo e do Evangelho. “Convertei-vos e crede no Evangelho”, eis o anúncio e a ordem de Cristo, que nos deve orientar e motivar neste período. Cabe também a reflexão sobre a violência presente, talvez, na convivência familiar, nas relações profissionais e de trabalho e no cultivo do lazer. Não podemos aceitar, indiferentes, a violência pequena do dia a dia, como se fosse “normal”. Não somos feitos para a violência, mas para a paz e para a mútua edificação.


Card. Odilo P. Scherer
Arcebispo de S.Paulo

Artigo publicado em O SÃO PAULO na ed. de 24.02.2009

Fonte: http://www.cnbb.org.br/ns/modules/articles/article.php?id=544
Leia Mais…

Segurança e Punição

Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues

Punir foi, em todos os tempos, uma forma de coibir o mal na vida da sociedade. Quem faz o mal deve ser punido sempre, do contrário a distinção entre bem e mal desaparece da cultura e instala-se na sociedade o tanto faz. E é necessário premiar o bem. Ensina a neurociência que em nosso cérebro existe a instância da recompensa como também a da desaprovação, da punição, da culpa. Até os sete anos a criança recebe de fora - pais e educadores - as sinalizações necessárias sobre o que é o bem e o mal nas situações concretas. A partir daí a própria criança, em progressiva autonomia, se dirigirá na vida orientada pela sua própria consciência. Esta, a consciência, deve ser continuamente alimentada por valores que traduzam de forma concreta a dignidade da pessoa e que de fato a conduzam pelos caminhos da própria realização e da realização da humanidade como um todo. Não são quaisquer caminhos que fazem a pessoa realizada e, consequentemente, feliz. A voz da consciência é a voz de Deus, porque é a voz da natureza profunda da pessoa humana, por Ele criada à sua imagem e semelhança. Essa voz é de aprovação ou de desaprovação - recompensa ou punição - conforme o caminho tomado seja construtivo ou destrutivo da própria dignidade. A desaprovação pode vir sob a forma de uma insatisfação indefinida ou sob a forma de culpa mais ou menos clara. É o reclamo da dignidade humana ofendida. É o grito da verdade pedindo espaço. A revelação cristã considera uma verdadeira graça poder identificar o próprio pecado, confessá-lo, dar-lhe um nome: “pequei, Senhor, misericórdia”(Sl 32,3-5 2; Sl 50). A voz da consciência se faz sempre ouvir, por mais que dela fujamos. Esta forma de entender a consciência, como instância garantidora da segurança no caminho da realização da pessoa e da comunidade humana, permite-nos pensar a moral como codificação dos valores e das normas que na cultura expressam a voz da consciência e como garantia da dignidade do ser humano. As novas gerações recebem da cultura, dentro da qual crescem, esses valores e essas normas. A família é a primeira nesse processo, logo depois vem a escola e outras instituições sociais. A religião tem nesse processo papel fundamental bem como as Igrejas com seus ritos, sua catequese e sua proposta de felicidade. O Estado deve zelar para que a educação seja integral e não apenas uma forma de preparar para o mercado. Esse é o horizonte mais amplo dentro do qual devemos interpretar a atual crise que assola a sociedade. Está na ordem do dia o tema da impunidade. Ele volta sempre que um crime especialmente repugnante interrompe a rotina já aceita de crimes menores e menos violentos - será o aborto um crime menor e menos violento? - e outras desordens morais, algumas estimuladas pela atual cultura. Toda ação má deve ser punida. E todo desvio de conduta precisa ser desaprovado e toda conduta correta estimulada. Isso começa em casa, na primeira infância. E continua pela vida afora. O amor deve presidir esse processo para não transformar a obra educativa em mera repressão, geradora de angústia e culpabilidade mórbida. Quando uma sociedade perde a noção do correto e do moralmente incorreto, está aberto o caminho de sua própria decadência. Não será isso o que está acontecendo hoje onde se prega que tudo é permitido desde que se evitem as conseqüências negativas das próprias escolhas? Não se pode isolar um aspecto da vida moral dos outros aspectos. A impunidade dos chamados crimes de “colarinho branco” enseja os latrocínios. Os vícios da bebida e as infidelidades conjugais desintegram a vida familiar e geram pessoas revoltadas. A prática do sexo, desvinculada de critérios morais, fora de sua finalidade e da aliança de amor, enfraquece o gosto pela virtude e pelo sacrifício, necessários à construção da justiça. Vivemos uma atmosfera cultural onde a busca da própria satisfação imediata - confundida com direito de ser feliz - se tornou o critério maior das decisões humanas. É o corpo inteiro que está doente. À ausência da devida punição por parte da sociedade deve se acrescentar a erosão do senso ético nos indivíduos produzida por um progressivo relaxamento - amparado pela cultura do “carpe diem” - dos costumes em escala global. Os bispos do Brasil ligam a violência ao processo mais amplo de banalização da vida: “O empenho em resolver problemas práticos e técnicos e a rejeição a qualquer questionamento a respeito do significado último e do destino de tudo, produz uma maneira banal de considerar a existência. A vasta operação de banalização leva muitos a viverem sem ideal e sem fim transcendente. Impossível não reconhecer uma conexão entre essa cultura da banalidade e o crescimento vertiginoso da violência urbana, especialmente na última década”(CNBB, doc. 80 )

Fonte: http://www.cnbb.org.br/ns/modules/articles/article.php?id=543
Leia Mais…

Aborto do Dia

A grande maioria das fotos tem uma moeda, comparem o tamanho das imagens...

