terça-feira, 27 de novembro de 2007

O RELATIVISMO NA IGREJA


O relativismo desce suavemente qual sagrado manto escuro, a cobrir a essência ainda existente na Vida Religiosa. Envolve os rostos pávidos dos religiosos e leigos com os artífices da modernidade. Esta gera, neles, perplexidade diante do surgimento conjuntural, do povo em luta por um pedaço de terra e do simples nascer de uma comunidade. Novos aos olhos daqueles que pararam no tempo.

As queixas dos antigos e atuais religiosos lançam vozes ao vento quando se trata de argumentar contra o relativismo na “vida moderna”. Poucos se arriscam a manifestar-se contra tal doutrina.
Na Igreja Católica fiéis lutam e relutam para não cair em tal armadilha. Tímidos, fraquejam diante dela. Nem sempre a Igreja soube dar o exemplo necessário ao longo da história, fechando os olhos diante da situação. Por quê? Para quê? Não se sabe ao certo. Só chegava até nós a metade da missa.

A autoridade maior constrangeu o povo a não tomar a Palavra em sua defesa. Agora, essa mesma autoridade quer que os fiéis assumam compromissos por ela diante deste mundo injusto. Infelizmente não é possível, o povo aprendeu com a Igreja a relativisar muitas coisas.

Para não ser tão radical em minhas palavras, vejo possível saída, desde que seja rigorosamente para bem maior e convença o povo a se converter, como fizeram os grandes profetas na história.

Gilney Fragata, sj.
estudante jesuíta de Filosofia

Fonte: http://www.jesuitasamazonia.org/ver_artigo.asp?IDNews=193

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segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Analista antecipa que Governo brasileiro impulsionará aborto legal contra opinião de maioria

.- Um reconhecido analista antecipou que o Governo brasileiro não deterá sua campanha para legalizar o aborto no país, a pesar que as cifras de uma recente pesquisa nacional revelaram a entristecedora oposição do povo a esta prática.

Carlos Alberto Di Franco, especialista em ética, comunicações e estratégia de meios, recordou os resultados da última pesquisa da empresa Datafolha, segundo a qual apenas 3% da população do Brasil considera que o aborto é um ato "moralmente aceitável" e um entristecedor 87% o reprova totalmente.

"O resultado do sondagem é uma ducha de água fria para a estratégia pró-aborto do Ministro (da Saúde) Temporão e confirma uma tendência marcada em sondagens anteriores. As campanhas do governo não resultam para o Brasil real", indicou Di Franco.

Entretanto, considerou que "a legalização do aborto, independentemente dos eufemismos de alguns e da ambigüidade do presidente da República, é prioridade do governo Lula. A opinião pública assiste atônita a uma articulada campanha que pretende impor contra a vontade expressa da sociedade e em nome da ‘democracia’ a eliminação do primeiro direito humano fundamental: o direito à vida".

"A legalização do aborto é o primeiro elo da imensa cadeia da cultura da morte. depois da implantação do aborto descendente (a eliminação do feto), virão inumeráveis manifestações de aborto ascendente (supressão da vida do enfermo) -a eutanásia já está sendo incorporada ao sistema legal de alguns países- do doente e, quem sabe, de todos os que constituem as classes passivas e indesejadas da sociedade", adicionou.

Neste sentido, precisou que "o brasileiro está contra o aborto. Não se trata apenas de uma opinião, mas sim de um fato medido em um sondagem de opinião. Por isso o governo deve avançar com cuidado. A legalização do aborto seria, hoje e agora, uma ação nitidamente antidemocrática. Além disso, existe uma questão de princípios. A democracia é o regime que mais genuinamente respeita a dignidade da pessoa humana".

"Por isso, não obstante a força do marketing emocional que apóia as campanhas pró-aborto, é preocupe-se o veneno antidemocrático que está no fundo dos slogans abortistas. Não se compreende de que modo obteremos uma sociedade mais justa e digna para os seres humanos por meio da morte de outros. Há um vínculo indissolúvel entre a prática do aborto, a massacre de Carandiru, e outras agressões à vida: o ser humano é enfrentado como objeto descartável", explicou.

Di Franco assinalou que "a violência contra a infância abandonada, o surpreendente crescimento da violência infantil-juvenil, o clima de insegurança que se alenta nos grandes centros urbanos são uma conseqüência lógica da cultura da morte. É inútil enclausurar-se em condomínios fechados, multiplicar guaritas, erigir muros cada vez mais altos. A humanidade homicida, como afirmou duramente alguém, não pode esperar sensibilidade da geração qual deu a luz, porque os filhos não acostumam ser generosos e dedicados que seus pais".

Fonte: http://www.acidigital.com/noticia.php?id=11857

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sexta-feira, 23 de novembro de 2007

NAMORAR... FICAR... E COMPROMISSO SOCIAL...


"Adolescentes afirmam que, ao invés de namorarem, ficam. Ficar significa não ficar, não ter compromisso com o amanhã. É não ficando, quando ficam, que eles ensaiam, descobrem, experimentam, conhecem sensações sem os "pudores" de outras gerações. Isto pode significar um caminho de conhecimento para o namoro. Aponta, também, para a superficialidade típica da pós-modernidade. Expressa uma nova forma de relação, uma ética para os relacionamentos provisórios, típicos dos tempos de rapidez. A conduta descompromissada do adolescente inquieta nosso olhar adulto. Salutar seria se fizéssemos uma autocrítica: há descompromisso entre governantes e cidadãos, pais e filhos, educadores e alunos? O modelo parece repetir-se na conduta dos jovens que, sem hipocrisia, assumem que é bom ficar, sem compromisso."
Autor: Luiz Fernando Conde Sangenis (Niterói/RJ)
Texto Extraído da Folhinha do Coração de Jesus.

