sábado, 28 de fevereiro de 2009

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE O PAPA BENTO XVI PARA A QUARESMA DE 2009

"Jejuou durante quarenta dias e quarenta noites e,
por fim, teve fome"
(Mt
4, 1-2)

Queridos irmãos e irmãs!

No início da Quaresma, que constitui um caminho de treino espiritual mais intenso, a Liturgia propõe-nos três práticas penitenciais muito queridas à tradição bíblica e cristã – a oração, a esmola, o jejum – a fim de nos predispormos para celebrar melhor a Páscoa e deste modo fazer experiência do poder de Deus que, como ouviremos na Vigília pascal, «derrota o mal, lava as culpas, restitui a inocência aos pecadores, a alegria aos aflitos. Dissipa o ódio, domina a insensibilidade dos poderosos, promove a concórdia e a paz» (Hino pascal). Na habitual Mensagem quaresmal, gostaria de reflectir este ano em particular sobre o valor e o sentido do jejum. De facto a Quaresma traz à mente os quarenta dias de jejum vividos pelo Senhor no deserto antes de empreender a sua missão pública. Lemos no Evangelho: «O Espírito conduziu Jesus ao deserto a fim de ser tentado pelo demónio. Jejuou durante quarenta dias e quarenta noites e, por fim, teve fome» (Mt 4, 1-2). Como Moisés antes de receber as Tábuas da Lei (cf. Êx 34, 28), como Elias antes de encontrar o Senhor no monte Oreb (cf. 1 Rs 19, 8), assim Jesus rezando e jejuando se preparou para a sua missão, cujo início foi um duro confronto com o tentador.

Podemos perguntar que valor e que sentido tem para nós, cristãos, privar-nos de algo que seria em si bom e útil para o nosso sustento. As Sagradas Escrituras e toda a tradição cristã ensinam que o jejum é de grande ajuda para evitar o pecado e tudo o que a ele induz. Por isto, na história da salvação é frequente o convite a jejuar. Já nas primeiras páginas da Sagrada Escritura o Senhor comanda que o homem se abstenha de comer o fruto proibido: «Podes comer o fruto de todas as árvores do jardim; mas não comas o da árvore da ciência do bem e do mal, porque, no dia em que o comeres, certamente morrerás» (Gn 2, 16-17). Comentando a ordem divina, São Basílio observa que «o jejum foi ordenado no Paraíso», e «o primeiro mandamento neste sentido foi dado a Adão». Portanto, ele conclui: «O “não comas” e, portanto, a lei do jejum e da abstinência» (cf. Sermo de jejunio: PG 31, 163, 98). Dado que todos estamos estorpecidos pelo pecado e pelas suas consequências, o jejum é-nos oferecido como um meio para restabelecer a amizade com o Senhor. Assim fez Esdras antes da viagem de regresso do exílio à Terra Prometida, convidando o povo reunido a jejuar «para nos humilhar – diz – diante do nosso Deus» (8, 21). O Omnipotente ouviu a sua prece e garantiu os seus favores e a sua protecção. O mesmo fizeram os habitantes de Ninive que, sensíveis ao apelo de Jonas ao arrependimento, proclamaram, como testemunho da sua sinceridade, um jejum dizendo: «Quem sabe se Deus não Se arrependerá, e acalmará o ardor da Sua ira, de modo que não pereçamos?» (3, 9). Também então Deus viu as suas obras e os poupou.

No Novo Testamento, Jesus ressalta a razão profunda do jejum, condenando a atitude dos fariseus, os quais observaram escrupulosamente as prescrições impostas pela lei, mas o seu coração estava distante de Deus. O verdadeiro jejum, repete também noutras partes o Mestre divino, é antes cumprir a vontade do Pai celeste, o qual «vê no oculto, recompensar-te-á» (Mt 6, 18). Ele próprio dá o exemplo respondendo a satanás, no final dos 40 dias transcorridos no deserto, que «nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus» (Mt 4, 4). O verdadeiro jejum finaliza-se portanto a comer o «verdadeiro alimento», que é fazer a vontade do Pai (cf. Jo 4, 34). Portanto, se Adão desobedeceu ao mandamento do Senhor «de não comer o fruto da árvore da ciência do bem e do mal», com o jejum o crente deseja submeter-se humildemente a Deus, confiando na sua bondade e misericórdia.

