quinta-feira, 27 de setembro de 2007

"A família está no centro de nossa ação pastoral, e destacamos especialmente a infância missionária"

ÁFRICA/BENIN - “A família está no centro de nossa ação pastoral, e destacamos especialmente a infância missionária” - diz à Fides o presidente da Conferência Episcopal de Benin, em Roma para a visita Ad limina

Roma (Agência Fides)- “O futuro de nossa Igreja em Benin é ressaltar o papel da família, porque é a célula-base da sociedade e da Igreja”. Assim, Dom Antoine Ganyé, Bispo de Dassa-Zoumé e Presidente da Conferência Episcopal de Benin, descreve as linhas-mestre da Igreja em Benin, em uma entrevista à Agência Fides. Os Bispos de Benin estão em Roma para a visita Ad Limina Apostolorum.

“Se a família não é unida, se não tem consciência de si mesma, a sociedade e a Igreja não podem caminhar adiante. Na família, há crianças, jovens e adultos. Nesta perspectiva, nós colocamos o destaque na infância missionária, porque o que é semeado no coração de uma criança ali permanece, mesmo que encontre dificuldades, crescendo” - diz Dom Ganyé. “Por isso, temos associações de crianças no âmbito da infância missionária, como movimento de apostolado das crianças. Desta forma, oferecemos uma formação catequética, bíblica, humana, moral, espiritual e psicológica que leva em consideração a sua jovem idade. Durante as férias da escola, organizamos colônias de férias com assistentes eclesiásticos e Bispos que se disponibilizam para este serviço, e no fim do percurso educativo, organizamos uma grande peregrinação, sobretudo em minha diocese, onde existe o centro nacional para a peregrinação mariana” - diz o Presidente da Conferência Episcopal de Benin.

Dom Ganyé destaca também o importante papel das associações de leigos: “Temos uma série de associações e movimentos eclesiais, como a Ação Católica e a Renovação Carismática dos Jovens, a Associação Católica da Família, para preparar a família do futuro, a associação dos estudantes católicos muito ativa em nível escolar e universitário. Em nível de adultos e de chefes de família, iniciamos uma pastoral de proximidade, para reforçar o que receberam com o catecismo. Temos também um diálogo profícuo com os pais não-cristãos, na esperança que encontrem, um dia, a graça da conversão”.

“Concluindo, o que estamos realizando hoje é um trabalho para construir a Igreja de amanhã, que começa hoje” - afirma o Presidente da Conferência Episcopal de Benin.

No campo das relações inter-religiosas, Dom Ganyé afirma: “temos uma boa relação com os muçulmanos. É preciso distinguir dois aspectos. Em Benin, existe o Islã tradicional, moderado e aberto ao diálogo. É normal que nas famílias de Benin haja cristãos e muçulmanos, que convivem em paz e harmonia. O outro aspecto é o dos jovens muçulmanos que vão estudar e se formar no exterior, no Norte da África, principalmente, de onde retornam com uma concepção agressiva da religião, que não pertence à história e à tradição de nosso país. mas em geral, podemos dizer que as relações inter-religiosas são boas e também que o fundamentalismo islâmico é um problema sentido apenas em algumas áreas no Norte do País”.

“Também com os fiéis da religião tradicional, o vudu - continua dom Ganyé - não existem problemas particulares, e é principalmente destes ambientes que provém a maior parte das conversões. Muitos de seus praticantes estão cansados do vudu e se alegram em poder entrar em contato com os sacerdotes católicos. Certamente, isto não agrada aos custódios da tradição vudu, mas não nos impede de ter uma ótima relação com a maior parte dos praticantes da religião tradicional”. (L.M.)

Fonte: (Agência Fides 24/9/2007)
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segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Oração de Santo Inácio de Loyola

ORAÇÃO DE SANTO INÁCIO DE LOYOLA


TOMAI SENHOR, E RECEBEI
TODA A MINHA LIBERDADE, E A MINHA MEMÓRIA TAMBÉM.
O MEU ENTENDIMENTO, E TODA MINHA VONTADE
TUDO O QUE TENHO E POSSUO,
VÓS ME DESTES COM AMOR

TODOS OS DONS QUE ME DESTES
COM GRATIDÃO VOS DEVOLVO,
DISPONDE DELES SENHOR
SEGUNDO A VOSSA VONTADE

DAI-ME SOMENTE, O VOSSO AMOR, VOSSA GRAÇA
ISSO ME BASTA,
NADA MAIS QUERO PEDIR!


