segunda-feira, 31 de março de 2008

Missão de Fim de Semana

Neste último fim de semana de março, o Grupo de Acompanhamento Vocacional Inaciano (GAVI - manaus) esteve em missão no interior do Amazonas, na comunidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro (zona rural do município de Manaquiri), a visita foi organizada e liderada pelo P. Adelson, sj.

Apesar do pouco tempo disponível (chegamos no início da tarde de sábado e retornamos à Manaus na tarde do Domingo) foi um momento de reflexão sobre a realidade das comunidades ribeirinhas, suas dificuldades e peculiaridades. Nesses dias pudemos constatar o descaso e abandono em que se encontram nossos irmãos na fé católica por conta do baixo número de vocações sacerdotais, nesse contexto, vimos um crescente aumento das seitas protestantes na região e a acentuada desarticulação das comunidades católicas ali existentes.

O itinerário do fim-de-semana consistiu em visitar algumas famílias, celebrar a Santa Missa e um breve encontro com a juventude local (que anseia por reanimar os jovens à participar das atividades da comunidade). Ficou como sugestão o posterior envio de mais jovens em missão para iniciar um trabalho pastoral efetivo nessa comunidade (organização de grupos, pastorais e formação cristã).

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"Todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus" (Rm 8,28)

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Da Justificação dos Santos - Santo Agostinho de Hipona (parte 5)

Capítulo XII - Não há justificação pelos méritos futuros

§23. Toda a argumentação, da qual nos servimos para defender que a graça de Deus por Jesus Cristo nosso Senhor é de fato graça, ou seja, não nos é concedida em vista de nossos merecimentos, embora se confirme claramente pelos testemunhos das divinas Escrituras, contudo apresenta dificuldades para aqueles situados na maioridade e em uso da razão. Estes, se não atribuem algo a si mesmos que ofereçam a Deus primeiramente para receber a retribuição, julgam ser limitados em todo o exercício da piedade. Mas quando se trata de crianças e do Mediador de Deus e dos homens, o homem Cristo Jesus (lTm 2,5), é improcedente toda afirmação sobre méritos prévios à graça de Deus. Pois as crianças não se distinguem umas das outras no tocante a méritos prévios para pertencerem ao Libertador dos homens, nem este se tornou libertador dos homens por algum merecimento humano, sendo ele também ser humano.

§24. Portanto, quem terá ouvidos para tolerar a afirmação segundo a qual as crianças deixam esta vida já batizadas na idade infantil em virtude de seus méritos futuros, e as crianças morrem na referida idade sem serem batizadas devido a seus deméritos futuros, quando não há lugar à recompensa ou à condenação por parte de Deus não havendo ainda uma vida de virtudes ou de pecados? (Carta a Próspero, n. 5, col. 951-952). O Apóstolo fixou um limite, o qual — expressando-me mais delicadamente — a temerária conjetura humana não pode ultrapassar. Ele diz: Todos nós teremos de comparecer manifestamente perante o tribunal de Cristo, a fim de que cada um receba a retribuição do que tiver feito durante a sua vida no corpo, seja para o bem, seja para o mal (2Cor 5,10). Ele diz: ter feito, e não acrescentou: “ou haveriam de fazer”. Mas ignoro como tais homens puderam pensar em méritos futuros por parte de crianças, méritos que não hão de existir, e que mereçam castigo ou recompensa. E por que está escrito que o homem será julgado por aquilo que praticar pelo corpo, se muitas vezes as ações são feitas só pela alma e não pelo corpo ou qualquer de seus membros, e freqüentemente são ações de tamanha importância que apenas em pensamento são dignas de um castigo muito justo, como é, para não mencionar outras, o que o insensato diz em seu coração: “Não há Deus”? (Sl 13,1). O que significa então do que tiver feito durante a sua vida no corpo, senão “do que tiver feito durante o tempo em que viveu no corpo”, de modo que “no corpo” queria dizer o tempo do corpo? Depois da morte do corpo, ninguém estará no corpo, a não ser pela última ressurreição, não mais para alcançar merecimentos, mas para receber a recompensa pelos merecimentos e penas expiatórias pelos deméritos. No intervalo entre a deposição e a recepção do corpo, as almas ou são atormentadas ou descansam, de acordo com o que fizeram durante a morada no corpo. A este tempo da permanência no corpo diz respeito também o que os pelagianos negam, mas a Igreja de Cristo confessa, ou seja, o pecado original. Remido pela graça de Deus este pecado ou não remido por um juízo de Deus, quando morrem as crianças, ou passam dos males para os bens pelo mérito da regeneração ou passam dos males desta vida para os males da outra pelo merecimento de origem. É o que ensina a fé católica e o que alguns hereges aceitam sem nenhuma oposição. Mas que alguém seja julgado não conforme os merecimentos adquiridos durante a vida no corpo, mas de acordo com os merecimentos que teria, se tivesse uma vida longa, tomado de admiração e espanto, não consigo descobrir onde se apóia esta opinião de pessoas que, como vossas cartas revelam, são dotadas de inteligência não comum. Não me atreveria a acreditar em tal opinião, se não considerasse ser maior ousadia não acreditar em vossa informação. Mas confio que o Senhor os assistirá para que, admoestados, percebam logo que os chamados futuros pecados, se pelo juízo de Deus podem ser punidos com relação aos não batizados, também podem ser perdoados pela graça de Deus com respeito aos batizados. Pois todo aquele que diz que pelo juízo de Deus somente podem ser punidos os pecados futuros, mas não podem ser perdoados pela misericórdia de Deus, devem considerar a grave ofensa que faz a Deus e à sua graça. Isto supõe que Deus pode ter presciência de um pecado futuro, mas não pode perdoa-lo. Se isto é absurdo, maior ainda será dizer que Deus deveria socorrer pelo batismo, que apaga os pecados, os pecadores futuros, que morrem na infância, se tivessem uma vida longa.

(continua)

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sexta-feira, 28 de março de 2008

Da Justificação dos Santos - Santo Agostinho de Hipona (parte 4)

Capítulo XI - A fé e a salvação são dons de Deus como o são a mortificação da carne e a vida eterna

§21. Se o Apóstolo diz: A herança vem da fé, para que seja gratuita e para que a promessa fique garantida, muito me admiro que os homens prefiram confiar na sua fraqueza a confiar na firmeza da promessa de Deus. Mas alguém dirá: “Não estou certo sobre a vontade de Deus a meu respeito”. O que dizer? Não estás certo nem sequer de tua vontade sobre ti mesmo e não temes o que está escrito: Aquele que julga estar em pé, tome cuidado para não cair (lCor 10,12). Se ambas as vontades são incertas, por que o homem não apóia sua fé, esperança e caridade no mais firme e não no mais fraco?

§22.Replicarão: “Mas quando se diz: Se creres, serás salvo (Rm 10,9), uma das duas coisas é exigência, a outra é oferecida. O que se exige, depende do homem, o que é oferecido, está no poder de Deus”. Por que não dizer que ambas estão no poder de Deus, o que se exige e o que se oferece? Pois pede-se que conceda o que manda. Os que têm fé rogam para que lhes aumente a fé, rogam pelos que não crêem, para que lhes seja concedida a fé. Portanto, tanto em seu crescimento como em seu princípio, a fé é dom de Deus. Está escrito: Se creres, serás salvo, do mesmo modo que se diz: Se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis. Nesta passagem, também uma das duas coisas é exigida e a outra é oferecida. Diz o texto: “Se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis”. Portanto, exige-se a mortificação das obras da carne e nos é oferecida a vida. Acaso parece bem dizer que mortificar as obras da carne não seja dom de Deus e que não confessemos ser dom de Deus porque sabemos ser uma exigência em troca da recompensa oferecida da vida eterna, se as fizermos? Não permita Deus que esta opinião agrade aos que participam da verdadeira doutrina da graça e a defendem. E este um erro condenável dos pelagianos, os quais o Apóstolo faz calar, quando diz: “Todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus (Rm 8,13-14),” o que evita acreditar que a mortificação de nossa carne não seja um dom de Deus, mas capacidade de nosso espírito. Ao mesmo Espírito de Deus se referia ao dizer: “Mas isso tudo é o único e mesmo Espírito que o realiza, distribuindo a cada um os seus dons, conforme lhe apraz (lCor 12,11).” No conteúdo desse “isso tudo”, mencionou também a fé, como sabeis. Portanto, assim como, embora seja de Deus, o mortificar as obras da carne é exigência para a consecução do prêmio da vida eterna prometida, assim também a fé, embora seja condição indispensável para alcançar a recompensa da salvação prometida, quando se diz: Se creres, serás salvo. Por conseguinte, ambas as coisas são preceitos e dons de Deus, para entendermos que as fazemos e Deus faz com que as façamos, como diz claramente pelo profeta Ezequiel. Pois nada mais claro do que a sentença: E farei com que as (minhas leis) pratiqueis (Ez 36,27). Prestai atenção a esta passagem da Escritura e percebereis que Deus promete fazer o que ele manda cumprir. E faz certamente aí menção dos méritos e não dos deméritos daqueles a quem revela retribuir bens por males, pois ele faz com que pratiquem depois boas obras, fazendo com que cumpram os seus mandamentos.


(continua)
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quarta-feira, 26 de março de 2008

AUDIÊNCIA GERAL - O Tríduo Pascal

PAPA BENTO XVI

AUDIÊNCIA GERAL

Sala Paulo VI
Quarta-feira, 19 de Março de 2008

Tríduo Pascal

O ódio, as divisões, as violências nunca têm a última palavra na história

Queridos irmãos e irmãs

Chegamos à vigília do Tríduo Pascal. Os próximos três dias são comummente chamados "santos" porque nos fazem reviver o acontecimento central da nossa Redenção; reconduzem-nos de facto ao núcleo essencial da fé cristã: a paixão, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo. São dias que poderíamos considerar como um único dia: eles constituem o coração e o fulcro de todo o ano litúrgico assim como da vida da Igreja. No final do itinerário quaresmal, preparamo-nos também nós para entrar no próprio clima que Jesus viveu então em Jerusalém. Queremos despertar em nós a profunda memória dos sofrimentos que o Senhor padeceu por nós e prepararmo-nos para celebrar com alegria, no próximo domingo, "a verdadeira Páscoa, que o Sangue de Cristo cobriu de glória, a Páscoa na qual a Igreja celebra a Festa que está na origem de todas as festas", como diz o Prefácio para o dia de Páscoa no rito ambrosiano.