Encontramos a prática do jejum muito presente na primeira comunidade cristã (cf. Act 13, 3; 14, 22; 27, 21; 2 Cor 6, 5). Também os Padres da Igreja falam da força do jejum, capaz de impedir o pecado, de reprimir os desejos do «velho Adão», e de abrir no coração do crente o caminho para Deus. O jejum é também uma prática frequente e recomendada pelos santos de todas as épocas. Escreve São Pedro Crisólogo: «O jejum é a alma da oração e a misericórdia é a vida do jejum, portanto quem reza jejue. Quem jejua tenha misericórdia. Quem, ao pedir, deseja ser atendido, atenda quem a ele se dirige. Quem quer encontrar aberto em seu benefício o coração de Deus não feche o seu a quem o suplica» (Sermo 43; PL 52, 320.332).

Nos nossos dias, a prática do jejum parece ter perdido um pouco do seu valor espiritual e ter adquirido antes, numa cultura marcada pela busca da satisfação material, o valor de uma medida terapêutica para a cura do próprio corpo. Jejuar sem dúvida é bom para o bem-estar, mas para os crentes é em primeiro lugar uma «terapia» para curar tudo o que os impede de se conformarem com a vontade de Deus. Na Constituição apostólica Paenitemini de 1966, o Servo de Deus Paulo VI reconhecia a necessidade de colocar o jejum no contexto da chamada de cada cristão a «não viver mais para si mesmo, mas para aquele que o amou e se entregou a si por ele, e... também a viver pelos irmãos» (Cf. Cap. I). A Quaresma poderia ser uma ocasião oportuna para retomar as normas contidas na citada Constituição apostólica, valorizando o significado autêntico e perene desta antiga prática penitencial, que pode ajudar-nos a mortificar o nosso egoísmo e a abrir o coração ao amor de Deus e do próximo, primeiro e máximo mandamento da nova Lei e compêndio de todo o Evangelho (cf. Mt 22, 34-40).

A prática fiel do jejum contribui ainda para conferir unidade à pessoa, corpo e alma, ajudando-a a evitar o pecado e a crescer na intimidade com o Senhor. Santo Agostinho, que conhecia bem as próprias inclinações negativas e as definia «nó complicado e emaranhado» (Confissões, II, 10.18), no seu tratado A utilidade do jejum, escrevia: «Certamente é um suplício que me inflijo, mas para que Ele me perdoe; castigo-me por mim mesmo para que Ele me ajude, para aprazer aos seus olhos, para alcançar o agrado da sua doçura» (Sermo 400, 3, 3: PL 40, 708). Privar-se do sustento material que alimenta o corpo facilita uma ulterior disposição para ouvir Cristo e para se alimentar da sua palavra de salvação. Com o jejum e com a oração permitimos que Ele venha saciar a fome mais profunda que vivemos no nosso íntimo: a fome e a sede de Deus.

