quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Intenção Missionária - Dezembro 2008

INTENÇÃO MISSIONÁRIA - “Para que os cristãos, principalmente nos Países de missão, por meio de gestos concretos de solidariedade, mostrem que o Menino nascido na caverna de Belém é a luminosa Esperança do mundo” - Comentário à Intenção Missionária indicada pelo Santo Padre para o mês de dezembro de 2008

Cidade do Vaticano (Agência Fides) – estamos assistindo à perda das raízes cristãs da Europa e dos países de antiga tradição cristã. O conselho comunal da cidade inglesa de Oxford decidiu suprimir a festividade de Natal e substituí-la pela “Festividade da luz invernal”. Diante desta decisão, o Arcebispo Gianfranco Ravasi afirmou: “Enquanto que, no passado, se combatia a presença dos símbolos religiosos, faziam-no com argumentos, até mesmo com o desejo de se opor a um sistema alternativo, agora, ao contrário, muitas vezes, esse avanço da negação é uma espécie de nuvem negra, de neblina, característica da secularização atual”.

A luz brilha nas trevas, mas as trevas não a compreenderam” (Jo 1, 5). O homem do nosso tempo continua a precisar de luz e esperança. É triste que sejam assumidas posições de rejeição à luz, mas como dizia S. Agostino: “A luz que é amável aos olhos saudáveis, é odiosa aos olhos doentes”. Diante do fim dos argumentos racionais da verdade, são necessários outros argumentos que possam chegar a todos: a força da caridade. Papa Bento XVI, na sua primeira encíclica Deus Caritas est, fala da atividade caritativa da Igreja e faz referência ao testemunho de Tertuliano, destacando como a solicitude dos cristãos para com os necessitados de todo o tipo, gerava surpresa nos pagãos (cfr. DCE, 22).

Diante da muralha que as trevas levantaram diante da luz, os cristãos têm o desafio de apresentar Jesus Cristo aos homens, por meio de gestos concretos de solidariedade e de amor, como “a Luz verdadeira que ilumina cada homem” (Jo 1,9). Para aqueles que ainda não conhecem Cristo, o testemunho da caridade converte-se numa revelação. É certo que a caridade não deve ser praticada com fins de proselitismo, para incorporar novos adeptos a uma religião, mas é também verdade que o amor conquista e leva.

O homem foi criado por amor e para o amor. Cada homem experimenta a necessidade de amare e de ser amado, e quando encontra um amor verdadeiro, gratuito, incondicional, descobre nele a verdade, encontra Deus. O exercício da caridade não pode deixar Deus de lado. Muitas vezes o maior sofrimento do coração humano deve-se à ausência de Deus. “Quem exerce a caridade em nome da Igreja nunca tentará impor aos outros a fé da Igreja. Ele sabe que o amor na sua pureza e na sua gratuidade é o melhor testemunho de Deus, no qual acreditamos e pelo qual somos levados a amar. O cristão sabe quando é hora de falar com Deus e quando é justo se calar diante d’Ele e deixar falar somente o amor. Ele sabe que Deus é amor (cfr 1 Jo 4, 8) e se faz presente exatamente nos momentos em que nada mais é feito além de amar amare”. (DCE, 31c).

Quanta beleza traz consigo o Natal! Contemplar o Amor que se fez carne, motiva. N’Ele podemos constatar que o amor de Deus por nós não são só palavras. “Deus, de fato, amou tanto o mundo a ponto de dar o seu Filho único, para que quem nele crê não morra, mas tenha a vida eterna”. (Jo 3,16). Deus manifesta o seu amor com a entrega, com o dom de si mesmo. A Igreja deve ser missionária com o testemunho da sua caridade. O amor de Deus entra na história através daquele pequeno Menino. Deus deseja que por meio do testemunho da nossa caridade, nós homens possamos conhecer a esperança, a força do amor que salva.

Enquanto alguns preferem celebrar a “Festividade da luz invernal”, há uma só Luz que pode iluminar o coração do homem, dando significado e esperança às questões mais profundas, ao sofrimento e à morte: Jesus Cristo, “Deus de Deus, Luz da Luz” que manifesta o seu amor na pobreza de Belém.

