segunda-feira, 31 de março de 2008

Missão de Fim de Semana

Neste último fim de semana de março, o Grupo de Acompanhamento Vocacional Inaciano (GAVI - manaus) esteve em missão no interior do Amazonas, na comunidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro (zona rural do município de Manaquiri), a visita foi organizada e liderada pelo P. Adelson, sj.

Apesar do pouco tempo disponível (chegamos no início da tarde de sábado e retornamos à Manaus na tarde do Domingo) foi um momento de reflexão sobre a realidade das comunidades ribeirinhas, suas dificuldades e peculiaridades. Nesses dias pudemos constatar o descaso e abandono em que se encontram nossos irmãos na fé católica por conta do baixo número de vocações sacerdotais, nesse contexto, vimos um crescente aumento das seitas protestantes na região e a acentuada desarticulação das comunidades católicas ali existentes.

O itinerário do fim-de-semana consistiu em visitar algumas famílias, celebrar a Santa Missa e um breve encontro com a juventude local (que anseia por reanimar os jovens à participar das atividades da comunidade). Ficou como sugestão o posterior envio de mais jovens em missão para iniciar um trabalho pastoral efetivo nessa comunidade (organização de grupos, pastorais e formação cristã).

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"Todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus" (Rm 8,28)

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Da Justificação dos Santos - Santo Agostinho de Hipona (parte 5)

Capítulo XII - Não há justificação pelos méritos futuros

§23. Toda a argumentação, da qual nos servimos para defender que a graça de Deus por Jesus Cristo nosso Senhor é de fato graça, ou seja, não nos é concedida em vista de nossos merecimentos, embora se confirme claramente pelos testemunhos das divinas Escrituras, contudo apresenta dificuldades para aqueles situados na maioridade e em uso da razão. Estes, se não atribuem algo a si mesmos que ofereçam a Deus primeiramente para receber a retribuição, julgam ser limitados em todo o exercício da piedade. Mas quando se trata de crianças e do Mediador de Deus e dos homens, o homem Cristo Jesus (lTm 2,5), é improcedente toda afirmação sobre méritos prévios à graça de Deus. Pois as crianças não se distinguem umas das outras no tocante a méritos prévios para pertencerem ao Libertador dos homens, nem este se tornou libertador dos homens por algum merecimento humano, sendo ele também ser humano.

§24. Portanto, quem terá ouvidos para tolerar a afirmação segundo a qual as crianças deixam esta vida já batizadas na idade infantil em virtude de seus méritos futuros, e as crianças morrem na referida idade sem serem batizadas devido a seus deméritos futuros, quando não há lugar à recompensa ou à condenação por parte de Deus não havendo ainda uma vida de virtudes ou de pecados? (Carta a Próspero, n. 5, col. 951-952). O Apóstolo fixou um limite, o qual — expressando-me mais delicadamente — a temerária conjetura humana não pode ultrapassar. Ele diz: Todos nós teremos de comparecer manifestamente perante o tribunal de Cristo, a fim de que cada um receba a retribuição do que tiver feito durante a sua vida no corpo, seja para o bem, seja para o mal (2Cor 5,10). Ele diz: ter feito, e não acrescentou: “ou haveriam de fazer”. Mas ignoro como tais homens puderam pensar em méritos futuros por parte de crianças, méritos que não hão de existir, e que mereçam castigo ou recompensa. E por que está escrito que o homem será julgado por aquilo que praticar pelo corpo, se muitas vezes as ações são feitas só pela alma e não pelo corpo ou qualquer de seus membros, e freqüentemente são ações de tamanha importância que apenas em pensamento são dignas de um castigo muito justo, como é, para não mencionar outras, o que o insensato diz em seu coração: “Não há Deus”? (Sl 13,1). O que significa então do que tiver feito durante a sua vida no corpo, senão “do que tiver feito durante o tempo em que viveu no corpo”, de modo que “no corpo” queria dizer o tempo do corpo? Depois da morte do corpo, ninguém estará no corpo, a não ser pela última ressurreição, não mais para alcançar merecimentos, mas para receber a recompensa pelos merecimentos e penas expiatórias pelos deméritos. No intervalo entre a deposição e a recepção do corpo, as almas ou são atormentadas ou descansam, de acordo com o que fizeram durante a morada no corpo. A este tempo da permanência no corpo diz respeito também o que os pelagianos negam, mas a Igreja de Cristo confessa, ou seja, o pecado original. Remido pela graça de Deus este pecado ou não remido por um juízo de Deus, quando morrem as crianças, ou passam dos males para os bens pelo mérito da regeneração ou passam dos males desta vida para os males da outra pelo merecimento de origem. É o que ensina a fé católica e o que alguns hereges aceitam sem nenhuma oposição. Mas que alguém seja julgado não conforme os merecimentos adquiridos durante a vida no corpo, mas de acordo com os merecimentos que teria, se tivesse uma vida longa, tomado de admiração e espanto, não consigo descobrir onde se apóia esta opinião de pessoas que, como vossas cartas revelam, são dotadas de inteligência não comum. Não me atreveria a acreditar em tal opinião, se não considerasse ser maior ousadia não acreditar em vossa informação. Mas confio que o Senhor os assistirá para que, admoestados, percebam logo que os chamados futuros pecados, se pelo juízo de Deus podem ser punidos com relação aos não batizados, também podem ser perdoados pela graça de Deus com respeito aos batizados. Pois todo aquele que diz que pelo juízo de Deus somente podem ser punidos os pecados futuros, mas não podem ser perdoados pela misericórdia de Deus, devem considerar a grave ofensa que faz a Deus e à sua graça. Isto supõe que Deus pode ter presciência de um pecado futuro, mas não pode perdoa-lo. Se isto é absurdo, maior ainda será dizer que Deus deveria socorrer pelo batismo, que apaga os pecados, os pecadores futuros, que morrem na infância, se tivessem uma vida longa.

(continua)

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sexta-feira, 28 de março de 2008

Da Justificação dos Santos - Santo Agostinho de Hipona (parte 4)

Capítulo XI - A fé e a salvação são dons de Deus como o são a mortificação da carne e a vida eterna

§21. Se o Apóstolo diz: A herança vem da fé, para que seja gratuita e para que a promessa fique garantida, muito me admiro que os homens prefiram confiar na sua fraqueza a confiar na firmeza da promessa de Deus. Mas alguém dirá: “Não estou certo sobre a vontade de Deus a meu respeito”. O que dizer? Não estás certo nem sequer de tua vontade sobre ti mesmo e não temes o que está escrito: Aquele que julga estar em pé, tome cuidado para não cair (lCor 10,12). Se ambas as vontades são incertas, por que o homem não apóia sua fé, esperança e caridade no mais firme e não no mais fraco?

§22.Replicarão: “Mas quando se diz: Se creres, serás salvo (Rm 10,9), uma das duas coisas é exigência, a outra é oferecida. O que se exige, depende do homem, o que é oferecido, está no poder de Deus”. Por que não dizer que ambas estão no poder de Deus, o que se exige e o que se oferece? Pois pede-se que conceda o que manda. Os que têm fé rogam para que lhes aumente a fé, rogam pelos que não crêem, para que lhes seja concedida a fé. Portanto, tanto em seu crescimento como em seu princípio, a fé é dom de Deus. Está escrito: Se creres, serás salvo, do mesmo modo que se diz: Se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis. Nesta passagem, também uma das duas coisas é exigida e a outra é oferecida. Diz o texto: “Se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis”. Portanto, exige-se a mortificação das obras da carne e nos é oferecida a vida. Acaso parece bem dizer que mortificar as obras da carne não seja dom de Deus e que não confessemos ser dom de Deus porque sabemos ser uma exigência em troca da recompensa oferecida da vida eterna, se as fizermos? Não permita Deus que esta opinião agrade aos que participam da verdadeira doutrina da graça e a defendem. E este um erro condenável dos pelagianos, os quais o Apóstolo faz calar, quando diz: “Todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus (Rm 8,13-14),” o que evita acreditar que a mortificação de nossa carne não seja um dom de Deus, mas capacidade de nosso espírito. Ao mesmo Espírito de Deus se referia ao dizer: “Mas isso tudo é o único e mesmo Espírito que o realiza, distribuindo a cada um os seus dons, conforme lhe apraz (lCor 12,11).” No conteúdo desse “isso tudo”, mencionou também a fé, como sabeis. Portanto, assim como, embora seja de Deus, o mortificar as obras da carne é exigência para a consecução do prêmio da vida eterna prometida, assim também a fé, embora seja condição indispensável para alcançar a recompensa da salvação prometida, quando se diz: Se creres, serás salvo. Por conseguinte, ambas as coisas são preceitos e dons de Deus, para entendermos que as fazemos e Deus faz com que as façamos, como diz claramente pelo profeta Ezequiel. Pois nada mais claro do que a sentença: E farei com que as (minhas leis) pratiqueis (Ez 36,27). Prestai atenção a esta passagem da Escritura e percebereis que Deus promete fazer o que ele manda cumprir. E faz certamente aí menção dos méritos e não dos deméritos daqueles a quem revela retribuir bens por males, pois ele faz com que pratiquem depois boas obras, fazendo com que cumpram os seus mandamentos.


(continua)

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quarta-feira, 26 de março de 2008

AUDIÊNCIA GERAL - O Tríduo Pascal

PAPA BENTO XVI

AUDIÊNCIA GERAL

Sala Paulo VI
Quarta-feira, 19 de Março de 2008

Tríduo Pascal

O ódio, as divisões, as violências nunca têm a última palavra na história

Queridos irmãos e irmãs

Chegamos à vigília do Tríduo Pascal. Os próximos três dias são comummente chamados "santos" porque nos fazem reviver o acontecimento central da nossa Redenção; reconduzem-nos de facto ao núcleo essencial da fé cristã: a paixão, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo. São dias que poderíamos considerar como um único dia: eles constituem o coração e o fulcro de todo o ano litúrgico assim como da vida da Igreja. No final do itinerário quaresmal, preparamo-nos também nós para entrar no próprio clima que Jesus viveu então em Jerusalém. Queremos despertar em nós a profunda memória dos sofrimentos que o Senhor padeceu por nós e prepararmo-nos para celebrar com alegria, no próximo domingo, "a verdadeira Páscoa, que o Sangue de Cristo cobriu de glória, a Páscoa na qual a Igreja celebra a Festa que está na origem de todas as festas", como diz o Prefácio para o dia de Páscoa no rito ambrosiano.

Amanhã, Quinta-Feira Santa, a Igreja revive a Última Ceia, durante a qual o Senhor, na vigília da sua paixão e morte, instituiu o Sacramento da Eucaristia e o do Sacerdócio ministerial. Naquela mesma noite Jesus deixou-nos o mandamento novo, "mandatum novum", o mandamento do amor fraterno. Antes de entrar no Tríduo Sagrado, mas já em estreita ligação com ele, terá lugar em cada Comunidade diocesana, amanhã de manhã, a Missa Crismal, durante a qual o Bispo e os sacerdotes do presbitério diocesano renovam as promessas da Ordenação. São também abençoados os óleos para a celebração dos Sacramentos: o óleo dos catecúmenos, o óleo dos enfermos e o sagrado crisma. É um momento muito importante para a vida de cada comunidade diocesana que, reunida em volta do seu Pastor, fortalece a própria unidade e a sua fidelidade a Cristo, único Sumo e Eterno Sacerdote. À noite, na Missa em Cena Domini revive-se a Última Ceia, quando Cristo se deu a todos nós como alimento de salvação, como remédio de imortalidade: é o mistério da Eucaristia, fonte e ápice da vida cristã. Neste Sacramento de salvação o Senhor ofereceu e realizou para todos os que crêem n'Ele a mais íntima união possível entre a nossa e a sua vida. Com o gesto humilde e expressivo como nunca do lava-pés, somos convidados a recordar quanto o Senhor fez aos seus Apóstolos: lavando os seus pés proclamou de modo concreto a primazia do amor, amor que se faz serviço até à doação de si mesmos, antecipando assim também o sacrifício supremo da sua vida que se consumará no dia seguinte no Calvário. Segundo uma bonita tradição, os fiéis encerram a Quinta-Feira Santa com uma vigília de oração e de adoração eucarística para reviver mais intimamente a agonia de Jesus no Getsémani.

A Sexta-Feira Santa é o dia em que revivemos a paixão, crucifixão e morte de Jesus. Neste dia a liturgia da Igreja não prevê a celebração da Santa Missa, mas a assembleia cristã reúne-se para meditar o grande mistério do mal e do pecado que oprimem a humanidade, para repercorrer, à luz da Palavra de Deus e ajudada por comovedores gestos litúrgicos, os padecimentos do Senhor em expiação deste mal. Depois de ter ouvido a narração da paixão de Cristo, a comunidade reza por todas as necessidades da Igreja e do mundo, adora a Cruz e aproxima-se da Eucaristia, consumando as espécies conservadas da Missa em Cena Domini do dia anterior. Como ulterior convite a meditar sobre a paixão e morte do Redentor e para expressar o amor e a participação dos fiéis nos sofrimentos de Cristo, a tradição cristã deu vida a várias manifestações de piedade popular, procissões e representações sagradas, que têm por finalidade imprimir cada vez mais profundamente no coração dos fiéis sentimentos de verdadeira participação no sacrifício redentor de Cristo. Entre elas sobressai a Via Crucis, prática piedosa que no decorrer dos anos se enriqueceu por numerosas expressões espirituais e artísticas relacionadas com a sensibilidade das diversas culturas. Surgiram assim em muitos países santuários com o nome de "Calvaria", aos quais se chega através de uma íngreme subida que recorda o caminho doloroso da Paixão, permitindo que os fiéis participem na subida do Senhor ao Monte da Cruz, o Monte do Amor levado até ao fim.

O Sábado Santo distingue-se por um profundo silêncio. As Igrejas estão desornamentadas e não são previstas particulares liturgias. Enquanto aguardam o grande acontecimento da Ressurreição, os crentes perseveram com Maria na expectativa rezando e meditando. De facto, há necessidade de um dia de silêncio, para meditar sobre a realidade da vida humana, sobre as forças do mal e sobre a grande força do bem que brota da Paixão e da Ressurreição do Senhor. É atribuída grande importância neste dia à participação no Sacramento da reconciliação, caminho indispensável para purificar o coração e predispor-se para celebrar intimamente renovados a Páscoa. Pelo menos uma vez por ano precisamos desta purificação interior, desta renovação de nós mesmos. Este Sábado de silêncio, de meditação, de perdão, de reconciliação desemboca na Vigília Pascal, que introduz o domingo mais importante da história, o Domingo da Páscoa de Cristo. A Igreja vela ao lado do novo fogo abençoado e medita a grande promessa, contida no Antigo e no Novo Testamento, da libertação definitiva da antiga escravidão do pecado e da morte. Na escuridão da noite o círio pascal, símbolo de Cristo que ressuscita glorioso, é aceso pelo fogo novo. Cristo, luz da humanidade, afasta as trevas do coração e do espírito e ilumina cada homem que vem ao mundo. Ao lado do círio pascal ressoa na Igreja o grande anúncio pascal: verdadeiramente Cristo ressuscitou, a morte já não tem poder algum sobre Ele. Com a sua morte Ele derrotou o mal para sempre e fez dom a todos os homens da própria vida de Deus. Por uma antiga tradição, durante a Vigília Pascal, os catecúmenos recebem o Baptismo, para ressaltar a participação dos cristãos no mistério da morte e da ressurreição de Cristo. Da resplandecente noite de Páscoa, a alegria, a luz e a paz de Cristo irradiam-se na vida dos fiéis de cada comunidade cristã e alcançam todos os pontos do espaço e do tempo.

Queridos irmãos e irmãs, nestes dias singulares orientemos decididamente a vida para uma adesão generosa e convicta aos desígnios do Pai celeste; renovemos o nosso "sim" à vontade divina como fez Jesus com o sacrifício da cruz. Os sugestivos ritos da Quinta-feira Santa, da Sexta-Feira Santa, o silêncio rico de oração do Sábado Santo e a solene Vigília Pascal oferecem-nos a oportunidade para aprofundar o sentido e o valor da nossa vocação cristã, que brota do Mistério Pascal e de a concretizar no seguimento fiel de Cristo em cada circunstância, como Ele fez, até à doação generosa da nossa existência.

Reviver os mistérios de Cristo significa também viver em profunda e solidária adesão ao hoje da história, convictos de que quanto celebramos é realidade viva e actual. Tenhamos portanto presente na nossa oração a dramaticidade de factos e situações que nestes dias afligem tantos irmãos nossos em todas as partes do mundo. Sabemos que o ódio, as divisões, as violências nunca têm a última palavra nos acontecimentos da história. Estes dias reanimam em nós a grande esperança: Cristo crucificado ressuscitou e venceu o mundo. O amor é mais forte que o ódio, venceu e devemos associar-nos a esta vitória do amor. Portanto, devemos partir de novo de Cristo e trabalhar em comunhão com Ele para um mundo fundado sobre a paz, sobre a justiça e sobre o amor. Neste empenho, que a todos compromete, deixemo-nos guiar por Maria, que acompanhou o Filho divino pelo caminho da paixão e da cruz e participou, com a força da fé, na concretização do seu desígnio salvífico. Com estes sentimentos, formulo desde agora os votos mais cordiais de feliz e santa Páscoa a todos vós, aos vossos entes queridos e às vossas Comunidades.


Saudações

Saúdo cordialmente os peregrinos portugueses do Instituto Cultural da Maia e o grupo de Escuteiros da Diocese do Porto. Que a vinda a Roma vos fortaleça na fé e avive no vosso ânimo a coragem para testemunhar a grandeza do amor de Jesus Cristo, vencedor do mal, pelo seu sofrimento, e ressuscitado para ser a nossa esperança e a nossa paz. A todos os visitantes de língua portuguesadesejoumafelizesantaPáscoa.