Ao mesmo tempo, o jejum ajuda-nos a tomar consciência da situação na qual vivem tantos irmãos nossos. Na sua Primeira Carta São João admoesta: «Aquele que tiver bens deste mundo e vir o seu irmão sofrer necessidade, mas lhe fechar o seu coração, como estará nele o amor de Deus?» (3, 17). Jejuar voluntariamente ajuda-nos a cultivar o estilo do Bom Samaritano, que se inclina e socorre o irmão que sofre (cf. Enc. Deus caritas est, 15). Escolhendo livremente privar-nos de algo para ajudar os outros, mostramos concretamente que o próximo em dificuldade não nos é indiferente. Precisamente para manter viva esta atitude de acolhimento e de atenção para com os irmãos, encorajo as paróquias e todas as outras comunidades a intensificar na Quaresma a prática do jejum pessoal e comunitário, cultivando de igual modo a escuta da Palavra de Deus, a oração e a esmola. Foi este, desde o início o estilo da comunidade cristã, na qual eram feitas colectas especiais (cf. 2 Cor 8-9; Rm 15, 25-27), e os irmãos eram convidados a dar aos pobres quanto, graças ao jejum, tinham poupado (cf. Didascalia Ap., V, 20, 18). Também hoje esta prática deve ser redescoberta e encorajada, sobretudo durante o tempo litúrgico quaresmal.

De quanto disse sobressai com grande clareza que o jejum representa uma prática ascética importante, uma arma espiritual para lutar contra qualquer eventual apego desordenado a nós mesmos. Privar-se voluntariamente do prazer dos alimentos e de outros bens materiais, ajuda o discípulo de Cristo a controlar os apetites da natureza fragilizada pela culpa da origem, cujos efeitos negativos atingem toda a personalidade humana. Exorta oportunamente um antigo hino litúrgico quaresmal: «Utamur ergo parcius, / verbis, cibis et potibus, / somno, iocis et arcitius / perstemus in custodia – Usemos de modo mais sóbrio palavras, alimentos, bebidas, sono e jogos, e permaneçamos mais atentamente vigilantes».

Queridos irmãos e irmãos, considerando bem, o jejum tem como sua finalidade última ajudar cada um de nós, como escrevia o Servo de Deus Papa João Paulo II, a fazer dom total de si a Deus (cf. Enc. Veritatis splendor, 21). A Quaresma seja portanto valorizada em cada família e em cada comunidade cristã para afastar tudo o que distrai o espírito e para intensificar o que alimenta a alma abrindo-a ao amor de Deus e do próximo. Penso em particular num maior compromisso na oração, na lectio divina, no recurso ao Sacramento da Reconciliação e na participação activa na Eucaristia, sobretudo na Santa Missa dominical. Com esta disposição interior entremos no clima penitencial da Quaresma. Acompanhe-nos a Bem-Aventurada Virgem Maria, Causa nostrae laetitiae, e ampare-nos no esforço de libertar o nosso coração da escravidão do pecado para o tornar cada vez mais «tabernáculo vivo de Deus». Com estes votos, ao garantir a minha oração para que cada crente e comunidade eclesial percorra um proveitoso itinerário quaresmal, concedo de coração a todos a Bênção Apostólica.

Vaticano, 11 de Dezembro de 2008.

BENEDICTUS PP. XVI


Fonte: vatican.va

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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Missa da Quarta-feira de Cinzas: "Misericórdia, ó Senhor, misericórdia" (Sl 50)


"Em nome de Cristo vos rogamos: reconciliai-vos com Deus!" (2Cor 5,20)

Na celebração da Quarta-feira de Cinzas (25/02/2009) percebi alguns aspectos que para muitos passaram despercebidos talvez simplesmente desconhecerem (a exceção seriam aqueles que se interessam por Liturgia e pelo significado dos gestos e ritos da Santa Missa). Mais uma vez, a missa me comove e me impressiona, pois, através da participação ativa (tão desejada pelo Concílio Vaticano II) a alma é imbuída dos sentimentos e desejos propícios aquilo que a Igreja celebra, em outras palavras, se participamos verdadeiramente compreendemos e vivenciamos de forma plena (tanto durante como após a Missa) aquilo que se está celebrando.

Pois bem, neste pequeno texto tentarei transmitir o que aconteceu comigo naquela celebração.


"Concedei-nos, ó Deus todo-poderoso, iniciar com este dia de jejum o tempo da Quaresma, para que a penitência nos fortaleça no combate contra o espírito do mal. Por Nosso Senhor Jesus Cristo."

