quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

História dos jesuítas

Jesuítas no mundo

A mudança radical de vida de um cavaleiro basco, Inácio de Loyola, em 1521, deu início a uma caminhada árdua e variada para a criação da Companhia de Jesus. Em outubro de 1537, acompanhado por Pedro Fabro e Diogo Laynez, Inácio estava viajando para Roma, quando, numa pequena capela em La Storta, hoje situada na área metropolitana romana, teve uma visão de Cristo carregando sua cruz, e, o Pai, dizendo a Jesus: "Quero que tomes este por teu servidor". Nesse momento, o nome da Companhia de Jesus foi confirmado e a própria Companhia começou a existir espiritualmente. Três anos mais tarde, o Papa Paulo III conferia à Companhia sua vida canônica com a Carta Apostólica "Regimini militantis eclesiae". A jovem Companhia cresceu rápida, principalmente, durante o primeiro século de sua existência. Quando Inácio morreu em 1556, o seu número contava 938 e em 1910, 19998. Ela se revelou na Contra-Reforma, avivando o catolicismo, espiritual e intelectualmente na França, nos Países Baixos, na Europa Central e Oriental. Sentiu-se sua influência no Concílio de Trento pela atuação de Diogo Laynez e Afonso Salmerón e, depois, na teologia pastoral e dogmática, com os trabalhos de São Pedro Canísio, São Roberto Bellarmino e Francisco Suárez. Desde o início, a educação se tornou o trabalho principal da Companhia. Inácio não o tinha previsto, mas os pedidos de papas, bispos e leigos para estabelecer escolas modificaram sua opinião. E no fim de seu generalato, 75% dos jesuítas disponíveis, excluindo Irmãos e Escolásticos, trabalhavam em educação. Mais tarde, em 1749, os Jesuítas tinham 669 colégios, 176 seminários e 61 casas de estudos jesuíticos, além das 24 universidades que eram total ou parcialmente controladas pela Companhia. A maioria dos colégios jesuíticos foram para externos e seus alunos vieram de todas as classes. Não houve anuidades porque os colégios eram patrocinados pelo sistema fundacional. Neles, as humanidades predominaram e suas atividades e produções dramáticas influenciaram o desenvolvimento do teatro moderno. Os Jesuítas se destacaram, também, na educação do clero. O Colégio Romano, inaugurado em 1551 e desde o tempo de Gregório XIII conhecido como a Gregoriana, foi a instituição mais famosa e o primeiro seminário moderno. Com tanta ênfase em educação, não é surpreendente que se desenvolvesse a "Ratio Studiorum", um sistema pedagógico para todas essas entidades. Depois da educação, o apostolado das missões tem ocupado o maior número de jesuítas. A Companhia nasceu depois das grandes descobertas no fim do século XV e no início do século XVI, e a aquisição de territórios enormes, pelas nações católicas de Espanha e Portugal, fez com que a Companhia se incorporasse na colonização deles. Em 1749, 3276 jesuítas se encontravam distribuídos em cinco continentes. Desse número, 90% estavam trabalhando nos territórios controlados pela Espanha e Portugal, nas Américas e na Ásia. Os futuros missionários recebiam treinamento especial, como aquele oferecido pelo Colégio de Coimbra onde passou a maior parte dos 1700 missionários portugueses, durante dois séculos. Aprendiam línguas e como se adaptar às culturas diferentes. Esse método de aculturação foi realizado brilhantemente por Matteo Ricci e Roberto de Nobili na Ásia e Indonésia. Seu êxito, porém, nem sempre agradou às autoridades eclesiásticas, como fica claro através das controvérsias dos Ritos Malabares e Chineses. As atividades missionárias foram maciças nas Américas. Nos territórios franceses, hoje Canadá e o nordeste e meio-oeste dos Estados Unidos, Santo Isaac Jogues e São João Brebéuf semearam o cristianismo nos povos indígenas e Jacques Marquette acompanhou a expedição de Joliet do Rio Mississipi até o Golfo do México. Na América Espanhola os jesuítas se estabeleceram no Peru e no México. Em 1710, eles eram 1768 e na metade do século XVIII a Companhia tinha, na América Espanhola, 2 universidades, 79 colégios e 16 seminários. Um outro trabalho famoso foram as reduções de índios. Houve cerca de 100 delas e as mais conhecidas foram aquelas dos 30 povos Guaranis, localizadas, principalmente, no Paraguai. Os trabalhos da Companhia foram interrompidos pela expulsão dos jesuítas dos territórios de Portugal decretada em 1759 pelo Marquês de Pombal. Essa expulsão foi apenas o primeiro capítulo da campanha contra a Companhia. Tudo terminou com sua supressão, em 1773, pelo Papa Clemente XIV, com o Breve "Dominus ac Redemptor". As razões para a supressão da Companhia, contando então com 24000 membros, são variadas. A orientação do pensamento iluminista, no entanto, na sua forma mais radical, querendo eliminar o cristianismo e o catolicismo da vida cultural da Europa, foi o grande culpado. As casas reais influenciadas pelo Regalismo da França, da Europa, de Nápoles e da Áustria, faziam pressões tão intensas que Clemente XIV foi quase obrigado a decretar a supressão da Companhia. Frederico II, da Prússia, porém, só permitiu a divulgação da ordem da supressão, nos seus reinos, em 1780 e Catarina II, da Rússia, nunca a permitiu. Portanto, sempre existiu um pequeno grupo de cerca de 200 Jesuítas, até a restauração em 1814. O Papa Pio VII restaurou a Companhia, inicialmente, no Reino das Duas Sicílias, em 1804, e, na Igreja Universal, em 1814, com a Bula "Sollicitudo". Os primeiros tempos