Apelo

Sigo com grande trepidação as notícias, que nestes dias chegam do Tibete. O meu coração de Pai sente tristeza e dor face aos sofrimentos de tantas pessoas. O mistério da paixão e morte de Jesus, que revivemos nesta Semana Santa, nos ajude a ser particularmente sensíveis à sua situação.

Com a violência não se resolvem os problemas, mas só se agravam. Convido-vos a unir-vos a mim na oração. Peçamos ao Deus omnipotente, fonte de luz, que ilumine as mentes de todos e dê a cada um a coragem de optar pelo caminho do diálogo e da tolerância.

© Copyright 2008 - Libreria Editrice Vaticana


Fonte: www.vatican.va

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terça-feira, 25 de março de 2008

Etimologia da Semana Santa

  • O pão e o vinho

São os elementos naturais que Jesus toma para que não só simbolizem mas também se convertam em seu Corpo e seu Sangue e o façam presente no sacramento da Eucaristia.

Jesus os assume no contexto da ceia pascal, onde o pão ázimo da páscoa judaica que celebravam com seus apóstolos fazia referência a essa noite no Egito em que não havia tempo para que a levedura fizesse seu processo na massa (Ex 12,8).

O vinho é o novo sangue do Cordeiro sem defeitos que, posto na porta das casas, evitou aos israelitas que seus filhos morressem na passagem de Deus (Ex 12,5-7). Cristo, o Cordeiro de Deus (Jo 1,29), ao que tanto se refere o Apocalipse, salva-nos definitivamente da morte por seu sangue derramado na cruz.

Os símbolos do pão e o vinho são próprios da Quinta-feira Santa no que, durante a Missa vespertina da Ceia do Senhor, celebramos a instituição da Eucaristia, da qual encontramos alusões e alegorias ao longo de toda a Escritura.

Mas como esta celebração vespertina é o pórtico do Tríduo Pascal, que começa na Sexta-feira Santa, é necessário destacar que a Eucaristia dessa Quinta-feira Santa, celebrada por Jesus sobre a mesa-altar do Cenáculo, era a antecipação de seu Corpo e seu Sangue oferecidos à humanidade no "cálice" da cruz, sobre o "altar" do mundo.

  • O lava-pés

É o único que nos relata este gesto simbólico de Jesus na Última Ceia e antecipa o sentido mais profundo do "sem-sentido" da cruz.

Um gesto incomum para um Mestre, próprio dos escravos, converte-se na síntese de sua mensagem e dá aos apóstolos uma chave de leitura para enfrentar o que virá.

Em uma sociedade onde as atitudes defensivas e as expressões de autonomia se multiplicam, Jesus humilha nossa soberba e nos diz que abraçar a cruz, sua cruz, hoje, é ficar ao serviço dos outros. É a grandeza dos que sabem fazer-se pequenos, a morte que conduz à vida.

  • Os símbolos da Paixão

1. A cruz

A cruz foi, na época de Jesus, o instrumento de morte mais humilhante. Por isso, a imagem do Cristo crucificado se converte em "escândalo para os judeus e loucura para os pagãos" (1 Cor 1,23). Teve que passar muito tempo para que os cristãos se identificassem com esse símbolo e o assumissem como instrumento de salvação, entronizado nos templos e presidindo as casas e habitações, e pendendo no pescoço como expressão de fé.

Isto demonstram as pinturas catacumbais dos primeiros séculos, onde os cristãos, perseguidos por sua fé, representaram a Cristo como o Bom Pastor pelo qual "não temerei nenhum mal" (Sl 22,4); ou fazem referência à ressurreição em imagens bíblicas como Jonas saindo do peixe depois de três dias; ou ilustram os sacramentos do Batismo e a Eucaristia, antecipação e alimento de vida eterna. A cruz aparece só velada, nos cortes dos pães eucarísticos ou na âncora invertida.

Poderíamos pensar que a cruz era já a que eles estavam suportando, nos anos da insegurança e a perseguição. Entretanto, Jesus nos convida a segui-lo nos negando a nós mesmos e tomando nossa cruz a cada dia (cf MT 10,38; Mc 8,34; Lc 9,23).

Expressão desse martírio cotidiano são as coisas que mais nos custam e nos doem, mas que podem ser iluminadas e vividas de outra maneira precisamente desde Sua cruz.

Só assim a cruz já não é um instrumento de morte mas sim de vida e ao "por que eu" expresso como protesto diante de cada experiência dolorosa, substituímo-lo pelo "quem sou eu" de quem se sente muito pequeno e indigno para poder participar da Cruz de Cristo, inclusive nas pequenas "lascas" cotidianas.


2. A coroa de espinhos, o látigo, os pregos, a lança, a esponja com vinagre...

Estes "acessórios" da Paixão muitas vezes aparecem graficamente apoiados ou superpostos à cruz.

São a expressão de todos os sofrimentos que, como peças de um quebra-cabeças, conformaram o mosaico da Paixão de Jesus.

Eles materialmente nos recordam outros sinais ou elementos igualmente dolorosos: o abandono dos apóstolos e discípulos, as brincadeiras, os cusparadas, a nudez, os empurrões, o aparente silêncio de Deus.

A Paixão revestiu os três níveis de dor que todo ser humano pode suportar: física, psicológica e espiritual. A todos eles Jesus respondeu perdoando e abandonando-se nas mãos do Pai.

  • Os símbolos da Luz

1. A luz e o fogo

Desde sempre, a luz existe em estreita relação com a escuridão: na história pessoal ou social, uma época sombria vai seguida de uma época luminosa; na natureza é das escuridões da terra de onde brota à luz a nova planta, assim como à noite lhe sucede o dia.

A luz também se associa ao conhecimento, ao tomar consciência de algo novo, frente à escuridão da ignorância. E porque sem luz não poderíamos viver, a luz, sempre, mas sobre tudo nas Escrituras, simboliza a vida, a salvação, que é Ele mesmo (Sl 27,1; Is 60, 19-20).

A luz de Deus é uma luz no caminho dos homens (Sl 119, 105), assim como sua Palavra (Is 2,3-5). O Messias traz também a luz e Ele mesmo é luz (Is 42.6; Lc 2,32).

As trevas, então, são símbolo do mal, a desgraça, o castigo, a perdição e a morte (Jó 18, 6. 18; Am 5. 18). Mas é Deus quem penetra e dissipa as trevas (Is 60, 1-2) e chama os homens à luz (Is 42,7).

Jesus é a luz do mundo (Jo 8, 12; 9,5) e, por isso, seus discípulos também devem sê-lo para outros (MT 5.14), convertendo-se em reflexos da luz de Cristo (2 Cor 4,6). Uma conduta inspirada no amor é o sinal de que se está na luz (1 Jo 2,8-11).

Durante a primeira parte da Vigília Pascal, chamada "lucenario", a fonte de luz é o fogo. Este, além de iluminar queima e, ao queimar, purifica. Como o sol por seus raios, o fogo simboliza a ação fecundante, purificadora e iluminadora. Por isso, na liturgia, os simbolismos da luz-chama e iluminar-arder se encontram quase sempre juntos.


2.
O círio pascal

Entre todos os simbolismos derivados da luz e do fogo, o círio pascal é a expressão mais forte, porque reúne ambos.

O círio pascal representa a Cristo ressuscitado, vencedor das trevas e da morte, sol que não tem ocaso. Acende-se com fogo novo, produzido em completa escuridão, porque em Páscoa todo se renova: dele se acendem todas as demais luz.

As características da luz são descritas no exultet e formam uma unidade indissolúvel com o anúncio da libertação pascal. O acender o círio é, pois, um memorial da Páscoa. Durante todo o tempo pascal o círio estará aceso para indicar a presença do Ressuscitado entre os seus. Toda outra luz que arda com luz natural terá um simbolismo derivado, ao menos em parte, do círio pascal.

  • Os símbolos do Batismo


1. A água

Embora o rito do Batismo está todo ele repleto de símbolos, a água é o elemento central, o símbolo por excelência.

Em quase todas as religiões e culturas, a água possui um duplo significado: é fonte de vida e meio de purificação.

Nas Escrituras, encontramos as águas da Criação sobre as quais pairava o Espírito de Deus (Gn 1,2). A água é vida no regaço, na seiva, no liquido amniótico que nos envolve antes de nascer.

No dilúvio universal as águas torrenciais purificam a face da terra e dão lugar à nova criação a partir de Noé.

No deserto, os poços e os mananciais se oferecem aos nômades como fonte de alegria e de assombro. Perto deles têm lugar os encontros sociais e sagrados, preparam-se os matrimônios, etc.

Os rios são fontes de fertilização de origem divina; as chuvas e o orvalho contribuem com sua fecundidade como benevolência de Deus. Sem a água o nômade seria imediatamente condenado à morte e queimado pelo sol palestino. Por isso se pede a água na oração.

Yahvé se compara com uma chuva de primavera (Os 6,3), ao orvalho que faz crescer as flores (Os 14.6). O justo é semelhante à árvore plantada ao borde das águas que correm (Nm 24,6); a água é sinal de bênção.

Segundo Jeremias (2, 13), o povo do Israel, ao ser infiel, esquece de Yahvé como fonte viva, querendo escavar suas próprias cisternas. A alma procura deus como o cervo sedento procura a presença da água viva (Sl 42,2-3). A alma aparece assim como uma terra seca e sedenta, orientada para a água.

Jesus emprega também este simbolismo em sua conversação com a samaritana (Jo 4.1-14), a quem lhe revela como "água viva" que pode saciar sua sede de Deus. Ele mesmo se revela como a fonte dessa água: "Se alguém tiver sede, que venha para Mim e beba" (Jo 7,37-38). Como da rocha de Moisés, a água surge do flanco transpassado pela lança, símbolo de sua natureza divina e do Batismo (cf Jo 19,34).

Por este motivo, a água se converteu no elemento natural do primeiro sacramento da iniciação cristã. Desde os primeiros séculos do cristianismo, os cristãos adultos eram batizados em uma espécie de pileta cheia de água que contava com duas escadas: por uma descia e por outra saía. A imagem de "descer" às águas representava o momento da purificação dos pecados e estava associada à morte de Cristo.

A saída, subindo pelo lado oposto, representava o renascer à nova vida, como saindo do ventre materno,. e era associado à ressurreição. No centro se fazia a profissão de fé pública. E isto significa que a água do batismo não é algo "mágico" -como pensam muitos crentes- que protege ou transforma por si só, mas sim a expressão deste duplo compromisso: o de mudar de vida morrendo ao pecado e o de renovar a escala de valores, iluminados por Cristo, ressuscitados com Ele.


2. A vestimenta branca

A cor branca sempre foi identificado com a pureza, com o inocente. Parece lógico que, desde os primeiros séculos do cristianismo, os catecúmenos fossem ao Batismo vestidos com túnicas brancas. Poderíamos considerá-lo, inclusive, como inspirado na imagem reiterada do Apocalipse, em que os seguidores fiéis do Cordeiro mereceram vestir-se de branco (cf 3,4-5.18; 4,4; 7,9.13-14; 19,14; 22,14).

Entretanto, os textos bíblicos dependeriam do que nos diz a tradição cultural dos primeiros séculos, anterior aos mesmos. Em todo o Império Romano, só os membros do Senado se vestiam com túnicas brancas. Dali que os chamassem candídatus, do latim "cândida", branco. Desta maneira. Manifestava publicamente sua dignidade, a de servir ao Imperador, quem se apresentava como o Filho de Deus.

Os cristãos, então, a irem vestidos de branco a receber o Batismo, tentaram mostrar que a verdadeira dignidade do homem não consiste em trabalhar para nenhum poder político mas sim em servir Jesus Cristo, o verdadeiro Filho de Deus. Portanto, mais que símbolo de pureza, era símbolo de dignidade, de vida nova, de compromisso com um estilo de vida e com o esforço cotidiano por conservá-la sem mancha, para ser considerados dignos de participar do banquete do Reino (cf MT 22, 12).

Em uma sociedade consumista como a nossa, em que a dignidade das pessoas depende de como vão vestidas, da moda que seguem, das marcas que usam, os cristãos deveriam nos perguntar o que fizemos de nossa "veste branca" batismal e verifìcar se, como diz São Paulo, "tendo-nos revestldo de Cristo" (Cfr Gl 3.27).

  • Comemoração da Paixão de Cristo.- Uma festa posta na terça-feira logo depois de sexagésima (sexagésimo dia antes da Páscoa). Seu objeto é a recordação devota e a honra dos sofrimentos de Cristo para a redenção da humanidade. Enquanto a festa em honra dos instrumentos da Paixão de Cristo – a Santa Cruz, a Lança, Pregos, e a Coroa de Espinhos – chamadas “Arma Cristã”, originou-se durante a Idade Média, esta comemoração é de mais recente origem. Aparece pela primeira vez no Breviário de Meissen (1517) como uma festa simples para 15 de Novembro. O mesmo breviário tem uma festa da Santa Face para 15 de Janeiro e do Nome Sagrado para em 15 de Março. [Grotefend, "Zeitrechnung" (Hanover, 1892), II, 118 sqq.]; estas festas desapareceram com a introdução do Luteranismo. Como se encontra no apêndice do Breviário Romano, foi iniciado por São Paulo da Cruz (morto em 1775). O Ofício foi composto por Tomás Struzzieri, Bispo de Todi, e fiel associado a São Paulo.
  • Na quinta-feira Santa a Eucaristia com que se dá início ao Tríduo Pascal é a "Missa in Coena Domini", porque é a que mais entranhavelmente recorda a instituição deste sacramento por Jesus em sua última ceiar, adiantado assim sacramentalmente sua entrega na Cruz.
  • Ceia do Senhor.- É o nome que, junto ao de "fração do pão", São Paulo dá em 1 Cor. 11,20 ao que logo se chamou "Eucaristia" ou "Missa": "kyriakon deipnon", ceia senhorial, do Senhor Jesus. É também o nome que dá o Missal atual: "Missa ou Ceia do Senhor" ((IGMR. 2 e 7).
  • Abstinência.- (do latim abstinentia, ação de privar-se ou abster-se de algo) Gesto penitencial. Atualmente se pede que os fiéis com uso de razão e que não tenham algum impedimento se abstenham de comer carne, realizem algum tipo de privação voluntária ou façam uma obra caridosa nas sextas-feiras, que são chamados dias penitenciais.
    Só Na quarta-feira de Cinzas e Na sexta-feira Santa são dias de jejum e abstinência.
  • Jejum.- (do latim ieiunium, jejum, abstinência) Privação voluntária de comida por motivos religiosos. É uma forma de vigília, um sinal que ajuda a tomar consciência (ex.: o jejum da Quarta-feira de Cinzsa recorda o início do tempo penitencial) ou que prepara (ex.: o jejum eucarístico predispõe à recepção que breve se fará do Corpo de Cristo). A Igreja o prescreve pelo espaço de um dia para Na quarta-feira de Cinzas, com caráter penitencial, e para Na sexta-feira Santa, extensivo à Sábado Santo, com caráter pascal; e por uma hora para quem vai comungar.
  • Cinzas.- A cinza que impõe o sacerdote aos fiéis Na quarta-feira de Cinzas, procede da queima das Palmas bentas durante a Missa do Domingo de Ramos.
  • Palma.- Do latim: -palmae- que significa palma da mão e folha da palmeira, que já usavam os romanos como símbolo de vitória. Os povos que coincidem em lhe atribuir altos valores a este símbolo já que desenvolveram em torno dela diversos ritos. Recordemos, começando pelo mais próximo, como é tradição entre nós pendurar nos balcões os Ramos bentos No domingo de Ramos para que protegessem a casa durante todo o ano.
  • Paixão.- Do latim patior, passus, que significa experimentar, suportar, padecer, forma-se o essencial passio (acus. pl. Passiones). É sintomático que nos tenhamos decantado com preferência pelos aspectos positivos da palavra "paixão".
  • Semana Santa.- À Semana Santa lhe chamava em um princípio “A Grande Semana”. Agora chamada Semana Santa ou Semana Maior e a seus dias lhes diz dias Santos. Esta semana começa com o domingo de Ramos e termina no domingo de Páscoa.
  • Ecce Homo.- Imagem de Jesus Cristo tal como Pilatos a apresentou ao povo ( do latim “ecce”, eis aqui, e “homo”, o homem).
  • Gólgota.- Calvário. Colina de Jerusalém na Palestina, onde Jesus foi crucificado.
  • Via Sacra.- (em latim: Via Crucis - O caminho da cruz) Exercício piedoso que consiste em meditar o caminho da cruz por meio de leituras bíblicas e orações. Esta meditação se divide em 14 ou 15 momentos ou estações. São Leopoldo de Porto Mauricio deu origem a esta devoção no século XIV no Coliseu de Roma, pensando nos cristãos que se viam impossibilitados de peregrinar à Terra Santa para visitar os Santos lugares da paixão e morte de Jesus Cristo. Tem um caráter penitencial e está acostumado a rezá-los dias sexta-feira, sobre tudo na Quaresma. Em muitos templos estão expostos quadros ou baixos-relevos com ilustrações que ajudam os fiéis a realizar este exercício.
Fonte: http://www.acidigital.com/fiestas/semanasanta/etimologia.htm

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segunda-feira, 24 de março de 2008

85 PERGUNTAS E RESPOSTAS (parte 8)

71. Você fala da autoridade da Igreja e o peso de tradição. Mas eu fui ensinado que as Escrituras são a única regra de fé.