Esse pequeno texto nos expõe duas verdades dos tempos atuais (verdades estas obtidas pelas mera observação do comportamento geral). Pra iniciar essa discussão proponho o seguinte questionamento: Qual o sentido ou o objetivo de um relacionamento entre dois jovens? Muito se fala que o objetivo último de um namoro é conhecer a outra pessoa visando o casamento, posso me perguntar então, até que ponto isso é verdade no mundo de hoje? quais as aspirações que os jovens de hoje têm? Será que eles querem realmente casar, ter uma família?

Provavelmente, a resposta pra essas questões passa pelo fato de que as pessoas são mais egoístas, pensando mais (ou apenas) em si e no "agora" do que no outro e no estável. É mais fácil pra mim, procurar satisfazer os meus desejos imediatos, aquilo que me incomoda no momento, que me impulsiona materialmente (na maioria das vezes também carnalmente) do que eu tentar me estabelecer como alguém que quer crescer e que respeita a dignidade de outrem seja moral, física ou intelectual... Então de repente, namorar fica chato, casar fica chato, viver corretamente fica chato... E sigo os meus impulsos... hoje a noite me relaciono com uma... amanhã com outra... hum... a sensação foi melhor... então vamos de novo, até encontrar alguém melhor do que você...
Perdendo-se o sentido correto do namoro, perde-se também o sentido para o matrimônio, então vem os casamentos impensados que em pouco tempo culminam em divórcios, depois outro casamento... e mais outro... Aí o problema é mais grave porque mexe com a questão dos sacramentos, o casamento deixa de estar vinculado a Deus e passa a ser apenas mais um contrato social entre homens, então, a noção de compromisso sério até a morte, se acaba em compromisso talvez sério até enquanto eu estiver interessado. E no fundo, pelo menos uma das duas partes está verdadeiramente interessada, já que durante a juventude (se é que ela tenha terminado antes do casamento) eu não me preocupei em discernir o que era o casamento, quais as suas conseqüências, renúncias, desafios... qual a sua essência.

O pequeno texto nos induz ainda à uma autocrítica da sociedade. E essa é a segunda verdade que mencionei. Acaso o comportamento dos jovens não seria um mero reflexo do comportamento dos adultos de hoje? Será que aquele político que troca de partido como quem troca de roupa é diferente de um jovem que fica com uma e outra garota? Será que aquele educador que faz o seu trabalho sem um compromisso mais sério com a educação é diferente daquela moça que já não se valoriza? Creio que não. Porque tudo parte de uma preocupação intensa e cega consigo mesmo e um esquecimento desmedido com o bem do outro e da sociedade como um todo. Nesse ponto então, podemos afirmar que temos uma sociedade hipócrita? Que quando é pra conseguir algo em seu favor se permite até mesmo incorporar pensamentos sadios e fiéis à ética e moral cristãs, em um momento, e na primeira oportunidade abandona esses preceitos a fim de conseguir um outro objetivo que, no momento, é maior para si próprio?

Se ainda quisermos ser verdadeiramente ser felizes e realizados como pessoa humana devemos começar a partir de agora a mudar o nosso modo de vida e nas nossas ações. Deixemos o nosso egoísmo de lado e construamos uma sociedade mais justa e acolhedora. Podemos mesmo começar com atos simples.

um fraterno abraço.

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quarta-feira, 21 de novembro de 2007

São Jerônimo (Parte 1)

PAPA BENTO XVI

AUDIÊNCIA GERAL

Quarta-feira, 7 de Novembro de 2007

São Jerônimo

Queridos irmãos e irmãs!

Detemos hoje a nossa atenção sobre São Jerónimo, um Padre da Igreja que colocou no centro da sua vida a Bíblia: traduziu-a em língua latina, comentou-a nas suas obras, e sobretudo empenhou-se em vivê-la concretamente na sua longa existência terrena, não obstante o conhecido carácter difícil e impetuoso que recebeu da natureza.

Jerónimo nasceu em Strídon por volta de 347 de uma família cristã, que lhe garantiu uma cuidadosa formação, enviando-o também a Roma para aperfeiçoar os seus estudos. Desde jovem sentiu atracção pela vida mundana (cf. Ep. 22, 7), mas prevaleceram nele o desejo e a intercessão pela religião cristã. Tendo recebido o baptismo por volta de 336, orientou-se para a vida ascética e, tendo ido a Aquileia, inseriu-se num grupo de cristãos fervorosos por ele definido quase "um coro de beatos" (Chron. ad ann. 374) reunido em volta do Bispo Valeriano. Partiu depois para o Oriente e viveu como eremita no deserto de Calcide, a sul de Alepo (cf. Ep. 14, 10), dedicando-se seriamente aos estudos. Aperfeiçoou o seu conhecimento do grego, iniciou o estudo do hebraico (cf. Ap. 125, 12), transcreveu códices e obras patrísticas (cf. Ep. 5, 2). A meditação, a solidão, o contacto com a Palavra de Deus fizeram amadurecer a sua sensibilidade cristã. Sentiu mais incómodo o peso dos anos juvenis (cf. Ep. 22, 7), e advertiu vivamente o contraste entre mentalidade pagã e vida cristã: um contraste que se tornou célebre pela "visão" dramática e vivaz, da qual nos deixou uma narração. Nela pareceu-lhe ser flagelado diante de Deus, porque "ciceroniano e não-cristão" (cf. Ep 22, 30).