da Companhia de Jesus restaurada assemelham-se bastante aos primórdios dos anos da fundação. Foi um período heróico, rico de personalidades excepcionais no campo da ação. Na falta de pessoal para atender todas as necessidades, correm para satisfazer o mais urgente. Nesse período de restauração, o desafio do conflito de gerações entre os jesuítas da antiga Companhia e os novos está muito presente. Os jesuítas preocupam-se em adaptarem-se aos novos tempos zelando em recolher as tradições. Desde o princípio, deparam-se com uma seara abundante de perseguições e expulsões. A nova Companhia teve progressos bem maiores que a antiga. Repôs em funcionamento pleno e normal as instituições inacianas, particularmente a formação dos religiosos, renovou o estudo dos Exercícios Espirituais de Sto. Inácio e da pedagogia inaciana e retomou a atividade missionária, adaptada às condições modernas. Viu também as perseguições golpear repetidamente a maioria das Províncias. Os jesuítas foram expulsos da Bélgica (1818) e da Rússia (1820). Em 1828 foram fechados os colégios na França; em 1834 e 35 foram expulsos de Portugal e da Espanha; em 1847 da Suíça. Em 1848 foram dispersos e expulsos na Itália, Áustria e Galízia; em 1850 na Colômbia e no Equador; expulsos novamente da Espanha (1868); e da Alemanha (1872). Em 1873 viram o confisco de muitas casas na Itália, especialmente em Roma; os Superiores Gerais residiram em Fiésole de 1873 a 1892. Os jesuítas foram de novo dispersos na França (1880 e 1901); expulsos do Equador novamente (1879), e de Portugal (1910); dissolvidos na Espanha (1932 a 1936). As perseguições, geralmente oficiais, tornaram-se, muitas vezes, sangrentas: na Espanha (1822, 1836, 1932-35), em Paris (1871), no México (1927), para não falar dos mártires das missões na China (1860,1900-02), na Síria (1859-60) ou em Madagascar (1883 e 1896). Desde a restauração a Companhia de Jesus apresenta um desenvolvimento numérico e uma complexidade de obras: em 1940 os jesuítas eram mais de 26.000 divididos em oito Assistências e 50 Províncias. Em 1950, cerca de 5.000 jesuítas trabalhavam nas missões, continuando uma das principais atividades da Companhia de Jesus. Nas missões, como nas províncias, o ministério da educação se desenvolveu como importância de primeira ordem. Aos colégios se ajuntaram numerosas universidades. Em muitos países, o esforço educativo atingiu também a formação do clero, não só nas missões, mas ainda em Roma com a Universidade Gregoriana e os Institutos Bíblico e Oriental. O ministério dos Exercícios Espirituais tomou novo e imponente desenvolvimento. Os Exercícios Espirituais a operários não são senão uma parte do apostolado social. A velha obra das Congregações Marianas, se apresentou na primeira metade do século como uma das formas mais desenvolvidas da Ação Católica. O Apostolado da Oração, fundado no escolasticado da Companhia de Vals, na França (1844) se espalhou prontamente por todo o mundo. Daí surgiu também a Cruzada Eucarística para crianças e jovens. No campo da imprensa a Companhia dispunha de 1.100 periódicos nos mais variados ramos do saber. Acrescenta-se outros meios de comunicação social em que damos os primeiros passos. Entre escritores de obras que se tornaram universais, destacamos o padre Teilhard de Chardin, cientista de grande influência entre os intelectuais modernos. A Companhia participou solidariamente dos sofrimentos derivados das duas Guerras Mundiais (1914 e 1939), procurando remediar seus resultados funestos de fome, doenças, degradações morais, amarguras e desesperos. O surto do comunismo na Rússia e em todo o leste europeu, na Coréia e no Vietnã, custou à Companhia de Jesus muitos mártires e um esforço intelectual muito forte para debelar sua ideologia em todo o mundo. Durante o Concílio Ecumênico Vaticano II (1962-65), convocado por João XXIII e encerrado por Paulo VI, os jesuítas cooperaram para seu pleno êxito, não só pela ação de seus bispos missionários mas também pelo aporte brilhante de seus teólogos. O Concílio veio responder à necessidade de renovação interna da Igreja e de abertura para um mundo em processo de rápidas transformações. O Concílio aceitou o desafio de estabelecer um diálogo com este mundo, procurando iluminar a busca de soluções com a luz do Evangelho. A Companhia de Jesus se esforçou para acompanhar o movimento de renovação da Igreja, realizando a sua 31ª Congregação Geral (1965-66), na qual foi eleito Geral o Pe. Pedro Arrupe (1965-1983), provincial do Japão. Posteriormente, a Companhia de Jesus, como todas as outras Ordens e Congregações religiosas, sentiu pela primeira vez em toda a sua existência um decréscimo constante de vocações. Esse fenômeno universal para os sacerdotes e religiosos da Igreja, representa uma purificação e um convite para um trabalho de seleção e de formação mais acurada e condizente com os tempos atuais. A 32ª Congregação Geral (1974) destacou como dimensão fundamental da Companhia hoje, o serviço da fé e a promoção da justiça. A 33ª Congregação Geral (1983) elegeu Superior Geral o Pe. Peter-Hans Kolvenbach. Deu forte apoio ao apostolado intelectual, urgindo a mútua colaboração entre os estudiosos da Companhia e os membros da pastoral. 34ª Congregação Geral (1995) reafirmou a missão do jesuíta como servidor da missão de Cristo, no serviço da fé que busca a justiça, dialoga com outras tradições religiosas e evangeliza as culturas.