Você foi ensinado errado. A Escritura nega que seja a única regra de fé. O último versículo do evangelho de são João nos conta que nem tudo o que Jesus fez estão nas Escrituras. São Paulo nos fala inúmeras vezes que muitos poderiam citar centenas de textos mesmo não sabendo da doutrina cristã. De fato, a adoção de só a Bíblia levou a tantas opiniões pelos não-católicos. Finalmente, as Escrituras nos falam claramente que a Igreja católica é a regra de fé, que é a Igreja que Cristo enviou para ensinar todas as nações e a qual Ele comandou para os homens ouvirem e obedecerem. Quem acredita nas Escrituras como única regra de fé, acredita nas suas próprias interpretações erradas da Bíblia.

72. A Igreja não é construída no conhecimento que obtém da Bíblia?

Não. A Igreja católica foi construída por Cristo e em Cristo antes que uma linha do NT fosse escrito. Ela recebeu a doutrina dos lábios de Cristo, e é livre de erro em seu ensino pelo Espírito Santo. Entre 40 e 80 anos depois da fundação da Igreja, alguns de seus membros escreveram os livros do NT. Se os Evangelhos fossem a única regra de fé, então antes que eles fossem escritos não poderia ter havido nenhuma regra de fé!

73. Cristo nos deu a ordem para procurar as Escrituras. Jo. 5:39.

Isso foi uma réplica, não uma ordem, e você não pode transformar uma repreensão particular em uma lei universal. Se esta fosse uma lei universal, teria sido impossível de se realizar pela vasta maioria durante os 14 séculos antes da invenção da imprensa! Mas leia o contexto. Os judeus que se orgulhavam de sua fidelidade à Lei mosaica não acreditariam em Cristo. Ele os desafiou: "(vocês) procuram as Escrituras, porque pensam que nelas têm a vida eterna; e leas mesmas é que dão testemunho de mim". A Igreja católica poderia dizer da mesma maneira aos protestantes: "Vocês estão sempre falando de procurar as Escrituras ao invés de meus métodos, e pensam ter neles a vida eterna, independentemente de mim; contudo a mesma é que dá testemunho de mim ".

74. Nós não lemos que os cristãos primitivos procuraram nas Escrituras diariamente? At. 17:11

Eles receberam a verdadeira doutrina primeiro da Igreja pedagógica, e só então conferiam nas Escrituras. Esse é o procedimento certo, e os católicos de hoje fazem o mesmo. Mas seu modo não é ser ensinado primeiro pela Igreja, e então verificar, mas tentar entender sua própria religião da Bíblia com uma mente não treinada e por uma interpretação pessoal que a Escritura proibe.

75. Bem, eu não tenho medo de nada contanto que eu tenha a pura Palavra de Deus para ver.

Você não pode provar que é a pura Palavra de Deus sem a Igreja católica. Nem precisa de ter medo da pura Palavra de Deus. O que nós temos que temer é a Palavra de Deus adulterada por pessoas que a leram conforme seu gosto.

76. Dá pra ver o modo como você coloca tradições humanas no mesmo nível das Escrituras.

Como fonte de doutrina a Igreja católica confia em divinely tradição garantida, não em tradição meramente humana. Esta tradição divina é o ensino de Cristo, dado oralmente pelos os apóstolos e passada à Igreja, embora não escrito nas páginas do NT.

77. Então você tem a Tradição além das Escrituras?

Sim, e eu estou bastante bíblico fazendo assim. Cristo enviou os apóstolos para ensinar todas as coisas que Ele tinha lhes ensinado. No último versículo do evangelho de são João, nos conta que nem tudo está escrito nas Escrituras. Senem tudo foi ensinado, e nem tudo está nas Escrituras, então parte da doutrina cristã deve estar em outro lugar. Onde? São Paulo nos diz: "Entäo, irmäos, estai firmes e retende as tradiçöes que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa." IITs. 2:14. "Conserva o modelo das säs palavras que de mim tens ouvido, na fé e no amor que há em Cristo Jesus" IITm. 1:13. "E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idóneos para também ensinarem os outros." IITm.. 2:2. Todos os cristãos da mesma época acreditavam que a revelação cristã não só estava nas Escrituras, mas também na tradição. At. 2:42, "E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhäo, e no partir do päo, e nas oraçöes", isto é, o ensinando oral dos apóstolos que eles ensinaram a um ao outro, e passado para os filhos. Quem nega a tradição perde a doutrina completa de Cristo.

78. Eu não questiono as tradições nas Escrituras. Eu critico as tradições romanas que não estão nas Escrituras e que estão contra as Escrituras.

A Igreja católica rejeita todas as tradições que estão contra a Escritura. Ela aceita tradições divinas que são complementares a Escritura, e que estão em harmonia perfeita com os princípios ensinados nas Escrituras. As tradições que não estão nas Escrituras não podem ser a Palavra escrita de Deus. Mas as Escrituras dizem que a tradição existe, e que é de igual autoridade com a Palavra escrita de Deus.

79. Cristo não culpou os fariseus, dizendo, "Por que vocês transgridem a ordem de Deus por sua tradição?" Mt. 15:3.

Ele culpou, mas ele chamou de tradição e condenou a tradição errônea e meramente humana, não as tradições corretas nas quais, de acordo com são Paulo, nós temos que confiar. Você cita este texto somente porque contêm a palavra tradição, e sem qualquer avaliação de seu verdadeiro sentido.

80. O próprio são Paulo nos adverte:"Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e väs sutilezas, segundo a tradiçäo dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e näo segundo Cristo"; Cl. 2:8.

O texto nos adverte contra tradições erradas, mas de maneira nenhuma condena tradições que não são humanas, mas que estão de acordo com Cristo. São Paulo não contradiz seu próprio ensino.

(continua)

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quarta-feira, 19 de março de 2008

Quinta Feira Santa - Missa da Ceia do Senhor

(Pe. Geraldo Morujão)

Êxodo 12, 1-8.11-14
1Naqueles dias, o Senhor disse a Moisés e a Aarão na terra do Egipto: 2”Este mês será para vós o princípio dos meses; fareis dele o primeiro mês do ano. 3Falai a toda a comunidade de Israel e dizei-lhe: No dia dez deste mês, procure cada qual um cordeiro por família, uma rês por cada casa. 4Se a família for pequena demais para comer um cordeiro, junte-se ao vizinho mais próximo, segundo o número de pessoas, tendo em conta o que cada um pode comer. 5Tomareis um animal sem defeito, macho e de um ano de idade. Podeis escolher um cordeiro ou um cabrito. 6Deveis conservá-lo até ao dia catorze desse mês. Então, toda a assembleia da comunidade de Israel o imolará ao cair da tarde. 7Recolherão depois o seu sangue, que será espalhado nos dois umbrais e na padieira da porta das casas em que o comerem. 8E comerão a carne nessa mesma noite; comê-la-ão assada ao fogo, com pães ázimos e ervas amargas. 11Quando o comerdes, tereis os rins cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão. Comereis a toda a pressa: é a Páscoa do Senhor. 12Nessa mesma noite, passarei pela terra do Egipto e hei-de ferir de morte, na terra do Egipto, todos os primogénitos, desde os homens até aos animais. Assim exercerei a minha justiça contra os deuses do Egipto, Eu, o Senhor. 13O sangue será para vós um sinal, nas casas em que estiverdes: ao ver o sangue, passarei adiante e não sereis atingidos pelo flagelo exterminador, quando Eu ferir a terra do Egipto. 14Esse dia será para vós uma data memorável, que haveis de celebrar com uma festa em honra do Senhor. Festejá-lo-eis de geração em geração, como instituição perpétua”.

---comentário---
Temos aqui, num texto de tipo catequético-litúrgico, a promulgação da lei da Páscoa judaica como “instituição perpétua” a ser festejada por todas as gerações (v. 14). Na origem desta festa da “Páscoa” – dum étimo semítico: salto festivo – parece estar uma antiga festa de pastores nómadas, própria da Primavera, a época em que nascem os cordeiros; então sacrificavam um cordeiro recém-nascido e com o seu sangue faziam ritos a implorar protecção e a fecundidade. Também pela época da Primavera parece que havia outra festa, a dos “Ázimos”, com o sentido de novidade e rotura com o passado (o fermento). As duas festas vieram a fundir-se numa só. A Torá terá assumido estas duas festas, dando-lhes o novo e profundo significado que neste texto legal fica bem assinalado, para celebrar a libertação do Egipto.

A ceia pascal é celebrada na noite de 14 para 15 do mês de Nisan (Março/Abril), a noite da lua cheia que se seguia ao equinócio da primavera, pois o 1° dia do mês era o 1º dia da lua nova; então se comiam os pães ázimos, isto é, sem fermento (do grego a-zymê, em hebraico, os matsôth) durante os sete dias da festa, de 15 a 21 de Nisan. O cordeiro imolado recordava aquele outro cordeiro com cujo sangue os israelitas marcaram as suas portas para que o “o flagelo exterminador” ali não atingisse ninguém. A própria palavra “Páscoa”, com uma etimologia muito discutida, pode provir do étimo psh, que significa saltar, passar por cima de, prestando-se a significar o flagelo mortal que passou ao largo das casas dos israelitas (cf. Ex 12, 27) na região de Guéssen ou Góxen; neste texto a palavra é entendida como a passagem do Senhor, a fim de libertar o seu povo. O pão sem fermento lembrava a pressa com que os israelitas saíram do Egipto, tendo de levar consigo a massa do pão antes de ter fermentado (Ex 12, 34.39).

No entanto, a celebração da Páscoa não era para os israelitas uma mera recordação agradecida da libertação duma escravidão passada, mas era algo que os orientava para uma libertação futura completa e definitiva, que se haveria de dar com a vinda do Messias. Havia mesmo uma crença judaica em que o Messias viria numa noite de Páscoa: “nesta noite foram libertados, e nela também serão libertos”. Esta alegre esperança manifestava-se no costume, que ainda hoje se mantém, de deixar um lugar vazio à mesa, para alguém que chegue na última hora, que afortunadamente poderia ser o profeta Elias, precursor do Messias. De facto, um dia o próprio Messias havia de se pôr à mesa da ceia pascal, rodeado dos seus discípulos, para então inaugurar a era da autêntica e definitiva libertação. Jesus é o verdadeiro cordeiro pascal (1 Cor 5, 7; Jo 19, 36) que se oferece em sacrifício, com cujo sangue somos redimidos e com cuja carne somos alimentados no banquete eucarístico, prelúdio do banquete celeste (cf. Mc 14, 25). Os samaritanos ainda hoje celebram a Páscoa como se descreve neste texto do Êxodo, sem refeição solene, sem vinho e à pressa. Os judeus celebram-na como refeição solene; já era assim no tempo de Jesus, em razão de já terem saído da escravidão para a liberdade; mas, em vez de comerem sentados como habitualmente, comiam recostados sobre esteiras ou divãs, apoiando-se sobre o braço esquerdo, a partir da época helenística (cf. Lc 22, 14).

2ª leitura: 1 Coríntios 11, 23-26
Irmãos: 23Eu recebi do Senhor o que também vos transmiti: o Senhor Jesus, na noite em que ia ser entregue, tomou o pão e, dando graças, 24partiu-o e disse: “Isto é o meu Corpo, entregue por vós. Fazei isto em memória de Mim”. 25Do mesmo modo, no fim da ceia, tomou o cálice e disse: “Este cálice é a nova aliança no meu Sangue. Todas as vezes que o beberdes, fazei-o em memória de Mim”. 26Na verdade, todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, anunciareis a morte do Senhor, até que Ele venha.

---comentário---
Temos aqui o relato da última Ceia, o mais antigo dos quatro que aparecem no N. T., escrito apenas uns 25 anos após o acontecimento. São Paulo diz que isto mesmo já o tinha pregado aos cristãos (v. 23) uns quatro anos atrás, durante os 18 meses em que evangelizou a cidade de Corinto, por ocasião da sua segunda viagem.

23 “Recebi do Senhor”: O original grego (com o uso da preposição apó e não pará) deixa ver que S. Paulo recebeu esta doutrina pela tradição que remonta ao Senhor e não directamente dele, por meio de alguma revelação, como alguém poderia pensar. “Na noite em que ia ser entregue”: Celebramos hoje uma dupla entrega do Senhor, a sua entrega às mãos dos seus inimigos, para a morrer pelos nossos pecados e nos ganhar a vida divina, e a entrega no Sacramento da SS. Eucaristia, como alimento desta mesma vida divina. Para o seu amor infinito, é pouco dar-se todo uma só vez por todos; quer dar-se todo a cada um de nós todas as vezes que nos disponhamos a recebê-lo!

24 “Isto é o Meu Corpo”: A expressão de Jesus é categórica e terminante, sem deixar lugar a mal entendidos. Não diz “aqui está o meu corpo”, nem “isto simboliza o meu corpo”, mas sim: “isto é o meu corpo”, como se dissesse “este pão já não é pão, mas é o meu corpo”. Todas as tentativas heréticas de entender estas palavras num sentido meramente simbólico, fazem violência ao texto e não têm seriedade. É certo que o verbo “ser” também pode ter o sentido de “ser como”, “significar”, mas isto é só quando do contexto se possa depreender que se trata duma comparação, o que não se dá aqui, pois não se vê facilmente como o pão seja como o Corpo de Jesus, ou como é que o pode significar. Atenda-se a que Jesus, com a palavra isto não se refere à acção de partir o pão, pois não pronuncia estas palavras enquanto parte o pão, mas depois de o ter partido; portanto não tem sentido dizer que, com a fracção do pão, o Senhor queria representar o despedaçar do seu corpo por uma morte violenta (o corpo entregue); Jesus não podia querer dizer tal coisa, pois, se o quisesse dizer, havia de o explicitar, uma vez que o gesto de partir o pão era um gesto usual do chefe da mesa em todas as refeições, não sendo possível ver um outro sentido; por outro lado, o beber do cálice já não se podia prestar a um tal sentido.

Os Apóstolos vieram a entender as palavras de Jesus no seu verdadeiro realismo, como aparecem no discurso do Pão da Vida (Jo 6, 51-58). Se Jesus não quisesse dar este sentido realista às suas palavras, também os seus discípulos e a primitiva Igreja não lho podiam dar, porque beber o sangue era algo sumamente escandaloso para gente criada no judaísmo, que ia ao ponto de proibir a comida de animais não sangrados. Se S. Paulo não entendesse estas palavras de Jesus num sentido realista, não teria podido afirmar no v. 27 (omitido na leitura de hoje): “quem comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor”; e no v. 29 fala de “distinguir o corpo do Senhor”.

Paulo VI, na encíclica Misterium fidei, rejeitou as explicações teológicas (transignificação e transfinalização) que não respeitem suficientemente o realismo da presença real: “Mas para que, ninguém entenda erroneamente este modo de presença, que supera leis da natureza e constitui o maior dos milagres no seu género, é preciso seguir com docilidade a voz da Igreja docente e orante. Pois bem, esta voz, que é um eco perene da voz de Cristo, assegura-nos que Cristo se torna presente neste Sacramento pela conversão de toda a substância do pão no seu corpo e de toda a substância no vinho no seu sangue; conversão admirável e singular à qual a Igreja justamente e com propriedade chama transubstanciação” (atenda-se a que aqui a noção de substância não é a da Física ou da Química, mas a da Metafísica).

24-25 “Fazei isto em memória de Mim”: Com estas palavras, Jesus Cristo entrega aos Apóstolos (e aos seus sucessores) o poder ministerial de celebrar o Mistério Eucarístico; por isso, Quinta-Feira Santa é o dia do sacerdócio e dos sacerdotes.

25 “A Nova Aliança com o meu Sangue”: Jesus compara o seu sangue, que vai derramar na cruz, ao sangue do sacrifício da Aliança do Sinai (cf. Ex 24, 8), como sendo o novo sacrifício com que se ratifica a Nova Aliança de Deus com a Humanidade, aliança anunciada pelos profetas (Jer 31, 31-33). Na Ceia temos o mesmo sacrifício do Calvário antecipado sacramentalmente através das palavras do próprio Jesus. Na Missa temos igualmente o mesmo sacrifício da Cruz renovado e representado sacramentalmente através da dupla consagração feita pelo sacerdote que actua na pessoa e em nome de Cristo, sendo Ele o mesmo oferente principal, a mesma vítima e sendo os merecimentos os mesmos do único Sacrifício redentor a serem aplicados, Sacrifício oferecido de uma vez para sempre (efápax: cf. Hebr 9, 25-28; 10, 10.18).

26 “Anunciareis a Morte do Senhor”: No altar já não se derrama o sangue de Cristo, como na Cruz, mas oferece-se, de modo incruento, o mesmo sacrifício, renovando e representando sacramentalmente o mistério da mesma Morte que se deu no Calvário.

Evangelho: São João 13, 1-15
1Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai, Ele, que amara os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim. 2No decorrer da ceia, tendo já o Demónio metido no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, a ideia de O entregar, 3Jesus, sabendo que o Pai Lhe tinha dado toda a autoridade, sabendo que saíra de Deus e para Deus voltava, 4levantou-Se da mesa, tirou o manto e tomou uma toalha que pôs à cintura. 5Depois, deitou água numa bacia, e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugá-los com a toalha que pusera à cintura. 6Quando chegou a Simão Pedro, este disse-Lhe: “Senhor, Tu vais lavar-me os pés?” 7Jesus respondeu: “O que estou a fazer, não o podes entender agora, mas compreendê-lo-ás mais tarde”. 8Pedro insistiu: “Nunca consentirei que me laves os pés”. Jesus respondeu-lhe: “Se não tos lavar, não terás parte comigo”. 9Simão Pedro replicou: “Senhor, então não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça”. 10Jesus respondeu-lhe: “Aquele que já tomou banho está limpo e não precisa de lavar senão os pés. Vós estais limpos, mas não todos”. 11Jesus bem sabia quem O havia de entregar. Foi por isso que acrescentou: “Nem todos estais limpos”. 12Depois de lhes lavar os pés, Jesus tomou o manto e pôs-Se de novo à mesa. Então disse-lhes: “Compreendeis o que vos fiz? 13Vós chamais-Me Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque o sou. 14Se Eu, que sou Mestre e Senhor, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. 15Dei-vos o exemplo, para que, assim como Eu fiz, vós façais também”.