Em 382 transferiu-se para Roma: aqui o Papa Dâmaso, conhecendo a sua fama de asceta e a sua competência de estudioso, assumiu-o como secretário e conselheiro; encorajou-o a empreender uma nova tradução latina dos textos bíblicos por motivos pastorais e culturais. Algumas pessoas da aristocracia romana, sobretudo fidalgas como Paula, Marcela, Asella, Lea e outras, desejosas de se empenharem no caminho da perfeição cristã e de aprofundarem o seu conhecimento da Palavra de Deus, escolheram-no como sua guia espiritual e mestre na abordagem metódica aos textos sagrados. Estas fidalgas aprenderam também grego e hebraico.

Depois da morte do Papa Dâmaso, Jerónimo deixou Roma em 385, e empreendeu uma peregrinação, primeiro à Terra Santa, testemunha silenciosa da vida terrena de Cristo, depois ao Egipto, terra de eleição de muitos monges (cf. Contra Rufinum 3, 22; Ep. 108, 6-14). Em 386 permaneceu em Belém onde, por generosidade da fidalga Paula, foram construídos um mosteiro masculino, um feminino e uma estalagem para os peregrinos que iam à Terra Santa, "pensando que Maria e José não tinham encontrado onde repousar" (Ep. 108, 14). Permaneceu em Belém até à morte, continuando a desempenhar uma intensa actividade: comentou a Palavra de Deus; defendeu a fé, opondo-se vigorosamente a várias heresias; exortou os monges à perfeição; ensinou a cultura clássica e cristã a jovens alunos; acolheu com alma pastoral os peregrinos que visitavam a Terra Santa. Faleceu na sua cela, perto da gruta da Natividade, a 30 de Setembro de 419/420.

A preparação literária e a ampla erudição permitiram que Jerónimo fizesse a revisão e a tradução de muitos textos bíblicos: um precioso trabalho para a Igreja latina e para a cultura ocidental. Com base nos textos originais em grego e em hebraico e graças ao confronto com versões anteriores, ele realizou a revisão dos quatro Evangelhos em língua latina, depois o Saltério e grande parte do Antigo Testamento. Tendo em conta o original hebraico e grego, dos Setenta, a versão grega clássica do Antigo Testamento que remontava ao tempo pré-cristão, e as precedentes versões latinas, Jerónimo, com a ajuda de outros colaboradores, pôde oferecer uma tradução melhor: ela constitui a chamada "Vulgata", o texto "oficial" da Igreja latina, que foi reconhecido como tal pelo Concílio de Trento e que, depois da recente revisão, permanece o texto "oficial" da Igreja de língua latina. É interessante ressaltar os critérios aos quais o grande biblista se ateve na sua obra de tradutor. Revela-o ele mesmo quando afirma respeitar até a ordem das palavras das Sagradas Escrituras, porque nelas, diz, "até a ordem das palavras é um mistério" (Ep. 57, 5), isto é, uma revelação. Reafirma ainda a necessidade de recorrer aos textos originários: "Quando surge um debate entre os Latinos sobre o Novo Testamento, para as relações discordantes dos manuscritos, recorremos ao original, isto é, ao texto grego, no qual foi escrito o Novo Pacto. Do mesmo modo para o Antigo Testamento, se existem divergências entre os textos gregos e latinos, apelamos ao texto original, o hebraico; assim tudo o que brota da nascente, podemo-lo encontrar nos ribeiros" (Ep. 106, 2). Além disso, Jerónimo comentou também muitos textos bíblicos. Para ele os comentários devem oferecer numerosas opiniões, "de modo que o leitor cauteloso, depois de ter lido as diversas explicações e conhecido numerosas opiniões para aceitar ou rejeitar julgue qual seja a mais fidedigna e, como um perito de câmbios, rejeite a moeda falsa" (Contra Rufinum 1, 16).

Contestou enérgica e vivazmente os hereges que recusavam a tradição e a fé da Igreja. Demonstrou também a importância e a validade da literatura cristã, que se tornou uma verdadeira cultura já digna de ser posta em confronto com a clássica: fê-lo compondo o De viris illustribus, uma obra na qual Jerónimo apresenta as biografias de mais de uma centena de autores cristãos. Escreveu também biografias de monges, ilustrando ao lado de outros percursos espirituais também o ideal monástico; traduziu também várias obras de autores gregos. Por fim, no importante Epistolário, uma obra-prima da literatura latina, Jerónimo sobressai com as suas características de homem culto, de asceta e de guia das almas.

