segunda-feira, 20 de outubro de 2008

"Um olhar atento à Encíclica Fides et ratio depois de dez anos de sua publicação, nos faz perceber com admiração a sua atualidade"

(Bento XVI no Congresso Internacional por ocasião dos 10 anos da Encíclica)

Cidade do Vaticano (Agência Fides) – “Um olhar atento à Encíclica \'Fides et ratio\' depois de dez anos de sua publicação, nos faz perceber com admiração a sua atualidade: nela se revela a profundidade do meu inesquecível Predecessor”. Foi o que disse Bento XVI aos participantes do
Congresso Internacional promovido pela Pontifícia Universidade Lateranese, em 16 de outubro, por ocasião do 10º Aniversário da Encíclica \'Fides et ratio\'.

“A Encíclica, prosseguiu o Santo Padre, se caracteriza pela sua grande abertura em relação à razão. João Paulo II sublinha a importância de unir fé e razão numa recíproca relação, respeitando a autonomia de cada uma. Com este magistério, a Igreja se fez intérprete de uma exigência emergente no atual contexto cultural. Quis defender a força da razão e a sua capacidade de chegar à verdade, apresentando ainda uma vez a fé como uma peculiar forma de conhecimento, graças à qual se aprende a verdade da Revelação...

Quem poderia negar a ajuda que os grandes sistemas filosóficos deram ao desenvolvimento da autoconsciência do homem e ao progresso de várias culturas? Estas, por sua vez, se tornam fecundas quando se abrem à verdade, permitindo a quem participa, atingir objetivos que tornam sempre mais humano o viver social. A busca da verdade dá os seus frutos sobretudo quanto é mantida pelo amor à verdade”.

O Santo Padre ressaltou que “prevaleceu um pensamento sobretudo especulativo em relação a um pensamento experimental” enquanto a”a busca se concentrou sobretudo na observação da natureza na tentativa de descobrir seus segredos. O desejo de conhecer a natureza se transformou em vontade de reproduzi-la. Nesta mudança, a evolução de conceitos tocou a relação entre fé e razão fazendo com que cada uma seguisse por estradas diferentes”. O Papa sublinhou o valor positivo desta busca científica. “A descoberta e o incremento das ciências matemáticas, físicas, químicas e das aplicadas são frutos da razão e expressam a inteligência com a qual o homem consegue penetrar na profundidade da criação. A fé, por sua vez, não teme o progresso da ciência e os desenvolvimentos que conduzem suas conquistas quando estas são finalizadas ao homem, ao seu bem-estar e ao progresso de toda a humanidade... Acontece, porém, que nem sempre os cientistas encaminham suas pesquisas rumo a estes objetivos. O dinheiro fácil ou pior ainda, a arrogância de substituir-se ao Criador ocupam muitas vezes, uma função determinante... A ciência, por outro lado, não é capaz de elaborar princípios éticos; ela pode somente reconhecê-los como necessários para debelar as suas eventuais patologias. A filosofia e a teologia se tornam, neste contexto, ajudas indispensáveis com as quais se confrontar a fim de evitar que a ciência caminhe sozinha numa estrada sinuosa, cheia de imprevistos e riscos. Isso não significa limitar a pesquisa científica ou impedir à técnica de produzir instrumentos de desenvolvimento; ao invés, consiste em vigiar o sentido de responsabilidade que a razão e a fé possuem em relação à ciência, a fim de que permanece a serviço do ser humano”.

Bento XVI concluiu sua alocução lembrando que “a verdade da Revelação não se impõe àquela conseguida através da razão; mas purifica a razão e a eleva a fim de que ela possa aumentar seus espaços para inserir-se num campo de uma busca insondável com o próprio mistério. A verdade revelada, na “plenitude dos tempos” (Gal 4,4), assumiu o rosto de uma pessoa, Jesus de Nazaré, que é a resposta última e definitiva da busca de sentido de todo ser humano”. (S.L.)

(Agência Fides 17/10/2008)

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