quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Adoro Te Devote

A liturgia da festa de Corpus Christi é repleta de orações extremamente belas tanto pela composição e quanto pela profunda teologia que nelas se encontra. A história desta festa também é bastante edificante.

No ano de 1263, um padre de nome Pedro de Praga, vacilante sobre a veracidade da transubstanciação, fez uma peregrinação de Praga a Roma, a fim de alcançar uma graça para que esta tentação o deixasse. Foi, então, que o prodígio ocorreu enquanto celebrava a Santa Missa perto donde repousava o corpo de S. Cristina em Bolsena.

Padre Pedro, no momento da consagração, viu gotejar sangue da Hóstia então consagrada e banhar o corporal e os linhos litúrgicos. O sacerdote, impressionado com o acontecimento, vai para Orvieto onde residia o Papa Urbano IV, o qual mandou para Bolsena o bispo Giacomo para verificar o ocorrido e recolher o linho manchado com o Sangue de Cristo.

No ano seguinte, o Papa promulgou a bula “Transiturus” que instaurava para toda a cristandade a Festa do Corpo de Deus na cidade que até então estava infestada de Cátaros – hereges que negavam o Sacramento da Eucaristia. O Papa pediu, então, para Santo Tomás de Aquino compor o ofício de Corpus Christi.Uma das orações compostas por Santo Tomás foi o belíssimo “Adoro Te Devote”:


Tradução para o português:
1.Eu vos adoro devotamente, ó Divindade escondida,
Que verdadeiramente oculta-se sob estas aparências,
A Vós, meu coração submete-se todo por inteiro,
Porque, vos contemplando, tudo desfalece.
2.A vista, o tato, o gosto falham com relação a Vós
Mas, somente em vos ouvir em tudo creio.
Creio em tudo aquilo que disse o Filho de Deus,
Nada mais verdadeiro que esta Palavra de Verdade.
3.Na cruz, estava oculta somente a vossa Divindade,
Mas aqui, oculta-se também a vossa Humanidade.
Eu, contudo, crendo e professando ambas,
Peço aquilo que pediu o ladrão arrependido.
4.Não vejo, como Tomé, as vossas chagas
Entretanto, vos confesso meu Senhor e meu Deus
Faça que eu sempre creia mais em Vós,
Em vós esperar e vos amar.
5.Ó memorial da morte do Senhor,
Pão vivo que dá vida aos homens,
Faça que minha alma viva de Vós,
E que à ela seja sempre doce este saber.
6.Senhor Jesus, bondoso pelicano,
Lava-me, eu que sou imundo, em teu sangue
Pois que uma única gota faz salvar
Todo o mundo e apagar todo pecado.
7.Ó Jesus, que velado agora vejo
Peço que se realize aquilo que tanto desejo
Que eu veja claramente vossa face revelada
Que eu seja feliz contemplando a vossa glória. Amem


Original em latim:
1.Adoro te devote, latens Deitas,
Quae sub his figúris vere látitas
Tíbi se cor méum tótum súbjicit
Quia te contémplans tótum déficit.
2.Vísus, táctus, gústus in te fállitur,
Sed audítu sólo tuto creditur
Credo quídquid díxit Dei Fílius
Nil hoc verbo veritátis vérius.
3.In crúce latébat sola Deitas,
At hic látet simul et humánitas
Ambo tamen crédens atque cónfitens,
Péto quod petívit látro paénitens.
4.Plagas, sicut Thomas, non intúeor
Déus tamen méum te confíteor
Fac me tíbi semper magis crédere,
In te spem habére, te dilígere.
5.O memoriále mórtis Dómini,
Pánis vívus vítam praéstans hómini,
Praésta méae ménti de te vívere,
Et te ílli semper dulce sápere.
6.Pie pellicáne Jésu Domine,
Me immundum munda túo sánguine,
Cújus una stílla sálvum fácere
Tótum múndum quit ab ómni scélere.
7.Jesu, quem velátum nunc aspício,
Oro fiat illud quod tam sítio
Ut te reveláta cérnens fácie,
Vísu sim beátus túae glóriae. Amem.


Fonte:
São Tomas de Aquino - "Adoro te devote"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/index.php?secao=oracoes&subsecao=diversas&artigo=adorotedevote〈=bra
Online, 30/08/2007 às 19:28h

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quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Prière du Partage

Abaixo uma bela canção chamada "Prière du Partage" retirada do Cancioneiro Montfort( http://www.montfort.org.br/index.php?secao=home&subsecao=&artigo=audio〈=bra).

Fiquem com Deus!

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Prière du Partage

O QUE VOS RESTA
O QUE VOS RECUSAM
DAI-ME EM PARTILHA,
COMBATES E CORAGEM,
OH MEU DEUS

AQUILO QUE SE REJEITA,
AQUILO QUE NÃO SE ACEITA,
DAI-ME EM PARTILHA,
VOSSA CRUZ E CORAGEM
DE A CARREGAR

QUE EU ESTEJA SEGURO
DE VIVER PARA SOFRER
PARA DEFENDER A FÉ
E POR VOSSO AMOR MORRER,
OH MEU DEUS
QUE EU ESTEJA SEGURO
DE VIVER EM PERIGO,
DE ABRAÇAR VOSSA CRUZ
E NA VOSSA PAZ MORRER
OH MEU DEUS

EU NÃO DESEJO
NEM A PAZ NEM RIQUEZA
DÊ-ME EM PARTILHA,
A GUERRA E A TORMENTA,
OH MEU DEUS

EU VOZ PEÇO
DE UMA VEZ A VOSSA CRUZ
POIS EU NÃO TENHO CORAGEM
DE DUAS VEZES
A PEDIR

QUE EU ESTEJA SEGURO
QUE ELA SEJA MEU TESOURO
DE ABRAÇAR A VOSSA CRUZ
COM ARDENTE AMOR
SEM RETORNO.