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sábado, 15 de setembro de 2007

PE. PEDRO ARRUPE, SJ

PE. PEDRO ARRUPE, SJ



Este ano a Companhia de Jesus está celebrando o Centenário de nascimento do Pe. Pedro Arrupe, ex-superior geral dos jesuítas, um dos homens que mais marcou a vida e a missões dos seguidores de Santo Inácio de Loyola, como também de toda a Igreja.

Pedro Arrupe nasceu em Bilbao [País Basco, Espanha], em 14 de Novembro de 1907. Quando estava no quarto ano da Faculdade de Medicina, fez uma visita ao Santuário de Nossa Senhora de Lourdes [França], onde testemunhou a cura milagrosa de uma paralítica. Este fato transformou a sua vida. A contra-gosto de muitos professores e colegas, largou a universidade e entrou no noviciado da Companhia de Jesus, na cidade de Loyola. Pedro sempre teve em sí um grande desejo de ir como missionário para o Japão. Mas, este desejo só torna-se-ia realidade após os dez anos da sua formação jesuitica, passados a maior parte nos EUA, onde enquanto estudava também dedicava-se a visitar um presídio, ganhando grande amizade e afeto dos reclusos.

Chegando ao Japão, em pouco tempo conseguiu tornar-se uma pessoa muita próxima dos japoneses. Algumas autoridades, porém, desconfiaram que ele fosse um espião norte-americano e por isso prenderam-no, até comprovarem as suas verdadeiras intenções evangelizadoras. Mais tarde, saindo de Yamagushi [terra onde estivera antes São Francisco Xavier], Arrupe foi trabalhar no noviciado do Japão, em Hiroshima, como mestre de noviços. Era a época da II Guerra Mundial e este sacerdote acabaria testemunhando um dos episódios mais tristes da história contemporânea: a destruição completa de uma cidade através da bomba atômica. Pedro Arrupe, que morava a alguns kilometros da tragédia, logo transformou o semi-destruído noviciado dos jesuítas em um verdadeiro hospital, para acolher os sobreviventes do ataque. Ele e seus noviços foram à cidade tirar os vivos, queimar os mortos para não haver infecções, e muito mais. Após esste tempo, Arrupe deixou o noviciado ao ser eleito Provincial dos jesuítas no Japão. E, anos depois, Superior Geral da Companhia de Jesus no mundo inteiro.

Como Geral dos jesuítas, o Pe. Pedro Arrupe foi um verdadeiro profeta dos nosso tempo, tempo esse de enorme agitação e mudança, que marcaram os famosos anos sessenta. A Igreja acabava de viver o Concílio Ecumênico Vaticano II e agora havia que adaptá-lo e adotá-lo em todos os sentidos à vida e missão eclesial, não sem resistências e crises. Foi um tempo de grandes mudanças para a Igreja e para a Companhia. Pe. Arrupe assumiu totalmente as inspirações do Concílio, aproximando a sua ordem ao mundo dos leigos, dos pobres, da juventude, da sociedade contemporânea. Apesar do cargo de superior Geral da Companhia ser vitalício, Arrupe sentiu que a sua missão estava cumprida e pediu para retirar-se. Mas o papa João Paulo II não aceitou a sua renúncia. Mas, apesar de todas as dificuldades que isso gerou, a Companhia souber viver em obediência verdadeira por amor a Cristo e a sua Igreja.

Em 1980 o Pe. Arrupe sofreu uma trombose, que o levou a passar seus últimos anos de vida em uma cama, até partir para o Pai em 1990. No seu discurso de despedida aos jesuítas disse:

“EU ME SINTO MAIS DO QUE NUNCA NAS MÃOS DE DEUS. ISSO FOI O QUE SEMPRE DESEJEI, DESDE JOVEM. E ISSO É A ÚNICA COISA QUE CONTINUO DESEJANDO AGORA. MAS, COM UMA DIFERÊNÇA: HOJE TODA A INICIATIVA VEM DO SENHOR. ASSEGURO-LHES QUE SABER-ME E SENTIR-ME TOTALMENTE EM SUAS MÃOS É UMA PROFUNDA EXPERIÊNCIA”.