Que podemos nós aprender de São Jerónimo? Sobretudo, penso, o seguinte: amar a Palavra de Deus na Sagrada Escritura. Diz São Jerónimo: "Ignorar as Escrituras é ignorar Cristo". Por isso é importante que cada cristão viva em contacto e em diálogo pessoal com a palavra de Deus, que nos é dada na Sagrada Escritura. Este nosso diálogo com ela deve ter sempre duas dimensões: por um lado, deve ser um diálogo realmente pessoal, porque Deus fala com cada um de nós através da Sagrada Escritura e cada um tem uma mensagem. Devemos ler a Sagrada Escritura não como palavra do passado, mas como Palavra de Deus que se dirige também a nós e procurar compreender o que o Senhor nos quer dizer. Mas para não cair no individualismo devemos ter presente que a Palavra de Deus nos é dada precisamente para construir comunhão, para nos unir na verdade no nosso caminho para Deus. Portanto, ela, mesmo sendo sempre uma palavra pessoal, é também uma Palavra que constrói comunidade, que constrói a Igreja. Por isso, devemos lê-la em comunhão com a Igreja viva. O lugar privilegiado da leitura e da escuta da Palavra de Deus é a liturgia, na qual, celebrando a Palavra e tornando presente no Sacramento o Corpo de Cristo, actualizamos a Palavra na nossa vida e tornámo-la presente entre nós. Nunca devemos esquecer que a Palavra de Deus transcende os tempos. As opiniões humanas vão e voltam. O que hoje é muito moderno, amanhã será velho. A Palavra de Deus, ao contrário, é Palavra de vida eterna, tem em si a eternidade, ou seja, é válida para sempre. TrazendoemnósaPalavrade Deus, trazemos também em nós o eterno, a vida eterna.

E concluo com uma palavra de São Jerónimo a São Paulino de Nola. Nela o grande exegeta expressa precisamente esta realidade, isto é, que na Palavra de Deus recebemos a eternidade, a vida eterna. Diz São Jerónimo: "Procuremos aprender na terra aquelas verdades cuja consistência persistirá também no céu" (Ep. 53, 10).


Fonte: http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2007/documents/hf_ben-xvi_aud_20071107_po.html
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sexta-feira, 16 de novembro de 2007

AVE MARIA por Luciano Alimandi - A inquietude do coração humano

Cidade do Vaticano (Agência Fides) - Se a nossa felicidade dependesse somente das criaturas ou das coisas criadas, cairia inevitavelmente narelatividade, temporária, passageira; toda alegria relacionada ao hoje,justamente enquanto vivida, passa com o tempo, que a leva embora consigo. Dela permaneceria somente uma vaga recordação… passado! O homem frequentemente vive de recordações belas, espedaçadas pelo tempo, e de esperanças por um futuro melhor que nunca se realiza como se quer e que, muitas vezes, se transforma em um presente cheio de tristeza nostálgica, porque nunca se consegue alcançar aquele bem imenso que se chama: felicidade!

Quando o Senhor Jesus no Evangelho fala da Sua alegria, do Seu amor e da Sua paz, nos revela o segredo da felicidade, que consiste em possuir bens eternos, que perduram no tempo, porque doados por Ele. Esses dons que não desaparecem, deveríamos escrevê-los com as iniciais em maiúsculo, para distingui-los dos bens terrenos que, ao invés, acabam e passam. A Alegria, o Amor e a Paz são bens imutáveis porque provêm do Senhor da Vida, que é o Alfa e o Omega, ou seja, o Princípio e a Realização de toda criatura e de toda a criação. “Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre” (Hb 13, 8) e somente Ele, o Filho de Deus que desceu do Céu, pode dar ao homem bens terrenos, como o revelou aos seus apóstolos antes de regressar à Casa do Pai: “Vos deixo a paz, vos dou a minha paz. Não vo-la dou como o mundo dá” (Jo 14, 27), “eu vos digo isso para que a minha alegria esteja em vós e vossa alegria seja plena” (Jo 15, 11).

As criaturas humanas, justamente porque criadas à imagem e semelhança de Deus, que é eterno, têm sede de bens duradouros: de alegrias e de amor que não acabam, de espaços infinitos e de instantes iluminados… a maior desgraça que pode acontecer ao homem é buscar esses bens entre as coisas daqui, entre os amores deste mundo que, por mais belos e grandes que sejam, permanecem sempre como uma gota em relação ao oceano sem fronteiras do Amor de Deus, que faz viver na Sua glória e felicidade celeste os anjos e os bem-aventurados do Paraíso.

Se não nos convertermos ao Senhor que faz feliz os Santos, não conseguiremos liberar-nos do nosso homem exterior em favor do nosso homem interior; a nossa “vista” interior não se desenvolverá e vai ficar cega com a aparência, o nosso “ouvido” interior permanecerá transtornado com barulhos do mundo e surdos às coisas de Deus; nós então iremos pedir esmola de porta em porta, de evento em evento, de criatura em criatura... alguma migalha de felicidade, produzida pelo mundo, espalhada aqui e acolá, que nunca poderá preencher o nosso coração: “nos fez para ti, Senhor, e o nosso coração é inquieto até quando não repousar em ti” (Sto. Agostinho).

Deus deixou a marca da sua existência, do seu amor infinito e eterno, na sede insaciável de felicidade que o nosso coração tem; mas para reconhecer Deus necessitamos encontrar Jesus, que nos revela a verdadeira Face do Pai, que é a Verdade dos nossos mais profundos suspiros e anseios de Vida e de Alegria sem fim. Ninguém pode amar a morte tendo sido criado para a vida eterna. Ninguém ama a tristeza porque é criado para a alegria eterna.

Ninguém ama o nada porque é criado para o ser! Somente a graça de Cristo pode restaurar no homem a ordem original desejada por Deus, as hierarquias dos valores e dos dons, turbados pelo pecado. É o pecado o verdadeiro inimigo da felicidade do homem. Parece semelhante a uma “lava” que se desprende do coração do homem que, por causa do cedimento às paixões, se torna um “vulcão” em erupção; uma “lava” que onde quer que escorra leva morte: “Com efeito, é de dentro, do coração do homem que saem as intenções malignas: prostituições, roubos, assassínios, adultérios, ambições desmedidas, maldades, malícia, devassidão, inveja, difamação, arrogância, insensateza. Todas essas coisas más saem de dentro do homem e o tornam impuro” (Mc 7, 21-23). Somente o Senhor Jesus tem o poder de deter essa “lava”, de destruir o pecado, que orienta o homem em direção à terra e o distrai do Céu. Eis o motivo pelo qual as crianças, no candor de sua idade e sem a malícia do pecado, percebem o fascínio de Jesus quando anunciado; ninguém entre eles se faz inimigo de Deus escolhendo aquilo que é imundo, porque o coração deles é livre das paixões e deseja o bem.