(Agência Fides 25/11/2008)
Leia Mais…

terça-feira, 11 de novembro de 2008

A aceitação do cânon amplo da LXX na Palestina do século I (parte II-final)

Alguns, porém, poderão argumentar que:

"Os ebionitas (ou seita de Qumran) eram um grupo estranho, que nunca veio a fazer parte do ramo principal do judaísmo"

Mas se lermos o Novo Testamento, verificaremos que naquele tempo não existia nenhum "ramo principal do judaísmo", como, ao contrário, existe hoje. Nesse sentido, explica o pesquisador protestante dr. Martin Abegg:

"Tanto no judaísmo moderno quanto no cristianismo, uma ?seita? é, geralmente, um ramo de um tronco religioso maior e é freqüentemente vista com excêntrica ou desviada nas suas crenças. Mas os pesquisadores e leigos deveriam recordar que durante todo o período de existência de Qumran, os fariseus e os saduceus eram ?seitas?, assim como eram os essênios! Foi apenas a partir do século II d.C. que passou a se formar um tipo de judaísmo ? aquele dos fariseus, dos rabis ? que veio a se tornar padrão para o povo judeu como um todo.

Tais matérias são de menor importância se comparadas com os manuscritos bíblicos. Primeiro, porque todos os pesquisadores concordam que nenhum dos textos bíblicos (tais como Gênese ou Isaías) foi composto em Qumran; ao contrário, todos eles se originaram antes do período de Qumran. Também é aceito que muitos ou a maioria desses manuscritos foram trazidos de fora para Qumran e, depois, aí reproduzidos. Isto significa que o valor da maioria dos manuscritos bíblicos enganam, não em estabelecer precisamente onde foram escritos ou copiados, mas especificamente quanto ao estudo das formas textuais que encerram" [The Dead Sea Scrolls Bible (=A Bíblia nos Manuscritos do Mar Morto), (C) 1999, pg. XVI]

Encontramos um bom exemplo do uso da Septuaginta (a qual contém os "apócrifos") entre os judeus da Judéia quando lemos os capítulos 6 e 7 dos Atos dos Apóstolos. Aí lemos que Santo Estêvão, cheio do Espírito Santo (At. 6,10), foi levado ao Sinédrio pela multidão (At. 6,12); Estêvão, então, se dirigiu aos judeus e contou-lhes como Jacó trouxe seus 75 descendentes para o Egito:

Atos 7,14-15: "Então José mandou buscar Jacó, seu pai, e toda sua parentela, em número de setenta e cinco pessoas. Desceu Jacó para o Egito e aí morreu, ele e também nossos pais".

Mas os manuscritos hebraicos nos dizem que Jacó trouxe 70 descendentes para o Egito (cf. Gên. 46,26-27; o texto hebraico também recorda "70" em Deut. 10,22 e Ex. 1,5). Ora, o Sinédrio judaico e os sacerdotes bem sabiam que Deut. 4,2; 12,32; Sal. 12,6-7 e Prov. 30,6 proíbem que se acrescente ou retire algo da Palavra de Deus. Com efeito, por que o Sinédrio e os sacerdotes não se escandalizaram com a afirmativa feita por Estêvão, de que Jacó trouxera 75 descendentes? Por que não o acusaram de "perverter a Escritura"? Quando lemos esses versículos, notamos que os judeus pareciam nem mesmo piscar. Em ponto algum desta passagem encontramos qualquer sugestão de que a raiva nutrida pelos judeus contra Estêvão havia se originado de uma possível "perversão das Escrituras". Ao contrário, eles mataram Estêvão porque foram por este confrontados com a pessoa do Senhor Jesus ? que era realmente o Cristo, e, ao contrário de ser por eles recebido, foi assassinado do mesmo modo que seus predecessores, os profetas (At. 7,51-53)!