Amanhã, Quinta-Feira Santa, a Igreja revive a Última Ceia, durante a qual o Senhor, na vigília da sua paixão e morte, instituiu o Sacramento da Eucaristia e o do Sacerdócio ministerial. Naquela mesma noite Jesus deixou-nos o mandamento novo, "mandatum novum", o mandamento do amor fraterno. Antes de entrar no Tríduo Sagrado, mas já em estreita ligação com ele, terá lugar em cada Comunidade diocesana, amanhã de manhã, a Missa Crismal, durante a qual o Bispo e os sacerdotes do presbitério diocesano renovam as promessas da Ordenação. São também abençoados os óleos para a celebração dos Sacramentos: o óleo dos catecúmenos, o óleo dos enfermos e o sagrado crisma. É um momento muito importante para a vida de cada comunidade diocesana que, reunida em volta do seu Pastor, fortalece a própria unidade e a sua fidelidade a Cristo, único Sumo e Eterno Sacerdote. À noite, na Missa em Cena Domini revive-se a Última Ceia, quando Cristo se deu a todos nós como alimento de salvação, como remédio de imortalidade: é o mistério da Eucaristia, fonte e ápice da vida cristã. Neste Sacramento de salvação o Senhor ofereceu e realizou para todos os que crêem n'Ele a mais íntima união possível entre a nossa e a sua vida. Com o gesto humilde e expressivo como nunca do lava-pés, somos convidados a recordar quanto o Senhor fez aos seus Apóstolos: lavando os seus pés proclamou de modo concreto a primazia do amor, amor que se faz serviço até à doação de si mesmos, antecipando assim também o sacrifício supremo da sua vida que se consumará no dia seguinte no Calvário. Segundo uma bonita tradição, os fiéis encerram a Quinta-Feira Santa com uma vigília de oração e de adoração eucarística para reviver mais intimamente a agonia de Jesus no Getsémani.

A Sexta-Feira Santa é o dia em que revivemos a paixão, crucifixão e morte de Jesus. Neste dia a liturgia da Igreja não prevê a celebração da Santa Missa, mas a assembleia cristã reúne-se para meditar o grande mistério do mal e do pecado que oprimem a humanidade, para repercorrer, à luz da Palavra de Deus e ajudada por comovedores gestos litúrgicos, os padecimentos do Senhor em expiação deste mal. Depois de ter ouvido a narração da paixão de Cristo, a comunidade reza por todas as necessidades da Igreja e do mundo, adora a Cruz e aproxima-se da Eucaristia, consumando as espécies conservadas da Missa em Cena Domini do dia anterior. Como ulterior convite a meditar sobre a paixão e morte do Redentor e para expressar o amor e a participação dos fiéis nos sofrimentos de Cristo, a tradição cristã deu vida a várias manifestações de piedade popular, procissões e representações sagradas, que têm por finalidade imprimir cada vez mais profundamente no coração dos fiéis sentimentos de verdadeira participação no sacrifício redentor de Cristo. Entre elas sobressai a Via Crucis, prática piedosa que no decorrer dos anos se enriqueceu por numerosas expressões espirituais e artísticas relacionadas com a sensibilidade das diversas culturas. Surgiram assim em muitos países santuários com o nome de "Calvaria", aos quais se chega através de uma íngreme subida que recorda o caminho doloroso da Paixão, permitindo que os fiéis participem na subida do Senhor ao Monte da Cruz, o Monte do Amor levado até ao fim.

O Sábado Santo distingue-se por um profundo silêncio. As Igrejas estão desornamentadas e não são previstas particulares liturgias. Enquanto aguardam o grande acontecimento da Ressurreição, os crentes perseveram com Maria na expectativa rezando e meditando. De facto, há necessidade de um dia de silêncio, para meditar sobre a realidade da vida humana, sobre as forças do mal e sobre a grande força do bem que brota da Paixão e da Ressurreição do Senhor. É atribuída grande importância neste dia à participação no Sacramento da reconciliação, caminho indispensável para purificar o coração e predispor-se para celebrar intimamente renovados a Páscoa. Pelo menos uma vez por ano precisamos desta purificação interior, desta renovação de nós mesmos. Este Sábado de silêncio, de meditação, de perdão, de reconciliação desemboca na Vigília Pascal, que introduz o domingo mais importante da história, o Domingo da Páscoa de Cristo. A Igreja vela ao lado do novo fogo abençoado e medita a grande promessa, contida no Antigo e no Novo Testamento, da libertação definitiva da antiga escravidão do pecado e da morte. Na escuridão da noite o círio pascal, símbolo de Cristo que ressuscita glorioso, é aceso pelo fogo novo. Cristo, luz da humanidade, afasta as trevas do coração e do espírito e ilumina cada homem que vem ao mundo. Ao lado do círio pascal ressoa na Igreja o grande anúncio pascal: verdadeiramente Cristo ressuscitou, a morte já não tem poder algum sobre Ele. Com a sua morte Ele derrotou o mal para sempre e fez dom a todos os homens da própria vida de Deus. Por uma antiga tradição, durante a Vigília Pascal, os catecúmenos recebem o Baptismo, para ressaltar a participação dos cristãos no mistério da morte e da ressurreição de Cristo. Da resplandecente noite de Páscoa, a alegria, a luz e a paz de Cristo irradiam-se na vida dos fiéis de cada comunidade cristã e alcançam todos os pontos do espaço e do tempo.

Queridos irmãos e irmãs, nestes dias singulares orientemos decididamente a vida para uma adesão generosa e convicta aos desígnios do Pai celeste; renovemos o nosso "sim" à vontade divina como fez Jesus com o sacrifício da cruz. Os sugestivos ritos da Quinta-feira Santa, da Sexta-Feira Santa, o silêncio rico de oração do Sábado Santo e a solene Vigília Pascal oferecem-nos a oportunidade para aprofundar o sentido e o valor da nossa vocação cristã, que brota do Mistério Pascal e de a concretizar no seguimento fiel de Cristo em cada circunstância, como Ele fez, até à doação generosa da nossa existência.

Reviver os mistérios de Cristo significa também viver em profunda e solidária adesão ao hoje da história, convictos de que quanto celebramos é realidade viva e actual. Tenhamos portanto presente na nossa oração a dramaticidade de factos e situações que nestes dias afligem tantos irmãos nossos em todas as partes do mundo. Sabemos que o ódio, as divisões, as violências nunca têm a última palavra nos acontecimentos da história. Estes dias reanimam em nós a grande esperança: Cristo crucificado ressuscitou e venceu o mundo. O amor é mais forte que o ódio, venceu e devemos associar-nos a esta vitória do amor. Portanto, devemos partir de novo de Cristo e trabalhar em comunhão com Ele para um mundo fundado sobre a paz, sobre a justiça e sobre o amor. Neste empenho, que a todos compromete, deixemo-nos guiar por Maria, que acompanhou o Filho divino pelo caminho da paixão e da cruz e participou, com a força da fé, na concretização do seu desígnio salvífico. Com estes sentimentos, formulo desde agora os votos mais cordiais de feliz e santa Páscoa a todos vós, aos vossos entes queridos e às vossas Comunidades.


Saudações

Saúdo cordialmente os peregrinos portugueses do Instituto Cultural da Maia e o grupo de Escuteiros da Diocese do Porto. Que a vinda a Roma vos fortaleça na fé e avive no vosso ânimo a coragem para testemunhar a grandeza do amor de Jesus Cristo, vencedor do mal, pelo seu sofrimento, e ressuscitado para ser a nossa esperança e a nossa paz. A todos os visitantes de língua portuguesadesejoumafelizesantaPáscoa.

Apelo

Sigo com grande trepidação as notícias, que nestes dias chegam do Tibete. O meu coração de Pai sente tristeza e dor face aos sofrimentos de tantas pessoas. O mistério da paixão e morte de Jesus, que revivemos nesta Semana Santa, nos ajude a ser particularmente sensíveis à sua situação.

Com a violência não se resolvem os problemas, mas só se agravam. Convido-vos a unir-vos a mim na oração. Peçamos ao Deus omnipotente, fonte de luz, que ilumine as mentes de todos e dê a cada um a coragem de optar pelo caminho do diálogo e da tolerância.

© Copyright 2008 - Libreria Editrice Vaticana


Fonte: www.vatican.va

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terça-feira, 25 de março de 2008

Etimologia da Semana Santa

  • O pão e o vinho

São os elementos naturais que Jesus toma para que não só simbolizem mas também se convertam em seu Corpo e seu Sangue e o façam presente no sacramento da Eucaristia.

Jesus os assume no contexto da ceia pascal, onde o pão ázimo da páscoa judaica que celebravam com seus apóstolos fazia referência a essa noite no Egito em que não havia tempo para que a levedura fizesse seu processo na massa (Ex 12,8).

O vinho é o novo sangue do Cordeiro sem defeitos que, posto na porta das casas, evitou aos israelitas que seus filhos morressem na passagem de Deus (Ex 12,5-7). Cristo, o Cordeiro de Deus (Jo 1,29), ao que tanto se refere o Apocalipse, salva-nos definitivamente da morte por seu sangue derramado na cruz.

Os símbolos do pão e o vinho são próprios da Quinta-feira Santa no que, durante a Missa vespertina da Ceia do Senhor, celebramos a instituição da Eucaristia, da qual encontramos alusões e alegorias ao longo de toda a Escritura.

Mas como esta celebração vespertina é o pórtico do Tríduo Pascal, que começa na Sexta-feira Santa, é necessário destacar que a Eucaristia dessa Quinta-feira Santa, celebrada por Jesus sobre a mesa-altar do Cenáculo, era a antecipação de seu Corpo e seu Sangue oferecidos à humanidade no "cálice" da cruz, sobre o "altar" do mundo.

  • O lava-pés

É o único que nos relata este gesto simbólico de Jesus na Última Ceia e antecipa o sentido mais profundo do "sem-sentido" da cruz.

Um gesto incomum para um Mestre, próprio dos escravos, converte-se na síntese de sua mensagem e dá aos apóstolos uma chave de leitura para enfrentar o que virá.

Em uma sociedade onde as atitudes defensivas e as expressões de autonomia se multiplicam, Jesus humilha nossa soberba e nos diz que abraçar a cruz, sua cruz, hoje, é ficar ao serviço dos outros. É a grandeza dos que sabem fazer-se pequenos, a morte que conduz à vida.

  • Os símbolos da Paixão

1. A cruz

A cruz foi, na época de Jesus, o instrumento de morte mais humilhante. Por isso, a imagem do Cristo crucificado se converte em "escândalo para os judeus e loucura para os pagãos" (1 Cor 1,23). Teve que passar muito tempo para que os cristãos se identificassem com esse símbolo e o assumissem como instrumento de salvação, entronizado nos templos e presidindo as casas e habitações, e pendendo no pescoço como expressão de fé.

Isto demonstram as pinturas catacumbais dos primeiros séculos, onde os cristãos, perseguidos por sua fé, representaram a Cristo como o Bom Pastor pelo qual "não temerei nenhum mal" (Sl 22,4); ou fazem referência à ressurreição em imagens bíblicas como Jonas saindo do peixe depois de três dias; ou ilustram os sacramentos do Batismo e a Eucaristia, antecipação e alimento de vida eterna. A cruz aparece só velada, nos cortes dos pães eucarísticos ou na âncora invertida.