1. “Antes da festa da Páscoa”: A ceia de que aqui se fala (v. 2) não é descrita como sendo a Ceia Pascal dos Sinópticos (Mt 26, 17-35; Mc 14, 12-31; Lc 22, 7-39), mas não pode ser outra, por se tratar da mesma da noite em que Jesus foi preso. Se S. João se limita a dizer “antes da festa da Páscoa”, sem precisar que era a véspera (a Preparação), é porque ele quer que se entenda a morte de Jesus como a imolação do cordeiro pascal, ao colocá-la no mesmo dia (a Preparação: 19, 31.42) em que no templo eram imolados os cordeiros para a festa; sendo assim, evita intencionalmente o dar à Última Ceia qualquer carácter pascal; e pensamos que esta pode ser uma séria razão para não falar da instituição da Eucaristia, referida no discurso do Pão da Vida (cf. Jo 6, 51-58). “Amou-os até ao fim”, isto é, até à consumação (19, 30), indicando o seu amor de total entrega, até à morte (cf. 15, 13; 1 Jo 3, 16; Gal 2, 20), embora com esta não termine o seu amor, pois “não só até aqui nos amou quem nos ama sempre e sem fim” (Santo Agostinho); poderia aludir também ao amor na realização da Eucaristia de que S. João não conta a instituição, natural¬men¬te por já lhe ter dedicado todo o capítulo VI e, como já se disse, para evitar dar a esta ceia um carácter pascal. Outra tradução possível: “levou o seu amor por eles até ao extremo”. Jesus não só amou os seus até ao último momento da sua vida terrena, mas não podia amá-los mais: amou-nos até à loucura e da Cruz e da Eucaristia.

3 “Jesus, sabendo...” Lavar os pés era um ofício exclusivo de escravos (1 Sam 25, 41) e os rabinos chegavam a explicitar que só se devia impor esse humilhante serviço a escravos que não fossem da raça hebraica, baseando-se em Lv 25, 39. Jesus, ao sujeitar-se a esse trabalho aviltante, tem bem presente o seu poder e a sua dignidade de Filho de Deus. A oposição decidida de Pedro mostra o profundo choque causado pela atitude do Senhor. Não se pode estabelecer o momento exacto do lava-pés, pois não estavam previstas lavagens dos pés na Ceia, mas apenas o lavar das mãos; o que Jesus realiza é antes de mais uma acção simbólica, à maneira dos profetas. Talvez a discussão travada na Ceia sobre quem seria o maior dos Apóstolos (cf. Lc 22, 24) tenha levado Jesus a dar-lhes uma lição com o seu gesto: é maior aquele que mais serve. Aparecem dois significados no gesto de Jesus: um simbólico e outro de exemplo a imitar. Nos vv. 6-11, aparece mais o valor simbólico: Jesus é quem purifica os seus dos seus pecados e sem isso não se pode ter parte com Ele (v. 8), purificação que é um efeito da sua Morte redentora. Nos vv. 14-15, Jesus propõe o seu exemplo para ser imitado: “Eu vos lavei os pés, sendo Mestre e Senhor, também vós deveis lavar os pés uns aos outros”, isto é, prestar aos outros todos os serviços, mesmo os mais humildes e humilhantes. Ter autoridade na Igreja (e também na sociedade civil) não é ter à disposição os outros para ser servido, mas é estar à disposição de todos para os servir eficazmente. A vida cristã consiste em imitar o exemplo de Jesus Cristo: 1 Pe 2, 21; 1 Jo 2, 6; Fil 2, 5; 1 Cor 11, 1; Ef 5, 1; 1 Tes 1, 6...

Fonte: http://www.presbiteros.com.br

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segunda-feira, 17 de março de 2008

Da justificação dos santos - Santo Agostinho de Hipona (parte 3)

Capítulo IX - O autor reassume ensinamentos desenvolvidos com brevidade em outro trabalho

§17. Deveis lembrar-vos do que eu disse na pequena obra escrita contra Porfírio sob o título: O tempo da religião cristã. Fiz aquelas afirmações com a finalidade de omitir uma dissertação mais diligente e mais trabalhosa, sem deixar, no entanto, de indicar o verdadeiro significado da graça, porque não queria explanar naquela obra o que podia ser explicado em outras circunstâncias ou por outros autores. Entre outras coisas, respondendo à pergunta que me foi formulada: “Por que Cristo veio ao mundo depois de tantos séculos?”, afirmei o seguinte: Como não se põem contra Cristo pelo fato de nem todos seguirem sua doutrina — pois eles mesmos percebem que não se pode argumentar legitimamente deste modo, seja contra a sabedoria dos filósofos, seja contra a divindade de seus deuses—, o que responderão se, salvaguardando a profundidade da sabedoria e da ciência de Deus, na qual talvez se oculte um desígnio divino mais secreto e sem prejuízo também de outros motivos que podem ser investigados pelos entendidos, nós lhes disséssemos apenas isto, devido à brevidade na discussão deste assunto: que Cristo quis aparecer aos homens e anunciar-lhes a sua doutrina somente quando sabia existirem os que nele haveriam de crer? Pois, nos tempos e lugares, nos quais foi pregado seu evangelho, sabia por sua presciência que existiriam, com relação à sua pregação, tantos homens, como existiriam nos dias de sua presença corporal, embora nem todos, mas muitos deles não quiseram acreditar nele, apesar de ter ressuscitado muitos mortos. Agora também são muitos os que, apesar de se cumprirem com tanta evidência as predições dos profetas a seu respeito, não querem ainda crer e preferem resistir com astúcia humana em vez de se entregarem à autoridade divina tão clara, tão evidente, tão sublime e tão sublimemente manifestada, enquanto a inteligência humana se revela tão fraca e limitada para se conformar à verdade divina. Por que estranhar, se Cristo, que conhecia o estado do mundo nos tempos primitivos tão cheio de infiéis, não se lhes quisesse manifestar nem ser anunciado, já que sabia por sua presciência que não haveriam de acreditar pela pregação nem pelos milagres? E nem é incrível que todos fossem infiéis, quando vemos que, desde a sua vinda até os tempos de hoje, existiram e existem muitos também incrédulos. Contudo, desde o princípio do gênero humano, umas vezes de modo mais oculto e outras vezes mais às claras, conforme parecia a Deus acomodar-se aos tempos, nunca ele permitiu que faltassem profetas, nem faltassem os que nele acreditaram. E isso aconteceu antes de ele se encarnar no próprio povo de Israel, que por um singular mistério foi uma nação profética, e também nos outros povos. E como alguns são lembrados nos santos livros hebreus, mesmo desde o tempo de Abraão, mas não nascidos de sua linhagem nem do povo de Israel, que nem de algum grupo agregado ao povo de Israel, os quais, no entanto, participaram deste mistério da fé em Cristo, por que não acreditar que tenham existido outros crentes entre outros povos, aqui e acolá, embora não sejam mencionados nos referidos livros? Assim, o poder salvífico desta religião, a única verdadeira, pela qual se promete em verdade a verdadeira salvação, jamais faltou a alguém que dele fosse digno, e se a alguém faltou, é porque não foi digno. E ela é anunciada a alguns para recompensa, e a outros, para manifestação da justiça desde o começo das gerações humanas até o seu fim. Por isso, aqueles aos quais não foi absolutamente anunciada, ele sabia pela sua presciência que não haveriam de crer, e a quem foi anunciada, sabendo que não acreditariam, estes são revelados para exemplo dos outros. Porém, aqueles a quem é anunciada, pois hão de crer, são os que Deus prepara para o reino dos Céus e a companhia dos santos anjos” (Carta 102, nn. 14-15).

§18. Julgais que, sem prejuízo dos desígnios ocultos de Deus e de outras causas, quis dizer tudo isto sobre a presciência de Cristo, porque me parecia ser suficiente para convencer os incrédulos que me lançaram esta pergunta? O que há de mais verdade que o fato de Cristo ter sabido antecipadamente quais, quando e em que lugares existiriam os que nele haveriam de crer? Mas não considerei necessário investigar e discorrer naquele momento, se, depois de lhes ter sido anunciado o Cristo, teriam possuído a fé por si mesmos ou a teriam recebido de Deus como um dom, ou seja, se esta fé teria sido objeto apenas da presciência de Deus ou se Deus os teria predestinado. Portanto, o que afirmei: “Que Cristo quis aparecer aos homens e anunciar-lhes sua doutrina somente quando sabia e onde sabia existirem os que nele haveriam de crer”, pode-se dizer também deste modo: “Que Cristo quis aparecer aos homens e anunciar-lhes sua doutrina, quando sabia e onde sabia existirem os que tinham sido escolhidos nele antes da criação do mundo” (Ef 1,4). Mas porque, se tivesse feito estas afirmações, despertaria a atenção do leitor para a investigação dos ensinamentos que agora é mister discutir com mais extensão e esmero devido à censura do erro pelagiano, pareceu-me que então devia fazer com brevidade o que era suficiente, salvaguardando, como disse, a profundidade da sabedoria e ciência de Deus e sem prejuízo de outras causas. Considerando estas causas, julguei que devia discorrer não naquele momento, mas em outra ocasião e mais oportunamente.

Capítulo X - A diferença entre graça e predestinação

§19. Sobre o que afirmei antes: “O poder salvífico desta religião jamais faltou a alguém que dela fosse digno e, se a alguém faltou, é porque não foi digno”, se se discute e investiga a razão pela qual alguém é digno, não faltam os que dizem que é pela vontade humana. Nós, porém, dizemos que é pela graça ou predestinação divinas. Todavia entre a graça e a predestinação há apenas esta diferença: a predestinação é a preparação para a graça, enquanto a graça é a doação efetiva da predestinação. Assim, o que diz o Apóstolo: “Não vem das obras, para que ninguém se encha de orgulho. Pois somos criaturas dele, criados em Cristo Jesus para as boas obras,” significa a graça. O que se lê em continuação: “Que Deus já antes tinha preparado para que nelas andássemos” (Ef 2,9-10), indica a predestinação, que não existe sem a presciência, ao passo que a presciência se pode dar sem a predestinação. Pela predestinação, Deus previu o que havia de fazer, pelo que foi dito: “Fez as coisas do futuro (Is 45, seg. LXX).” Ele tem o poder de prever mesmo o que não faz, como são quaisquer pecados, ainda que haja pecados que o são como castigo de pecados, como está escrito: Deus os entregou à sua mente incapaz de julgar, para fazerem o que não presta (Rm 1,28); nisto não há pecado de Deus, mas justiça de Deus. Portanto, a predestinação de Deus, que é prática do bem, é, como disse, preparação para a graça, mas a graça é efeito da própria predestinação. Por isso, quando Deus prometeu a Abraão em sua descendência a fé de muitos povos, dizendo: “E tu serás pai de muitas gentes” (Gn 17,4-5), o que levou o Apóstolo a dizer: “A herança vem da fé, para que seja gratuita e para que a promessa fique garantida a toda a descendência,” não fez a promessa em virtude do poder de nossa vontade, mas devido à sua predestinação. Prometeu, pois, não o que os homens, mas o que ele havia de realizar. Porque, embora os homens façam o bem relativo ao culto de Deus, ele faz com que eles façam o que ordenou, e não depende deles que ele faça o que prometeu. Em caso contrário, para o cumprimento da promessa de Deus, dependeria do poder dos homens e não do de Deus, e o que pelo Senhor foi prometido, retribuiriam a Abraão. Não foi neste sentido que Abraão acreditou, mas acreditou, dando glória a Deus, convencido de que ele é capaz de cumprir o que prometeu (Rm 4,16-2 1). Não diz: “Predizer”, mas “Saber pela presciência”. Pois é capaz de também predizer e prever as ações alheias a si, mas diz: é capaz de cumprir, o que quer dizer: não obras estranhas a si, mas as próprias.

§20. Porventura Deus prometeu a Abraão na sua descendência as boas obras dos gentios, prometendo, portanto, o que ele mesmo faz? Não lhe prometeu a fé dos gentios, que é obra dos homens, mas, para prometer o que ele faz, não teve presciência da fé que seria obra dos homens? Não é este o pensamento do Apóstolo, pois Deus prometeu a Abraão filhos que seguissem suas pegadas na fé; é o que diz com toda a clareza. Mas se prometeu as obras dos gentios e não a fé, sem dúvida foi porque não existem boas obras a não ser pela fé, como está escrito: “O justo viverá da fé” (Hab 2,4), e: “Tudo o que não procede da boa fé é pecado” (Rm 14,23), e: “Sem a fé é impossível ser-lhe agradável” (Hb 11,6); contudo, o cumprimento do prometido por Deus depende do poder humano. Isso porque, se o homem não faz sem a graça de Deus o que depende de seu poder, Deus não fará por seu dom, ou seja, se o homem não tiver fé por si mesmo, Deus não cumpre o que prometeu, a fim de que as obras da justiça sejam obras de Deus. Por isso, o fato de Deus cumprir suas promessas não depende de Deus, mas do homem. Mas se a verdade e a piedade não impedem a fé, creiamos com Abraão que Deus é capaz de cumprir o que prometeu. Mas Deus prometeu a Abraão filhos, os quais não poderão sê-lo, se não tiverem fé. Portanto, Deus outorga também a fé.
(continua)

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sexta-feira, 14 de março de 2008

85 PERGUNTAS E RESPOSTAS (parte 7)

61. Deus nos deu cérebros para pensar por nós mesmos. Nós não precisamos de ajuda para entender as Escrituras.

Deus deu cérebros aos homens antes de Ele viesse lhes ensinar, e Ele veio ensiná-los justamente porque seus cérebros não podiam descobrindo as coisas que podiam lhe trazer a paz. Se você diz que Seus ensinos revelados nas Escrituras junto com nossos cérebros são o bastante, esses mesmos ensinos revelados mostram que não são. Até mesmo na velha lei, Deus disse, "Porque os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento, e da sua boca devem os homens buscar a lei porque ele é o mensageiro do SENHOR dos Exércitos." Mal. 2:7. Na nova lei, Cristo enviou a Igreja para ensinar os homens e transferiu para ela a autoridade que Deus deu aos sacerdotes da velha lei. No NT, nós vemos Felipe, o diácono, dizendo:"E, correndo Filipe, ouviu que lia o profeta Isaías, e disse: Entendes tu o que lês? E ele disse: Como poderei entender, se alguém näo me ensinar? E rogou a Filipe que subisse e com ele se assentasse".Atos 8:30. Também, são Pedro refuta suas idéias explicitamente. "Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretaçäo". IIPd. 1.20.

62. São Pedro queria dizer que os profetas não profetizavam por seu próprio desejo, mas pelo Espírito Santo. Ele não se refere a interpretação por nós.

Seu próprio bispo protestante Ellicott diz destes versos. "As palavras ‘interpretação privada' poderiam significar que os escritores sagrados não faziam sua profecias pela interpretação privada, mas por inspiração divina. Mas este não é o significado. O significado real é que o leitor não deve pensar interpretar em particular pelo cérebro humano".

63. Qualquer homem que pensa pode interpretar qualquer coisa.

Ele não pode. As mesmas leis do estado não estão sujeito à interpretação de cada e todo cidadão. Há o perigo de se pensar equivocadamente. Nos assuntos de direito civil, consulta-se um advogado que conhece prática legal e estatutos paralelos. Quem lhe dá o direito para ter maiores liberdades com legislação divina? Um homem que não conhece nada de hebraico ou grego, e não conhece exegese bíblica, interpreta erradamente o sentido das Escritura em centenas de lugares.

64. Cristo não prometeu que Ele enviaria o Espírito Santo para nos ensinar toda a verdade?

Ele não prometeu que o Espírito Santo ensinaria cada indivíduo separadamente. Se todo indivíduo estivesse sob a direção do Espírito Santo, todos que leram as Escrituras deveriam vir à mesma conclusão. Mas eles não fazem. Os caos horroroso sobre o significado das Escrituras são a prova de que o Espírito Santo não escolheu este meio de levar as pessoas à verdade. É blasfêmia dizer que o Espírito Santo não conhece Sua própria mente e que Ele leva os homens à contradição. Cristo prometeu preservar a igreja como uma Igreja pela direção do Espírito Santo, e a única Igreja da qual mostra sinais de ter sido preservada é a Igreja católica. O indivíduo é até certo ponto guiado pelo Espírito Santo à santidade, mas no conhecimento de verdade revelada ele será guiado pela Igreja católica que Cristo enviou para ensinar todas as nações.

65. Eu não vejo a necessidade de aprender para entender uma história simples para pessoas simples.

A Bíblia não é uma história simples para pessoas simples. Nós vivemos milhares de anos depois de que a Bíblia foi escrita, e nosso idioma e linguagem são agora muito diferentes. Nenhum livro escrito em uma época é fácil para época. O estudo das línguas antigas está disponível a alguns. De qualquer maneira, Deus nunca pretendeu que a Bíblia fosse o guia exclusivo da religião durante todo o tempo. Cristo ensinou oralmente e com autoridade, e Ele enviou a Igreja para ensinar da mesma maneira e com a mesma autoridade.