A explicação para a discrepância numérica na história de Jacó narrada por Estêvão é simples: ele está citando Gênese (46,26-27) a partir da versão grega da Septuaginta, a qual possui cinco nomes a mais (total de 75 nomes) que o texto massorético hebraico. Os cinco nomes que faltam no texto hebraico foram preservados na Septuaginta, em Gên. 46,20, onde Makir, filho de Manassés, e Makir, filho de Galaad (=Gilead, no hebraico), são apontados, posteriormente, como os dois filhos de Efraim, Taam (=Tahan, no hebraico) e Sutalaam (Shuthelah, no hebraico) e seu filho Edon (Eran, no hebraico).

O Sinédrio certamente teria contestado a afirmação de Estêvão se a Septuaginta não fosse usada ou aceita pelos judeus da Judéia. Com efeito, o fato de a Septuaginta ter sido encontrada entre os manuscritos do Mar Morto bem demonstra que esse era o caso.

Sendo, pois, uma realidade que ambas as versões (a Septuaginta e a hebraica) eram de uso comum na Judéia do primeiro século, o Sinédrio não se surpreendeu ou se escandalizou com a declaração de Estêvão. Afinal, o fato de serem 70 ou 75 o número de descendentes de Jacó não se revelava doutrina importante para os judeus e, ao que parece, também havia muitos judeus no outro lado da questão.


Eis alguns dos papiros e manuscritos primitivos da Septuaginta:

Século II a.C.:
1. 4QLXXDeut [#819] (rolo em pergaminho, Deut. 11)("couro"); 2. PRyl 458 [#957 = vh057] (rolo em papiro, Deut. 23-28).
Séculos II/I a.C.

3. 7QLXXEx [#805 = vh038] (rolo em papiro, Ex. 28); 4. 4QLXXLev\a [#801 = vh049] (rolo em pergaminho, Lev. 26) ("couro"); 5. 7QLXX EpJer [#804 = vh312] (rolo em papiro, EpJer/Bar6); 6. 7Q4, 7Q8, 7Q12 (rolo em pergaminho, Epístola de Enoque = "1Enoque" 103).

Século I a.C.
7. 4Q127 (rolo em papiro, paráfrase grega de Êxodo?); 8. PFouad266a [#942] (rolo em papiro, Gên.); 9. 4QLXXLev\b [#802 = vh046] (rolo em papiro, Lev. 2-5); 10. PFouad 266b [#848 = vh56] (rolo em papiro, Deut. 17-33); 11. PFouad 266c [#847 = vh56] (fins do séc. I a.C., rolo em papiro, Deut. 10-33).
Entre Eras a.C. e d.C
12. 4QLXXNu [#803 = vh051] (rolo em pergaminho, Núm. 3-4).
Século I d.C.
13. POxy 3522 [#??] (rolo em papiro, Jó grego 42).
Séculos I/II d.C.
14. POxy 4443 [#??] (rolo em papiro, Ester grego, Est. 8-9); 15. PBodl 5 [#2082] (código em pergaminho, Salmo grego, Sal. 48-49).


Fonte: Veritatis Splendor


Leia Mais…

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

A aceitação do cânon amplo da LXX na Palestina do século I (parte I)

Não é incomum ouvirmos o seguinte argumento protestante:

"A Septuaginta e os livros 'apócrifos' nunca foram aceitos ou usados pelos judeus na Judéia do primeiro século"

No entanto, partes da Septuaginta foram encontradas na Judéia, entre os manuscritos do Mar Morto, sendo anteriores ao ano 70 d.C.. Alguns exemplares foram encontrados na caverna 4 (119LXXLev.; 120papLXXLev.; 121 LXXNum.; 122LXXDeut.). Há também um texto não identificado da Septuaginta grega, encontrado na caverna 9 (Q9).