Poderíamos pensar que a cruz era já a que eles estavam suportando, nos anos da insegurança e a perseguição. Entretanto, Jesus nos convida a segui-lo nos negando a nós mesmos e tomando nossa cruz a cada dia (cf MT 10,38; Mc 8,34; Lc 9,23).

Expressão desse martírio cotidiano são as coisas que mais nos custam e nos doem, mas que podem ser iluminadas e vividas de outra maneira precisamente desde Sua cruz.

Só assim a cruz já não é um instrumento de morte mas sim de vida e ao "por que eu" expresso como protesto diante de cada experiência dolorosa, substituímo-lo pelo "quem sou eu" de quem se sente muito pequeno e indigno para poder participar da Cruz de Cristo, inclusive nas pequenas "lascas" cotidianas.


2. A coroa de espinhos, o látigo, os pregos, a lança, a esponja com vinagre...

Estes "acessórios" da Paixão muitas vezes aparecem graficamente apoiados ou superpostos à cruz.

São a expressão de todos os sofrimentos que, como peças de um quebra-cabeças, conformaram o mosaico da Paixão de Jesus.

Eles materialmente nos recordam outros sinais ou elementos igualmente dolorosos: o abandono dos apóstolos e discípulos, as brincadeiras, os cusparadas, a nudez, os empurrões, o aparente silêncio de Deus.

A Paixão revestiu os três níveis de dor que todo ser humano pode suportar: física, psicológica e espiritual. A todos eles Jesus respondeu perdoando e abandonando-se nas mãos do Pai.

  • Os símbolos da Luz

1. A luz e o fogo

Desde sempre, a luz existe em estreita relação com a escuridão: na história pessoal ou social, uma época sombria vai seguida de uma época luminosa; na natureza é das escuridões da terra de onde brota à luz a nova planta, assim como à noite lhe sucede o dia.

A luz também se associa ao conhecimento, ao tomar consciência de algo novo, frente à escuridão da ignorância. E porque sem luz não poderíamos viver, a luz, sempre, mas sobre tudo nas Escrituras, simboliza a vida, a salvação, que é Ele mesmo (Sl 27,1; Is 60, 19-20).

A luz de Deus é uma luz no caminho dos homens (Sl 119, 105), assim como sua Palavra (Is 2,3-5). O Messias traz também a luz e Ele mesmo é luz (Is 42.6; Lc 2,32).

As trevas, então, são símbolo do mal, a desgraça, o castigo, a perdição e a morte (Jó 18, 6. 18; Am 5. 18). Mas é Deus quem penetra e dissipa as trevas (Is 60, 1-2) e chama os homens à luz (Is 42,7).

Jesus é a luz do mundo (Jo 8, 12; 9,5) e, por isso, seus discípulos também devem sê-lo para outros (MT 5.14), convertendo-se em reflexos da luz de Cristo (2 Cor 4,6). Uma conduta inspirada no amor é o sinal de que se está na luz (1 Jo 2,8-11).

Durante a primeira parte da Vigília Pascal, chamada "lucenario", a fonte de luz é o fogo. Este, além de iluminar queima e, ao queimar, purifica. Como o sol por seus raios, o fogo simboliza a ação fecundante, purificadora e iluminadora. Por isso, na liturgia, os simbolismos da luz-chama e iluminar-arder se encontram quase sempre juntos.


2.
O círio pascal

Entre todos os simbolismos derivados da luz e do fogo, o círio pascal é a expressão mais forte, porque reúne ambos.

O círio pascal representa a Cristo ressuscitado, vencedor das trevas e da morte, sol que não tem ocaso. Acende-se com fogo novo, produzido em completa escuridão, porque em Páscoa todo se renova: dele se acendem todas as demais luz.

As características da luz são descritas no exultet e formam uma unidade indissolúvel com o anúncio da libertação pascal. O acender o círio é, pois, um memorial da Páscoa. Durante todo o tempo pascal o círio estará aceso para indicar a presença do Ressuscitado entre os seus. Toda outra luz que arda com luz natural terá um simbolismo derivado, ao menos em parte, do círio pascal.

  • Os símbolos do Batismo


1. A água

Embora o rito do Batismo está todo ele repleto de símbolos, a água é o elemento central, o símbolo por excelência.

Em quase todas as religiões e culturas, a água possui um duplo significado: é fonte de vida e meio de purificação.

Nas Escrituras, encontramos as águas da Criação sobre as quais pairava o Espírito de Deus (Gn 1,2). A água é vida no regaço, na seiva, no liquido amniótico que nos envolve antes de nascer.

No dilúvio universal as águas torrenciais purificam a face da terra e dão lugar à nova criação a partir de Noé.

No deserto, os poços e os mananciais se oferecem aos nômades como fonte de alegria e de assombro. Perto deles têm lugar os encontros sociais e sagrados, preparam-se os matrimônios, etc.

Os rios são fontes de fertilização de origem divina; as chuvas e o orvalho contribuem com sua fecundidade como benevolência de Deus. Sem a água o nômade seria imediatamente condenado à morte e queimado pelo sol palestino. Por isso se pede a água na oração.

Yahvé se compara com uma chuva de primavera (Os 6,3), ao orvalho que faz crescer as flores (Os 14.6). O justo é semelhante à árvore plantada ao borde das águas que correm (Nm 24,6); a água é sinal de bênção.

Segundo Jeremias (2, 13), o povo do Israel, ao ser infiel, esquece de Yahvé como fonte viva, querendo escavar suas próprias cisternas. A alma procura deus como o cervo sedento procura a presença da água viva (Sl 42,2-3). A alma aparece assim como uma terra seca e sedenta, orientada para a água.

Jesus emprega também este simbolismo em sua conversação com a samaritana (Jo 4.1-14), a quem lhe revela como "água viva" que pode saciar sua sede de Deus. Ele mesmo se revela como a fonte dessa água: "Se alguém tiver sede, que venha para Mim e beba" (Jo 7,37-38). Como da rocha de Moisés, a água surge do flanco transpassado pela lança, símbolo de sua natureza divina e do Batismo (cf Jo 19,34).

Por este motivo, a água se converteu no elemento natural do primeiro sacramento da iniciação cristã. Desde os primeiros séculos do cristianismo, os cristãos adultos eram batizados em uma espécie de pileta cheia de água que contava com duas escadas: por uma descia e por outra saía. A imagem de "descer" às águas representava o momento da purificação dos pecados e estava associada à morte de Cristo.

A saída, subindo pelo lado oposto, representava o renascer à nova vida, como saindo do ventre materno,. e era associado à ressurreição. No centro se fazia a profissão de fé pública. E isto significa que a água do batismo não é algo "mágico" -como pensam muitos crentes- que protege ou transforma por si só, mas sim a expressão deste duplo compromisso: o de mudar de vida morrendo ao pecado e o de renovar a escala de valores, iluminados por Cristo, ressuscitados com Ele.


2. A vestimenta branca

A cor branca sempre foi identificado com a pureza, com o inocente. Parece lógico que, desde os primeiros séculos do cristianismo, os catecúmenos fossem ao Batismo vestidos com túnicas brancas. Poderíamos considerá-lo, inclusive, como inspirado na imagem reiterada do Apocalipse, em que os seguidores fiéis do Cordeiro mereceram vestir-se de branco (cf 3,4-5.18; 4,4; 7,9.13-14; 19,14; 22,14).

Entretanto, os textos bíblicos dependeriam do que nos diz a tradição cultural dos primeiros séculos, anterior aos mesmos. Em todo o Império Romano, só os membros do Senado se vestiam com túnicas brancas. Dali que os chamassem candídatus, do latim "cândida", branco. Desta maneira. Manifestava publicamente sua dignidade, a de servir ao Imperador, quem se apresentava como o Filho de Deus.

Os cristãos, então, a irem vestidos de branco a receber o Batismo, tentaram mostrar que a verdadeira dignidade do homem não consiste em trabalhar para nenhum poder político mas sim em servir Jesus Cristo, o verdadeiro Filho de Deus. Portanto, mais que símbolo de pureza, era símbolo de dignidade, de vida nova, de compromisso com um estilo de vida e com o esforço cotidiano por conservá-la sem mancha, para ser considerados dignos de participar do banquete do Reino (cf MT 22, 12).

Em uma sociedade consumista como a nossa, em que a dignidade das pessoas depende de como vão vestidas, da moda que seguem, das marcas que usam, os cristãos deveriam nos perguntar o que fizemos de nossa "veste branca" batismal e verifìcar se, como diz São Paulo, "tendo-nos revestldo de Cristo" (Cfr Gl 3.27).