66. Como ajuda falar o hebraico ou grego? Porque alguém tem que saber o que as palavras originais significaram na língua original na qual as Escrituras foram escritas?

Um conhecimento de hebraico e grego mostra que os tradutores nem sempre acharam uma palavra inglesa para expressar o exato sentido do original. Deus inspirou os pensamentos dos escritores originais, não o trabalho dos tradutores. E se você ler uma sentido nas Escrituras que Deus não disse, você já não tem a Palavra de Deus.

67. Cristo escolheu pescadores pobres, não homens instruídos.

Ele os treinou pessoalmente, e infundiu nem suas mentes um conhecimento exato de Sua doutrina. Nós não podemos dizer que temos recebido uma revelação semelhante, porque nós não deveríamos nos comparar com eles.

68. Então os católicos têm que acreditar no que o padre lhes fala

O padre não pode falar para as pessoas só o que ele gosta. Ele é ensinado a falar o que o Cristo ensinou, e que foi ensinado no Nome de Cristo pela infalível Igreja católica .

69. Sua Igreja tem medo que as pessoas formem opiniões?

Se nós vermos que algumas das pessoas formaram opiniões próprias da leitura particular das Escrituras é preciso ter medo. O método de Cristo foi estabelecer uma Igreja pedagógica. Os protestantes têm um método peculiar, mas você não pode culpar a Igreja católica por não usar o método protestante, um método que conduziu para a incerteza e incredulidade.

70. Admitindo a necessidade de direção, nossos ministros protestantes não são tão capazes quanto os padres católicos em nos falar das Escrituras?

Eles poderiam mentir, se os padres não tivessem uma infalível Igreja católica para os guiar. A Igreja católica tem a ajuda especial do Espírito Santo, e o padre tem a ajuda dela ao falar de doutrinas e a tradição católica constante como uma proteção. Mas seus ministros protestantes não dizem ser os porta-vozes de uma Igreja infalível, mas em seus princípios eles têm que admitir que eles estão possivelmente errados. De fato, e onde todos os padres são de acordo nos ensinos essenciais das Escrituras, seus ministros vêm a todos os tipos de conclusões contraditórias. A unidade do ensino entre padres católicos é uma indicação da capacidade do caos que prevalece fora da Igreja católica. Mas a capacidade dos padres católicos tem pouco a ver com ensino autorizado. É derivado da autoridade da infalível Igreja católica.

(continua)

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terça-feira, 11 de março de 2008

Embrião congelado por 8 anos produz bebê

CLÁUDIA COLLUCCI
Enviado especial da Folha de S.Paulo a Mirassol

Aos seis meses de idade, Vinícius é um bebê que adora papinha de mamão, já tenta sair sozinho do carrinho e dá sonoras gargalhadas durante o banho. O menino foi gerado a partir de um embrião congelado durante oito anos, um recorde no país. Pelos critérios da Lei de Biossegurança, seria um embrião indicado para pesquisas com células-tronco embrionárias.

Caio Guatelli/Folha Imagem
Menino foi gerado a partir de um embrião congelado durante oito anos, um recorde
Menino foi gerado a partir de um embrião congelado durante oito anos, um recorde

A lei, aprovada em 2005, enfrenta uma ação de inconstitucionalidade movida pelo ex-procurador-geral da República, o católico Claudio Fonteles. Ele acha que destruir embriões de cinco dias para a extração de células para pesquisa viola a Constituição, que garante o direito à vida.

O julgamento da ação no Supremo Tribunal Federal foi interrompido na última quarta-feira por um pedido de vista do ministro Carlos Alberto Menezes Direito.

Vinícius nasceu após quase 20 anos de tentativas de gravidez do casal Maria Roseli, 42, e Luiz Henrique Dorte, 41, de Mirassol (SP), que incluíram quatro fertilizações in vitro (FIV) e três abortos de gêmeos no terceiro mês de gestação. A mulher tinha endometriose e o marido, má qualidade dos espermatozóides, fatores que impediam uma gravidez natural.

Na última FIV, feita em 1999, Maria Roseli produziu nove embriões. Transferiu quatro para o útero, mas não engravidou. O casal decidiu então congelar os cinco embriões restantes. "Resolvemos dar um tempo. Não suportaria a dor de mais um aborto", relata a mãe.

Naquele mesmo ano, adotaram Paulo Henrique, à época com um ano e seis meses. "Era um menino frágil, cheio de problemas de saúde. Ficamos tão envolvidos com ele que nem percebemos o tempo passar."

Em 2006, o casal recebeu um telefonema da clínica de reprodução em Ribeirão Preto, onde haviam feito o tratamento, questionando sobre o destino que pretendiam dar aos cinco embriões. "Resolvemos transferir, mas sem muita esperança de dar certo", conta Luiz Dorte.

Em três ocasiões, a transferência dos embriões congelados para o útero teve de ser adiada porque o endométrio de Maria Roseli não atingia a espessura mínima. Em fevereiro de 2007, os embriões foram, enfim, descongelados. Três sobreviveram e foram transferidos ao útero de Maria Roseli. Um se fixou. "Nem comemorei muito porque tinha o fantasma dos abortos aos três meses que ficava me rondando", diz ela.

Com 28 semanas de gestação, ela sofreu uma hemorragia provocada pelo rompimento de duas veias na placenta e o parto teve de ser induzido para preservar a vida da mãe. Vinícius nasceu com 1,2 kg medindo 36 cm e, dez dias depois, chegou a pesar 840 gramas.

Foram necessários 22 dias de UTI neonatal e mais um mês de internação hospitalar para que o menino atingisse 1,8 kg e tivesse alta da maternidade.

"Meu filho venceu oito anos de congelamento e a prematuridade. Imagine se eu tivesse desistido dele e doado o embrião para pesquisa? Acredito sim que há vida [nos embriões], o Vinícius é a prova disso", diz Maria Roseli, católica praticante. Ela afirma ser favorável às pesquisas com células-tronco embrionárias, mas "não teria coragem" de doar seus embriões para esse fim.

O ginecologista José Gonçalves Franco Júnior, detentor do maior banco de criopreservação do país, onde os embriões de Maria Roseli ficaram, também aposta na viabilidade dos congelados. Sua clínica já obteve 402 nascimentos de bebês a partir de embriões criopreservados, a maioria acima de três anos de congelamento.

"É uma loucura falarem que embrião congelado há mais de três anos é inviável. E isso não tem nada a ver com religião. A viabilidade é um fato e ponto. Os maiores centros de reprodução na Europa defendem o congelamento de embriões como forma de evitar a gravidez múltipla", afirma o médico.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u380351.shtml


(Destaques meus)

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segunda-feira, 10 de março de 2008

85 PERGUNTAS E RESPOSTAS (parte 6)

51. A vulgata é a versão oficial de sua Igreja?

A vulgata latina de são Jerônimo é o texto oficial na Igreja católica, e todos os estudiosos protestantes e católicos admitem ter sido o melhor até a Reforma. O concílio de Trento, em 1546, emitiu um decreto e afirmou como a única reconhecida e autorizada permitida aos católicos. A versão Douay inglesa vem da vulgata.

52. A Bíblia não foi impressa em qualquer idioma até 1500 anos depois do nascimento de Cristo.

Como poderia se ainda não havia a imprensa? O que aconteceria ao princípio protestante de "só Bíblia e a Bíblia só" se a imprensa nunca fosse descoberta? Se nós vivêssemos antes da época de John Gutenberg descobrir a arte da impressão no décimo quinto século nós deveríamos ler manuscritos de algum monge ou freira que escreveram uma cópia da Bíblia em páginas de pergaminho ou vellum. Nós converteríamos o mundo comercializando Bíblias para os pagãos? Como fica então quem vivia antes da imprensa? Como as nações conheceram a Bíblia antes da imprensa? Cristo desejou salvar tanto quem vivia antes da imprensa como depois dela. Se a leitura da Bíblia fosse o único meio de salvação, como fica quem não podia ler e quem era muito pobre para comprar?

A MAIOR BOBAGEM DE TODA A HISTÓRIA é que as pessoas não entendem que não havia nenhuma única BÍBLIA CRISTÃ no mundo durante os primeiros 300 anos do cristianismo e que elas não percebem o fato que a Bíblia não foi multiplicada em cópias impressas até 1,400 anos depois de Cristo.

53. Todos os ministros acreditam que a Bíblia é a Palavra inspirada de Deus?

Não. O professor G. H. Betts, da Northwestern University, enviou não há muito tempo uma lista de 56 perguntas sobre religião e teologia para 1,309 ministros protestantes em serviço ativo, e para 5 seminários teológicos protestantes. Entre 700 e 800 ministros respondidos, e também um grande número de estudantes nos 5 seminários. Eis aqui os resultados relativo à Bíblia como publicado pelo Prof. Betts, ele um protestante: 2% dos ministros luteranos, 38% dos ministros batistas, 56% dos ministros presbiterianos, 60% dos ministros da igreja anglicana, 65% dos ministros metodistas, 83% dos ministros congregacionais e 92% dos estudantes negaram ou duvidaram da inspiração divina das Escrituras. Devido a esta revelação espantosa vemos quem, realmente, é o inimigo da Bíblia.

54. As seitas protestantes dizem serem fundadas na Bíblia, e só pela Bíblia. ENTÃO POR QUE É QUE TEMOS TANTAS DELAS?

Porque há tantas interpretações diferentes sobre a Bíblia. É o triste resultado da doutrina do direito de julgamento privado. Toda denominação protestante afirma ser fundada nas Escrituras. Então como pode todas elas estarem certas? Quem está certo: o metodista, o luterano, o batista ou o da igreja anglicana? Eles não podem ter razão porque todos diferem em doutrina e governo. Se eles não diferem, então por que eles são separados? O protestantismo diz, "Deixe cada um ler a Bíblia e então o Espírito Santo o guiará na verdade." Bem, então o Espírito Santo deve ser culpado pela Babilônia de religiões que nós temos. Se o Espírito Santo guia um homem quando ele se torna um batista, se ele guia outro quando ele se torna qualquer outra coisa e assim por diante até pessoas deixarem a religião completamente. O Espírito Santo não inspira ninguém a usar sua própria interpretação. O Espírito Santo foi dado para a Igreja e não para indivíduos no ensino da verdade.

Por via de analogia, suponhamos que nossa Constituição dos Estados Unidos fosse nossa Bíblia da Democracia. Pense na confusão que aconteceria se todo Tom, Dick, e Harry que usar o direito de julgamento privado interpretassem as leis de nossa nação como eles se sentissem inspirados pelo Espírito Santo. Veja o que aconteceria a nossos 48 estados se nós não tivéssemos o Supremo Tribunal para nos dizer o que a Constituição está dizendo. Sem o Supremo Tribunal nossa nação viria a um fim como democracia se nós admitirmos o princípio absurdo e enganador do julgamento privado. Como nós temos que manter um Supremo Tribunal no governo é ainda mais racional e razoável que nós tenhamos uma Autoridade Suprema para interpretar a Bíblia, nossa Constituição de cristianismo, para evitar aconfusão religiosa? A autoridade formal para interpretar a Bíblia é o Supremo Tribunal da Igreja católica que deu a Bíblia para o mundo.

55. Lutero foi a favor da doutrina do julgamento privado?.

Sim. Foi inaugurado por ele e logo após, quando ele viu as numerosas seitas crescendo e multiplicando, ele disse em sua Epis ad Zwingli (ap. Balmes, pág. 423), "Se o mundo durar por muito tempo, será novamente necessário, por causa das muitas interpretações que são dadas agora às Escrituras, receber os decretos dos concílios, e ter refúgio neles para preservar a unidade da fé".

56. Lutero reconheceu o perigo do julgamento privado?

Ele diz isto, como citado em "An Meine Kritiker" (por Johannes Jorgensen, pág. 181): "há muitas seitas e convicções como há cabeças; este aqui não admite o batismo; aquele rejeita o sacramento do altar; outros acreditam num mundo entre o presente e o dia do julgamento; alguns ensinam que Jesus Cristo não é Deus. Não há ninguém, por mais engraçado que possa ser, que não diz ser inspirado pelo Espírito Santo, e que não aumenta em profecias seus sonhos e devaneios". Nós temos mais de 60 milhões de americanos indiferentes para as doutrinas de seus antepassados protestantes porque "Em religião, qualquer um pode chegar e dizer que sua doutrina foi aprovada por Deus".

57. Alguns falam de 72 livros e outros falam de 73 livros na Bíblia católica.

Alguns editores adicionam as Profecias de Jeremias com as Lamentações de Jeremias e entendem um livro de ambos, respondendo assim por 72 livros, e outros editores separam Jeremias de Lamentações em dois livros que fazem 73 livros assim.

58. Onde você encontra a declaração que Lutero descobriu a Bíblia?

No Almanaque Mundial luterano e Enciclopédia Anual de 1923, você achará a velha falsidade que diz assim: O "incomparável Lutero" deu para o mundo "A Bíblia Aberta". . . ". "Na universidade ele descobriu uma Bíblia latina encadeada," o estudo de qual "trouxe-lhe a paz de mente que ele procurava e a garantia de justificação e de salvação só pela fé só, sem as obras da lei. . . " Que havia uma "Bíblia latina encadeada" na universidade é muito provável. Até mesmo hoje são encadeados livros de telefone públicos com a finalidade dos manter no lugar formal deles/delas. As Bíblias eram encadeadas até no púlpito, rostro ou mesa do monastério, para que os ladrões que haviam naquela época não furtasse. A Igreja encadeou a Bíblia não para afastá-la das pessoas mas para dá-la às pessoas. Uma Bíblia dessa época, declara o estudioso protestante, dr. Maitland, valeria em torno de $1,000, porque era uma cópia manuscrita feita em pergaminho caro ou vellum. Você ainda verá Bíblias encadeadas hoje em igrejas no continente do Mundo Velho, em monastérios, e museus por óbivas razões. Que Lutero teve acesso à Bíblia quando jovem é atestado por ele em suas "Conversas à Mesa": (ed. 1566, pág. 22). "Quando eu era jovem, eu me familiarizei com a Bíblia, lia freqüentemente, assim eu poderia ver que tudo o que se falava estava escrito".

59. O Evangelho de Cristo é simples.

De um certo modo é. Nos fala claramente que Cristo estabeleceu uma Igreja definida que Ele comissionou para ensinar todas as nações. É muito simples deste ponto de vista, porque os homens têm que aceitar a Igreja católica, e serem ensinados por ela. Mas o Evangelho não é simples do modo que você diz. Os homens dedicaram as vidas ao estudo dos Evangelhos e se prepararam para a tarefa através de pesquisa profunda no hebraico, sírio, árabe, idiomas gregos, e latinos. E por isso, muitas passagens são muito difíceis de entender.

60. Mas pelo menos o plano de salvação pode ser entendido pelas pessoa simples. Nós, protestantes dizemos a nossos filhos que leiam as Bíblias para entendê-lo.

De acordo com os achados de seus leitores simples deve haver centenas de planos contraditórios de salvação, todos revelados por Cristo. Como para a capacidade de suas crianças, você pode dar para elas o artigo "Análise Espectroscópica" da Encyclopaedia Brittanica para seus estudos. Mas a própria Bíblia está contra sua teoria. Assim, são Pedro diz que nas Escritura "há certas coisas difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem, e igualmente as outras Escrituras, para sua própria perdiçäo". IIPd. 3.16. Para ele a interpretação privada das Escrituras pode ser muito perigosa.

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quarta-feira, 5 de março de 2008

Da Justificação dos Santos - Santo Agostinho de Hipona (parte 2)

Capítulo IV - A revisão de sua doutrina pelas Retratações

§8. Assim tomais conhecimento sobre o que eu pensava então sobre a fé e as obras, embora me esforçasse em prestigiar a graça de Deus. Vejo agora que esses nossos irmãos abraçam esta opinião porque não cuidaram de progredir comigo do mesmo modo que se interessaram em ler os meus livros. Pois, se tivessem tido esta preocupação, teriam encontrado resolvida esta questão de acordo com a verdade das divinas Escrituras no primeiro dos dois livros que, no começo de meu episcopado, escrevi a Simpliciano, de feliz memória, bispo da Igreja de Milão, sucessor do bem-aventurado Ambrósio. A não ser que não os conheceram e, se assim for, fazei com que os conheçam. Deste primeiro dos dois livros falei primeiramente no segundo das Retratações, onde me expresso nos seguintes termos: “Dos livros que elaborei, sendo já bispo, que tratam de diversas questões, os dois primeiros são dedicados a Simpliciano, prelado da Igreja de Milão, que sucedeu ao bem-aventurado Ambrósio. Duas das questões, tomadas da carta de Paulo apóstolo aos romanos, reuni no primeiro livro. A primeira enfoca o que está escrito: Que diremos, então? Que a lei é pecado? De modo algum! até onde diz: Quem me libertará deste corpo de morte? Graças sejam dadas a Deus, por Jesus Cri sto Senhor nosso (Rm 7,7-25). Nesta questão, as palavras do Apóstolo: A lei é espiritual, mas eu sou carnal (Rm 14), e as demais onde se declara a luta da carne contra o espírito, de tal modo expus, como se o ser humano estivesse sob a lei e não libertado pela graça. Pois compreendi muito mais tarde que tais palavras podiam se referir também ao homem espiritual, o que é mais provável. A segunda questão neste primeiro livro abrange a passagem onde diz: E não é só. Também Rebeca, que conceberá de um só, de Isaac, nosso pai, até o trecho onde afirma: Se o Senhor Sabaot não nos tivesse preservado um germe, teríamos ficado como Sodoma, teríamos ficado como Gomorra (Rm 9,10-29). Na solução desta questão trabalhou-se certamente pelo triunfo do livre-arbítrio, mas a graça de Deus venceu. E não se podia chegar a esta conclusão, senão entendendo corretamente o que disse o Apóstolo: Pois quem é que te distingue? Que é que possuis, que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que haverias de te ensoberbecer como se não o tivesses recebido? (1Cor 4,7). O que o mártir Cipriano pretendia demonstrar, define-o cabalmente com este título: “Em nada nos devemos gloriar, porque nada é nosso” (Retratações 1, c.1, n. 1). Eis a razão pela qual disse acima que me havia convencido desta questão principalmente por este testemunho apostólico, quando sobre ela pensava de modo diferente. Deus me inspirou a solução, quando, conforme disse, escrevia ao bispo Simpliciano. Portanto, este testemunho do Apóstolo, onde ele disse para se refrear o orgulho humano: O que possuis que não tenhas recebido, não permite a nenhum fiel dizer: “Tenho a fé que não recebi”. Toda tentativa de soberba fica assim reprimida com as palavras desta resposta. Mas o seguinte se pode dizer: “Ainda que não tenha a fé perfeita, tenho, contudo, seu começo, pela qual primeiramente acreditei em Cristo”. Isso porque então não se pode responder: O que possuis que não recebeste? E, se o recebeste, por que haverias de te ensoberbecer como se não o tivesses recebido? (1Cor 4,7).