De forma alguma eu me recordava de que a Missa da Quarta-feira de Cinzas não possui Ato Penitencial e que as cinzas eram distribuídas no lugar da Profissão de Fé (acredito que isso se deve ao fato de eu estar afastado da organização das cerimônias há quase 3 anos) mas, logo, que a missa começou o padre avisou que isso ocorreria e após a saudação rezou a oração da coleta. Surgiu em mim inquietação, dúvida... por que essa mudança? por que as cinzas no lugar desses dois momentos?

É certo que estou em processo de conversão e amadurecimento da minha fé devido a estar praticando os Exercícios Espirituais de Santo Inácio, desse modo a dinâmica da percepção do pecado, do arrependimento e da vontade de reformar a vida já se encontram presentes em mim. A Liturgia da Palavra me levou a retomar essa reflexão da minha própria vida, ou melhor, colaborou e fomentou ainda mais a vontade de ser melhor dando até mesmo pistas do que fazer (em Mt 6,1-6.16-18). Confesso que alguns textos que li dias antes da missa me ajudaram a refletir durante a mesma. Percebe-se então, a importância da preparação para a vivência dos tempos litúrgicos e mesmo para a participação nas missas. Esses textos serão postados no blog no decorrer deste fim de semana.


"Agora é o tempo favorável, agora é o dia da salvação." (2Cor 6,2)

Então, recebi as cinzas na testa com o coração contrito e confiante de que Deus queria me perdoar dos meus pecados mas ainda que eram necessários uma confissão e uma ação concreta para corrigir todo o mal que causei a mim e a outrem. Apenas ao retornar ao meu lugar, percebi o que havia acontecido. Fiz o Ato Penitencial e a Profissão de Fé ao mesmo tempo!!! Que maravilha, que esplêndido, que Beleza!

Nesse momento, entendi o significado profundo das cinzas. Elas são o sinal do nosso Batismo, do nosso arrependimento, são o sinal visível de um selo "espiritual indelével de nossa pertença a Deus", afinal, quando elas nos são impostas é traçado o sinal da cruz e dito: "Lembra-te que do viestes e ao , hás de retornar" ou ainda "Convertei-vos e credes no Evangelho".

"Senhor, que não desejais a morte do pecador, mas que se converta, olhai benigno para a fragilidade da natureza humana e dignai-Vos abençoar estas cinzas que vão ser colocadas sobre as nossas cabeças em sinal de humildade e esperança de perdão, para que reconhecendo que somos cinza e que em castigo da nossa maldade nos havemos de tornar em pó, mereçamos alcançar o perdão dos nossos pecados e o prêmio que prometestes aos que fazem penitência.Por Nosso Senhor Jesus Cristo."



PS: Todas as citações em itálico foram extraídas dos textos da Missa de Cinzas.
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Campanha da Fraternidade 2009

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MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI AO PRESIDENTE DA CNBB POR OCASIÃO DA CF-2009

Ao Venerável Irmão no Episcopado
D. Geraldo Lyrio Rocha
Presidente da CNBB
Arcebispo de Mariana (MG)

Ao iniciar o itinerário espiritual da Quaresma, a caminho da Páscoa da ressurreição do Senhor, desejo uma vez mais aderir à Campanha da Fraternidade que, neste ano de 2009, está destinada a considerar o lema "A paz é fruto da justiça". É um tempo de conversão e de reconciliação de todos os cristãos, para que as mais nobres aspirações do coração humano possam ser satisfeitas, e prevaleça a verdadeira paz entre os povos e as comunidades.

Meu Venerável predecessor, o Papa João Paulo II, no Dia Mundial da Paz de 2002, ao ressaltar precisamente que a verdadeira paz é fruto da justiça, fazia notar que "a justiça humana é sempre frágil e imperfeita" devendo ser "exercida e de certa maneira completada com o perdão que cura as feridas e restabelece em profundidade as relações humanas transtornadas" (n. 3).