  • Comemoração da Paixão de Cristo.- Uma festa posta na terça-feira logo depois de sexagésima (sexagésimo dia antes da Páscoa). Seu objeto é a recordação devota e a honra dos sofrimentos de Cristo para a redenção da humanidade. Enquanto a festa em honra dos instrumentos da Paixão de Cristo – a Santa Cruz, a Lança, Pregos, e a Coroa de Espinhos – chamadas “Arma Cristã”, originou-se durante a Idade Média, esta comemoração é de mais recente origem. Aparece pela primeira vez no Breviário de Meissen (1517) como uma festa simples para 15 de Novembro. O mesmo breviário tem uma festa da Santa Face para 15 de Janeiro e do Nome Sagrado para em 15 de Março. [Grotefend, "Zeitrechnung" (Hanover, 1892), II, 118 sqq.]; estas festas desapareceram com a introdução do Luteranismo. Como se encontra no apêndice do Breviário Romano, foi iniciado por São Paulo da Cruz (morto em 1775). O Ofício foi composto por Tomás Struzzieri, Bispo de Todi, e fiel associado a São Paulo.
  • Na quinta-feira Santa a Eucaristia com que se dá início ao Tríduo Pascal é a "Missa in Coena Domini", porque é a que mais entranhavelmente recorda a instituição deste sacramento por Jesus em sua última ceiar, adiantado assim sacramentalmente sua entrega na Cruz.
  • Ceia do Senhor.- É o nome que, junto ao de "fração do pão", São Paulo dá em 1 Cor. 11,20 ao que logo se chamou "Eucaristia" ou "Missa": "kyriakon deipnon", ceia senhorial, do Senhor Jesus. É também o nome que dá o Missal atual: "Missa ou Ceia do Senhor" ((IGMR. 2 e 7).
  • Abstinência.- (do latim abstinentia, ação de privar-se ou abster-se de algo) Gesto penitencial. Atualmente se pede que os fiéis com uso de razão e que não tenham algum impedimento se abstenham de comer carne, realizem algum tipo de privação voluntária ou façam uma obra caridosa nas sextas-feiras, que são chamados dias penitenciais.
    Só Na quarta-feira de Cinzas e Na sexta-feira Santa são dias de jejum e abstinência.
  • Jejum.- (do latim ieiunium, jejum, abstinência) Privação voluntária de comida por motivos religiosos. É uma forma de vigília, um sinal que ajuda a tomar consciência (ex.: o jejum da Quarta-feira de Cinzsa recorda o início do tempo penitencial) ou que prepara (ex.: o jejum eucarístico predispõe à recepção que breve se fará do Corpo de Cristo). A Igreja o prescreve pelo espaço de um dia para Na quarta-feira de Cinzas, com caráter penitencial, e para Na sexta-feira Santa, extensivo à Sábado Santo, com caráter pascal; e por uma hora para quem vai comungar.
  • Cinzas.- A cinza que impõe o sacerdote aos fiéis Na quarta-feira de Cinzas, procede da queima das Palmas bentas durante a Missa do Domingo de Ramos.
  • Palma.- Do latim: -palmae- que significa palma da mão e folha da palmeira, que já usavam os romanos como símbolo de vitória. Os povos que coincidem em lhe atribuir altos valores a este símbolo já que desenvolveram em torno dela diversos ritos. Recordemos, começando pelo mais próximo, como é tradição entre nós pendurar nos balcões os Ramos bentos No domingo de Ramos para que protegessem a casa durante todo o ano.
  • Paixão.- Do latim patior, passus, que significa experimentar, suportar, padecer, forma-se o essencial passio (acus. pl. Passiones). É sintomático que nos tenhamos decantado com preferência pelos aspectos positivos da palavra "paixão".
  • Semana Santa.- À Semana Santa lhe chamava em um princípio “A Grande Semana”. Agora chamada Semana Santa ou Semana Maior e a seus dias lhes diz dias Santos. Esta semana começa com o domingo de Ramos e termina no domingo de Páscoa.
  • Ecce Homo.- Imagem de Jesus Cristo tal como Pilatos a apresentou ao povo ( do latim “ecce”, eis aqui, e “homo”, o homem).
  • Gólgota.- Calvário. Colina de Jerusalém na Palestina, onde Jesus foi crucificado.
  • Via Sacra.- (em latim: Via Crucis - O caminho da cruz) Exercício piedoso que consiste em meditar o caminho da cruz por meio de leituras bíblicas e orações. Esta meditação se divide em 14 ou 15 momentos ou estações. São Leopoldo de Porto Mauricio deu origem a esta devoção no século XIV no Coliseu de Roma, pensando nos cristãos que se viam impossibilitados de peregrinar à Terra Santa para visitar os Santos lugares da paixão e morte de Jesus Cristo. Tem um caráter penitencial e está acostumado a rezá-los dias sexta-feira, sobre tudo na Quaresma. Em muitos templos estão expostos quadros ou baixos-relevos com ilustrações que ajudam os fiéis a realizar este exercício.
Fonte: http://www.acidigital.com/fiestas/semanasanta/etimologia.htm
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segunda-feira, 24 de março de 2008

85 PERGUNTAS E RESPOSTAS (parte 8)

71. Você fala da autoridade da Igreja e o peso de tradição. Mas eu fui ensinado que as Escrituras são a única regra de fé.

Você foi ensinado errado. A Escritura nega que seja a única regra de fé. O último versículo do evangelho de são João nos conta que nem tudo o que Jesus fez estão nas Escrituras. São Paulo nos fala inúmeras vezes que muitos poderiam citar centenas de textos mesmo não sabendo da doutrina cristã. De fato, a adoção de só a Bíblia levou a tantas opiniões pelos não-católicos. Finalmente, as Escrituras nos falam claramente que a Igreja católica é a regra de fé, que é a Igreja que Cristo enviou para ensinar todas as nações e a qual Ele comandou para os homens ouvirem e obedecerem. Quem acredita nas Escrituras como única regra de fé, acredita nas suas próprias interpretações erradas da Bíblia.

72. A Igreja não é construída no conhecimento que obtém da Bíblia?

Não. A Igreja católica foi construída por Cristo e em Cristo antes que uma linha do NT fosse escrito. Ela recebeu a doutrina dos lábios de Cristo, e é livre de erro em seu ensino pelo Espírito Santo. Entre 40 e 80 anos depois da fundação da Igreja, alguns de seus membros escreveram os livros do NT. Se os Evangelhos fossem a única regra de fé, então antes que eles fossem escritos não poderia ter havido nenhuma regra de fé!

73. Cristo nos deu a ordem para procurar as Escrituras. Jo. 5:39.

Isso foi uma réplica, não uma ordem, e você não pode transformar uma repreensão particular em uma lei universal. Se esta fosse uma lei universal, teria sido impossível de se realizar pela vasta maioria durante os 14 séculos antes da invenção da imprensa! Mas leia o contexto. Os judeus que se orgulhavam de sua fidelidade à Lei mosaica não acreditariam em Cristo. Ele os desafiou: "(vocês) procuram as Escrituras, porque pensam que nelas têm a vida eterna; e leas mesmas é que dão testemunho de mim". A Igreja católica poderia dizer da mesma maneira aos protestantes: "Vocês estão sempre falando de procurar as Escrituras ao invés de meus métodos, e pensam ter neles a vida eterna, independentemente de mim; contudo a mesma é que dá testemunho de mim ".

74. Nós não lemos que os cristãos primitivos procuraram nas Escrituras diariamente? At. 17:11

Eles receberam a verdadeira doutrina primeiro da Igreja pedagógica, e só então conferiam nas Escrituras. Esse é o procedimento certo, e os católicos de hoje fazem o mesmo. Mas seu modo não é ser ensinado primeiro pela Igreja, e então verificar, mas tentar entender sua própria religião da Bíblia com uma mente não treinada e por uma interpretação pessoal que a Escritura proibe.

75. Bem, eu não tenho medo de nada contanto que eu tenha a pura Palavra de Deus para ver.

Você não pode provar que é a pura Palavra de Deus sem a Igreja católica. Nem precisa de ter medo da pura Palavra de Deus. O que nós temos que temer é a Palavra de Deus adulterada por pessoas que a leram conforme seu gosto.

76. Dá pra ver o modo como você coloca tradições humanas no mesmo nível das Escrituras.

Como fonte de doutrina a Igreja católica confia em divinely tradição garantida, não em tradição meramente humana. Esta tradição divina é o ensino de Cristo, dado oralmente pelos os apóstolos e passada à Igreja, embora não escrito nas páginas do NT.

77. Então você tem a Tradição além das Escrituras?

Sim, e eu estou bastante bíblico fazendo assim. Cristo enviou os apóstolos para ensinar todas as coisas que Ele tinha lhes ensinado. No último versículo do evangelho de são João, nos conta que nem tudo está escrito nas Escrituras. Senem tudo foi ensinado, e nem tudo está nas Escrituras, então parte da doutrina cristã deve estar em outro lugar. Onde? São Paulo nos diz: "Entäo, irmäos, estai firmes e retende as tradiçöes que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa." IITs. 2:14. "Conserva o modelo das säs palavras que de mim tens ouvido, na fé e no amor que há em Cristo Jesus" IITm. 1:13. "E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idóneos para também ensinarem os outros." IITm.. 2:2. Todos os cristãos da mesma época acreditavam que a revelação cristã não só estava nas Escrituras, mas também na tradição. At. 2:42, "E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhäo, e no partir do päo, e nas oraçöes", isto é, o ensinando oral dos apóstolos que eles ensinaram a um ao outro, e passado para os filhos. Quem nega a tradição perde a doutrina completa de Cristo.

78. Eu não questiono as tradições nas Escrituras. Eu critico as tradições romanas que não estão nas Escrituras e que estão contra as Escrituras.

A Igreja católica rejeita todas as tradições que estão contra a Escritura. Ela aceita tradições divinas que são complementares a Escritura, e que estão em harmonia perfeita com os princípios ensinados nas Escrituras. As tradições que não estão nas Escrituras não podem ser a Palavra escrita de Deus. Mas as Escrituras dizem que a tradição existe, e que é de igual autoridade com a Palavra escrita de Deus.

79. Cristo não culpou os fariseus, dizendo, "Por que vocês transgridem a ordem de Deus por sua tradição?" Mt. 15:3.

Ele culpou, mas ele chamou de tradição e condenou a tradição errônea e meramente humana, não as tradições corretas nas quais, de acordo com são Paulo, nós temos que confiar. Você cita este texto somente porque contêm a palavra tradição, e sem qualquer avaliação de seu verdadeiro sentido.

80. O próprio são Paulo nos adverte:"Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e väs sutilezas, segundo a tradiçäo dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e näo segundo Cristo"; Cl. 2:8.

O texto nos adverte contra tradições erradas, mas de maneira nenhuma condena tradições que não são humanas, mas que estão de acordo com Cristo. São Paulo não contradiz seu próprio ensino.

(continua)

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quarta-feira, 19 de março de 2008

Quinta Feira Santa - Missa da Ceia do Senhor

(Pe. Geraldo Morujão)

Êxodo 12, 1-8.11-14
1Naqueles dias, o Senhor disse a Moisés e a Aarão na terra do Egipto: 2”Este mês será para vós o princípio dos meses; fareis dele o primeiro mês do ano. 3Falai a toda a comunidade de Israel e dizei-lhe: No dia dez deste mês, procure cada qual um cordeiro por família, uma rês por cada casa. 4Se a família for pequena demais para comer um cordeiro, junte-se ao vizinho mais próximo, segundo o número de pessoas, tendo em conta o que cada um pode comer. 5Tomareis um animal sem defeito, macho e de um ano de idade. Podeis escolher um cordeiro ou um cabrito. 6Deveis conservá-lo até ao dia catorze desse mês. Então, toda a assembleia da comunidade de Israel o imolará ao cair da tarde. 7Recolherão depois o seu sangue, que será espalhado nos dois umbrais e na padieira da porta das casas em que o comerem. 8E comerão a carne nessa mesma noite; comê-la-ão assada ao fogo, com pães ázimos e ervas amargas. 11Quando o comerdes, tereis os rins cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão. Comereis a toda a pressa: é a Páscoa do Senhor. 12Nessa mesma noite, passarei pela terra do Egipto e hei-de ferir de morte, na terra do Egipto, todos os primogénitos, desde os homens até aos animais. Assim exercerei a minha justiça contra os deuses do Egipto, Eu, o Senhor. 13O sangue será para vós um sinal, nas casas em que estiverdes: ao ver o sangue, passarei adiante e não sereis atingidos pelo flagelo exterminador, quando Eu ferir a terra do Egipto. 14Esse dia será para vós uma data memorável, que haveis de celebrar com uma festa em honra do Senhor. Festejá-lo-eis de geração em geração, como instituição perpétua”.

