sexta-feira, 19 de setembro de 2008

O caso Galileu (parte 3 de 10)

Parte 1: O MITO E O AMBIENTE
Parte 2: A Astronomia (Sistema Heliocêntrico e Sistema Geocêntrico)

Outro argumento contra o sistema heliocêntrico exporemos a seguir: Se uma pedra for atirada verticalmente para cima, enquanto ela sobe e desce, a Terra se desloca e a pedra chocar-se-á com o terreno em um ponto afastado do ponto de lançamento. Se, após seu lançamento, a pedra levar dez segundos para chocar-se com o terreno, no Equador ela estaria a quatro quilômetros a oeste de seu ponto de lançamento! Repito o comentário feito acima: hoje em dia, quantos saberão explicar por que isto não acontece?


Ilustração representando o sistema heliocêntrico (extraída de Harmonia Macrocosmica, de Andreas Cellarius, 1660-1).


Por estas e outras dificuldades, a teoria heliocêntrica foi abandonada, voltando a ser apresentada muitos séculos depois por Nicolau Copérnico, nascido em Torun, Polônia, em 14.02.1473, e falecido em Frauenburg, Polônia, em 24.05.1543.

Copérnico estudou astronomia e matemática na Universidade de Cracóvia e, por três anos, Direito Canônico em Bolonha, Itália. Também freqüentou as Universidades de Roma, Pádua e Ferrara. Em 1501 aceitou o posto de cônego da Catedral de Frauenburg, cidade onde fez suas observações astronômicas.

Reintroduziu o sistema heliocêntrico de Aristarco, com modificações, em dois trabalhos:

– em 1530: “Comentários sobre as Hipóteses da Constituição do Movimento Celeste”;

– em 1543: “Sobre a Revolução dos Corpos Celestes”.




Acima, um retrato de Copérnico pintado na sua cidade natal, Torun, no início do século XVI.


Acima, ilustação do sistema heliocêntrico feita pelo astrônomo polonês no seu livro De revolutionibus orbium coelestium (“Sobre as revoluções das esferas celestes”), publicado em 1543.


Este último trabalho foi dedicado ao Papa Paulo III, que aceitou a dedicatória, sem problemas. E, mais ainda, o sistema proposto por Copérnico foi usado pela Igreja para reformar o calendário litúrgico, permitindo prever a data da Páscoa e, a partir dela, as demais datas do ano litúrgico. O sistema geocêntrico de Ptolomeu havia levado a erros cumulativos importantes. Os cálculos para definir as datas litúrgicas foram enormemente simplificados com o sistema heliocêntrico. Estes cálculos foram feitos pelo jesuíta e matemático Cristóvão Clavius.

Segundo Copérnico, o Sol ocupa o centro do sistema planetário. Em torno dele os planetas giram em órbitas circulares, na seguinte ordem: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter e Saturno.

c) Sistema misto

Proposto por Tycho Brahe (1571-1630), astrônomo dinamarquês. Tornou-se conhecido e admirado pelas medidas precisas que realizou, com instrumentos adequados, construídos por ele mesmo com muita perfeição. O seu sistema é considerado por alguns autores como um sistema “conciliatório”. No centro do universo, a Terra, imóvel. À sua volta giram a Lua e o Sol. Os demais planetas giram em torno do Sol, acompanhando-o em seu movimento em torno da Terra. À distância, a esfera das estrelas.

Clavius (à esquerda; gravura do século XVI feita a partir de pintura de Francisco Villamena) e Tycho Brahe (à direita; gravura da Biblioteca Nacional da Dinamarca).

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