Capítulo V - A gratuidade refere-se também à fé; não somente aos bens da natureza

§9. O que esses irmãos pensam, ou seja: “Quando se trata do começo da fé, não se pode dizer: O que possuis que não recebeste?, porque permaneceu na própria natureza, embora contaminada, o que lhe foi dado quando sã e perfeita” (Carta de Hilário, n. 4), não deve ser entendido para o que pretendem valorizar, se se pensa a razão pela qual o Apóstolo fez esta afirmação: Pois tratava ele de que ninguém se gloriasse no homem, já que haviam surgido dissensões entre os cristãos de Corinto a ponto de dizerem: “Eu sou de Paulo!' ou “Eu sou de Apolo!' ou “Eu sou de Cefas!” e por isso veio a dizer: O que é loucura no mundo, Deus o escolheu para confundir os sábios; e o que é fraqueza no mundo, Deus o escolheu para confundir o que é forte; e o que no mundo é vil e desprezado, o que não é, Deus escolheu para reduzir a nada o que é, a fim de que nenhuma criatura se possa vangloriar diante de Deus. Nestas palavras percebe-se a intenção muito clara do Apóstolo contra a soberba humana, a fim de que ninguém se glorie no homem e, portanto, nem em si mesmo. Finalmente, depois de dizer: A fim de que nenhuma criatura se possa gloriar diante de Deus, para mostrar em que o homem se deve gloriar, acrescentou imediatamente: E por ele que vós sois em Cristo Jesus, que se tornou para nós sabedoria proveniente de Deus, justiça, santificação e redenção, a fim de que, como diz a Escritura, “aquele que se gloria, glorie-se no Senhor” (1Cor 1,12.27-31). Estas palavras foram o apoio para manifestar sua intenção para dizer em repreensão: Visto que ainda sois carnais. Com efeito, se há entre vós invejas e rixas, não sois carnais e não vos comportais de maneira meramente humana? Quando alguém declara: “Eu sou de Paulo”, e outro diz: “Eu sou de Apolo” não procedeis de maneira meramente humana? Quem é, portanto, Apolo? Quem é Paulo? Servidores, pelos quais fostes levados à fé; cada um deles aqui segundo os dons que o Senhor lhe concedeu. Eu plantei, Apoio regou; mas era Deus quem fazia crescer. Assim, pois, aquele que planta, nada é; aquele que rega, nada é; mas importa somente Deus que dá o crescimento. Percebeis que o Apóstolo não pretende outra coisa, senão que o homem se humilhe e apenas Deus seja exaltado? Pois, ao se referir aos que são plantados ou regados, afirma que nada são o que planta ou que rega, mas o que dá o crescimento, ou seja, Deus. O mesmo diz se aquele planta e este rega; não devem atribuir a si mesmos, mas ao Senhor, ao afirmar: Cada um deles agiu segundo os dons que o Senhor lhe concedeu. Eu plantei, Apoio regou. Persistindo no mesmo propósito, vem a dizer: Por conseguinte, ninguém procure nos homens motivo de orgulho (1Cor 5-6.2 1). Pois dissera antes: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor Depois destas e algumas outras palavras, que com estas se relacionam, sua intenção o leva a dizer: Nisso tudo, irmãos, eu me tomei como exemplo juntamente com Apolo por causa de vós, a fim de que aprendais a nosso respeito a máxima: “Não ir além do que está escrito” e ninguém se ensoberbeça, tomando o partido de um contra o outro. Pois quem é que te distingue? Que é que possuis que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que haverias de te ensoberbecer como se não o tivesses recebido? (1Cor 4,6-7).

§10. Conforme entendo, seria o maior absurdo supor que, nesta mais que evidente intenção do Apóstolo de falar contra a soberba humana para evitar que ninguém se glorie nos homens, mas em Deus, esteja ele se referindo aos dons naturais, seja os da natureza cabal e perfeita outorgada na primeira condição, seja quaisquer vestígios da natureza decaída. Porventura, mediante tais dons comuns a todos, os homens se distinguem uns dos outros? No referido texto, o Apóstolo disse primeiramente:Quem é que te distingue? e acrescentou à continuação: Que é que possuis que não tenhas recebido? Pois uma pessoa cheia de orgulho poderia dizer a outra: “Distinguem-me minha fé, minha justiça” ou coisa semelhante. Vindo ao encontro de tais pensamentos, o bom Doutor diz: “O que possuis que não recebeste? E de quem recebeste, senão daquele que te distingue do outro, ao qual não concedeu o que te concedeu?”. “E, se o recebeste, diz ele, por que te glorias como se não o tivesses recebido?” Pergunto eu: não insiste o Apóstolo em que alguém que se gloria, glorie-se no Senhor? Mas nada tão oposto a este sentido que o gloriar-se alguém de seus merecimentos, como se ele mesmo praticasse tais obras meritórias e não pela graça de Deus. Refiro-me à graça que distingue os bons dos maus, não à que é comum aos bons e aos maus. Portanto, se a graça representa os atributos da natureza, que nos faz animais racionais e nos distingue dos simples animais; se ela representa os atributos da natureza, que causa diferenças entre os homens normais e os disformes ou entre os inteligentes e os retardados, e assim outros atributos semelhantes, aquela pessoa, repreendida pelo Apóstolo, não se ensoberbecia contra um animal ou contra alguma pessoa no tocante a algum dote natural, ainda que fosse de ínfimo valor. Mas orgulhava-se de algum bem referente à vida de santidade, não atribuindo a Deus mas a si, e por isso mereceu ouvir: Quem é que te distingue? Que é que possuis que não tenhas recebido? Mesmo sendo dom natural o poder ter fé, acaso o é também possuí-la? Pois nem todos têm fé (2Ts 3,2), embora todos possam tê-la. O Apóstolo não diz: “O que podes ter que não recebeste para poder possuí-la?”. Mas diz: Que é que não possuis que não recebeste? Por conseguinte, o ser capaz de ter fé, assim como ser capaz de ter caridade, é próprio da natureza humana. Mas ter fé, assim como ter caridade, é próprio da graça nos que crêem. A natureza, que nos dá a possibilidade de ter fé, não distingue um ser humano do outro, mas a fé distingue um crente do não crente. Por isso, quando se diz: Quem é que te distingue? Que é que possuis que não recebeste? quem ousa afirmar: “Tenho a fé por minha iniciativa; portanto, não a recebi”? Tal pessoa contradiz esta verdade evidente, não porque o crer ou não crer não dependa do livre-arbítrio humano, mas porque a vontade nos eleitos é preparada pelo Senhor (Pr 8, seg. LXX). Portanto, no campo da fé, que depende da vontade, procedem as palavras: Quem é que te distingue? Que é que possuis que não recebeste?

Capítulo VI - Os insondáveis juízos de Deus e a predestinação dos santos

§11. “São muitos os que ouvem a palavra da verdade, mas uns crêem, outros a contradizem. Os primeiros querem crer, ao passo que os segundos não o querem.” Quem ignora este fato? Mas como naqueles a vontade é preparada pelo Senhor, o que não acontece com os segundos, é preciso distinguir o que vem da sua misericórdia e o que vem de sua justiça. Diz o Apóstolo: Aquilo a que tanto aspira, Israel não conseguiu: conseguiram-no, porém, os escolhidos. E os demais ficaram endurecidos. Como está escrito: “Deu-lhes Deus um espírito de torpor, olhos para não verem, ouvidos para não ouvirem, até o dia de hoje”. Diz também Davi: Que sua mesa se transforme em cilada, em motivo de tropeço e justa paga. Que seus olhos fiquem escuros para não verem, e faze que eles tenham sempre seu dorso encurvado. Eis a misericórdia e o juízo; misericórdia para a eleição que alcançou a justiça de Deus; juízo para os demais que ficaram cegos. No entanto, os que quiseram, acreditaram; os que não quiseram, não acreditaram. Portanto, a misericórdia e a justiça verificaram-se nas próprias vontades. Pois esta eleição é obra da graça, não dos méritos. Um pouco antes o Apóstolo dissera: Assim também no tempo atual constituiu-se um resto segundo a eleição da graça. E se é por graça, não é pelas obras; do contrário a graça não é mais graça (Rm 11,5-10). Portanto, gratuitamente foi alcançada porque foi alcançada a eleição. Da parte deles não a precedeu nenhum mérito que pudesse ser apresentado antes e a eleição significasse uma retribuição. Salvou-os à custa de nada. Os outros ficaram cegos e receberam em retribuição, como o texto esclarece. Todas as veredas do Senhor são graça e fidelidade (Sl 24,10). Pois são impenetráveis seus caminhos (Rm 11,33). Por conseguinte, são impenetráveis a misericórdia pela qual liberta gratuitamente e a verdade pela qual julga com justiça.

Capítulo VII - A fé é o fundamento da vida espiritual

§12. É possível que alguém diga: “O Apóstolo faz distinção entre a fé e as obras, pois afirma que a graça não procede das obras, mas não diz que não procede da fé”. É verdade, mas Jesus assevera que a fé é obra de Deus e a exige para a prática das boas obras. Pois disseram-lhe os judeus: “Que faremos para trabalhar nas obras de Deus?”. Respondeu-lhes Jesus: “A obra de Deus é que acrediteis naquele que ele enviou” (Jo 6,28-29). Neste sentido, portanto, o Apóstolo faz distinção entre a fé e as obras, assim como nos dois remos hebreus se diferencia Judá de Israel, apesar de Judá ser Israel. O Apóstolo assegura que o homem se justifica pela fé, e não pelas obras (Gl 2,16), porque a primeira é concedida em primeiro lugar e, a partir dela, alcançamos o restante que é chamado propriamente de obras, mediante as quais se vive a justiça. São também palavras do Apóstolo: Pela graça fostes salvos, por meio da fé, e isso não vem de vós, é o dom de Deus, ou seja, e o que disse: “pela fé que não vem de vós, mas é dom de Deus”. Não vem das obras, diz ele, para que ninguém se encha de orgulho (Ef 2,8-9). Costuma-se dizer: “Mereceu crer, porque era homem justo mesmo antes de crer”. Pode dizer isto a respeito de Cornélio, cujas esmolas foram aceitas e as orações ouvidas antes de crer em Cristo (At 10,4), mas ele não distribuía esmolas e orava privado totalmente de fé. Pois como podia invocar aquele no qual não acreditava? (Rm 10,14). E se pudesse obter a salvação sem a fé em Cristo, não lhe seria enviado o apóstolo Pedro como arquiteto para edificá-lo, já que se o Senhor não edificar a casa, é em vão que trabalham os que a edificam (51 126,1). E ainda dizem: “A fé é obra nossa, e do Senhor tudo o mais que diz respeito às obras da justiça”, como se a fé não fizesse parte do edifício, como se, digo eu, o edifício não incluísse o alicerce. Mas se antes de mais nada e principalmente o inclui, em vão trabalha pela pregação edificando a fé, se o Senhor não a edificar interiormente pela misericórdia. Por isso, todo o bem praticado por Cornélio, antes de crer em Cristo, quando acreditou e depois de crer, tudo se há de atribuir a Deus, a fim de que ninguém se encha de orgulho.

Capítulo VIII - Comentário sobre a sentença: “Quem escuta o ensinamento do Pai e dele aprende, vem a mim” — Mistério dos desígnios de Deus

§13. Nosso único Mestre e Senhor, depois de ter proferido a sentença mencionada acima: A obra de Deus é que acrediteis naquele que ele enviou, disse depois no mesmo discurso: Eu, porém, afirmo: vós me vedes, mas não acreditais. Todo aquele que o Pai me der vem a mim. Quem é que virá a mim, senão o que há de acreditar em mim? Mas sua efetivação é concessão do Pai. É o que diz um pouco depois: Ninguém pode vir a mim, se o Pai, que me enviou, não o atrair; e eu o ressuscitarei no último dia. Está escrito nos Profetas: “E todos serão ensinados por Deus. Quem escuta o ensinamento do Pai e dele aprende vem a mim (Jo 6,29.36.37.43-45). O que significa: Quem escuta o ensinamento do Pai e dele aprende vem a mim, senão: “Não há ninguém que escute o ensinamento do Pai e dele aprende que não venha a mim”. Pois, se todo aquele que escuta o Pai e dele aprende, vem, conseqüentemente todo aquele que não vem, não ouviu o Pai, nem dele aprendeu, pois se tivesse ouvido e aprendido, viria. E nenhum que escutou e aprendeu, deixou de vir: mas diz a Verdade: vem quem escuta o ensinamento do Pai e dele aprende. É muito estranha aos sentidos corporais esta escola, em que o Pai é ouvido e ensina para que se venha ao Filho. Ali está também o próprio Filho, porque ele é seu Verbo, por cujo intermédio ele ensina, e não o faz com os ouvidos carnais, mas com os do coração. Também está ali o Espírito do Pai e do Filho, pois ele não deixa de ensinar nem ensina separadamente, já que aprendemos que as obras da Trindade são inseparáveis. E ele é o Espírito Santo, do qual afirma o Apóstolo: Tendo o mesmo Espírito de fé (2Cor 4,13). Contudo, atribui-se principalmente ao Pai, porque o Unigênito é dele gerado e dele procede o Espírito Santo. Mas seria prolixo discorrer a esse respeito e, por outro lado, creio que chegou às vossas mãos o meu trabalho sobre a Trindade, que é Deus, constando de quinze livros. É muito estranha, repito, aos sentidos corporais esta escola em que Deus é ouvido e ensina. Vemos muitos vir ao Filho, porque vemos muitos crer em Cristo, mas não vemos como e onde ouviram isto do Pai e aprenderam. Esta graça é deveras secreta, mas quem duvida que seja uma graça? Com efeito, esta graça, conferida ocultamente aos corações humanos pela divina liberalidade, não é recusada por nenhum coração por mais endurecido que seja. Pois é conferida para, primeiramente, destruir a dureza do coração. Portanto, quando o Pai é ouvido interiormente e ensina para que se venha ao Filho, retira o coração de pedra e dá um coração de carne, como prometeu pela pregação do profeta (Ez 11,19). Assim ele forma os filhos da promessa e os vasos de misericórdia que preparou para a glória.

§14. Portanto, por que não ensina a todos para que venham a Cristo, senão porque todos os que ele ensina, ensina pela misericórdia, e os que não os ensina, não os ensina por sua justiça? Ele faz misericórdia a quem quer e endurece a quem ele quer. Mas se compadece conferindo bens e endurece retribuindo os pecados. Ou se estas palavras, como alguns preferiram entender, referem-se àquele a quem o Apóstolo diz: Dar-me-ás então, para que se entenda que foi ele que disse: Do modo que ele faz misericórdia a quem quer e endurece a quem ele quer, e as palavras que vêm à continuação, ou seja: Por que ele ainda se queixa? Quem, com efeito, pode resistir à sua vontade?, acaso a resposta do Apóstolo foi nestes termos: “O homem! é falso o que disseste?”. Não, mas foi nestes termos: Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus? Vai acaso a obra dizer ao artista: “Por que me fizeste assim? O oleiro não pode formar de sua massa..., e o restante que bem conheceis. Contudo, de certo modo o Pai ensina todos a vir a seu Filho. Não é sem razão que está escrito nos Profetas: E todos serão ensinados por Deus. Depois de aludir a este testemunho, então acrescenta: Quem escuta o ensinamento do Pai e dele aprende, vem a mim. Assim como, ao nos referir a um único professor de letras da cidade, dizemos corretamente: “Ele ensina a todos a literatura”, não porque todos recebem dele o ensinamento, mas porque não aprende a não ser com ele quem em tal cidade aprende literatura, assim digamos também com exatidão: “Deus ensina todos a vir a Cristo”, não porque todos venham, mas porque ninguém vem de outro modo. A razão pela qual não ensina a todos, o Apóstolo declarou à medida que julgou suficiente, porque, querendo manifestar sua ira e tornar conhecido seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, prontos para a perdição, a fim de que fosse conhecida a riqueza de sua glória para os vasos de misericórdia, preparados para a glória (Rm 9, 18-23). Por isso, a linguagem da cruz é loucura para aqueles que se perdem, mas para aqueles que se salvam, para nós, é poder de Deus (1Cor 1,18). A estes todos Deus ensina a virem a Cristo, pois a todos estes quer que se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade (lTm 2,4). Se quisesse ensinar também a vir a Cristo aqueles para os quais a linguagem da cruz é loucura, sem dúvida eles viriam. Pois não engana nem se engana aquele que diz: Quem escuta o ensinamento do Pai e dele aprende, vem a mim. Longe de pensar que deixa de vir algum que ouviu o ensinamento e aprendeu.