---comentário---
Temos aqui, num texto de tipo catequético-litúrgico, a promulgação da lei da Páscoa judaica como “instituição perpétua” a ser festejada por todas as gerações (v. 14). Na origem desta festa da “Páscoa” – dum étimo semítico: salto festivo – parece estar uma antiga festa de pastores nómadas, própria da Primavera, a época em que nascem os cordeiros; então sacrificavam um cordeiro recém-nascido e com o seu sangue faziam ritos a implorar protecção e a fecundidade. Também pela época da Primavera parece que havia outra festa, a dos “Ázimos”, com o sentido de novidade e rotura com o passado (o fermento). As duas festas vieram a fundir-se numa só. A Torá terá assumido estas duas festas, dando-lhes o novo e profundo significado que neste texto legal fica bem assinalado, para celebrar a libertação do Egipto.

A ceia pascal é celebrada na noite de 14 para 15 do mês de Nisan (Março/Abril), a noite da lua cheia que se seguia ao equinócio da primavera, pois o 1° dia do mês era o 1º dia da lua nova; então se comiam os pães ázimos, isto é, sem fermento (do grego a-zymê, em hebraico, os matsôth) durante os sete dias da festa, de 15 a 21 de Nisan. O cordeiro imolado recordava aquele outro cordeiro com cujo sangue os israelitas marcaram as suas portas para que o “o flagelo exterminador” ali não atingisse ninguém. A própria palavra “Páscoa”, com uma etimologia muito discutida, pode provir do étimo psh, que significa saltar, passar por cima de, prestando-se a significar o flagelo mortal que passou ao largo das casas dos israelitas (cf. Ex 12, 27) na região de Guéssen ou Góxen; neste texto a palavra é entendida como a passagem do Senhor, a fim de libertar o seu povo. O pão sem fermento lembrava a pressa com que os israelitas saíram do Egipto, tendo de levar consigo a massa do pão antes de ter fermentado (Ex 12, 34.39).

No entanto, a celebração da Páscoa não era para os israelitas uma mera recordação agradecida da libertação duma escravidão passada, mas era algo que os orientava para uma libertação futura completa e definitiva, que se haveria de dar com a vinda do Messias. Havia mesmo uma crença judaica em que o Messias viria numa noite de Páscoa: “nesta noite foram libertados, e nela também serão libertos”. Esta alegre esperança manifestava-se no costume, que ainda hoje se mantém, de deixar um lugar vazio à mesa, para alguém que chegue na última hora, que afortunadamente poderia ser o profeta Elias, precursor do Messias. De facto, um dia o próprio Messias havia de se pôr à mesa da ceia pascal, rodeado dos seus discípulos, para então inaugurar a era da autêntica e definitiva libertação. Jesus é o verdadeiro cordeiro pascal (1 Cor 5, 7; Jo 19, 36) que se oferece em sacrifício, com cujo sangue somos redimidos e com cuja carne somos alimentados no banquete eucarístico, prelúdio do banquete celeste (cf. Mc 14, 25). Os samaritanos ainda hoje celebram a Páscoa como se descreve neste texto do Êxodo, sem refeição solene, sem vinho e à pressa. Os judeus celebram-na como refeição solene; já era assim no tempo de Jesus, em razão de já terem saído da escravidão para a liberdade; mas, em vez de comerem sentados como habitualmente, comiam recostados sobre esteiras ou divãs, apoiando-se sobre o braço esquerdo, a partir da época helenística (cf. Lc 22, 14).

2ª leitura: 1 Coríntios 11, 23-26
Irmãos: 23Eu recebi do Senhor o que também vos transmiti: o Senhor Jesus, na noite em que ia ser entregue, tomou o pão e, dando graças, 24partiu-o e disse: “Isto é o meu Corpo, entregue por vós. Fazei isto em memória de Mim”. 25Do mesmo modo, no fim da ceia, tomou o cálice e disse: “Este cálice é a nova aliança no meu Sangue. Todas as vezes que o beberdes, fazei-o em memória de Mim”. 26Na verdade, todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, anunciareis a morte do Senhor, até que Ele venha.

---comentário---
Temos aqui o relato da última Ceia, o mais antigo dos quatro que aparecem no N. T., escrito apenas uns 25 anos após o acontecimento. São Paulo diz que isto mesmo já o tinha pregado aos cristãos (v. 23) uns quatro anos atrás, durante os 18 meses em que evangelizou a cidade de Corinto, por ocasião da sua segunda viagem.

23 “Recebi do Senhor”: O original grego (com o uso da preposição apó e não pará) deixa ver que S. Paulo recebeu esta doutrina pela tradição que remonta ao Senhor e não directamente dele, por meio de alguma revelação, como alguém poderia pensar. “Na noite em que ia ser entregue”: Celebramos hoje uma dupla entrega do Senhor, a sua entrega às mãos dos seus inimigos, para a morrer pelos nossos pecados e nos ganhar a vida divina, e a entrega no Sacramento da SS. Eucaristia, como alimento desta mesma vida divina. Para o seu amor infinito, é pouco dar-se todo uma só vez por todos; quer dar-se todo a cada um de nós todas as vezes que nos disponhamos a recebê-lo!

24 “Isto é o Meu Corpo”: A expressão de Jesus é categórica e terminante, sem deixar lugar a mal entendidos. Não diz “aqui está o meu corpo”, nem “isto simboliza o meu corpo”, mas sim: “isto é o meu corpo”, como se dissesse “este pão já não é pão, mas é o meu corpo”. Todas as tentativas heréticas de entender estas palavras num sentido meramente simbólico, fazem violência ao texto e não têm seriedade. É certo que o verbo “ser” também pode ter o sentido de “ser como”, “significar”, mas isto é só quando do contexto se possa depreender que se trata duma comparação, o que não se dá aqui, pois não se vê facilmente como o pão seja como o Corpo de Jesus, ou como é que o pode significar. Atenda-se a que Jesus, com a palavra isto não se refere à acção de partir o pão, pois não pronuncia estas palavras enquanto parte o pão, mas depois de o ter partido; portanto não tem sentido dizer que, com a fracção do pão, o Senhor queria representar o despedaçar do seu corpo por uma morte violenta (o corpo entregue); Jesus não podia querer dizer tal coisa, pois, se o quisesse dizer, havia de o explicitar, uma vez que o gesto de partir o pão era um gesto usual do chefe da mesa em todas as refeições, não sendo possível ver um outro sentido; por outro lado, o beber do cálice já não se podia prestar a um tal sentido.

Os Apóstolos vieram a entender as palavras de Jesus no seu verdadeiro realismo, como aparecem no discurso do Pão da Vida (Jo 6, 51-58). Se Jesus não quisesse dar este sentido realista às suas palavras, também os seus discípulos e a primitiva Igreja não lho podiam dar, porque beber o sangue era algo sumamente escandaloso para gente criada no judaísmo, que ia ao ponto de proibir a comida de animais não sangrados. Se S. Paulo não entendesse estas palavras de Jesus num sentido realista, não teria podido afirmar no v. 27 (omitido na leitura de hoje): “quem comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor”; e no v. 29 fala de “distinguir o corpo do Senhor”.

Paulo VI, na encíclica Misterium fidei, rejeitou as explicações teológicas (transignificação e transfinalização) que não respeitem suficientemente o realismo da presença real: “Mas para que, ninguém entenda erroneamente este modo de presença, que supera leis da natureza e constitui o maior dos milagres no seu género, é preciso seguir com docilidade a voz da Igreja docente e orante. Pois bem, esta voz, que é um eco perene da voz de Cristo, assegura-nos que Cristo se torna presente neste Sacramento pela conversão de toda a substância do pão no seu corpo e de toda a substância no vinho no seu sangue; conversão admirável e singular à qual a Igreja justamente e com propriedade chama transubstanciação” (atenda-se a que aqui a noção de substância não é a da Física ou da Química, mas a da Metafísica).

24-25 “Fazei isto em memória de Mim”: Com estas palavras, Jesus Cristo entrega aos Apóstolos (e aos seus sucessores) o poder ministerial de celebrar o Mistério Eucarístico; por isso, Quinta-Feira Santa é o dia do sacerdócio e dos sacerdotes.

25 “A Nova Aliança com o meu Sangue”: Jesus compara o seu sangue, que vai derramar na cruz, ao sangue do sacrifício da Aliança do Sinai (cf. Ex 24, 8), como sendo o novo sacrifício com que se ratifica a Nova Aliança de Deus com a Humanidade, aliança anunciada pelos profetas (Jer 31, 31-33). Na Ceia temos o mesmo sacrifício do Calvário antecipado sacramentalmente através das palavras do próprio Jesus. Na Missa temos igualmente o mesmo sacrifício da Cruz renovado e representado sacramentalmente através da dupla consagração feita pelo sacerdote que actua na pessoa e em nome de Cristo, sendo Ele o mesmo oferente principal, a mesma vítima e sendo os merecimentos os mesmos do único Sacrifício redentor a serem aplicados, Sacrifício oferecido de uma vez para sempre (efápax: cf. Hebr 9, 25-28; 10, 10.18).

26 “Anunciareis a Morte do Senhor”: No altar já não se derrama o sangue de Cristo, como na Cruz, mas oferece-se, de modo incruento, o mesmo sacrifício, renovando e representando sacramentalmente o mistério da mesma Morte que se deu no Calvário.

Evangelho: São João 13, 1-15
1Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai, Ele, que amara os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim. 2No decorrer da ceia, tendo já o Demónio metido no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, a ideia de O entregar, 3Jesus, sabendo que o Pai Lhe tinha dado toda a autoridade, sabendo que saíra de Deus e para Deus voltava, 4levantou-Se da mesa, tirou o manto e tomou uma toalha que pôs à cintura. 5Depois, deitou água numa bacia, e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugá-los com a toalha que pusera à cintura. 6Quando chegou a Simão Pedro, este disse-Lhe: “Senhor, Tu vais lavar-me os pés?” 7Jesus respondeu: “O que estou a fazer, não o podes entender agora, mas compreendê-lo-ás mais tarde”. 8Pedro insistiu: “Nunca consentirei que me laves os pés”. Jesus respondeu-lhe: “Se não tos lavar, não terás parte comigo”. 9Simão Pedro replicou: “Senhor, então não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça”. 10Jesus respondeu-lhe: “Aquele que já tomou banho está limpo e não precisa de lavar senão os pés. Vós estais limpos, mas não todos”. 11Jesus bem sabia quem O havia de entregar. Foi por isso que acrescentou: “Nem todos estais limpos”. 12Depois de lhes lavar os pés, Jesus tomou o manto e pôs-Se de novo à mesa. Então disse-lhes: “Compreendeis o que vos fiz? 13Vós chamais-Me Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque o sou. 14Se Eu, que sou Mestre e Senhor, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. 15Dei-vos o exemplo, para que, assim como Eu fiz, vós façais também”.