O Documento final de Aparecida, ao tratar do Reino de Deus e a promoção da dignidade humana, recordava os sinais evidentes da presença do Reino na vivência pessoal e comunitária das Bem-aventuranças, na evangelização dos pobres, no conhecimento e cumprimento da vontade do Pai, no martírio por causa da fé, no acesso de todos os bens da criação, e no perdão mútuo, sincero e fraterno, aceitando e respeitando a riqueza da pluralidade, e a luta para não sucumbir à tentação e não ser escravos do mal (n. 8.1).

A Quaresma nos convida a lutar sem esmorecimento para fazer o bem, precisamente por sabermos como é difícil que nós, os homens, nos decidamos seriamente a praticar a justiça — e ainda falta muito para que a convivência se inspire na paz e no amor, e não no ódio ou na indiferença. Não ignoramos também que, embora se consiga atingir uma razoável distribuição dos bens e uma harmoniosa organização da sociedade, jamais desaparecerá a dor da doença, da incompreensão ou da solidão, da morte das pessoas que amamos, da experiência das nossas limitações.

Nosso Senhor abomina as injustiças e condena quem as comete. Mas respeita a liberdade de cada indivíduo e por isso permite que elas existam, pois fazem parte da condição humana, após o pecado original. Contudo, seu coração cheio de amor pelos homens levou-o a carregar, juntamente com a cruz, todos esses tormentos: o nosso sofrimento, a nossa tristeza, a nossa fome e sede de justiça. Vamos pedir-lhe que saibamos testemunhar os sentimentos de paz e de reconciliação que O inspiraram no Sermão da Montanha, para alcançar a eterna Bem-aventurança.

Com estes auspícios, invoco a proteção do Altíssimo, para que sua mão benfazeja se estenda por todo o Brasil, e que a vida nova em Cristo alcance a todos em sua dimensão pessoal, familiar, social e cultural, derramando os dons da paz e da prosperidade, despertando em cada coração sentimentos de fraternidade e de viva cooperação. Com uma especial Bênção Apostólica.

Vaticano, 25 de Fevereiro de 2009

BENEDICTUS PP. XVI


Fonte: vatican.va

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domingo, 22 de fevereiro de 2009

Sermão da Primeira Dominga do Advento - 1650

No período do Advento e Natal li e postei aqui um dos sermões do P. Antônio Vieira, SJ.

Coloquei disponível para download um arquivo em formato pdf desse mesmo sermão.

Clique aqui para baixar.

Quem quiser conferir a versão digital pode clicar em uma das partes abaixo:

1 - Parte I
2 - Parte II (a)
3-Parte II (b)
4 - Parte III
5 - Parte IV
6 - Parte V
7 - Parte VI
8 - Parte VII
9 - Parte VIII
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sábado, 7 de fevereiro de 2009

Hinário Litúrgico da CNBB

Estive nas Livrarias Paulinas semana passada para comprar um presente pra uma amiga e na prateleira de CDs vi que finalmente havia sido lançado o álbum do Hinário Litúrgico da CNBB correspondente à parte fixa da Missa. Obviamente, não me contentei com a capa e pedi para ouvi-lo...

Qual não foi a minha surpresa quando lendo o encarte e acompanhando o áudio percebi que todas as músicas eram verdadeiramente litúrgicas e retratavam fielmente a parte da missa à qual o CD se propusera.

Devo confessar que fui tomado por uma alegria intensa... nesse momento entendi que realmente nosso país ainda tem solução... Então, pessoal, todo mundo incentivando as equipes de Liturgia a comprar o CD e a usar as canções nas missas da forma ordinária do Rito Romano! Vamos lá!!!

Partituras: http://www.cnbb.org.br/ns/modules/mastop_publish/?tac=778
Músicas: Livraria Paulus
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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

AO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA

por Camillo Castello Branco


Senhora! O vosso altar já foi sacrário
De riquezas do céu, que o céu vos dava
Em prol de Portugal.
Em cada português tínheis um filho,
De todos éreis Mãe, refúgio a todos,
Nas angústias do mal.

