sexta-feira, 23 de novembro de 2007

NAMORAR... FICAR... E COMPROMISSO SOCIAL...


"Adolescentes afirmam que, ao invés de namorarem, ficam. Ficar significa não ficar, não ter compromisso com o amanhã. É não ficando, quando ficam, que eles ensaiam, descobrem, experimentam, conhecem sensações sem os "pudores" de outras gerações. Isto pode significar um caminho de conhecimento para o namoro. Aponta, também, para a superficialidade típica da pós-modernidade. Expressa uma nova forma de relação, uma ética para os relacionamentos provisórios, típicos dos tempos de rapidez. A conduta descompromissada do adolescente inquieta nosso olhar adulto. Salutar seria se fizéssemos uma autocrítica: há descompromisso entre governantes e cidadãos, pais e filhos, educadores e alunos? O modelo parece repetir-se na conduta dos jovens que, sem hipocrisia, assumem que é bom ficar, sem compromisso."
Autor: Luiz Fernando Conde Sangenis (Niterói/RJ)
Texto Extraído da Folhinha do Coração de Jesus.

Esse pequeno texto nos expõe duas verdades dos tempos atuais (verdades estas obtidas pelas mera observação do comportamento geral). Pra iniciar essa discussão proponho o seguinte questionamento: Qual o sentido ou o objetivo de um relacionamento entre dois jovens? Muito se fala que o objetivo último de um namoro é conhecer a outra pessoa visando o casamento, posso me perguntar então, até que ponto isso é verdade no mundo de hoje? quais as aspirações que os jovens de hoje têm? Será que eles querem realmente casar, ter uma família?

Provavelmente, a resposta pra essas questões passa pelo fato de que as pessoas são mais egoístas, pensando mais (ou apenas) em si e no "agora" do que no outro e no estável. É mais fácil pra mim, procurar satisfazer os meus desejos imediatos, aquilo que me incomoda no momento, que me impulsiona materialmente (na maioria das vezes também carnalmente) do que eu tentar me estabelecer como alguém que quer crescer e que respeita a dignidade de outrem seja moral, física ou intelectual... Então de repente, namorar fica chato, casar fica chato, viver corretamente fica chato... E sigo os meus impulsos... hoje a noite me relaciono com uma... amanhã com outra... hum... a sensação foi melhor... então vamos de novo, até encontrar alguém melhor do que você...
Perdendo-se o sentido correto do namoro, perde-se também o sentido para o matrimônio, então vem os casamentos impensados que em pouco tempo culminam em divórcios, depois outro casamento... e mais outro... Aí o problema é mais grave porque mexe com a questão dos sacramentos, o casamento deixa de estar vinculado a Deus e passa a ser apenas mais um contrato social entre homens, então, a noção de compromisso sério até a morte, se acaba em compromisso talvez sério até enquanto eu estiver interessado. E no fundo, pelo menos uma das duas partes está verdadeiramente interessada, já que durante a juventude (se é que ela tenha terminado antes do casamento) eu não me preocupei em discernir o que era o casamento, quais as suas conseqüências, renúncias, desafios... qual a sua essência.

O pequeno texto nos induz ainda à uma autocrítica da sociedade. E essa é a segunda verdade que mencionei. Acaso o comportamento dos jovens não seria um mero reflexo do comportamento dos adultos de hoje? Será que aquele político que troca de partido como quem troca de roupa é diferente de um jovem que fica com uma e outra garota? Será que aquele educador que faz o seu trabalho sem um compromisso mais sério com a educação é diferente daquela moça que já não se valoriza? Creio que não. Porque tudo parte de uma preocupação intensa e cega consigo mesmo e um esquecimento desmedido com o bem do outro e da sociedade como um todo. Nesse ponto então, podemos afirmar que temos uma sociedade hipócrita? Que quando é pra conseguir algo em seu favor se permite até mesmo incorporar pensamentos sadios e fiéis à ética e moral cristãs, em um momento, e na primeira oportunidade abandona esses preceitos a fim de conseguir um outro objetivo que, no momento, é maior para si próprio?

Se ainda quisermos ser verdadeiramente ser felizes e realizados como pessoa humana devemos começar a partir de agora a mudar o nosso modo de vida e nas nossas ações. Deixemos o nosso egoísmo de lado e construamos uma sociedade mais justa e acolhedora. Podemos mesmo começar com atos simples.

um fraterno abraço.

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