1. “Antes da festa da Páscoa”: A ceia de que aqui se fala (v. 2) não é descrita como sendo a Ceia Pascal dos Sinópticos (Mt 26, 17-35; Mc 14, 12-31; Lc 22, 7-39), mas não pode ser outra, por se tratar da mesma da noite em que Jesus foi preso. Se S. João se limita a dizer “antes da festa da Páscoa”, sem precisar que era a véspera (a Preparação), é porque ele quer que se entenda a morte de Jesus como a imolação do cordeiro pascal, ao colocá-la no mesmo dia (a Preparação: 19, 31.42) em que no templo eram imolados os cordeiros para a festa; sendo assim, evita intencionalmente o dar à Última Ceia qualquer carácter pascal; e pensamos que esta pode ser uma séria razão para não falar da instituição da Eucaristia, referida no discurso do Pão da Vida (cf. Jo 6, 51-58). “Amou-os até ao fim”, isto é, até à consumação (19, 30), indicando o seu amor de total entrega, até à morte (cf. 15, 13; 1 Jo 3, 16; Gal 2, 20), embora com esta não termine o seu amor, pois “não só até aqui nos amou quem nos ama sempre e sem fim” (Santo Agostinho); poderia aludir também ao amor na realização da Eucaristia de que S. João não conta a instituição, natural¬men¬te por já lhe ter dedicado todo o capítulo VI e, como já se disse, para evitar dar a esta ceia um carácter pascal. Outra tradução possível: “levou o seu amor por eles até ao extremo”. Jesus não só amou os seus até ao último momento da sua vida terrena, mas não podia amá-los mais: amou-nos até à loucura e da Cruz e da Eucaristia.

3 “Jesus, sabendo...” Lavar os pés era um ofício exclusivo de escravos (1 Sam 25, 41) e os rabinos chegavam a explicitar que só se devia impor esse humilhante serviço a escravos que não fossem da raça hebraica, baseando-se em Lv 25, 39. Jesus, ao sujeitar-se a esse trabalho aviltante, tem bem presente o seu poder e a sua dignidade de Filho de Deus. A oposição decidida de Pedro mostra o profundo choque causado pela atitude do Senhor. Não se pode estabelecer o momento exacto do lava-pés, pois não estavam previstas lavagens dos pés na Ceia, mas apenas o lavar das mãos; o que Jesus realiza é antes de mais uma acção simbólica, à maneira dos profetas. Talvez a discussão travada na Ceia sobre quem seria o maior dos Apóstolos (cf. Lc 22, 24) tenha levado Jesus a dar-lhes uma lição com o seu gesto: é maior aquele que mais serve. Aparecem dois significados no gesto de Jesus: um simbólico e outro de exemplo a imitar. Nos vv. 6-11, aparece mais o valor simbólico: Jesus é quem purifica os seus dos seus pecados e sem isso não se pode ter parte com Ele (v. 8), purificação que é um efeito da sua Morte redentora. Nos vv. 14-15, Jesus propõe o seu exemplo para ser imitado: “Eu vos lavei os pés, sendo Mestre e Senhor, também vós deveis lavar os pés uns aos outros”, isto é, prestar aos outros todos os serviços, mesmo os mais humildes e humilhantes. Ter autoridade na Igreja (e também na sociedade civil) não é ter à disposição os outros para ser servido, mas é estar à disposição de todos para os servir eficazmente. A vida cristã consiste em imitar o exemplo de Jesus Cristo: 1 Pe 2, 21; 1 Jo 2, 6; Fil 2, 5; 1 Cor 11, 1; Ef 5, 1; 1 Tes 1, 6...

Fonte: http://www.presbiteros.com.br
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segunda-feira, 17 de março de 2008

Da justificação dos santos - Santo Agostinho de Hipona (parte 3)

Capítulo IX - O autor reassume ensinamentos desenvolvidos com brevidade em outro trabalho

§17. Deveis lembrar-vos do que eu disse na pequena obra escrita contra Porfírio sob o título: O tempo da religião cristã. Fiz aquelas afirmações com a finalidade de omitir uma dissertação mais diligente e mais trabalhosa, sem deixar, no entanto, de indicar o verdadeiro significado da graça, porque não queria explanar naquela obra o que podia ser explicado em outras circunstâncias ou por outros autores. Entre outras coisas, respondendo à pergunta que me foi formulada: “Por que Cristo veio ao mundo depois de tantos séculos?”, afirmei o seguinte: Como não se põem contra Cristo pelo fato de nem todos seguirem sua doutrina — pois eles mesmos percebem que não se pode argumentar legitimamente deste modo, seja contra a sabedoria dos filósofos, seja contra a divindade de seus deuses—, o que responderão se, salvaguardando a profundidade da sabedoria e da ciência de Deus, na qual talvez se oculte um desígnio divino mais secreto e sem prejuízo também de outros motivos que podem ser investigados pelos entendidos, nós lhes disséssemos apenas isto, devido à brevidade na discussão deste assunto: que Cristo quis aparecer aos homens e anunciar-lhes a sua doutrina somente quando sabia existirem os que nele haveriam de crer? Pois, nos tempos e lugares, nos quais foi pregado seu evangelho, sabia por sua presciência que existiriam, com relação à sua pregação, tantos homens, como existiriam nos dias de sua presença corporal, embora nem todos, mas muitos deles não quiseram acreditar nele, apesar de ter ressuscitado muitos mortos. Agora também são muitos os que, apesar de se cumprirem com tanta evidência as predições dos profetas a seu respeito, não querem ainda crer e preferem resistir com astúcia humana em vez de se entregarem à autoridade divina tão clara, tão evidente, tão sublime e tão sublimemente manifestada, enquanto a inteligência humana se revela tão fraca e limitada para se conformar à verdade divina. Por que estranhar, se Cristo, que conhecia o estado do mundo nos tempos primitivos tão cheio de infiéis, não se lhes quisesse manifestar nem ser anunciado, já que sabia por sua presciência que não haveriam de acreditar pela pregação nem pelos milagres? E nem é incrível que todos fossem infiéis, quando vemos que, desde a sua vinda até os tempos de hoje, existiram e existem muitos também incrédulos. Contudo, desde o princípio do gênero humano, umas vezes de modo mais oculto e outras vezes mais às claras, conforme parecia a Deus acomodar-se aos tempos, nunca ele permitiu que faltassem profetas, nem faltassem os que nele acreditaram. E isso aconteceu antes de ele se encarnar no próprio povo de Israel, que por um singular mistério foi uma nação profética, e também nos outros povos. E como alguns são lembrados nos santos livros hebreus, mesmo desde o tempo de Abraão, mas não nascidos de sua linhagem nem do povo de Israel, que nem de algum grupo agregado ao povo de Israel, os quais, no entanto, participaram deste mistério da fé em Cristo, por que não acreditar que tenham existido outros crentes entre outros povos, aqui e acolá, embora não sejam mencionados nos referidos livros? Assim, o poder salvífico desta religião, a única verdadeira, pela qual se promete em verdade a verdadeira salvação, jamais faltou a alguém que dele fosse digno, e se a alguém faltou, é porque não foi digno. E ela é anunciada a alguns para recompensa, e a outros, para manifestação da justiça desde o começo das gerações humanas até o seu fim. Por isso, aqueles aos quais não foi absolutamente anunciada, ele sabia pela sua presciência que não haveriam de crer, e a quem foi anunciada, sabendo que não acreditariam, estes são revelados para exemplo dos outros. Porém, aqueles a quem é anunciada, pois hão de crer, são os que Deus prepara para o reino dos Céus e a companhia dos santos anjos” (Carta 102, nn. 14-15).

§18. Julgais que, sem prejuízo dos desígnios ocultos de Deus e de outras causas, quis dizer tudo isto sobre a presciência de Cristo, porque me parecia ser suficiente para convencer os incrédulos que me lançaram esta pergunta? O que há de mais verdade que o fato de Cristo ter sabido antecipadamente quais, quando e em que lugares existiriam os que nele haveriam de crer? Mas não considerei necessário investigar e discorrer naquele momento, se, depois de lhes ter sido anunciado o Cristo, teriam possuído a fé por si mesmos ou a teriam recebido de Deus como um dom, ou seja, se esta fé teria sido objeto apenas da presciência de Deus ou se Deus os teria predestinado. Portanto, o que afirmei: “Que Cristo quis aparecer aos homens e anunciar-lhes sua doutrina somente quando sabia e onde sabia existirem os que nele haveriam de crer”, pode-se dizer também deste modo: “Que Cristo quis aparecer aos homens e anunciar-lhes sua doutrina, quando sabia e onde sabia existirem os que tinham sido escolhidos nele antes da criação do mundo” (Ef 1,4). Mas porque, se tivesse feito estas afirmações, despertaria a atenção do leitor para a investigação dos ensinamentos que agora é mister discutir com mais extensão e esmero devido à censura do erro pelagiano, pareceu-me que então devia fazer com brevidade o que era suficiente, salvaguardando, como disse, a profundidade da sabedoria e ciência de Deus e sem prejuízo de outras causas. Considerando estas causas, julguei que devia discorrer não naquele momento, mas em outra ocasião e mais oportunamente.

Capítulo X - A diferença entre graça e predestinação

§19. Sobre o que afirmei antes: “O poder salvífico desta religião jamais faltou a alguém que dela fosse digno e, se a alguém faltou, é porque não foi digno”, se se discute e investiga a razão pela qual alguém é digno, não faltam os que dizem que é pela vontade humana. Nós, porém, dizemos que é pela graça ou predestinação divinas. Todavia entre a graça e a predestinação há apenas esta diferença: a predestinação é a preparação para a graça, enquanto a graça é a doação efetiva da predestinação. Assim, o que diz o Apóstolo: “Não vem das obras, para que ninguém se encha de orgulho. Pois somos criaturas dele, criados em Cristo Jesus para as boas obras,” significa a graça. O que se lê em continuação: “Que Deus já antes tinha preparado para que nelas andássemos” (Ef 2,9-10), indica a predestinação, que não existe sem a presciência, ao passo que a presciência se pode dar sem a predestinação. Pela predestinação, Deus previu o que havia de fazer, pelo que foi dito: “Fez as coisas do futuro (Is 45, seg. LXX).” Ele tem o poder de prever mesmo o que não faz, como são quaisquer pecados, ainda que haja pecados que o são como castigo de pecados, como está escrito: Deus os entregou à sua mente incapaz de julgar, para fazerem o que não presta (Rm 1,28); nisto não há pecado de Deus, mas justiça de Deus. Portanto, a predestinação de Deus, que é prática do bem, é, como disse, preparação para a graça, mas a graça é efeito da própria predestinação. Por isso, quando Deus prometeu a Abraão em sua descendência a fé de muitos povos, dizendo: “E tu serás pai de muitas gentes” (Gn 17,4-5), o que levou o Apóstolo a dizer: “A herança vem da fé, para que seja gratuita e para que a promessa fique garantida a toda a descendência,” não fez a promessa em virtude do poder de nossa vontade, mas devido à sua predestinação. Prometeu, pois, não o que os homens, mas o que ele havia de realizar. Porque, embora os homens façam o bem relativo ao culto de Deus, ele faz com que eles façam o que ordenou, e não depende deles que ele faça o que prometeu. Em caso contrário, para o cumprimento da promessa de Deus, dependeria do poder dos homens e não do de Deus, e o que pelo Senhor foi prometido, retribuiriam a Abraão. Não foi neste sentido que Abraão acreditou, mas acreditou, dando glória a Deus, convencido de que ele é capaz de cumprir o que prometeu (Rm 4,16-2 1). Não diz: “Predizer”, mas “Saber pela presciência”. Pois é capaz de também predizer e prever as ações alheias a si, mas diz: é capaz de cumprir, o que quer dizer: não obras estranhas a si, mas as próprias.