Em vosso coração imaculado
As lágrimas da dor tinham asilo,
Ó! Rainha dos Céus!
As lágrimas com vosso patrocínio
Erguiam-se da terra, qual perfume,
Ao trono do meu Deus!

Em transes d’aflição, nos grandes riscos,
No afogo das pelejas duvidosas,
Vosso nome se ouvia:
As ramas orgulhosas, destemidas,
Afrouxavam nas mãos dos inimigos,
Ao nome de Maria!

Lá nas iras do mar, quando o sepulcro,
Ao convulso baixel a tempestade
Nos recifes abria;
Azulavam-se o céus, fugia a nuvem,
Voava a viração, vinha a bonança
Ao nome de Maria!

Quando em leito de pálida doença
Febril enfermo abandonado e triste,
Sem esp’ranças jazia;
De novo o coração lhe palpitava,
Erguia-se robusto, as mãos erguendo
Ao nome de Maria!

Donzela que a chorar passara noites,
De saudades, por quem tamanho afeto
Lhe não agradecia;
Lá vinha a ser feliz com quem amara,
Pois dera o seu futuro em segurança
Ao nome de Maria!

E a carinhosa mãe, que o filho amado
De seus amigos braços para a guerra
Chorando, despedia;
Joelhava-se depois, ante o oratório,
E a vida de seu filho confiava
Ao nome de Maria!

E seu filho, mais tarde, em vivas ânsias.
À porta do seu lar, com mão tremente,
Receoso, batia.
Nos braços maternais contava, ufano,
Triunfos, que tivera sobre a morte
Ao nome de Maria!

O nome de Maria hoje invocamos,
Nós, filhos desses homens d’outras eras,
Que morreram na fé!
Senhora! Protegei nossos trabalhos!
Sem proteção do Céu o esforço humano
Baldado esforço é!

No coração dos vossos portugueses
Despertai o temor, tão vivo um dia,
No porvir immortal.
De vosso resplendor a luz das crenças,
Descei sobre este solo, escuro e pobre;
— Salvareis Portugal!

Fonte: http://permanencia.org.br/revista/arte/poemas/camillo.htm
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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

BENTO 16, WILLIAMSON ETC - sobre o comentário do Jabor

fonte: http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/

BENTO 16, WILLIAMSON ETC

Leitores me pedem que aborde a reportagem veiculada na noite de ontem pelo Jornal da Globo sobre o que pode ser entendido como uma correção de rumo da decisão tomada pelo papa Bento 16 de reabilitar membros da Sociedade São Pio X. Também cobram que analise o comentário de Arnaldo Jabor sobre o assunto. Infelizmente, não assisti ontem ao jornal, o que procuro fazer todos os dias. Recorri à Internet. Abaixo, reproduzo o texto da reportagem (em azul). Volto em seguida — também com considerações sobre a opinião de Jabor.

A secretaria de estado do Vaticano divulgou uma nota exigindo a retratação pública do bispo ultratradicionalista Richard Williamson que afirmou a uma TV sueca que o Holocausto não aconteceu.
O Vaticano agora quer que o bispo retire o que disse, sob pena de continuar excomungado. Ontem, a chanceler alemã, Angela Merkel, pediu ao Papa explicações mais claras.
Promotores investigam se a entrevista foi feita em um seminário católico da Alemanha, onde a negação do Holocausto nazista é crime punido com cinco anos de prisão. Williamson, que vive em Buenos Aires, chegou a pedir desculpas ao Papa na semana passada pelo que chamou de transtornos. Mas, até agora, não se retratou.
Na nota, o Vaticano também afirma que o Papa não sabia da entrevista do bispo quando revogou a sua excomunhão.
Williamson foi expulso da igreja em 1988 pelo Papa João Paulo 2º. Ele pertence ao movimento tradicionalista criado pelo cardeal francês Marcel Lefebvre, que não aceita a modernização trazida pelo Concílio Vaticano 2º.
Outra condição de Bento 16 para aceitar Williamson de volta à igreja é o seu pleno reconhecimento do Concílio Vaticano 2º e do magistério dos papas que reinaram a partir dele.