Quantos homens, infelizmente, se obstinam em afirmar que o pecado não existe, não faça mal, é um inevitável acidente de percurso... Este modo de pensar permite à “lava” continuar descendo, tornando a existência humana sempre mais dura. Se no coração do cristão se enfraquece o desejo da confissão sacramental, a cinza do pecado ofusca também a ele e o olhar da alma se faz opaco. Assim, não vê quanto contrate existe entre o “branco” de uma vida na graça de Deus e o “preto” de uma vida no pecado não remetido; ele entrevê um brilho apagado difuso, que parece inócuo e, ao invés, é letal!

Em meio a essa paisagem lunar, de uma vida cinzenta ou preta que seja, o
Senhor não se rende e de vez em quando, na medida em que a liberdade humana lhe permite, faz sentir aquela eterna verdade que docemente convida: “Não sai de ti, regressa em ti mesmo; a verdade habita no teu homem interior, e percebendo que a tua natureza é mutável, transcende a ti mesmo... Busca, portanto, chegar lá onde a mesma chama da razão recebe a luz” (Sto. Agostinho).

Fonte: (Agência Fides 14/11/2007)

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quarta-feira, 14 de novembro de 2007

O Credo de Nicéia

O Credo de Nicéia

(I Concílio Ecumênico de Nicéia)

O Sínodo de Nicéia firmou este Credo[1]:

    "Cremos em um só Deus, Pai Todo-Poderoso,
    criador de todas as coisas, visíveis e invisíveis.
    E em um só Senhor Jesus Cristo,
    o Filho de Deus,
    unigênito do Pai,
    da substância do Pai;
    Deus de Deus,
    Luz de Luz,
    Deus verdadeiro de Deus verdadeiro,
    gerado, não criado,
    consubstancial ao Pai;
    por quem foram criadas todas as coisas que estão no céu ou na terra.
    O qual por nós homens e para nossa salvação, desceu (do céu),
    se encarnou e se fez homem.
    Padeceu e ao terceiro dia ressuscitou e subiu ao céu.
    Ele virá novamente para julgar os vivos e os mortos.
    E (cremos) no Espírito Santo.
    E quem quer que diga que houve um tempo em que o Filho de Deus não existia,
    ou que antes que fosse gerado ele não existia,
    ou que ele foi criado daquilo que não existia,
    ou que ele é de uma substância ou essência diferente (do Pai),
    ou que ele é uma criatura,
    ou sujeito à mudança ou transformação,
    todos os que falem assim, são anatemizados pela Igreja Católica e Apostólica."

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Nota:
[1] Encontrado nas atas dos Concílios Ecumênicos de Éfeso e Calcedônia; na Carta de Eusébio de Cesaréia à sua própria igreja; na Carta de Santo Atanásio ao Imperador Joviniano; nas Histórias Eclesiásticas de Teodoreto e Sócrates e algum outro lugar. As variações no texto são absolutamente irrelevantes.

* * *
Fonte: Antigo Site "Agnus Dei" (-)
Tradução: José Fernandes Vidal

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segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Oração de Santo Agostinho

Oração de Santo Agostinho


Diante de Vós, Senhor, apresentamos o fardo dos nossos crimes e simultaneamente as feridas que por causa deles recebemos.


Se pensarmos no mal que fizemos, é bem pouco o mal que sofremos e muito maior o que merecemos. Foi grave o que ousamos cometer e leve o que agora sofremos. Sentimos que é dura a pena do pecado e no entanto não nos decidimos deixar a ocasião dele. A nossa fraqueza geme esmagada sob o peso dos castigos com que nos punis justamente, e a nossa maldade não quer se desfazer dos seus caprichos. O espírito anda atormentado, mas a cerviz não se verga.


A nossa vida suspira no meio das dores e não nos corrigimos.

Se contemporizardes conosco, não nos emendamos, e se tirais de nós vingança, gritamos que não podemos. Se nos castigais, sabemos declarar que somos réus, mas se afastais por um pouco a Vossa ira, esquecemos logo o que deploramos.


Se levantardes a mão, logo prometemos a emenda, se retirais a espada, já nos esquecemos da promessa. Se nos feris, gritamos que nos perdoeis, se nos perdoais logo entramos de Vos provocar. Tendes-nos aqui, Senhor, diante de Vós, confessamos os nossos pecados; se Vos não amerceais de nós, aniquilar-nos-á a Vossa justiça.


Concedei-nos Pai onipotente, o que sem merecimento algum de nossa parte Vos pedimos, Vós que nos tirastes do nada. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.


Amém.


V. Senhor, não nos trateis segundo os nossos pecados.

R. Nem nos castigueis segundo as nossas iniqüidades.


Oremos – Ó Deus, a quem o pecado ofende e a penitência propicia, olhai favoravelmente para as preces do Vosso povo e relegai para longe os vossos castigos da Vossa ira, que merecemos com os nossos pecado. Por Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.