§20. Porventura Deus prometeu a Abraão na sua descendência as boas obras dos gentios, prometendo, portanto, o que ele mesmo faz? Não lhe prometeu a fé dos gentios, que é obra dos homens, mas, para prometer o que ele faz, não teve presciência da fé que seria obra dos homens? Não é este o pensamento do Apóstolo, pois Deus prometeu a Abraão filhos que seguissem suas pegadas na fé; é o que diz com toda a clareza. Mas se prometeu as obras dos gentios e não a fé, sem dúvida foi porque não existem boas obras a não ser pela fé, como está escrito: “O justo viverá da fé” (Hab 2,4), e: “Tudo o que não procede da boa fé é pecado” (Rm 14,23), e: “Sem a fé é impossível ser-lhe agradável” (Hb 11,6); contudo, o cumprimento do prometido por Deus depende do poder humano. Isso porque, se o homem não faz sem a graça de Deus o que depende de seu poder, Deus não fará por seu dom, ou seja, se o homem não tiver fé por si mesmo, Deus não cumpre o que prometeu, a fim de que as obras da justiça sejam obras de Deus. Por isso, o fato de Deus cumprir suas promessas não depende de Deus, mas do homem. Mas se a verdade e a piedade não impedem a fé, creiamos com Abraão que Deus é capaz de cumprir o que prometeu. Mas Deus prometeu a Abraão filhos, os quais não poderão sê-lo, se não tiverem fé. Portanto, Deus outorga também a fé.
(continua)
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sexta-feira, 14 de março de 2008

85 PERGUNTAS E RESPOSTAS (parte 7)

61. Deus nos deu cérebros para pensar por nós mesmos. Nós não precisamos de ajuda para entender as Escrituras.

Deus deu cérebros aos homens antes de Ele viesse lhes ensinar, e Ele veio ensiná-los justamente porque seus cérebros não podiam descobrindo as coisas que podiam lhe trazer a paz. Se você diz que Seus ensinos revelados nas Escrituras junto com nossos cérebros são o bastante, esses mesmos ensinos revelados mostram que não são. Até mesmo na velha lei, Deus disse, "Porque os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento, e da sua boca devem os homens buscar a lei porque ele é o mensageiro do SENHOR dos Exércitos." Mal. 2:7. Na nova lei, Cristo enviou a Igreja para ensinar os homens e transferiu para ela a autoridade que Deus deu aos sacerdotes da velha lei. No NT, nós vemos Felipe, o diácono, dizendo:"E, correndo Filipe, ouviu que lia o profeta Isaías, e disse: Entendes tu o que lês? E ele disse: Como poderei entender, se alguém näo me ensinar? E rogou a Filipe que subisse e com ele se assentasse".Atos 8:30. Também, são Pedro refuta suas idéias explicitamente. "Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretaçäo". IIPd. 1.20.

62. São Pedro queria dizer que os profetas não profetizavam por seu próprio desejo, mas pelo Espírito Santo. Ele não se refere a interpretação por nós.

Seu próprio bispo protestante Ellicott diz destes versos. "As palavras ‘interpretação privada' poderiam significar que os escritores sagrados não faziam sua profecias pela interpretação privada, mas por inspiração divina. Mas este não é o significado. O significado real é que o leitor não deve pensar interpretar em particular pelo cérebro humano".

63. Qualquer homem que pensa pode interpretar qualquer coisa.

Ele não pode. As mesmas leis do estado não estão sujeito à interpretação de cada e todo cidadão. Há o perigo de se pensar equivocadamente. Nos assuntos de direito civil, consulta-se um advogado que conhece prática legal e estatutos paralelos. Quem lhe dá o direito para ter maiores liberdades com legislação divina? Um homem que não conhece nada de hebraico ou grego, e não conhece exegese bíblica, interpreta erradamente o sentido das Escritura em centenas de lugares.

64. Cristo não prometeu que Ele enviaria o Espírito Santo para nos ensinar toda a verdade?

Ele não prometeu que o Espírito Santo ensinaria cada indivíduo separadamente. Se todo indivíduo estivesse sob a direção do Espírito Santo, todos que leram as Escrituras deveriam vir à mesma conclusão. Mas eles não fazem. Os caos horroroso sobre o significado das Escrituras são a prova de que o Espírito Santo não escolheu este meio de levar as pessoas à verdade. É blasfêmia dizer que o Espírito Santo não conhece Sua própria mente e que Ele leva os homens à contradição. Cristo prometeu preservar a igreja como uma Igreja pela direção do Espírito Santo, e a única Igreja da qual mostra sinais de ter sido preservada é a Igreja católica. O indivíduo é até certo ponto guiado pelo Espírito Santo à santidade, mas no conhecimento de verdade revelada ele será guiado pela Igreja católica que Cristo enviou para ensinar todas as nações.

65. Eu não vejo a necessidade de aprender para entender uma história simples para pessoas simples.

A Bíblia não é uma história simples para pessoas simples. Nós vivemos milhares de anos depois de que a Bíblia foi escrita, e nosso idioma e linguagem são agora muito diferentes. Nenhum livro escrito em uma época é fácil para época. O estudo das línguas antigas está disponível a alguns. De qualquer maneira, Deus nunca pretendeu que a Bíblia fosse o guia exclusivo da religião durante todo o tempo. Cristo ensinou oralmente e com autoridade, e Ele enviou a Igreja para ensinar da mesma maneira e com a mesma autoridade.

66. Como ajuda falar o hebraico ou grego? Porque alguém tem que saber o que as palavras originais significaram na língua original na qual as Escrituras foram escritas?

Um conhecimento de hebraico e grego mostra que os tradutores nem sempre acharam uma palavra inglesa para expressar o exato sentido do original. Deus inspirou os pensamentos dos escritores originais, não o trabalho dos tradutores. E se você ler uma sentido nas Escrituras que Deus não disse, você já não tem a Palavra de Deus.

67. Cristo escolheu pescadores pobres, não homens instruídos.

Ele os treinou pessoalmente, e infundiu nem suas mentes um conhecimento exato de Sua doutrina. Nós não podemos dizer que temos recebido uma revelação semelhante, porque nós não deveríamos nos comparar com eles.

68. Então os católicos têm que acreditar no que o padre lhes fala

O padre não pode falar para as pessoas só o que ele gosta. Ele é ensinado a falar o que o Cristo ensinou, e que foi ensinado no Nome de Cristo pela infalível Igreja católica .

69. Sua Igreja tem medo que as pessoas formem opiniões?

Se nós vermos que algumas das pessoas formaram opiniões próprias da leitura particular das Escrituras é preciso ter medo. O método de Cristo foi estabelecer uma Igreja pedagógica. Os protestantes têm um método peculiar, mas você não pode culpar a Igreja católica por não usar o método protestante, um método que conduziu para a incerteza e incredulidade.

70. Admitindo a necessidade de direção, nossos ministros protestantes não são tão capazes quanto os padres católicos em nos falar das Escrituras?

Eles poderiam mentir, se os padres não tivessem uma infalível Igreja católica para os guiar. A Igreja católica tem a ajuda especial do Espírito Santo, e o padre tem a ajuda dela ao falar de doutrinas e a tradição católica constante como uma proteção. Mas seus ministros protestantes não dizem ser os porta-vozes de uma Igreja infalível, mas em seus princípios eles têm que admitir que eles estão possivelmente errados. De fato, e onde todos os padres são de acordo nos ensinos essenciais das Escrituras, seus ministros vêm a todos os tipos de conclusões contraditórias. A unidade do ensino entre padres católicos é uma indicação da capacidade do caos que prevalece fora da Igreja católica. Mas a capacidade dos padres católicos tem pouco a ver com ensino autorizado. É derivado da autoridade da infalível Igreja católica.

(continua)
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terça-feira, 11 de março de 2008

Embrião congelado por 8 anos produz bebê

CLÁUDIA COLLUCCI
Enviado especial da Folha de S.Paulo a Mirassol

Aos seis meses de idade, Vinícius é um bebê que adora papinha de mamão, já tenta sair sozinho do carrinho e dá sonoras gargalhadas durante o banho. O menino foi gerado a partir de um embrião congelado durante oito anos, um recorde no país. Pelos critérios da Lei de Biossegurança, seria um embrião indicado para pesquisas com células-tronco embrionárias.

Caio Guatelli/Folha Imagem
Menino foi gerado a partir de um embrião congelado durante oito anos, um recorde
Menino foi gerado a partir de um embrião congelado durante oito anos, um recorde

A lei, aprovada em 2005, enfrenta uma ação de inconstitucionalidade movida pelo ex-procurador-geral da República, o católico Claudio Fonteles. Ele acha que destruir embriões de cinco dias para a extração de células para pesquisa viola a Constituição, que garante o direito à vida.

O julgamento da ação no Supremo Tribunal Federal foi interrompido na última quarta-feira por um pedido de vista do ministro Carlos Alberto Menezes Direito.

Vinícius nasceu após quase 20 anos de tentativas de gravidez do casal Maria Roseli, 42, e Luiz Henrique Dorte, 41, de Mirassol (SP), que incluíram quatro fertilizações in vitro (FIV) e três abortos de gêmeos no terceiro mês de gestação. A mulher tinha endometriose e o marido, má qualidade dos espermatozóides, fatores que impediam uma gravidez natural.

Na última FIV, feita em 1999, Maria Roseli produziu nove embriões. Transferiu quatro para o útero, mas não engravidou. O casal decidiu então congelar os cinco embriões restantes. "Resolvemos dar um tempo. Não suportaria a dor de mais um aborto", relata a mãe.

Naquele mesmo ano, adotaram Paulo Henrique, à época com um ano e seis meses. "Era um menino frágil, cheio de problemas de saúde. Ficamos tão envolvidos com ele que nem percebemos o tempo passar."

Em 2006, o casal recebeu um telefonema da clínica de reprodução em Ribeirão Preto, onde haviam feito o tratamento, questionando sobre o destino que pretendiam dar aos cinco embriões. "Resolvemos transferir, mas sem muita esperança de dar certo", conta Luiz Dorte.