Fonte: http://www.jesuitas.com.br/Historia/mundo.htm

3 comentários:

Júnio disse...

Fala Gabriel!
Salve Maria.

Pergunta: como você vê hoje os jesuítas no Brasil e no mundo?

[gabriel] disse...

Olá Junio,

Antes de responder, propriamente, a sua pergunta eu gostaria de esclarecer que a minha opinião está baseada no que vejo e percebo através do meu contato com os jesuítas da BAM (distrito Brasil Amazônia) e que foi intensificado nos últimos 6 meses.

São um grupo de pessoas que ajudam em diversos locais e frentes, desde aldeias indígenas, acampamentos de sem teto, pessoas marginalizadas pela sociedade a paróquias. Aqui na região tive contato com irmãos, padres, noviços, escolásticos e teólogos, alguns de passagem e outros que fazem um trabalho mais permanente aqui.

Pude perceber em todos uma vontade enorme de servir a Cristo e ajudar aos que mais precisam, vi ainda que são pessoas centradas nas atividades que trabalham e sempre dão uma dimensão cristã pras suas vidas e pras vidas daqueles que eles mantém contato. E as formas de ajudar nesse sentido são as mais variadas... passando por retiros, grupos de exercícios espirituais, encontros com jovens, atendimento em hospitais, orientação espiritual, grupos dentro das universidades... não dá pra citar tudo aqui. Mas em todos os lugares que eu pude acompanhar percebi um grande amor por Jesus, pelo seu Evangelho e pela sua Igreja.

Algumas vezes eles são criticados por causa da liturgia nas missões, normalmente devido à aspectos de inculturação. Mas quem vê de dentro consegue entender o quanto isso é importante e normal na Igreja desde os primeiros séculos, imagino que isso se deva ao fato das pessoas atuarem em outras frentes de trabalho com outros desafios. Desde o início eles utilizam o que nós podemos chamar de medida "tanto quanto", significa dizer que é utilizado algo [i]tanto quanto[i] esse algo nos aproxima de Deus, do Cristo.

Posso dizer que, provavelmente, eles entendem muito mais o que significa ser Igreja e levar a Igreja para o mundo do que nós que vivemos nas cidades de maioria cristã e pensamento eurocêntrico e, de certa forma, "presos" nas nossas paróquias.

Bem, isso é o que eu vejo.

[gabriel] disse...

o [i] era pra ter saído em italico...