Fonte: "Oração de Santo Agostinho" , MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/index.php?secao=oracoes&subsecao=oracoes&artigo=oracao_sto_agostinho=bra
Online, 12/11/2007 às 13:53h

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sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Explicação do Símbolo (por santo Ambrósio)

Explicação do Símbolo

(Ambrósio de Milão)

1. Foram celebrados até hoje os mistérios dos escrutínios. Foi pesquisa do para que alguma impureza não fique ligada ao corpo de alguém. Pelo exorcismo, procurou-se e aplicou-se uma santificação não só do corpo, mas também da alma. Agora chegou o tempo e o dia de apresentar a tradição do símbolo, este símbolo que é um sinal espiritual, este símbolo que é objeto da meditação de nosso coração e como que salvaguarda sempre presente. De fato, é tesouro do nosso íntimo.

2. De início, precisamos receber a razão do próprio nome. Símbolo é termo grego que significa "contribuição". Principalmente os comerciantes se acostumam a falar de contribuição quando ajuntam seu dinheiro e a soma assim reunida pela contribuição de cada um é conservada inteira e inviolável, se bem que ninguém ouse cometer fraude em relação à contribuição. Esse é o costume entre os próprios comerciantes para que, se alguém cometer fraude, seja rejeitado como fraudulento. Os santos apóstolos reunidos juntos fizeram um resumo da fé, a fim de que pudéssemos compreender brevemente o elenco de toda a nossa fé. A brevidade é necessária, para que ela seja sempre mantida na memória e na lembrança. Sei que principalmente em regiões do Oriente (acrescentaram coisas) àquelas que foram por primeiro transmitidas pelos nossos anciãos, uns por fraude, outros por zelo - os heréticos por fraude, os católicos por zelo. Aqueles, tentando esquivar-se fraudulentamente, acrescentaram o que não era devido, enquanto estes, esforçando-se para evitar a fraude, por certa piedade e imprudência, ultrapassaram os limites colocados pelos anciãos.

3. Os apóstolos, portanto, se reuniram e fizeram brevemente um símbolo. Persignai-vos. (Feito isso e tendo recitado o símbolo): Neste símbolo, está compreendida de maneira evidentíssima, a divindade da Trindade eterna: a operação única do Pai, do Filho e do Espírito Santo, da venerável Trindade, de modo que tal seja a nossa fé, que creiamos do mesmo modo no Pai, no Filho e no Espírito Santo. Com efeito, onde não existe nenhuma distinção de majestade, também não deve haver distinção de fé. Por ou- tro lado, freqüentemente vos adverti que o nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, foi o único que tomou esta carne com alma humana racional e perfeita, e assumiu a forma do corpo. Ele se tornou como um homem na verda- de deste corpo, mas tem um privilégio singular de sua geração. De fato, não nasceu do sêmen de homem, mas, como se diz, foi gerado da virgem Maria pelo Espírito Santo. Reconheces (nisso) o privilégio do autor celeste? Tornado, portanto, como homem para assumir nossas enfermidades em sua carne, mas veio com o privilégio da majestade eterna. Recitemos, portanto, o símbolo. (Depois de recitado, assim continuou): Eis o conteúdo da Escritura divina. Deveríamos audaciosamente ultrapassar os limites (postos) pelos apóstolos? Acaso somos mais prudentes do que os apóstolos?

4. Tu me dirás: Em seguida surgiram as heresias. De fato, também o Apóstolo diz: "É necessário que haja heresias, para que os bons sejam provados" (1Cor 11,19). O que dizer, portanto? Vede a simplicidade, vede-a pureza. Quando surgiram os patripassianos, também os católicos desta região julgaram que se devia acrescentar invisível e impassível, como se o Filho de Deus fosse visível e passível. Se ele foi visível na carne, essa carne é que foi visível, não a divindade, a carne é que foi passível, não a divindade. Além disso, escuta o que ele diz: "Deus, meu Deus, olha para mim; por que me abandonaste?" (SI 21,2; cf. Mt 27,46). Nosso Senhor Jesus Cristo disse isso na paixão. Disse isso enquanto homem, enquanto carne, como se a carne dissesse à divindade: "Por que me abandonas-te?" Suponhamos que os nossos anciãos tenham sido médicos, que eles quiseram trazer saúde à doença mediante o remédio. Não se pergunta se o remédio não foi necessário naquele tempo em que as almas de certos hereges estavam com doença grave; se naquele tempo foi necessário, agora não o é. Por qual razão? Tendo sido conservada íntegra a fé contra os sabelianos, os sabelianos foram expulsos, principalmente das regiões do Ocidente. Os arianos encontraram para si nesse remédio uma espécie de calúnia, de modo que, enquanto conservamos o símbolo da Igreja romana, eles consideraram o Pai todo-poderoso invisível e impassível e disseram: "Vês que o símbolo é isso", e assim demonstraram que o Filho é visível e passível. O que quer dizer isso? Onde a fé se mantém íntegra são suficientes os mandamentos dos apóstolos; não se têm necessidade de garantias, mesmo dos sacerdotes. Por quê? Porque o joio está misturado ao trigo.