Comento
O processo de excomunhão de Marcel Lefebvre e seus seguidores é coisa bastante longa e complicada, cheia de nuances. Se vocês quiserem, podem ter acesso à versão da própria Fraternidade São Pio X, que, naturalmente, conta uma história que afirma verdadeira e que lhe é favorável. Então há problema. Mesmo depois da readmissão da Fraternidade e de seus seguidores ao seio da Igreja, pode-se ler lá o que segue em vermelho:
Em 1986 têm lugar os gravíssimos acontecimentos de Assis, quando o Papa João Paulo II convoca, em plano de igualdade, todas as "religiões" do mundo, para que, juntas, rezem "pela paz". Este ato, perfeita manifestação do indiferentismo religioso que anima o ecumenismo e o irenismo modernistas, convence Mons. Lefebvre que as autoridades romanas não só não retrocedem no caminho empreendido no Concílio, mas que até, cada vez mais, o aprofundam. Tem já mais de oitenta anos, e compreende que não existe outra forma de assegurar a continuidade de uma obra sacerdotal integralmente católica, como é a Fraternidade São Pio X, senão consagrando bispos. E em 19 de Abril de 1987 anuncia que o fará, inclusivamente sem autorização do Papa.
Estes bispos não receberão qualquer jurisdição, pois o próprio Mons. Lefebvre carece dela. Limitar-se-ão a administrar os sacramentos da Confirmação e da Ordem Sacerdotal, para o bem das almas fiéis à Tradição Católica, que de outra forma se veriam desamparadas e entregues, inermes, aos erros doutrinais que se difundem livremente pela Igreja.

As palavras acima não pedem interpretação e valem pelo que dizem com clareza insofismável: insubordinação — ainda que se encontre, na introdução de tal texto, o que segue: "(...)a Fraternidade São Pio X é uma instituição católica, apostólica e romana, que está a serviço da Igreja Católica, cuja cabeça é o Papa Bento XVI." Sim, a cabeça da Igreja é Bento 16, como era João Paulo 2º, como eram os que o antecederam. E aqui se sobressai o que considero uma decisão decepcionante do papa, que custa em polêmica o que não custa em entendimento e clareza: a readmissão dos afastados se fez sem que o processo de subordinação da Fraternidade à hierarquia tenha se evidenciado de modo inequívoco.

Não é sem pesar que escrevo isso. Reconheço que a Fraternidade é composta por homens de fé, de convicção, que certamente querem o melhor para a Igreja. Mas não são os únicos. Os grupos se contam às centenas. Contribui para destruir a Igreja quem atinge a sua hierarquia. Como qualquer entidade formada por seres humanos, também ela tem suas disputas e dissensões. Não há boa causa que passe pela indisciplina e pelo desrespeito à autoridade do Sumo Pontífice. Readmitida a Fraternidade, aquelas palavras deveriam ter sido banidas de seu site. E não foram. Tio Rei, como vêem, é papista...

Williamson
Richard Williamson é um capítulo à parte num processo de readmissão um tanto desastrado. Que bem este senhor pode fazer à Igreja e aos homens? Embora possa achar lamentável, creio plausível a afirmação do Vaticano de que o papa ignorava a entrevista. Não, não é para limpar a barra de Sua Santidade, não, que escrevo isso — até porque seria irrelevante. A declaração do tal bispo é, em si, tão absurda e tem tal potencial de desgaste para a Igreja, que, parece-me, o Vaticano teria evitado a bobagem de anunciar a suspensão de sua excomunhão. Uma Igreja assim tão mal-informada é certamente um problema.