Em acréscimo a esses fragmentos, existe um fragmento de papiro, escrito em grego, encontrado na caverna 7 (LXXExod.). A caverna 7 produziu ainda muitos pequenos fragmentos em grego (da Septuaginta), cujas identificações permanecem em discussão ou sem classificação. O dr. Emanuel Tov sugere as seguintes identificações para alguns destes fragmentos gregos do primeiro século antes de Cristo:

7Q4. Números 14,23-24;

7Q5. Êxodo 36,10-11; Números 22,38;

7Q6. 1 Salmo 34,28; Provérbios 7,12-13;

7Q6. 2 Isaías 18,2

7Q8. Zacarias 8,8; Isaías 1,29-30; Salmo 18,14-15; Daniel 2,43; Eclesiastes 6,3.

No meio destas porções da Septuaginta, foram encontrados manuscritos parciais contendo alguns termos dos livros "apócrifos":

4Q478 [Tobias], 4Q383 e 7QLXXEpJer. [Epístola de Jeremias], para citar apenas alguns.

É importante notar que nas cavernas de Qumran (de onde provêm os "manuscritos do Mar Morto"), foi encontrada uma cópia do livro do "Eclesiástico" na língua hebraica [manuscrito 2QSir.], bem como um fragmento de "A História de Suzana" (correspondente ao capítulo 13 do livro de Daniel), também em hebraico [manuscrito 4Q551]. Já na caverna 4 de Qumran, foram encontrados fragmentos do livro "apócrifo" de Tobias, nas línguas aramaica [manuscrito 4Q196-9] e hebraica [manuscrito 4Q200].

Deve-se observar, também, que as cavernas de Qumran não são o único lugar na Judéia em que se encontraram livros "apócrifos". Outro exemplo é a cópia do livro do "Eclesiástico" (ou "A Sabedoria do Filho de Sirá"), em hebraico, encontrada nas ruínas de Massada. Este fragmento manuscrito data do início do século I a.C..

Leia Mais…

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Campanha dos folhetos

Olá pessoal,

Como já foi divulgado há algum tempo, o Grupo de Estudos Veritas está abrindo uma nova frente de divulgação da doutrina católica, a saber: Folhetos Catequéticos.
Esses folhetos já possuem uma ampla divulgação na sua forma digital, entretanto, visamos desde o ínicio a propagação às pessoas que não possuem acesso à internet (com distribuição nas missas e encontros de pastorais).

Uma estimativa inicial foi feita para a primeira edição (500 exemplares). Segundo o orçamento da Gráfica cada folheto sairia por R$ 0,79 (setenta e nove centavos) o que acarreta em um valor total de R$ 395,00 (trezentos e noventa e cinco reais). A impressão será feita em policromia e papel couchê 170g.
Por esse motivo, pedimos respeitosamente a colaboração de todos os amigos do Grupo Veritas nesta nova empreitada rumo à Evangelização das pessoas. Fiquem à vontade para doar a quantia que puderem através da conta corrente abaixo:

Banco do Brasil
Agência: 1197-5 (agência campos eliseos)
C/C: 36.026-0
Nome: Gabriel de Souza Leitão

um forte abraço em Cristo Jesus.

Gabriel Leitão
Grupo de Estudos Veritas (Fides et Ratio)
Leia Mais…

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Sermão de Todos os Santos - P. Antonio Vieira, sj

Há aproximadamente um ano, houve neste Blog uma série de publicações contendo o Sermão de Todos os Santos do Padre António Vieira (Lisboa,1608 - Bahia,1697). Devido à proximidade da Festa de Todos os Santos (último dia 01 de novembro) eu achei que seria o momento para uma re-leitura desse tão construtivo texto que (assim acredito) quer suscitar em nós a vontade e a necessidade de sermos santos.

A série é dividida em 11 postagens, onde cada uma possui um brevíssimo resumo (feito por mim). Recomendo fortemente a leitura na ordem que foi postada, pois elas constituem um só e o mesmo texto.
  1. Parte 1 - Introdução
  2. Parte 2
  3. Parte 3
  4. Parte 4
  5. Parte 5
  6. Parte 6
  7. Parte 7
  8. Parte 8
  9. Parte 9
  10. Parte 10
  11. Parte 11 - Conclusão

um fraterno abraço em Cristo
Leia Mais…