5. Eis o símbolo: "Creio... único, nosso Senhor." Dizei assim: seu Filho único. "Não único Senhor". Deus é um, único e Senhor. Mas não caluniem dizendo que afirma- mos que o Filho é uma única pessoa: "E em... único, nosso Senhor". Tendo falado da divindade do Pai e do Filho, chega-se à encarnação deste: "Que nasceu... e foi sepultado". Tens aqui a paixão e a sepultura dele. "No terceiro dia... dos mortos". Tens aqui também a ressurreição dele. "Subiu... está sentado à direita do Pai". Vês, portanto, que a carne em nada pode diminuir a divindade; ao contrário, pela encarnação Cristo conseguiu um grande triunfo. Com efeito, por que motivo, depois que se levantou da morte, ele está sentado à direita do Pai? Ele como que devolveu ao Pai o fruto da boa vontade. Tens duas coisas: ele ressuscitou da morte e está sentado à direita do Pai. Portanto, em nada a carne pode causar detrimento à glória da divindade. Tens duas coisas: ou nosso Senhor Jesus Cristo está sentado à direita e ressuscitou da morte graças à prerrogativa da divindade e da substância de sua geração, ou certamente como triunfador eterno, que adquiriu um bom reino para Deus Pai, ele reivindicou para si mesmo a prerrogativa de sua vitória. "Está sentado à direita do Pai... e os mortos". Escuta, homem. Deves, portanto, crer nisso logo. A própria fé brota da caridade. Quem ama nada retira. O amigo que ama seu amigo nada tira dele. Quem ama o Senhor, com maior razão nada deve tirar dele. Por que digo: "está sentado"? Aquele que ama também tem algo a temer: "De onde... e os mortos". É ele que nos julgará. Toma cuidado, portanto, em não tirar nada daquele que será nosso juiz. Por que esse mistério? Não haverá um só julgamento do Pai, do Filho e do Espírito Santo? Não haverá uma só vontade, não haverá uma só majestade? Por que te dizem que o Filho julgará, senão para que entendas que nada deve ser tirado do Filho? Vê, portanto: crês no Pai, crês também no Filho. E o que em terceiro lugar? "E no Espírito Santo". Todos os " sacramentos que recebes, tu os recebes nessa Trindade. Que ninguém te engane. Vês, portanto, que existe uma única operação, uma única santificação, uma só majestade da venerável Trindade.

6. Recebe sadiamente o motivo pelo qual cremos Criador, para não dizeres: Mas há também a Igreja, há tam bém a remissão dos pecados, e há também a ressurreição. Que dizer disso? O motivo é o mesmo: cremos no Pai, cremos no Filho da mesma forma que cremos na Igreja, na remissão dos pecados e na ressurreição da carne. Por qual motivo? Pelo fato de que aquele que acredita no Criador, acredita também na obra do Criador. Por outro lado, para que não julgueis que se trata de invenção nossa, recebei o testemunho: "Se não credes em mim, crede ao menos nas obras" (Jo 10,38). Sabes disso. Agora a tua fé brilhará mais se julgares que a fé verdadeira e íntegra deve se estender à obra do Criador, à santa Igreja e à remissão dos pecados. Crê, portanto, que em virtude da fé todos os teus pecados serão perdoados. De fato, leste no Evangelho que o Senhor diz: "A tua fé te salvou" (Mt 9,22; Mc 10,52; Lc 17,19). "Na remissão... e na ressurreição." Crê que também a carne ressuscitará. Com efeito, por que foi necessário que Cristo assumisse a carne? Por que foi necessário que Cristo experimentasse a morte, recebesse a sepultura e ressurgisse, senão em vista da tua ressurreição? "Se Cristo não ressuscitou, vã é a nossa fé" (lCor 15,14). Todavia, porque ele ressuscitou, a nossa fé é firme.

7. Eu disse que os apóstolos compuseram o Símbolo. Portanto, se os comerciantes que fazem tais negócios e os contribuintes de dinheiro têm a lei que considera desonesto e indigno de crédito aquele que violou a sua contribuição, devemos nos precaver muito mais para evitar que alguma coisa seja tirada do Símbolo dos anciãos. Com efeito, tens no livro do Apocalipse de João -livro que está no Cânon e que provê um grande fundamento para a fé, pois relembra aí com clareza que nosso Senhor Je- sus Cristo é onipotente, embora também isso se encontre em outros lugares -tens nesse livro: "Se alguém acrescentar ou tirar alguma coisa, sofrerá o julgamento e o castigo" (cfAp. 22,18-19). Se nada pode ser tirado ou acrescentado aos escritos de um só apóstolo, como poderíamos mutilar o símbolo que recebemos como tendo sido ..composto e transmitido pelos apóstolos? Nada devemos .! tirar e nada acrescentar. Este é o símbolo conservado pela Igreja romana, onde Pedro, o primeiro dos apóstolos, sentou-se e onde lhe conferiu a sentença comum.

8. Assim, como há doze apóstolos, há também doze artigos. Persignai-vos (Feito isso): "Creio... da virgem". Tens a divindade do Pai, a divindade do Filho, tens a encarnação do Filho, conforme eu disse. "Sob... sepultado". Tens a paixão, a morte e o sepul- tamento. Esses são quatro artigos. Vejamos os outros. "No terceiro dia... e os mortos". Esses são os outros quatro artigos, perfazendo assim oito artigos. Vejamos ainda os outros quatro artigos: "E no Espírito Santo... na ressurreição". Portanto, conforme os doze apóstolos, foram compostos doze artigos.

