quarta-feira, 10 de setembro de 2008

O CIBERESPAÇO E O FUTURO DAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS (parte 2)

II. CIBERESPAÇO, MUNDO MATERIAL e INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

O Ciberespaço por ser uma representação mental da nossa realidade física possui características semelhantes ao espaço geográfico cultural existente, porém é mais dinâmico podendo ser modificado de acordo com o interesse individual ou coletivo sem causar grande ônus ao quem dele participa. Podemos afirmar que a realidade virtual é criada de acordo com a necessidade corrente sendo sujeita apenas aos indivíduos que dela fazem parte.

No principal mundo virtual, a Internet, existem diversas comunidades humanas divididas em grupos de interesses onde os usuários interagem exatamente como se estivessem no mundo real.

A idéia de um mundo virtual em paralelo com um mundo material é interessante devido ao fato de acontecimentos inerentes ao mundo real serem transferidos ao virtual. Podemos equivaler o processo de nascimento, crescimento e aprendizagem de um indivíduo aos primeiros contatos de um ser humano com o mundo cibernético. E vista disso, existe um turbilhão de realidades diferentes no ciberespaço e isso o torna ainda mais semelhante ao mundo material, porque é para ele que o homem transfere as suas angústias e alegrias existenciais. É nele que o homem se torna mais humano e mais consciente da sua condição terrena, fazendo com que reflexões que nunca seriam feitas numa conversa de esquina alcancem patamares intercontinentais e, portanto importância ainda maior.

Através do ciberespaço haverá uma nova formação política onde a tecnologia da eletrônica tornará viável o desenvolvimento de comunidades inteligentes capazes de se autogerir. A autogestão estará ligada aos grupos que se formariam através das preferências individuais, dando origem a territórios imaterializados. O grande perigo é que, atualmente, existe um pequeno grupo de pessoas privilegiadas que detém a “senha de acesso” à tecnologia de informação. Logo, o ciberespaço faz surgir sociedades marginalizadas, os info-excluídos. A era tecnológica cria ou recria uma nova divisão social, uma redistribuição de saberes, poderes, dois mundos que se separam de acordo com a participação ou não na telemática[LEVY96].

Podemos conceber o ser humano como um ser ativo do meio virtual e, em menor escala do meio material, tornando-se capaz de impor as condições existenciais do ciberespaço. O problema ocorrerá quando o mundo cibernético for tão complexo e abrangente quanto o mundo real, pois, o homem poderá de agente construtor da realidade se tornar um mero paciente submisso às regras estabelecidas durante o processo de evolução do mundo virtual. Este prognóstico sombrio se dará com o aumento exponencial da importância do ciberespaço através de novas teorias computacionais, incluindo principalmente a AI (Artificial Inteligence[1]).

Não é novidade ao falarmos de AI, quando afirmamos que o futuro da humanidade em relação às máquinas será efêmero, ou melhor, que ao aprimorarmos a capacidade dos computadores de processamento e conexão seremos necessariamente subjugados pela nossa própria criação. Entretanto, para algumas pessoas isso apenas reflete o medo humano da escravidão e da inversão de valores (onde a criatura supera o criador) não possuindo qualquer valor real.

Temos que levar em consideração que as tecnologias que possibilitarão a inteligência artificial da forma que vislumbramos ainda demorarão alguns anos para acontecer, visto que, somente a partir dos anos 90 a teoria das redes neurais artificiais[2] teve um aumento considerável de aplicações e desenvolvimento de modelos [DANI00].

Notas:
[1] - do inglês, Inteligência Artificial
[2] - sistema computacional baseado no funcionamento dos neurônios humanos.

Um comentário:

Edson Lobo disse...

Obrigado, o comentario sobre a carta do papa me ajudou muito.