sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Carta Encíclica Fides et Ratio do Sumo Pontífice João Paulo II aos bispos da Igreja Católica sobre as relações entre fé e razão

LEITURA DE TEXTO LITERÁRIO

1 - Dados sumários sobre o autor e a obra:
1.1 Autor: João Paulo II, sumo pontífice
1.2 Título: Carta Encíclica Fides et Ratio do Sumo Pontífice João Paulo II aos bispos da Igreja Católica sobre as relações entre fé e razão.
1.3 Editora: Paulinas
1.4 Edição:
1.5 Lugar de Publicação: São Paulo
1.6 Dados sobre o autor: ele é o primeiro papa polonês e o único não italiano desde o século XVIII. Foi proclamado papa em 1978 aos 58 anos de idade e, seu nome de batismo (registro) é Karol Wojtyla.
1.7 O livro elucida, em forma simples e inteligível a leigos, o que devemos saber sobre a fé e a razão, qual a relação existente entre elas, quando caminharam juntas e qual a sua influência no debate sobre as verdades existenciais e últimas no mundo contemporâneo.

O seu objetivo primeiro é alertar o valor da fé e da razão. O autor propõe que a única forma de conseguirmos alcançar as respostas para as verdades últimas, sobre nós e sobre Deus, é se obtivermos uma óbvia parceria entre essas duas formas distintas de compreensão do mundo, ou melhor, sua proposta é de que elas não podem coexistir separadas, elas têm necessariamente que atuar juntas, porque só assim podemos manter o caminho correto em busca da Verdade (que é Jesus Cristo).

2 - Pensamento
2.1 Qual tipo de pensamento você identifica no texto?
Filosófico, religioso e científico. Porque nos propõe a utilização da razão filosófica para que à luz da fé possamos melhor compreender a Verdade sobre nossa existência.

3 - Conclusões.
3.1 Qual a importância de Ter lido esta obra? Por quê?
Esta obra me elucidou temas que há muito me interrogo, principalmente, quanto à relação existente entre a fé e a razão e de como a sua interação promove a compreensão da Verdade Suprema.

3.2 Segundo o autor: "A FÉ E A RAZÃO (fides et ratio) constituem como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade. Foi Deus quem colocou no coração do homem o desejo de conhecer a verdade e, em última análise, de conhecer a Ele, para que, conhecendo-o e amando-o, possa chegar também à verdade plena sobre si próprio. (cf. Ex 33,8; Sl 27/26, 8-9. 63/62, 2-3; Jo 14,8; Jo 3,2)"[1].

De fato, se é Deus quem nos permite utilizar a razão de maneira coerente afim de "descobrirmos" a Sua Verdade, logo, deve existir uma perfeita harmonia entre fé e razão, pois, Deus não iria negar a si próprio. Como alusão a isso temos o perfeito exemplo do pensamento dos Padre Antigos: "Crer, nada mais é senão pensar consentindo(...) Todo que crê, pensa; crendo pensa, e pensando crê(...). A fé se não for pensada não é".[2]

A razão é um dispositivo de busca que se realmente procura a Verdade, deve caminhar de forma coerente e lógica e se após algum tempo for confrontada a sua verdade com a Revelação Divina pouco temos a acrescentar. Portanto, devemos entender que a fé não necessita de um sistema ou escola filosófica específica, basta que a filosofia siga o caminho da verdade. Os antigos chamavam de orthòs logos, ou recta ratio, quando a razão buscava por veredas transparentes e corretas a Verdade Divina.

Em santo Tomás de Aquino a ligação entre fé e razão conheceu o seu ápice. Infelizmente, a partir da baixa Idade Média essa ligação começou a deteriorar-se, devido ao extremo pensamento racionalista de alguns filósofos e, tudo o que foi concebido, na Idade Média, através de uma profunda e lógica parceria entre essas ordens distintas de conhecimento foi esquecido pelos "novos sistemas filosóficos", que agora eram totalmente racionais e alheios a fé.

Como era de se esperar a História provou que essa separação é incoerente. A Filosofia, de sabedoria e saber universal reduziu-se a uma das muitas áreas do conhecimento humano, ao invés de buscar a Verdade e o real sentido da vida. Ela racionalmente tornou-se uma "razão instrumental" que visa somente o prazer e(ou) o poder.

A razão deve urgentemente retornar às suas origens, para o seu próprio bem, pois se a razão não atua juntamente com a Revelação (em Jesus Cristo) jamais enxergará novamente a sua meta final. Assim também, se a fé é privada do auxílio da razão ela corre o sério risco de tornar-se extremamente sentimental, passando também a ser fundamentada somente na experiência e, além de deixar de ser uma proposta universal, poderia ainda ser reduzida a um mero mito ou superstição.

Enfim, devemos ter consciência de que a Revelação Divina (em Jesus Cristo) não carece de uma cultura específica, pois, ela é uma Verdade Universal, sendo assim, todo caminho logicamente correto pode adaptar-se a ela.

Notas:
[1] - Doc. 160 - João Paulo II - Pág. 05
[2] - S. Agostinho, De praedestinatione Sanctorum 2, 5: PL 44, 963.

Um comentário:

valmir disse...

Parabéns! Gabriel, o mundo precisa de mensageiros assim. Que você continue firme na caminhada e comece a gerar Cristo no seu quotidiano a partir dessa experiência rica que recebemos do Magistério. Rezo por ti.