quinta-feira, 16 de outubro de 2008

O caso Galileu (parte 10 - final.)

Parte 1: O MITO E O AMBIENTE
Parte 2: A Astronomia (Sistema Heliocêntrico e Sistema Geocêntrico)
Parte 3: A Astronomia (Sistema Geocêntrico e Sistema Misto)
Parte 4: Os Eclesiásticos e a Astronomia, A Interpretação da Bíblia
Parte 5: A Inquisição e o Index Librorum Prohibitorum
Parte 6: Os Processos (O primeiro processo)
Parte 7: Os Processos (O primeiro processo) - continuação
Parte 8: O Segundo Processo (1633) e Comentários
Parte 9: Comentários (continuação) e Notas

f) João Paulo II recordou um fato histórico pouco conhecido: Galileu já tinha sido reabilitado por Bento XIV em 1741, com a concessão do “Imprimatur” à primeira edição das obras completas de Galileu. Em 1757, as obras científicas favoráveis à teoria heliocêntrica foram retiradas do Index de livros proibidos. Em 1822, Pio VII determinou que o “Imprimatur” podia ser dado também aos estudos que apresentavam a teoria copernicana como tese.

g) Destacando alguns pontos do que foi apresentado neste trabalho, diremos que a condenação de Galileu foi devida ao modo como ele defendeu o sistema heliocêntrico. Quis prová-lo com argumentos bíblicos (incidindo no erro que condenava em seus oponentes, ele, o criador da experiência científica), errou no argumento das marés e insistiu na necessidade de uma pronta reinterpretação de certos trechos da Bíblia. A condenação de 1633 deveu-se à desobediência de Galileu ao compromisso assumido em 1616. Neste processo, sim, os representantes da Igreja cometeram um grave erro, opinando em matéria de interesse exclusivo da ciência, ao declararem um sistema astronômico contrário à fé.

Houve acertos de ambos os lados no campo oposto. Galileu com seus comentários sobre a correta interpretação da Bíblia (“um pequeno tratado de hermenêutica bíblica”, no dizer de João Paulo II). Belarmino e outros eclesiásticos apregoando o que hoje é um princípio fundamental da ciência: nela, nada é definitivo (o heliocentrismo devia ser apresentado como hipótese, não como verdade incontestável). Eles tiveram uma concepção dos fundamentos do saber científico superior à de Galileu, cientista renomado e criador da experiência cientificamente conduzida.

NOTAS:

(1) Jorge Pimentel Cintra, Galileu, Quadrante, São Paulo, 1987.
(2) Franco Massara, Os grandes julgamentos da história: Galileu Galilei, Otto Pierre Editores, São Paulo, s.d, pág. 28.
(3) citado por Estêvão Bettencourt, “O caso Galileu Galilei”, Revista Pergunte e Responderemos, Ano XXIV, n.º 267, março-abril 1983, págs. 90-97.
(4) Citações tiradas de: Mário Viganó, “Algumas considerações sobre o caso Galileu”. Cultura e Fé, nº. 32, janeiro-março 1986, pág. 11-26.
(5) Exégèse médiévale, Aubier, Paris, 1962
(6) D. João Evangelista Martins Terra, SJ, O Negro e a Igreja, Loyola, 2ª. ed., São Paulo, 1988.
(7) Estêvão Bettencourt, “História do Cristianismo”. Revista Pergunte e Responderemos, Ano X, n.º 114, junho 1969, págs. 261-272.
(8) Estêvão Bettencourt, “No caso Galileu Galilei: que houve?”. Revista Pergunte e Responderemos, ANO XXI, n.º 250, outubro 1980, págs. 420-428.
(9) Jorge Pimentel Cintra, op. cit.
(10) Citações tiradas de: Antonio Socci, “Iluminados e caçadores de bruxas”. Revista 30 dias, Ano V, n.º 6, junho 1990, págs. 68-71.
(11) Estêvão Bettencourt, “O martelo das feiticeiras”. Revista Pergunte e Responderemos, Ano XXXII, n.º 354, novembro 1991, págs. 495-508.
(12) Boulanger, Manual de Apologética, Livraria Apostolado da Imprensa, Porto, s.d, págs. 515 e 519.
(13) Citado por Franco Massara, op. cit., pág. 111.
(14) Idem, págs. 163 e 165.
(15) Tüchle & Bouman, Nova história da Igreja. III – Reforma e Contra-Reforma, 2ª. ed., Vozes, Petrópolis, 1983.
(16) Sobre evolucionismo recomendamos a obra de Evolucionismo: mito e realidade, de Jorge Cintra (Quadrante, São Paulo, 1988), uma excelente e resumida apresentação do tema.
(17) citado por: Joseph Ratzinger, “O desafio da homologação religiosa”. Revista 30 Dias, Ano V nº. 5, maio 1990, pág. 62-67.
(18) citado por: Lucio Brunelli, “Galileu, o teólogo”. Revista 30 Dias, Ano VI, nº. 10, novembro 1992, pág. 29.
(19) citado por: Antonio Socci, “Academia ou política?”. Revista 30 Dias, Ano VII, nº. 1, janeiro 1993, págs. 32-35.
(20) L’Osservatore Romano, edição portuguesa, nº. 45 (1.098), 08.11.1992, págs. 554-555.

Joaquim Blessmann
Engeheiro Civil, Mestre e Doutor em Ciências pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica. Professor Emérito da UFRGS. Professor Honorário da Universidade Austral, Buenos Aires. Membro Correspondente da "Academia Nacional de Ingeniería" da Argentina.

As imagens foram inseridas pela Quadrante.

Fonte: Quadrante

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