sexta-feira, 26 de setembro de 2008

A liturgia como fonte da missão

Palavras de doutrina, sob os cuidados dos padres Nicola Bux e Salvatore Vitiello.

A liturgia como fonte da missão.

Cidade do Vaticano (Agência Fides) – A Igreja é consciente de não ter outra fonte para conseguir força para a própria missão senão no próprio Senhor Jesus Cristo. A justa valorização e autonomia das ciências humanas, da história à filosofia, da psicologia à sociologia, etc., não deverá nunca substituir o critério sobrenatural do discernimento espiritual.

É Cristo, com a sua proposta ao coração do homem, o único e imprescindível referimento para a missão da Igreja. A fonte de tal missão é a adoração do Senhor, que se exprime principalmente na divina liturgia. Muitas celebrações se reduziram a uma “autocontemplação antropocêntrica”, do homem por ele mesmo, quase impedindo o contato com o mistério, através da verbosidade do celebrante, dos ritmos convulsivos das músicas e do frenesi dos movimentos. A liturgia da Igreja é essencialmente adoração do Senhor e, através da celebração dos mistérios divinos, a Igreja realiza a sua primeira obra missionária.

É necessário recuperar a clara consciência sobre o único sujeito protagonista da liturgia: o Senhor. O povo santo de Deus, e com ele o celebrante, entra na liturgia, mas não a cria: estes, povo e celebrante, são hospedados pelo mistério e somente a consciência de tal hospitalidade,
torna-os capazes de se transformar, por seu lado, em hospedeiros do mistério e dos irmãos.

Pedindo ao Senhor e intercedendo por todos os homens, através da sagrada liturgia, a Igreja realiza a sua primeira missão: a celebração dos sacramentos é por si mesma eficaz na ordem da salvação. Em tantas organizações da pastoral contemporânea, parece que o empenho missionário seja às vezes interrompido pelas celebrações, das quais, talvez, não se compreenda mais adequadamente o significado. Batizar, perdoar os pecados, celebrar a Eucaristia, são ações com mais força salvífica e missionária do que qualquer catequese, encontros, lições acadêmicas ou documentos eclesiais. Devemos recuperar essa consciência e, através dela, a indisponibilidade da liturgia ao capricho subjetivo da criatividade litúrgica e ao mito moderno, entendido em sentido democrático, da participação do povo.

Como nos lembra o Catecismo da Igreja Católica: “A liturgia é também participação na oração do Cristo, dirigida ao Pai, no Espírito Santo. Nela, toda oração cristã encontra a sua nascente e o seu término. Por meio da liturgia, o homem interior tem suas raízes e fundamentos (cf. Ef 3,16-17) no “grande amor com o qual o Pai nos amou” (Ef 2,4) em seu filho dileto. O que é vivido e interiorizado em cada oração, em todos os tempos, “no Espírito” (Ef 6,18) é a mesma “maravilha de Deus”. (CCC 1073).

Fonte: (Agência Fides 25/09/2008)

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