§15.Por que, perguntam eles, não ensina a todos? Se dissermos assim: aqueles que ele não ensina, não querem aprender, responder-nos-ão: E como entender o que está escrito: Porventura não nos tornarás a dar a vida? (Sl 84,7). Ou se Deus não faz querer os que não querem, por que a Igreja reza pelos perseguidores conforme o preceito do Senhor? (Mt 5,44). Pois neste sentido entendeu Cipriano as palavras que pronunciamos: Seja realizada a tua vontade na terra, como é realizada nos Céus (Mt 6,10), ou seja, como é realizada naqueles que já creram e são como o céu, assim também se realiza naqueles que não crêem, pelo qual são ainda terra. Portanto, por que pedimos em favor dos que não querem crer, a não ser para que Deus opere neles o querer? (Fl 2,13). O Apóstolo diz claramente a respeito dos judeus: Irmãos, o desejo do meu coração e a prece que faço a Deus em favor deles é que sejam salvos (Rm 10,1). O que pede pelos que não crêem, senão que creiam? De outro modo, não alcançariam a salvação. Pois, se a fé dos que crêem antecede a graça de Deus, acaso a fé daqueles pelos quais se pede que creiam antecede a graça de Deus? Responde-se: quando se pede por eles que não crêem, isto é, não têm fé, é para que lhes seja concedida a fé. Disse Cristo: Ninguém pode vir a mim, se o Pai, que me enviou, não o atrair. Estas palavras ficam mais claras pelo que disse mais adiante. Pois, ao falar um pouco depois de sua carne a ser comida e de seu sangue a ser bebido”, e terem dito alguns discípulos: “Esta palavra é dura! Quem pode escutá-la?' Compreendendo que seus discípulos murmuravam por causa disso, Jesus lhes disse: “Isto vos escandaliza?' E disse um pouco depois: “As palavras que vos disse são espírito e vida. Alguns de vós, porém, não crêem' E acrescenta o evangelista: Jesus sabia, com efeito, desde o princípio, quais os que não acreditavam e quem era o que o entregaria. E dizia: “Por isto vos afirmei que ninguém pode vir a mim, se isto não lhe for concedido pelo Pai” (Cf. Jo 6,44-65). Portanto, ser atraído pelo Pai a Cristo e ouvir o Pai e dele aprender para vir a Cristo, é o mesmo que receber do Pai o dom para crer em Cristo. Pois não distinguiu os que ouvem o evangelho dos que não o ouvem, mas os que crêem dos que não crêem aquele que dizia: Ninguém pode vir a mim, se isto não lhe for concedido pelo Pai.

§16. Assim, pois, tanto a fé inicial como a perfeita, são dons de Deus. E quem não quiser contradizer aos evidentes testemunhos das Letras Sagradas, não duvide que este dom seja concedido a uns e não concedidos a outros. O motivo pelo qual não é concedido a todos, não deve inquietar aquele que crê que todos incorremos na condenação por um só homem, uma condenação muito justa, de sorte que nenhuma reprovação contra Deus seria justa, mesmo que ninguém alcançasse a libertação. Assim, fica evidente que é uma grande graça o fato de muitos se libertarem; eles percebem nos que não são libertados o que lhes era devido. Conseqüentemente, aquele que se gloria, glorie-se no Senhor, e não em seus merecimentos, que bem sabe serem iguais aos dos condenados. A razão pela qual este é libertado de preferência àquele, tenha-se em conta que insondáveis são seus juízos e impenetráveis seus caminhos (Rm 11,33). Melhor será ouvir e dizer a este respeito: Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus? (Rm 9,20), do que ousar dizer, como se soubéssemos, por que quis que ficasse oculto aquele que não pode querer nenhuma injustiça.

(continua)

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terça-feira, 4 de março de 2008

Da Justificação dos Santos - Santo Agostinho de Hipona (parte 1)

Capítulo I - A obra é resposta às cartas de Próspero e Hilário

§1. Sabemos que o Apóstolo disse na Carta aos Filipenses: Escrever-vos as mesmas coisas não me é penoso e é seguro para vós (3,1). Contudo, escrevendo aos gálatas, ao constatar que lhes transmitira pelo ministério da palavra o suficiente, o que considerava essencial, diz: Quanto ao mais ninguém me obrigue a mais trabalho, ou como se lê em muitos códices: Doravante ninguém mais me moleste (Gl 6,17). Embora confesse que me causa desagrado a falta de fé nas palavras divinas, tão numerosas e tão claras, que proclamam a graça de Deus — a qual não é graça, se nos é outorgada de acordo com nossos merecimentos - faltam-me palavras para mostrar minha estima por vós, filhos caríssimos Próspero e Hilário, à vista de vosso zelo e amor fraternos em não querer que continuem no erro os que pensam de modo contrário. Eis por que desejais que escreva mais ainda apesar de tantos livros e cartas publicados por mim sobre o assunto. E sendo tamanho meu apreço por vós à vista de tudo isto, não ouso dizer que seja o que mereceis. Assim, torno a escrever-vos, e o faço não porque tendes necessidade de mais esclarecimentos, mas apenas sirvo-me de vós como intermediários para expor o que julgava ter feito suficientemente.

§2. Havendo, pois, considerado vossas cartas, parece-me perceber que os irmãos, pelos quais manifestais tão piedosa solicitude, devem ser tratados como o Apóstolo tratou aqueles aos quais diz: Se em alguma coisa pensais diferentemente, Deus vos esclarecerá, evitando, por um lado, a sentença do poeta que afirmou: Confie cada um em si mesmo (Vírg. Eneida, 1, II, V 309), mas acatando por outro lado o que disse o profeta: Maldito o homem que confia no homem (Jr 17,5). Com efeito, ainda caminham às cegas na questão sobre a predestinação dos santos, mas se a este respeito pensam de outro modo, têm tudo para poder alcançar que Deus lhes revele a verdade, ou seja, se perseverarem no caminho ao qual chegaram. Por isso, o Apóstolo, após dizer: Se em alguma coisa pensais diferentemente, Deus vos esclarecerá, afirma em seguida: Entretanto, qualquer que seja o ponto a que cheguemos, conservemos o rumo (Fl 3,15-16). Esses nossos irmãos, alvos de vossa solicitude e piedosa caridade, chegaram ao ponto de crer com a Igreja de Cristo que o gênero humano nasce sujeito ao pecado do primeiro homem e que alguém se livra deste mal somente pela justiça do segundo homem. Chegaram também a confessar que a graça de Deus se antecipa às vontades humanas e que ninguém tem capacidade de começar ou terminar uma boa obra por suas próprias forças. Professando estas verdades, às quais chegaram, distam muito do erro dos pelagianos. E se nelas permanecerem e suplicarem àquele que concede o dom da inteligência e se pensarem diferentemente acerca da predestinação, ele lhes revelará a verdade. Mas nem por isso lhes neguemos o afeto de nossa caridade e o ministério da palavra, conforme no-lo conceder aquele a quem rogamos que lhes possamos dizer neste escrito o que lhes for conveniente e útil. Quem sabe se nosso Deus não quer fazer-lhes o bem mediante esta nossa disponibilidade, que nos leva a servi-los na livre caridade de Cristo?

Capítulo II - O princípio da fé é também dom de Deus

§3. Devemos demonstrar primeiramente que a fé, que nos faz cristãos, é dom de Deus, e o faremos, se possível, com mais brevidade do que empregamos em tantos e volumosos livros. Mas agora vejo que devo dar uma resposta aos que dizem que os testemunhos divinos, mencionados por nós e concernentes ao assunto, valem apenas para provar que podemos adquirir o dom da fé por nós mesmos, ficando para Deus só o seu crescimento em virtude do mérito com o qual ela começou por nossa iniciativa. Com esta crença não se desvia da sentença que Pelágio foi impelido a condenar no concílio da Palestina, como o atestam as próprias atas: “A graça de Deus é-nos concedida de acordo com nossos méritos”. Esta doutrina advoga que não se atribui à graça de Deus o começar a crer, mas ela nos é acrescentada para que acreditemos mais plena e perfeitamente. Assim, primeiramente oferecemos a Deus o começo de nossa fé para receber o acréscimo e qualquer outra coisa que lhe peçamos em nossa fé.

§4. Mas por que não ouvir as palavras do Apóstolo que contrariam esta doutrina: Quem primeiro lhe fez o dom para receber em troca? Porque tudo é dele, por ele e para ele. A ele a glória pelos séculos! Amém! (Rm 11,35-36). Portanto, o próprio início de nossa fé, de quem procede senão dele? E não se há de admitir que todas as coisas procedem dele exceto esta, mas, sim, tudo é dele, por ele e para ele. E quem dirá que aquele que já começou a crer, não tem merecimento junto àquele no qual crê? Daí se concluiria o poder dizer-se que as demais graças seriam acrescentadas como retribuição divina aos que já têm merecimento, o que seria afirmar que a graça de Deus nos é outorgada de acordo com nossos merecimentos. Evitando que esta proposição fosse condenada, ele mesmo a condenou. Conseqüentemente, quem pretender evitar esta sentença condenável, entenda a verdade contida nas palavras do Apóstolo, que diz: Pois vos foi concedido, em relação a Cri sto, a graça de não só crerdes nele, mas também depor ele sofrerdes (F1 1,29). O texto revela que ambas as coisas são dom de Deus, porque disse que ambas as coisas são concedidas. Não diz: “A fim de que nele acrediteis mais plena e perfeitamente”, mas de crerdes nele. E não disse também que alcançou a misericórdia para ser mais fiel, mas para ser fiel (l Cor. 7,25), porque sabia não ter oferecido a Deus o começo da fé por sua iniciativa e ter recebido dele posteriormente, como retribuição, o seu crescimento. Fê-lo apóstolo aquele que o fez crer. Estão consignados também na Escritura os começos de sua fé e são muito conhecidos através da leitura nas igrejas. Segundo estes dados, estando afastado da fé que combatia e da qual era acérrimo inimigo, converteu-se repentinamente para a mesma fé por uma graça especial. Converteu-o aquele a quem foi dito pelo profeta: Porventura não nos tornarás a dar a vida? (Sl 84,7), para que não apenas o que não queria crer, passasse a crer de livre vontade, mas também de perseguidor passasse a sofrer perseguição em defesa da fé, que ele perseguia. Foi-lhe concedido pelo Cristo não somente que nele acreditasse, mas também que por ele sofresse.

§5. E assim, mostrando o valor desta graça, que não é concedida de acordo com os méritos, mas é causa de todos os bons méritos, diz: Não como se fôssemos dotados de capacidade que pudéssemos atribuir a nós mesmos, mas é de Deus que vem a nossa capacidade (2Cor 3,5). Ouçam estas palavras, com atenção, e reflitam sobre elas os que pensam atribuir a nós o começo da fé e a Deus o seu crescimento. Quem não vê que primeiro é pensar e depois crer? Ninguém acredita em algo, se antes não pensa no que há de crer. Embora certos pensamentos precedam de um modo instantâneo e rápido a vontade de crer, e esta vem em seguida e é quase simultânea ao pensamento, é mister que os objetos da fé recebam acolhida depois de terem sido pensados. Assim acontece, embora o ato de crer nada mais seja que pensar com assentimento. Pois, nem todo o que pensa, crê, havendo muitos que pensam, mas não crêem; mas todo aquele que crê, pensa, e pensando crê e crê pensando. Portanto, no tocante à religião e à piedade, do qual falava o Apóstolo, se não somos idôneos para pensar coisa alguma pela nossa capacidade, mas nossa capacidade vem de Deus, conseqüentemente não somos capazes de crer em alguma coisa pelas nossas forças, o que não é possível senão pelo pensamento, mas nossa capacidade, mesmo para o inicio da fé, vem de Deus. Do que se conclui, portanto, que ninguém é capaz por si mesmo de começar ou consumar qualquer boa obra, o que aqueles nossos irmãos aceitam como vossos escritos o manifestam, e que, para começar e consumar toda boa obra, nossa capacidade vem de Deus. Do mesmo modo, ninguém é capaz por si mesmo ou de começar a ter fé ou de nela crescer, mas nossa capacidade vem de Deus. Porque, se não existe fé se não há pensamento, também não somos capazes de pensar algo como de nós mesmos, mas nossa capacidade vem de Deus.

§6. Deve-se evitar, amados irmãos no Senhor, que o homem se engrandeça contra Deus ao dizer que é capaz de fazer o que ele prometeu. Não foi prometida a Abraão a fé dos pagãos e ele, glorificando a Deus, não acreditou plenamente porque tem o poder de cumprir o que prometeu? (Rm 4,20-2 1) Portanto, é autor da fé dos pagãos aquele que tem poder de cumprir o que prometeu. Assim, se Deus é autor de nossa fé, agindo de modo maravilhoso em nossos corações para que creiamos, haverá razão para temer que ele não seja o autor de toda a fé, de sorte que o homem atribua a si mesmo o começo da fé, para merecer apenas receber dele o seu aumento? Tende em conta que se o processo é diferente e assim a graça de Deus nos seja concedida em vista de nossos méritos, esta graça não é mais graça. Com efeito, neste caso é devolvida como paga e não é dada gratuitamente. Pois é devida ao crente para que sua fé cresça pelo auxílio do Senhor e a fé aumentada seja a recompensa da fé começada. Não se percebe, quando se diz isto, que esta recompensa é imputada aos crentes não como uma graça, mas como uma dívida. Se o homem pode criar para si o que não possuía antes e pode aumentar o que criou, não vejo outra razão para não se lhe atribuir todo o mérito da fé, a não ser o não poder se opor aos testemunhos mais que evidentes que provam ser dom de Deus a virtude da fé, de onde se origina a piedade. Entre outros, este: De acordo com a medida da fé que Deus dispensou a cada um (Rm 12,3), e este outro: Aos irmãos, paz, amor e fé da parte de Deus, o Pai, e do Senhor Jesus Cristo (Ef 6,23), e outros semelhantes. Não querendo opor-se a testemunhos tão evidentes, mas querendo atribuir a si o fato de crer, o homem quer fazer uma composição com Deus, arrogando-se uma parte da fé e deixando-lhe outra parte. E o que é mais insolente: arroga para si a primeira parte e atribui a Deus a seguinte, e no que diz ser de ambos, em primeiro lugar e a Deus em segundo plano.

Capítulo III - O autor confessa seu antigo erro sobre a graça — Texto das “Retratações”

§7. Não pensava assim aquele piedoso e humilde Doutor - refiro-me ao bem-aventurado Cipriano -, que disse: “Não há razão para nos gloriarmos, quando nada é nosso” (A Quirino, 1,111, c.4). E para demonstrá-lo, apresentou como testemunha o Apóstolo, que diz: Que é que possuis que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que haverias de te ensoberbecer como se não o tivesses recebido? (1Cor 4,7). Servindo-me principalmente deste testemunho, convenci-me também do erro, quando nele laborava, julgando que a fé, que nos leva a crer em Deus, não era dom de Deus, mas se originava em nós por nossa iniciativa, e mediante ela implorávamos os dons de Deus para viver sóbria, justa e piedosamente neste mundo. Não julgava que a fé fosse precedida pela graça de Deus, de sorte que por ela recebêssemos o que pedíssemos convenientemente, mas pensava que não podíamos ter fé, se não a precedesse o anúncio da verdade. Porém, o acolhimento à fé era iniciativa nossa, uma vez recebido o anúncio do evangelho e julgava ser merecimento nosso. Alguns opúsculos de minha lavra, escritos antes de ser ordenado bispo, revelam com clareza este erro. Entre eles está o mencionado em vossas cartas, onde se encontra o comentário sobre algumas proposições da Carta aos Romanos. Finalmente, ao fazer a revisão de todas as minhas obras e ao consignar por escrito esta revisão, de cuja obra já terminara dois livros antes que tivesse recebido vossos escritos mais extensos, e tendo chegado à revisão do referido livro no primeiro volume, assim me expressei: “E discutindo também sobre o que Deus elegeu no não ainda nascido, ao qual disse que serviria o maior, e o que reprovou no mesmo mais idoso também ainda não nascido — aos quais, embora escrito muito mais tarde, faz referência o testemunho profético: Amei Jacó e aborreci Esaú (Rm 9,13; Ml 1,3)—, cheguei a este raciocínio e disse: “Deus não elegeu na sua presciência as obras de cada um, que ele mesmo haveria de realizar, mas elegeu a fé conforme à mesma presciência, de modo que, conhecendo previamente o que nele havia de crer, escolheu-o para dar-lhe o Espírito Santo, e assim pela prática das boas obras, obtivesse também a vida eterna. Ainda não pesquisara com toda diligência, nem ainda descobrira o que fosse a eleição da graça, da qual diz o mesmo Apóstolo: Constituiu-se um resto segundo a eleição da graça (Rm 11,5). Esta não é graça, se a precede qualquer mérito, e o que se concede não como graça, mas como dívida, concede-se como recompensa aos méritos e não é concessão. Por conseguinte, o que disse à continuação: “Pois diz o mesmo Apóstolo: E o mesmo Deus que realiza tudo em todos (1 Cor 12,6), nunca se disse que Deus crê todas as coisas em todos”. E acrescentei em seguida: “Porque cremos, é mérito nosso, mas fazer o bem pertence àquele que dá aos crentes o Espírito Santo”. No entanto, não o diria, se já soubesse que a própria fé se encontra entre os dons de Deus outorgados no mesmo Espírito. Portanto, ambas as coisas as realizamos pelo assentimento da liberdade, e ambas, no entanto, são concedidas pelo Espírito de fé e de caridade. Pois, não somente a caridade, mas como está escrito: Amor e fé da parte de Deus, o Pai, e do Senhor Jesus Cristo (Ef 6,23). E também o que afirmei um pouco depois: “Pertence a nós o querer e o crer, mas a ele conceder aos que querem e crêem a faculdade de praticar o bem pelo Espírito Santo, pelo qual a graça foi derramada em nossos corações”, é verdade, mas de acordo com o mesmo processo, ou sei a, ambas são dele, porque prepara a vontade, e ambas são nossas, porque não se realizam sem o nosso assentimento. E também o que disse depois: “Não podemos nem querer, se não somos chamados e, ao querermos após ser chamados, não bastam a nossa vontade e a nossa corrida, se Deus não der forças aos que correm e os leve aonde os chama. E o que acrescentei em seguida: Não depende, portanto, daquele que quer, nem daquele que corre, mas de Deus, que faz misericórdia (Rm 9,16), para podermos praticar o bem, é verdade absoluta.” Mas dissertei com muita brevidade acerca da vocação que ocorre segundo o desígnio de Deus. Pois não é assim a vocação de todos, mas somente dos eleitos. Por isso, quando disse um pouco depois: “Assim como naqueles que Deus elege, a fé, e não as obras, dá início ao mérito a fim de que pelo dom de Deus se pratique o bem, assim naqueles que ele condena, a infidelidade e a impiedade são o princípio do demérito, a fim de que pelo mesmo castigo também se pratique o mal”, essas palavras são expressão da verdade absoluta. Mas não disse que o mérito da fé seja também um dom de Deus nem julguei que seria um assunto a averiguar. E afirmei em outro lugar: De modo que ele faz misericórdia a quem quer e endurece a quem ele quer (Rm 9,18) e deixa-o para que pratique o mal. Mas a misericórdia é outorgada ao mérito precedente da fé, e o endurecimento, à iniqüidade precedente. Isto é indubitavelmente certo, mas devia-se investigar ainda se o mérito da fé provém da misericórdia de Deus, isto é, se esta misericórdia favorece o homem porque crê ou favoreceu para que cresse. Pois lemos o que diz o Apóstolo: Como quem alcançou misericórdia para ser fiel (1 Cor 7,25). Não diz: porque era fiel. Portanto, a misericórdia é na verdade concedida ao que é fiel, mas foi concedida também para ser fiel. E assim, com toda verdade, afirmei em outro lugar do mesmo livro: “Porque se não é pelas obras, mas pela misericórdia de Deus que somos chamados para ser fiéis e, sendo fiéis, é concedida para praticarmos o bem, esta misericórdia não se há de negar aos pagãos”; se bem é certo que tratei ali com mais brevidade da vocação que se realiza segundo o desígnio de Deus” (Retratações, 1, cap. 23 nn. 3-4).