Em três ocasiões, a transferência dos embriões congelados para o útero teve de ser adiada porque o endométrio de Maria Roseli não atingia a espessura mínima. Em fevereiro de 2007, os embriões foram, enfim, descongelados. Três sobreviveram e foram transferidos ao útero de Maria Roseli. Um se fixou. "Nem comemorei muito porque tinha o fantasma dos abortos aos três meses que ficava me rondando", diz ela.

Com 28 semanas de gestação, ela sofreu uma hemorragia provocada pelo rompimento de duas veias na placenta e o parto teve de ser induzido para preservar a vida da mãe. Vinícius nasceu com 1,2 kg medindo 36 cm e, dez dias depois, chegou a pesar 840 gramas.

Foram necessários 22 dias de UTI neonatal e mais um mês de internação hospitalar para que o menino atingisse 1,8 kg e tivesse alta da maternidade.

"Meu filho venceu oito anos de congelamento e a prematuridade. Imagine se eu tivesse desistido dele e doado o embrião para pesquisa? Acredito sim que há vida [nos embriões], o Vinícius é a prova disso", diz Maria Roseli, católica praticante. Ela afirma ser favorável às pesquisas com células-tronco embrionárias, mas "não teria coragem" de doar seus embriões para esse fim.

O ginecologista José Gonçalves Franco Júnior, detentor do maior banco de criopreservação do país, onde os embriões de Maria Roseli ficaram, também aposta na viabilidade dos congelados. Sua clínica já obteve 402 nascimentos de bebês a partir de embriões criopreservados, a maioria acima de três anos de congelamento.

"É uma loucura falarem que embrião congelado há mais de três anos é inviável. E isso não tem nada a ver com religião. A viabilidade é um fato e ponto. Os maiores centros de reprodução na Europa defendem o congelamento de embriões como forma de evitar a gravidez múltipla", afirma o médico.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u380351.shtml


(Destaques meus)

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segunda-feira, 10 de março de 2008

85 PERGUNTAS E RESPOSTAS (parte 6)

51. A vulgata é a versão oficial de sua Igreja?

A vulgata latina de são Jerônimo é o texto oficial na Igreja católica, e todos os estudiosos protestantes e católicos admitem ter sido o melhor até a Reforma. O concílio de Trento, em 1546, emitiu um decreto e afirmou como a única reconhecida e autorizada permitida aos católicos. A versão Douay inglesa vem da vulgata.

52. A Bíblia não foi impressa em qualquer idioma até 1500 anos depois do nascimento de Cristo.

Como poderia se ainda não havia a imprensa? O que aconteceria ao princípio protestante de "só Bíblia e a Bíblia só" se a imprensa nunca fosse descoberta? Se nós vivêssemos antes da época de John Gutenberg descobrir a arte da impressão no décimo quinto século nós deveríamos ler manuscritos de algum monge ou freira que escreveram uma cópia da Bíblia em páginas de pergaminho ou vellum. Nós converteríamos o mundo comercializando Bíblias para os pagãos? Como fica então quem vivia antes da imprensa? Como as nações conheceram a Bíblia antes da imprensa? Cristo desejou salvar tanto quem vivia antes da imprensa como depois dela. Se a leitura da Bíblia fosse o único meio de salvação, como fica quem não podia ler e quem era muito pobre para comprar?

A MAIOR BOBAGEM DE TODA A HISTÓRIA é que as pessoas não entendem que não havia nenhuma única BÍBLIA CRISTÃ no mundo durante os primeiros 300 anos do cristianismo e que elas não percebem o fato que a Bíblia não foi multiplicada em cópias impressas até 1,400 anos depois de Cristo.

53. Todos os ministros acreditam que a Bíblia é a Palavra inspirada de Deus?

Não. O professor G. H. Betts, da Northwestern University, enviou não há muito tempo uma lista de 56 perguntas sobre religião e teologia para 1,309 ministros protestantes em serviço ativo, e para 5 seminários teológicos protestantes. Entre 700 e 800 ministros respondidos, e também um grande número de estudantes nos 5 seminários. Eis aqui os resultados relativo à Bíblia como publicado pelo Prof. Betts, ele um protestante: 2% dos ministros luteranos, 38% dos ministros batistas, 56% dos ministros presbiterianos, 60% dos ministros da igreja anglicana, 65% dos ministros metodistas, 83% dos ministros congregacionais e 92% dos estudantes negaram ou duvidaram da inspiração divina das Escrituras. Devido a esta revelação espantosa vemos quem, realmente, é o inimigo da Bíblia.

54. As seitas protestantes dizem serem fundadas na Bíblia, e só pela Bíblia. ENTÃO POR QUE É QUE TEMOS TANTAS DELAS?

Porque há tantas interpretações diferentes sobre a Bíblia. É o triste resultado da doutrina do direito de julgamento privado. Toda denominação protestante afirma ser fundada nas Escrituras. Então como pode todas elas estarem certas? Quem está certo: o metodista, o luterano, o batista ou o da igreja anglicana? Eles não podem ter razão porque todos diferem em doutrina e governo. Se eles não diferem, então por que eles são separados? O protestantismo diz, "Deixe cada um ler a Bíblia e então o Espírito Santo o guiará na verdade." Bem, então o Espírito Santo deve ser culpado pela Babilônia de religiões que nós temos. Se o Espírito Santo guia um homem quando ele se torna um batista, se ele guia outro quando ele se torna qualquer outra coisa e assim por diante até pessoas deixarem a religião completamente. O Espírito Santo não inspira ninguém a usar sua própria interpretação. O Espírito Santo foi dado para a Igreja e não para indivíduos no ensino da verdade.

Por via de analogia, suponhamos que nossa Constituição dos Estados Unidos fosse nossa Bíblia da Democracia. Pense na confusão que aconteceria se todo Tom, Dick, e Harry que usar o direito de julgamento privado interpretassem as leis de nossa nação como eles se sentissem inspirados pelo Espírito Santo. Veja o que aconteceria a nossos 48 estados se nós não tivéssemos o Supremo Tribunal para nos dizer o que a Constituição está dizendo. Sem o Supremo Tribunal nossa nação viria a um fim como democracia se nós admitirmos o princípio absurdo e enganador do julgamento privado. Como nós temos que manter um Supremo Tribunal no governo é ainda mais racional e razoável que nós tenhamos uma Autoridade Suprema para interpretar a Bíblia, nossa Constituição de cristianismo, para evitar aconfusão religiosa? A autoridade formal para interpretar a Bíblia é o Supremo Tribunal da Igreja católica que deu a Bíblia para o mundo.

55. Lutero foi a favor da doutrina do julgamento privado?.

Sim. Foi inaugurado por ele e logo após, quando ele viu as numerosas seitas crescendo e multiplicando, ele disse em sua Epis ad Zwingli (ap. Balmes, pág. 423), "Se o mundo durar por muito tempo, será novamente necessário, por causa das muitas interpretações que são dadas agora às Escrituras, receber os decretos dos concílios, e ter refúgio neles para preservar a unidade da fé".

56. Lutero reconheceu o perigo do julgamento privado?

Ele diz isto, como citado em "An Meine Kritiker" (por Johannes Jorgensen, pág. 181): "há muitas seitas e convicções como há cabeças; este aqui não admite o batismo; aquele rejeita o sacramento do altar; outros acreditam num mundo entre o presente e o dia do julgamento; alguns ensinam que Jesus Cristo não é Deus. Não há ninguém, por mais engraçado que possa ser, que não diz ser inspirado pelo Espírito Santo, e que não aumenta em profecias seus sonhos e devaneios". Nós temos mais de 60 milhões de americanos indiferentes para as doutrinas de seus antepassados protestantes porque "Em religião, qualquer um pode chegar e dizer que sua doutrina foi aprovada por Deus".

57. Alguns falam de 72 livros e outros falam de 73 livros na Bíblia católica.

Alguns editores adicionam as Profecias de Jeremias com as Lamentações de Jeremias e entendem um livro de ambos, respondendo assim por 72 livros, e outros editores separam Jeremias de Lamentações em dois livros que fazem 73 livros assim.

58. Onde você encontra a declaração que Lutero descobriu a Bíblia?

No Almanaque Mundial luterano e Enciclopédia Anual de 1923, você achará a velha falsidade que diz assim: O "incomparável Lutero" deu para o mundo "A Bíblia Aberta". . . ". "Na universidade ele descobriu uma Bíblia latina encadeada," o estudo de qual "trouxe-lhe a paz de mente que ele procurava e a garantia de justificação e de salvação só pela fé só, sem as obras da lei. . . " Que havia uma "Bíblia latina encadeada" na universidade é muito provável. Até mesmo hoje são encadeados livros de telefone públicos com a finalidade dos manter no lugar formal deles/delas. As Bíblias eram encadeadas até no púlpito, rostro ou mesa do monastério, para que os ladrões que haviam naquela época não furtasse. A Igreja encadeou a Bíblia não para afastá-la das pessoas mas para dá-la às pessoas. Uma Bíblia dessa época, declara o estudioso protestante, dr. Maitland, valeria em torno de $1,000, porque era uma cópia manuscrita feita em pergaminho caro ou vellum. Você ainda verá Bíblias encadeadas hoje em igrejas no continente do Mundo Velho, em monastérios, e museus por óbivas razões. Que Lutero teve acesso à Bíblia quando jovem é atestado por ele em suas "Conversas à Mesa": (ed. 1566, pág. 22). "Quando eu era jovem, eu me familiarizei com a Bíblia, lia freqüentemente, assim eu poderia ver que tudo o que se falava estava escrito".

59. O Evangelho de Cristo é simples.

De um certo modo é. Nos fala claramente que Cristo estabeleceu uma Igreja definida que Ele comissionou para ensinar todas as nações. É muito simples deste ponto de vista, porque os homens têm que aceitar a Igreja católica, e serem ensinados por ela. Mas o Evangelho não é simples do modo que você diz. Os homens dedicaram as vidas ao estudo dos Evangelhos e se prepararam para a tarefa através de pesquisa profunda no hebraico, sírio, árabe, idiomas gregos, e latinos. E por isso, muitas passagens são muito difíceis de entender.

60. Mas pelo menos o plano de salvação pode ser entendido pelas pessoa simples. Nós, protestantes dizemos a nossos filhos que leiam as Bíblias para entendê-lo.

De acordo com os achados de seus leitores simples deve haver centenas de planos contraditórios de salvação, todos revelados por Cristo. Como para a capacidade de suas crianças, você pode dar para elas o artigo "Análise Espectroscópica" da Encyclopaedia Brittanica para seus estudos. Mas a própria Bíblia está contra sua teoria. Assim, são Pedro diz que nas Escritura "há certas coisas difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem, e igualmente as outras Escrituras, para sua própria perdiçäo". IIPd. 3.16. Para ele a interpretação privada das Escrituras pode ser muito perigosa.
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