Fonte: http://www.jesuitasamazonia.org/jesuitaemdestaque.asp?IDNews=176

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quinta-feira, 13 de setembro de 2007

justificativa para alguns atrasos

Meus queridos amigos,

Sinto por não ter podido atualizar o Blog nestes últimos dias. Estou em Belém/PA dando mais um passo no meu discernimento vocacional junto à Companhia de Jesus. Estive nestes últimos dias realizando os Exercícios Espirituais de Santo Inácio, onde pude conhecer um pouco mais de mim, meus problemas mais íntimos, meus medos, minhas angústias, enfim, foram dias de muitas descobertas.

Espero poder ainda essa semana contribuir com algo interessante aqui neste espaço (o tao aguardado resumo do capítulo 2 do Livro "Introdução ao Espírito da Liturgia" do cardeal Ratzinger).

Bem no mais é isso, um grande abraço e fiquem com Deus!

Gabriel
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terça-feira, 4 de setembro de 2007

Versus Deum per Iesum Christum

Versus Deum per Iesum Christum

“A direção última da ação litúrgica, nunca totalmente expressa nas formas exteriores, é a mesma para o sacerdote e para o povo: voltados para o Senhor”. A introdução do decano do Sacro Colégio ao livro de Uwe Michael Lang

do cardeal Joseph Ratzinger



Incipit do cânone extraído de um missal ambrosiano (final do século XI - início do século XII); Milão, Biblioteca Ambrosiana
Para o católico praticante normal, dois parecem ser os resultados mais evidentes da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II: o desaparecimento da língua latina e o altar orientado para o povo. Quem ler os textos conciliares poderá constatar, com espanto, que nem uma nem outra coisa se encontram neles desta forma.
Claro, seria preciso dar espaço à língua vulgar, segundo as intenções do Concílio (cf. Sacrosanctum Concilium 36, 2) - sobretudo no âmbito da liturgia da Palavra - mas, no texto conciliar, a norma geral imediatamente precedente reza: “O uso da língua latina, salvo quando se tratar de um direito particular, seja conservado nos ritos latinos” (Sacrosanctum Concilium 36, 1).
Sobre a orientação do altar para o povo, não há sequer uma palavra no texto conciliar. Ela é mencionada em instruções pós-conciliares. A mais importante delas é a Institutio generalis Missalis Romani, a Introdução Geral ao novo Missal Romano, de 1969, onde, no número 262, se lê: “O altar maior deve ser construído separado da parede, de modo a que se possa facilmente andar ao seu redor e celebrar, nele, olhando na direção do povo [versus populum]”. A introdução à nova edição do Missal Romano, de 2002, retomou esse texto à letra, mas, no final, acrescentou o seguinte: “Isso é desejável sempre que possível”. Esse acréscimo foi lido por muitos como um enrijecimento do texto de 1969, no sentido de que agora haveria uma obrigação geral de construir - “sempre que possível” - os altares voltados para o povo. Essa interpretação, porém, já havia sido repelida pela Congregação para o Culto Divino, que tem competência sobre a questão, em 25 de setembro de 2000, quando explicou que a palavra “expedit” [é desejável] não exprime uma obrigação, mas uma recomendação. A orientação física deveria - assim diz a Congregação - ser distinta da espiritual. Quando o sacerdote celebra versus populum, sua orientação espiritual deveria ser sempre versus Deum per Iesum Christum [para Deus, por meio de Jesus Cristo]. Sendo que ritos, sinais, símbolos e palavras nunca podem esgotar a realidade última do mistério da salvação, devem-se evitar posições unilaterais e absolutizantes a respeito dessa questão.
Gradual do capítulo de Santa Maria Maior (século XVI); Roma, Basílica de Santa Maria Maior
Esse esclarecimento é importante, pois deixa transparecer o caráter relativo das formas simbólicas externas, opondo-se, assim, aos fanatismos que infelizmente nos últimos quarenta anos não tiveram pequena freqüência nos debates em torno da liturgia. Mas, ao mesmo tempo, ilumina também a direção última da ação litúrgica, nunca totalmente expressa nas formas exteriores, e que é a mesma para o sacerdote e para o povo (voltados para o Senhor: para o Pai, por meio de Cristo no Espírito Santo). A resposta da Congregação deveria, portanto, criar um clima menos tenso para a discussão; um clima no qual possam ser procuradas as melhores maneiras de realização prática do mistério da salvação, sem condenações recíprocas, ouvindo atentamente aos outros, mas sobretudo ouvindo as indicações últimas da própria liturgia. Etiquetar apressadamente certas posições como “pré-conciliares”, “reacionárias”, “conservadoras”, ou “progressistas” ou “estranhas à fé”, não deveria mais ser admitido nesse embate, no qual se deveria muito mais deixar espaço a um novo e sincero esforço comum para realizar a vontade de Cristo da melhor forma possível.