9. Quero avisá-los bem do seguinte: o símbolo não deve ser escrito. Deveis repeti-lo, mas ninguém o escreva. Por que motivo? Foi-nos transmitido que não deveria ser escrito. O que fazer então? Retê-lo de cor. Tu, porém, me dizes: "Como é possível retê-lo sem escrevê-lo?" Pode-se retê-lo melhor se não se escreve. Por que razão? É o seguinte. O que escreves, seguro de que o relerás, não te aplicarás em examiná-lo pela meditação diária. O que, porém, não escreves, terás medo de esquecê-lo e daí o repassarás todo dia. Isso é uma grande segurança. Se sobrevierem entorpecimentos da alma e do corpo, tentação do adversário, que nunca descansa, algum tremor do corpo, doença do estômago, repete o símbolo, e ficarás curado. Repete principalmente no teu íntimo, dentro de ti. Por quê? Para que não adquiras o hábito de repeti-lo muito alto sozinho onde estão os fiéis, comeces a repeti-lo entre os catecúmenos ou hereges.


Fonte: http://cocp.veritatis.com.br/

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quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Necessidade de instituição pontifícia com autoridade em música sacra

Sugere Dom Valentín Miserachs Grau

CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 6 de novembro de 2007 (ZENIT.org).- A ausência de um departamento pontifício específico com perfil de autoridade sobre a música sacra levou à proliferação de certa anarquia neste campo, pelo que é necessária tal instituição.

É a sugestão de Dom Valentín Miserachs Grau, diretor do Pontifício Instituto de Música Sacra (PIMS), corpo acadêmico e científico que, erigido pela Sé Apostólica, tem suas origens em 1911.

Em sua edição de 5-6 de novembro, «L’Osservatore Romano» recolhe grande parte da intervenção do sábado, na qual – no Congresso por ocasião dos 80 anos da fundação do instituto diocesano de música Sacra de Trento – Dom Miserachs não hesitou em apontar: «Em nenhum dos âmbitos tocados pelo Concílio [Vaticano II] – e são praticamente todos –, produziram-se maiores desvios que no da música sacra».

«Jamais perdi ocasião de denunciar uma situação de degradação evidente no campo da música litúrgica, na Itália, mas não somente nela», reconheceu.

«Que distantes estamos do verdadeiro espírito da música sacra, isto é, da verdadeira música litúrgica!», lamentou.

Reconhece a «dignidade e qualidade de algumas composições de músicos locais e estrangeiros, e o esforço, nada fácil, de dotar nossas liturgias de um digno repertório musical».

Mas questiona: «Como podemos suportar que uma onda de profanidades inconsistentes, petulantes e ridículas tenham adquirido com tanta facilidade carta de cidadania em nossas celebrações?».

É um grande erro, em sua opinião, pensar que as pessoas «devam encontrar no templo as mesmas necessidades que lhes são propostas fora», pois «a liturgia deve educar o povo – inclusive jovens e crianças – em tudo, também na música».

«Nova et vetera»

A realidade é que «muita música que se escreve hoje ou que circula por aí ignora, contudo, não digo a gramática, mas até o abecedário da arte musical», deplora.

E «sobre a base de uma ignorância geral, especialmente em certos setores do clero – denuncia –, que os meios de comunicação atuam como propagadores de certos produtos que, carentes das características indispensáveis da música sacra (santidade, arte verdadeira, universalidade), nunca poderão oferecer um autêntico bem à Igreja».

Por isso – diz – «impõe-se atualmente uma enérgica ‘reforma’, no sentido de uma radical ‘conversão’ à norma da Igreja; e tal ‘norma’ tem como ponto cardeal o canto gregoriano, seja em si mesmo ou como princípio inspirador da boa música litúrgica».

«Nova et vetera» – resume: «o tesouro da tradição e as coisas novas, mas enraizadas na tradição».

Citando Dom Miserachs, o jornal, como voz oficiosa da Santa Sé, recolhe que, «após o Concílio Vaticano II, a ausência de direções vinculantes sobre a música sacra levou a uma diminuição gradual do nível artístico dos cantos litúrgicos».

Quem neste âmbito «está chamado a fazer escolhas teve de trabalhar autonomamente e com freqüência sem competência – prossegue –, perdendo em muitos casos o contato com a tradição e sobretudo com o princípio inspirador representado pelo canto gregoriano».

Este – reiterou Dom Miserachs – não deve ficar no âmbito acadêmico, de shows ou discográfico, «não se deve mumificar», mas «deve voltar a ser canto vivo, também da assembléia, que nele encontrará o sossego das mais profundas tensões espirituais, e se sentirá verdadeiramente povo de Deus».

Visto este panorama, são muitos os que se dirigiram ao PIMS – confirma seu diretor – como se tratasse de um órgão com faculdades normativas em matéria de música sacra, enquanto não é senão «uma instituição acadêmica que tem como missão o ensinamento – e naturalmente a prática – da música sacra».

«A meu modo de ver, seria oportuna a instituição de um departamento dotado de autoridade em matéria de música sacra», sugere.

«Não é que só isso possa bastar para resolver radicalmente o problema – admite –, mas me parece que, enquanto não se disponha de tal instrumento, a ação de uns poucos, sejam dioceses ou territórios inteiros, fica isolada, como se se tratasse de uma iniciativa privada.»

Esta sugestão não está vinculada – aponta – a «um eventual e ocasional restabelecimento do rito de Pio V», indicado há poucos meses por Bento XVI.

«Voltemos simplesmente ao Concílio Vaticano II para constatar que a vontade dos padres conciliares exigia para o novo rito de Paulo VI que não tivesse que se desviar jamais dessa via», conclui.

O Missal Romano promulgado por Paulo VI (procedendo da reforma litúrgica, em 1970) – e reeditado duas vezes por João Paulo II – é e permanece como forma normal ou ordinária da Liturgia Eucarística da Igreja Católica de rito latino.

Fonte: http://www.zenit.org/article-16644?l=portuguese
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