Fonte: Sítio do Colégio S. Francisco
Leia Mais…

O Tempo da Quaresma (parte XI)

8. A Virgem Maria na Quaresma. No plano salvífico de Deus (ver Lc 2,34-35) estão associados Cristo crucificado e a Virgem dolorosa. Como Cristo é o “homem de dores” (Is 53,3), por meio do qual se agradou Deus em “reconciliar consigo todos os seres: os do céu e os da terra, fazendo a paz pelo sangue de sua cruz” (Col 1,20), assim Maria é a “mulher da dor”, que Deus quis associar a seu Filho, como mãe e partícipe de sua Paixão. Dos dias da infância de Cristo, toda a vida da Virgem, participando do rechaço de que era objeto seu Filho, transcorreu sob o sinal da espada (ver Lc 2,35).

Por isso a Quaresma é também tempo oportuno para crescer em nosso amor filial Àquela que ao pé da Cruz entregou a seu Filho, e se entregou Ela mesma com Ele, por nossa salvação. Este amor filial podemos expressar durante a Quaresma impulsionando certas devoções marianas próprias deste tempo: “As sete dores de Santa Maria Virgem”; a devoção a “Nossa Senhora, a Virgem das Dores” (cuja memória litúrgico se pode celebrar na sexta-feira da V semana de Quaresma; e a reza do Santo Rosário, especialmente os mistérios de dor.

Também podemos impulsionar o culto da Virgem Maria através de Missas da Bem-aventurada Virgem Maria, cujos formulários de Quaresma podem ser usados no sábado.

(continua)
Leia Mais…

sexta-feira, 13 de março de 2009

Mais uma de aborto

As imagens são chocantes, cada vez que posto aumenta a minha incompreensão de como ainda existem pessoas capazes de defender essa atrocidade que é o aborto.



Fonte: Sítio do Colégio S. Francisco
Leia Mais…

REAÇÕES À CARTA DO PAPA SOBRE OS LEFEBVRIANOS

Ao que parece a carta do papa aos bispos de todo mundo justificando a remissão das excomunhões do bispos da FSSPX rendeu bons frutos. Abaixo, os comentários de alguns prelados ao redor do mundo publicados pela Rádio Vaticana.

------------------------------------------------------------------

Cidade do Vaticano, 12 mar (RV) – Foi apresentada, esta manhã, na Sala de Imprensa da Santa Sé, a “Carta de Bento XVI aos Bispos da Igreja Católica, sobre a remissão da excomunhão dos quatro bispos consagrados pelo arcebispo Lefébvre”.

A Carta, dirigida aos Bispos da Igreja Católica, consiste num esclarecimento das intenções do papa e dos órgãos da Santa Sé, para “contribuir para a paz na Igreja”, após “uma discussão veemente” que há muito tempo não se verificava. A Carta foi iniciada em meados de fevereiro e concluída antes dos Exercícios Espirituais do Papa e da Cúria Romana.

No documento, Bento XVI reflete sobre as “desventuras ou erros”, que influenciaram negativamente no “caso Williamson” e o equívoco que, com a remissão da excomunhão, pudesse alterar o caminho da reconciliação entre cristãos e judeus, a partir do Concílio. O Santo Padre reconhece uma informação insuficiente e agradece os “amigos judeus”, que ajudaram a superar o mal-entendido e a restabelecer a atmosfera de confiança.

Após a apresentação da Carta do Papa, o Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Padre Federico Lombardi, fez um longo comentário sobre este difícil esforço de reconciliação.

O documento, diz Padre Lombardi, é inusual e digno da máxima atenção. Até agora, Bento XVI jamais havia se pronunciado de forma tão pessoal e intensa sobre um assunto semelhante em seu pontificado. Ele viveu o acontecimento da remissão da excomunhão e suas respectivas reações com evidente participação e sofrimento.

Com lucidez e humildade, o pontífice reconhece as limitações e erros, que influenciaram negativamente no caso, manifestando a sua solidariedade com seus colaboradores.

Bento XVI quer, com a sua Carta, esclarecer a natureza, o significado e as intenções sobre a remissão da excomunhão. Ele explica que a excomunhão era apenas uma punição às pessoas que colocavam a risco a unidade da Igreja, sem reconhecer a autoridade do papa.

Diante das questões levantadas por muitos: “Era realmente necessário adotar a medida de remissão da excomunhão? Não há questões mais importantes e urgentes na Igreja?”

A resposta a estas perguntas ocupa mais da metade de toda a Carta do Papa, explica o Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé.

De modo sintético, Bento XVI recorda as grandes prioridades do seu pontificado, bem conhecidas desde o início: levar os homens a Deus; unidade dos cristãos; diálogo entre os crentes em Deus a serviço da paz; testemunho da caridade na dimensão social da vida cristã.

O Santo Padre convida, depois, seus interlocutores a uma profunda reflexão pessoal e eclesial, com base no critério da “reconciliação com o irmão”.

Enfim, o papa conclui seu documento com um convite ao amor, como prioridade absoluta do cristão, e com um auspício profundo de paz na comunidade eclesial. Logo, ele nos encaminha, com decisão e coragem, ao Evangelho, como critério fundamental e último, não apenas da vida cristã e eclesial, mas também do seu governo da Igreja.

Somente por meio de uma conversão ao Evangelho, conclui Padre Lombardi, podemos esperar uma superação das divisões, como também a compreensão da profunda convergência da Tradição e do Concílio. Desta forma, podemos compreender que o nosso papa, expondo-se em primeira pessoa também em situações de crise, nos guia a reencontrar o ponto essencial, mais profundo e radical, do qual retomar nosso caminho. (MT)
Leia Mais…