Se o Williamson se desculpar de maneira convincente, Bento 16 não tem alternativa a não ser pôr fim à excomunhão, conforme o anunciado. Informa a Reuters: "Chartlotte Knobloch, presidente do Conselho dos Judeus, disse que a decisão do Vaticano foi um sinal positivo (...) 'É o primeiro passo que pode levar à retomada do diálogo com a Igreja Católica', disse Knobloch em nota com tom conciliador. Na semana passada, ela anunciara o rompimento das relações da instituição que dirige com a Igreja Católica."

Não é só Williamson que tem de ser mais claro. Entendo que também a Fraternidade São Pio X tem de ser mais contundente ao evidenciar a sua subordinação à hierarquia. Pessoalmente, preferiria um Bento 16 mais ocupado em conter os abusos ainda freqüentes da Escatologia da Libertação — com seus padres comuno-liberticidas — e mais dedicado em restaurar os valores simbólicos de uma Igreja no mais das vezes burocrática. Isso quando ela não é assaltada por padres-cantores, padres-ginastas, padres-galãs, cuja profundidade teólógica se mede em CDs e DVDs.

Agora Jabor
Jabor resolveu comentar o caso no Jornal da Globo (vídeo aqui). Bem, ele não entende nada de Igreja, de João Paulo 2º e de Bento 16, o que não quer dizer que não possa comentar. Pode, claro. Se fizer uma pesquisa, criativo como é, conseguirá dizer coisas inteligentes.

Segundo Jabor, "João Paulo 2º era para fora, levava a Igreja ao mundo", e "Bento 16 é para dentro, quer que o mundo caiba na Igreja". Afirma ainda que "o papa Bento é um desreformador, e, como todo conservador, quer que tudo esteja igualzinho, que não haja marolas nem discordâncias nem heresias..." E lista lá outros supostos erros papais. Comentar tudo seria por demais extenso, especialmente a parte em que ele acredita que o Islã pode dar pitaco na teologia católica (podemos opinar sobre os caminhos do Corão?). Fico no que é obviamente um erro, sem chance de haver controvérsia factual ou diferenças de julgamento.

O mentor de João Paulo 2º era o cardeal Josef Ratzinger — o futuro Bento 16. Ao estabelecer uma contradição entre ambos, Jabor transformou o papa anterior num reformador, e o atual, num "desreformador". Bobagem. A única grande diferença entre ambos, à parte o carisma pessoal, é que Bento é um teólogo, um intelectual de formação refinada, o que seu antecessor, reconhecidamente, não era.

Foi Ratzinger quem atuou, no comando da Congregação para a Doutrina da Fé, para silenciar os sectários midiáticos da Teologia da Libertação e, vejam só, para excomungar os membros da Fraternidade São Pio X. Coibiu, digamos assim, os sectarismos. Ri um tantinho quando Jabor afirmou, com evidente desaprovação, que o papa, na qualidade de um conservador, não gosta de "heresias". Espero que Deus nos poupe de um progressista que venha um dia a apoiar heresias, né? Seria certamente o fim da Igreja. A disciplina — e foi a falta dela que levou à punição de Lefebvre e seus seguidores — é necessária justamente para preservar a doutrina.

Falta a Igreja descobrir quem pode ser o Josef Ratzinger de Bento 16. Ele, com efeito, parece estar mais só do que João Paulo 2º.

PS: Não sei se torço para Williamson se retratar, e, assim, a estupidez tem ao menos um pequeno revés, ou se torço para ele ficar em silêncio, o que manteria a excomunhão... Na verdade, torço é para que ele fique longe da Igreja.


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"Desejar e escolher somente aquilo que mais nos conduz ao fim para o qual somos criados" (Santo Inácio de Loyola)

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Gabriel de Souza Leitão
Estudante de Engenharia da Computação
Universidade Federal do Amazonas (UFAM)
Brasil
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Gabriel de Souza Leitão
Computational Engineering Student
Federal University of Amazonas (UFAM)
Brazil
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