(continua)

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segunda-feira, 3 de março de 2008

O tríduo pascal

A palavra tríduo na prática devocional católica sugere a idéia de preparação. Às vezes nos preparamos para a festa de um santo com três dias de oração em sua honra, ou pedimos uma graça especial mediante um tríduo de preces de intercessão.

O tríduo pascal se considerava como três dias de preparação para a festa de Páscoa; compreendia a quinta-feira, a sexta-feira e o sábado da Semana Santa. Era um tríduo da paixão.

No novo calendário e nas normas litúrgicas para a Semana Santa, o enfoque é diferente. O tríduo se apresenta não como um tempo de preparação, mas sim como uma só coisa com a Páscoa. É um tríduo da paixão e ressurreição, que abrange a totalidade do mistério pascal. Assim se expressa no calendário:

Cristo redimiu ao gênero humano e deu perfeita glória a Deus principalmente através de seu mistério pascal: morrendo destruiu a morte e ressuscitando restaurou a vida. O tríduo pascal da paixão e ressurreição de Cristo é, portanto, a culminação de todo o ano litúrgico.

Logo estabelece a duração exata do tríduo:

O tríduo começa com a missa vespertina da Ceia do Senhor, alcança seu cume na Vigília Pascal e se fecha com as vésperas do Domingo de Páscoa.

Esta unificação da celebração pascal é mais acorde com o espírito do Novo Testamento e com a tradição cristã primitiva. O mesmo Cristo, quando aludia a sua paixão e morte, nunca as dissociava de sua ressurreição. No evangelho da quarta-feira da segunda semana de quaresma (Mt 20,17-28) fala delas em conjunto: "O condenarão à morte e o entregarão aos gentis para que d'Ele façam escarnio, o açoitem e o crucifiquem, e ao terceiro dia ressuscitará".

É significativo que os pais da Igreja, tanto Santo Ambrosio como Santo Agostinho, concebam o tríduo pascal como um todo que inclui o sofrimento do Jesus e também sua glorificação. O bispo de Milão, em um dos seus escritos, refere-se aos três Santos dias (triduum illud sacrum) como aos três dias nos quais sofreu, esteve no túmulo e ressuscitou, os três dias aos que se referiu quando disse: "Destruam este templo e em três dias o reedificaré". Santo Agostinho, em uma de suas cartas, refere-se a eles como "os três sacratíssimos dias da crucificação, sepultura e ressurreição de Cristo".

Esses três dias, que começam com a missa vespertina da quinta-feira santa e concluem com a oração de vésperas do domingo de páscoa, formam uma unidade, e como tal devem ser considerados. Por conseguinte, a páscoa cristã consiste essencialmente em uma celebração de três dias, que compreende as partes sombrias e as facetas brilhantes do mistério salvífico de Cristo. As diferentes fases do mistério pascal se estendem ao longo dos três dias como em um tríptico: cada um dos três quadros ilustra uma parte da cena; juntos formam um tudo. Cada quadro é em si completo, mas deve ser visto em relação com os outros dois.

Interessa saber que tanto na sexta-feira como na sábado santo, oficialmente, não formam parte da quaresma. Segundo o novo calendário, a quaresma começa na quarta-feira de cinza e conclui na quinta-feira santa, excluindo a missa do jantar do Senhor 1. na sexta-feira e na sábado da semana Santa não são os últimos dois dias de quaresma, mas sim os primeiros dois dias do "sagrado tríduo".

Pensamentos para o tríduo.

A unidade do mistério pascal tem algo importante que nos ensinar. Diz-nos que a dor não somente é seguida pelo gozo, senão que já o contém em si. Jesus expressou isto de diferentes maneiras. Por exemplo, no último jantar disse a seus apóstolos: "Se entristecerão, mas sua tristeza se trocará em alegria" (Jn 16,20). Parece como se a dor fosse um dos ingredientes imprescindíveis para forjar a alegria. A metáfora da mulher com dores de parto o expressa maravilhosamente. Sua dor, efetivamente, engendra alegria, a alegria "de que ao mundo lhe nasceu um homem".

Outras imagens vão à memória. Todo o ciclo da natureza fala de vida que sai da morte: "Se o grão de trigo, que cai na terra, não morre, fica sozinho; mas se morrer, produz muito fruto" (Jn 12,24).

A ressurreição é nossa páscoa; é um passo da morte à vida, da escuridão à luz, do jejum à festa. O Senhor disse: "Você, pelo contrário, quando jejuar, unja-se a cabeça e se lave a cara" (MT 6,17). O jejum é o começo da festa.

O sofrimento não é bom em si mesmo; portanto, não devemos buscá-lo como tal. A postura cristã referente a ele é positiva e realista. Na vida de Cristo, e sobre tudo na sua cruz, vemos seu valor redentor. O crucifixo não deve reduzir-se a uma dolorosa lembrança do muito que Jesus sofreu por nós. É um objeto no que podemos nos glorificar porque está transfigurado pela glória da ressurreição.

Nossas vidas estão entretecidas de gozo e de dor. Fugir da dor e as penas a toda costa e procurar gozo e prazer por si mesmos são atitudes erradas. O caminho cristão é o caminho iluminado pelos ensinos e exemplos do Jesus. É o caminho da cruz, que é também o da ressurreição; é esquecimento de si, é perder-se por Cristo, é vida que brota da morte. O mistério pascal que celebramos nos dias do sagrado tríduo é a pauta e o programa que devemos seguir em nossas vidas.

Fonte: ACI Digital

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Campanha da Fraternidade 2009 - concurso para o Cartaz

Olá pessoal,

Estão abertas inscrições para o concurso do cartaz da CF-2009 que terá como tema “Fraternidade e segurança pública” e como lema “A paz é fruto da justiça” (Is 32,17).

"Você que é comunicador(a), agente da PASCOM, designer ou tem afinidade com a comunicação social ou é agente da Campanha da Fraternidade está convidado a criar e enviar para a CNBB seu trabalho gráfico. O prazo para envio dos cartazes vai até 31 de maio de 2008.

No cartaz deverá conter, além da figura que você criar, os seguintes textos: “Campanha da Fraternidade 2008”; “Fraternidade e segurança pública” e “A paz é fruto da justiça” (Is 32, 17). Um júri irá escolher o melhor cartaz que será distribuído para todo o país."

Maiores informações descarregue o documento oficial no seu computador:

Concurso para o Cartaz – CF2009 (03/03/2008)

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85 PERGUNTAS E RESPOSTAS (parte 5)

41. Os apóstolos não quiseram fazer do NT um compêndio da doutrina cristã?

Os livros do NT foram produzidos como resultado de circunstâncias especiais que surgiram entre os convertidos. Eles foram escritos para conhecer as demandas particulares e as exigências da época. Os autores nunca pensaram que as Escrituras ou o NT seriam um dia uma regra exclusiva de religião. Os apóstolos ficariam impressionados se lhes contassem que o que eles escreveram um dia iria se tornar um tipo de manual da doutrina cristã. Sempre se pretendeu que nenhuma escrita fosse usada como um guia fácil de fé e moral, independente de qualquer autoridade viva e pedagógica para os interpretar. São Paulo diz, "Como eles ouvirão sem um pregador? Como eles pregarão a menos que lhes enviassem? A fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela Palavra de Cristo." Quando os apóstolos falam eles afirmam falar com Divina autoridade e não dizem que estão fazendo um manual cristão em parte alguma.Seu ensino era a princípio ORAL, e não era intenção deles criar uma literatura permanente. Eles escreveram aos crentes, não para os incrédulos. A Igreja existiu e funcionou antes que escrevessem qualquer coisa. Antes que uma linha do NT fosse escrito (1) Cristo estabeleceu Sua Igreja; (2) os apóstolos pregaram o Evangelho de Cristo; (3) São Pedro converteu 3,000 judeus; (4) O Concílio de Jerusalém foi feito; (5) A lei cerimonial judaica foi abrogada.

Antes que o último livro do NT fosse escrito (1) a Igreja católica celebrou seu jubileu; (2) 11 dos apóstolos tinham morrido.

Conseqüentemente, A BÍBLIA VEIO DA IGREJA. A IGREJA NÃO VEIO DA BÍBLIA. O cristianismo existiu mais de 300 anos sem uma única Bíblia cristã.

42. Jesus Cristo escreveu qualquer do NT?

Nosso Senhor nunca, tanto quanto sabemos, escreveu uma linha das Escrituras. Ele nunca pediu para os apóstolos escreverem qualquer coisa, e Ele não lhes pediu que escrevessem o que Ele tinha revelado a eles. Ele nunca disse, "Vai e escreve," mas Ele disse, "Ide a todas as nações", " Pregai o Evangelho para toda criatura" "Quem ouvir vocês, ouvirá a Mim". le, portanto, lhes pediu para fazer o que Ele fazia;isto é, pregar a Palavra de Deus às pessoas à viva-voz para as converter, persuadir, instruir, e converter. A fé seria ganha ouvindo, não lendo. Cristo não confiou a mensagem dele a um livro morto que poderia perecer e ser destruído, mutilado, falsificado, mal interpretado pelo homem.

A mesma ação de Cristo prova que a Palavra de Deus seria preservada por uma Tradição Viva e não por uma Mensagem Escrita.

43. Qual é a posição protestante e católica na Bíblia?

O protestante, acreditando em Cristo, pensa que Ele não deixou autoridade a Igreja pedagógica, mas só a Bíblia, que cada indivíduo pode ler e interpretar segundo o princípio do "julgamento privado". Todas as igrejas são feitas pelo homem. Nenhuma delas foi fundada por Cristo. O católico, acreditando em Cristo, pensa que Ele fundou uma Igreja autorizada que tem o direito de guiar todos os seus membros nos assuntos de fé e moral. O católico acredita que a Igreja é infalível e não pode cometer um engano ou ensinar erro. O católico vê a Igreja como um Guia imediato. O católico acredita na Bíblia e Tradição, mas o protestante acredita só na Bíblia.

44. Qual a diferença entre as Bíblias hebraicas, protestantes, e católicas?

A Bíblia hebraica contém só os livros do VT, já que o judeu ortodoxo, reformado ou liberal não aceita nosso Senhor como o Messias. Os judeus palestinos tem 39 livros no VT e os judeus alexandrinos e os judeus da Dispersão tinham 46 livros na Bíblia. A Bíblia protestante contém no VT, 39 livros dos judeus palestinos e os 27 livros do NT, 66 livros ao todo. A Bíblia católica contém 46 livros do Cânon alexandrino ou lista de VT e os 27 livros do NT, 73 livros ao todo.

45. Além da diferença de números de livros há qualquer outra diferença entre a Bíblia católica e protestante?

A séria diferença está na precisão de tradução. Os pregadores e bispos protestantes escreveram muitos livros para mostrar os erros da versão King James e a Versão Revisada. Em uma convenção de ministros em St. Louis, Mo., alguns anos atrás, um ministro presbiteriano urgiu a necessidade de uma tradução nova da Bíblia protestante e segurou isso havia nenhum menos de 30,000 erros. Outra diferença são os títulos dos livros: "Cântico dos Cânticos" para "Cânticos de Salomão", "Apocalipse" para "Livro da Revelação". . . . . "Primeiro e Segundos Reis", para "Primeiro e Segundo Samuel," etc.

46. Por que os nomes são soletrados diferente na Bíblia protestante do da Bíblia católica?

A versão protestante tem, por exemplo, Nebuchadnezzar, o Nabucodonosor católico. As formas protestantes seguem o hebraico, o texto vocalizado que foi feito pelods massoretas entre o quinto e sétimos séculos depois de Cristo; as formas católicas seguem a grega que foi feita aproximadamente no segundo século antes de Cristo. A ortografia católica esteve em alguns casos confirmados por descobertas arqueológicas

47. Você diz que a Igreja veio antes da Bíblia.

SIM. Os livros do NT foram difundidos ao povo mediterrâneo 300 anos antes que os escritos fossem colhidos e compilados numa só coleção. É um fato histórico que o concílio de Cartago (397) estabeleceu o cânon do NT como nós católicos conhecemos hoje.

48. Sempre houve uma coleção das Escrituras antes de 397?

Nós achamos listas de livros do NT por santo Atanásio, são Jerônimo, santo Agostinho, e muitas outras autoridades, mas suas listas não correspondem perfeitamente à coleção que nós possuímos agora. Foi no concílio de Cartago (397) que foram tiradas todas as dúvidas no cânon ou lista de livros que toda a cristandade teve até que os reformadores mudassem aquela lista. Se existissem outras listas de livros antes de 397, então a ação do concílio de Cartago mostra ao mundo que a Igreja católica selecionou, peneirou, e estampou com a autoridade dela as Escrituras da Lei Nova. Há terminado a Igreja católica que os protestantes adquirem a Bíblia deles/delas. Imagine como seria o protestantismo se a Igreja católica realmente fosse inimiga da Bíblia e tivesse destruído todos os manuscritos nos dias da igreja primitiva.

49. O que você quer dizer por Inspiração da Bíblia? Deus age como o autor de toda palavra escrita?

Inspiração significa o fato que Deus como o autor de cada e todo livro da Bíblia não fez outra coisa a Moisés, Davi, Isaías, os apóstolos, etc., a menos o poder de escrever algo que Deus não queria que eles escrevessem. Por exemplo, Moisés não pôde escrever o que Deus não queria que ele escrevesse ou de certo modo Deus não queria que ele escrevesse. Sua escrita era controlada por Deus, contudo Ele deixou o autor humano livre. Deus permitiu a liberdade de estilo a cada escritor, mas Deus foi o responsável para cada e tudo o que o escritor escreveu. Deus pôde inspirar as mesmas palavras que eles usaram, mas isto não é essencial ao movimento de inspiração. Por exemplo, nós podemos afirmar que Moisés é o autor dos primeiros 5 livros da Bíblia, mas a Comissão Bíblica nos diz que nós não precisamos crer que Moisés os escreveu. Ao escrever sob inspiração, ele pode ter "sido levado a escrever um ou mais livros, mas deveriam expressar fielmente sua mensagem, não deveria escrever nada ou omitir nada contra seu desejo e que o trabalho aprovado por Moisés, o autor principal, deveria ser publicado com seu nome".

50. O que você quer dizer pela edição da vulgata?

Foram feitas traduções da Bíblia em latim, armênio, siríaco e cóptico, árabe e etíope para o benefício dos cristãos nestas terras. O latim apareceu primeiro em 150 e outras traduções em latim depois. A melhor e principal versão latina foi feita por são Jerônimo e foi chamada de "Vulgate"- isto é, comum, ou versão aceita. São Jerônimo foi o monge e estudioso mais instruído de sua época e a pedido de papa são Dâmaso em 382 fez suas traduções latinas corrigindo as versões latinas existentes com os manuscritos gregos que ele tinha.

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