terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Geral dos Jesuítas apresenta prioridades

Pe. Adolfo Nicolás aponta para os pobres e marginalizados e fala dos processos de transformação do mundo



O novo Superior Geral da Companhia de Jesus, Pe. Adolfo Nicolás, presidiu este Domingo a uma Missa de acção de graças na Igreja de Jesus, em Roma, onde apresentou as prioridades para os Jesuítas, apontando para os pobres e marginalizados dos cinco Continentes.

“Os pobres, os marginalizados, os excluídos, todos eles são para nós as novas nações que têm necessidade da mensagem de Deus, que é para todos”, indicou na sua homilia.

O Pe. Nicolás, espanhol com larga experiência de missão no continente asiático, falou da importância de anunciar o Evangelho “em todas as nações”, referindo-se a “outras nações, não geográficas, mas humanas, que exigem a nossa assistência”.

O Prepósito-Geral da Companhia de Jesus gracejou com os títulos dos jornais dos últimos dias, que classificou de “clichés”: “Papa Negro”, “Papa Branco”, “poder”. “Tudo isto é superficial, o que conta é servir: servir a Igreja, servir o mundo, os homens, o Evangelho”, disse na sua homilia.
Citando a primeira encíclica de Bento XVI, o Pe. Nicolás frisou que “o Papa lembra que Deus é amor, esta é a essência do Evangelho”.

Destas duas palavras chave, serviço e amor, o novo Geral dos Jesuítas concluiu a necessidade de olhar para os que ficam à margem dos processos globais que estão a transformar o mundo.

A Ordem fundada por Santo Inácio, uma das mais respeitadas e admiradas na Igreja Católica, conta hoje com quase 20 mil religiosos em mais de 100 países de todo o mundo, 30% dos quais na Ásia. Em 1965, contudo, esse número chegava a 30 mil e trezentos religiosos.

O novo Geral torna-se, aos 71 anos, o 29.º sucessor de Santo Inácio de Loyola desde que Companhia foi fundada, em 1540. O Pe. Nicolás passou largos anos em missão no Japão, onde era professor de Teologia em Toquio. Desempenhava ainda funções de moderador da Conferência Jesuíta da Ásia Leste e da Oceania, desde 2004.

A escolha dos Jesuítas recaiu assim sobre um missionário na Ásia, como aconteceu com Pedro Arrupe, predecessor do Pe. Kolvenbach.

Nascido a 29 de Abril de 1936, o Pe. Nicolás fez o seu noviciado em Espanha, no ano de 1953. Posteriormente estudou filosofia em Madrid e teologia em Toquio, de 1964 a 1968.

Foi ordenado sacerdote na capital japonesa, em 1967, tendo depois frequentado a Universidade Gregoriana, de Roma, entre 1968 e 1971.

De regresso ao Japão, foi professor de teologia sistemática na Universidade Sophia de Toquio, até 1978. Seguiu para as Filipinas, de 1978 a 1984, e voltou ao Japão. Entre 1993 e 1999 foi superior da província jesuíta japonesa.

A 21 de Fevereiro, o Papa receberá em audiência os membros da 35.ª Congregação Geral. Não é certo que os trabalhos da Congregação se tenham concluído nessa altura, dado que após a eleição do Geral serão agora definidas as grandes orientações para o futuro da Companhia de Jesus.

Antes da eleição, o Papa enviara uma carta ao Geral cessante, Pe. Hans Kolvenbach, convidando os Jesuítas a reafirmarem a sua “adesão total à doutrina católica”, falando de pontos precisos como “a relação entre Cristo e as religiões, alguns aspectos da teologia da libertação e vários pontos da moral sexual, sobretudo, no que concerne à indissolubilidade do matrimónio e à pastoral das pessoas homossexuais”.

Foto: Passagem de testemunho entre o Pe. Kolvenbach e o Pe. Nicolás

Fonte:
http://www.agencia.ecclesia.pt/noticia_all.asp?noticiaid=55426&seccaoid=4&tipoid=42


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