Este pequeno livro de Uwe Michael Lang, oratoriano residente na Inglaterra, analisa a questão da orientação da oração litúrgica do ponto de vista histórico, teológico e pastoral. Fazendo isso, reacende, num momento oportuno - assim me parece -, um debate que, apesar das aparências, nunca cessou realmente, mesmo depois do Concílio.
O liturgista de Innsbruck Josef Andreas Jungmann, um dos idealizadores da Constituição sobre a Sagrada Liturgia do Vaticano II, opôs-se firmemente desde o início ao polêmico lugar comum segundo o qual o sacerdote, até aquele momento, teria celebrado “voltando as costas para o povo”. Jungmann sublinhava, ao contrário, que não se tratava de voltar as costas para o povo, mas de assumir a mesma orientação do povo. A liturgia da Palavra tem caráter de proclamação e de diálogo: é dirigir a palavra e responder, e deve ser, conseqüentemente, o voltar-se recíproco de quem proclama para quem escuta e vice-versa. Já a oração eucarística é a oração em que o sacerdote serve de guia, mas na qual está orientado, ao lado do povo e como o povo, para o Senhor. Por isso - segundo Jungmann -, uma mesma direção do sacerdote e do povo pertence à essência da ação litúrgica. Mais tarde, Louis Bouyer - outro dos principais liturgistas do Concílio - e Klaus Gamber, cada um a seu modo, retomaram a questão. Apesar de sua grande autoridade, tiveram desde o início alguns problemas em se fazer ouvir, tão forte era a tendência a pôr em relevo o elemento comunitário da celebração litúrgica e a considerar, por isso, o sacerdote e o povo como reciprocamente voltados um para o outro.
Apenas recentemente o clima se fez menos tenso e, assim, quando alguém faz perguntas como as de Jungmann, Bouyer e Gamber, já não desperta mais a suspeita de que alimente sentimentos “anticonciliares”. Os progressos da pesquisa histórica tornaram o debate mais objetivo, e os fiéis intuem cada vez mais o quanto pode ser discutível uma solução na qual se percebe, a duras penas, a abertura da liturgia para o que a espera e para o que a transcende. Nessa situação, o livro de Uwe Michael Lang, tão agradavelmente objetivo e em nada polêmico, pode revelar-se uma ajuda preciosa. Sem a pretensão de apresentar novas descobertas, ele oferece com grande cuidado os resultados das pesquisas realizadas nas últimas décadas, fornecendo as informações necessárias para que se possa chegar a um juízo objetivo. É muito positivo o fato de se evidenciar, a esse respeito, não apenas a contribuição da Igreja da Inglaterra, pouco conhecida na Alemanha, mas também o debate sobre a questão, interno ao Movimento de Oxford no século XIX, em cujo contexto amadureceu a conversão de John Henry Newman. É com base nisso que se desenvolvem depois as respostas teológicas.
Espero que este livro de um jovem estudioso possa revelar-se uma ajuda no esforço - necessário a todas as gerações - de compreender corretamente e celebrar dignamente a liturgia. Meus votos são de que possa encontrar muitos leitores atentos.
Livro

O texto do cardeal Joseph Ratzinger publicado nestas páginas é o prefácio que o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé escreveu ao livro de Uwe Michael Lang, “Conversi ad Dominum”. Zu Geschichte und Theologie der christlichen Gebetsrichtung, publicado no ano passado na Suíça pela Johannes Verlag Einsiedeln. Está saindo a edição em língua inglesa (dieTurning Towards the Lord: Orientation in Liturgical Prayer), pela editora Ignatius Press, de São Francisco (EUA), que detém os direitos da obra.
Uwe Michael Lang é membro do Oratório de São Filipe Néri, em Londres, estudou teologia em Viena e Oxford e publicou numerosos textos sobre temas patrísticos.
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