QUE EU ESTEJA SEGURO
DE POSSUIR O MAIS DURO.
DE ABRAÇAR A VOSSA CRUZ
E NA VOSSA PAZ MORRER
OH MEU DEUS.
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Livros litúrgicos anteriores ao Concílio serão reimpressos

A aplicação prática do Motu Proprio "Summorum Pontificum", de Bento XVI, implica que os quatro livros litúrgicos necessários para as celebrações litúrgicas na forma anterior ao Concílio sejam reimpressos.

Uma nota explicativa da sala de imprensa da Santa Sé sobre este documento do Papa sublinha que os livros vão contar com novas impressões, a cargo de casas especializadas neste tipo de trabalho, com a "recognitio" da comissão pontifícia competente.

A última versão do Missale Romanum, anterior ao Concílio, que foi publicada sob a autoridade do Papa João XXIII em 1962 e utilizada durante o Concílio, poderá ser usada como forma extraordinária da celebração litúrgica, o mesmo se aplicando ao Rituale Romanum (Ritual Romano, para os Sacramentos do Baptismo, Matrimónio, Penitência e Unção dos Doentes), o Pontificale Romanum (Pontifical Romano, para a Confirmação e a Ordem), e o Breviarum Romanum (Breviário), para os padres que assim desejarem recitar a Liturgia das Horas.

O Rito de São Pio V, que a Igreja Católica usava até à reforma litúrgica de 1970 (com algumas modificações, a últimas das quais datada de 23 de Junho de 1962) foi substituído pela Liturgia do "Novus Ordo" (Novo Ordinário) aprovada como resultado da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II.

Com o novo documento, Bento XVI estende a toda a Igreja de Rito Latino a possibilidade de celebrar a Missa e os Sacramentos segundo livros litúrgicos promulgados antes do Concílio.

Esta aprovação universal significa que a Missa do antigo Rito poderá ser celebrada livremente em todo mundo, pelos sacerdotes que assim o desejarem, sem necessidade de autorização hierárquica (licença ou indulto) de um Bispo.

Os livros litúrgicos redigidos e promulgados após o Concílio continuarão, contudo, a constituir a forma ordinária e habitual do Rito Romano.

A propósito do Missal de 1962, em latim, recorda-se que se trata de um Missal “plenário”, “integral”, que contém também as leituras das celebrações. Prevê uma só Oração Eucarística (o Cânone Romano, I Oração Eucarística do Missal conciliar).

Boa parte das orações (mesmo da Oração Eucarística) são recitadas pelo celebrante em voz baixa. No final da Missa, recita-se o prólogo do Evangelho segundo S. João.

Este Missal de 1962 não prevê a concelebração. Nada diz sobre a orientação do altar e a posição do celebrante, voltado ou não para a assembleia.

Fonte: http://www.agencia.ecclesia.pt/noticia_all.asp?noticiaid=49503&seccaoid=4&tipoid=115

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quinta-feira, 16 de agosto de 2007

abusos na liturgia

É impressionante como a maioria dos leigos que ajudam nos grupos de música ou na pastoral da litúrgia não se importa como a Santa Missa é celebrada.

É Gloria in Excelsis com uma música com a letra incompleta, é Ato Penitencial meloso... é "canto de comunhão" que não tem nada haver com o momento da comunhão... Pai-Nosso com letra adulterada...

É muito triste essa situação. Onde as pessoas vão pra Missa querendo fazer algo que lhes agrada quando na verdade deve agradar somente a Deus. Já vi invenções de todo tipo durante as missas (e sempre conseguem de superar). Meu coração fica partido quando vejo que as pessoas não se importam com o modo correto de celebramos a Eucharistia, que é simplesmente o modo como Deus nos ordenou.

Em muitas paróquias vemos pessoas que inventam coisas e degeneram a Liturgia dessa maneira. Achando que tudo pode ser movido pela criatividade pela inovação... puro engano fruto de um aprendizado errado (que pode ter sido introduzido por qualquer um menos por Deus).

Vejo em muitas comunidades usarem aquele chamado "Pai-Nosso no padre Marcelo Rossi" que nos transmite conceitos errados e adultera a oração que Nosso Senhor nos ensinou.


Oração do Pai-Nosso

Pai nosso que estais no Céu, santificado seja o Vosso Nome,
venha a nós o Vosso reino, seja feita a Vossa vontade,
assim na terra como no Céu.

O pão nosso de cada dia nos dai hoje;
perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido,
e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.



Vejamos a Letra da música gravada pelo padre:

"Pai nosso que estás no céu, santificado seja o teu nome
E venha a nós o teu reino, e seja feita a tua vontade

Pai, meu pai do céu, meu pai do céu
Eu quase me esqueci, me esqueci
Que o teu amor vela por mim, vela por mim
Que seja feito assim

Meu pai, meu pai do céu...

O alimento desse dia dai nos agora e sempre
E perdoai nossas ofensas de um modo maior com que perdoamos

Pai, meu pai do céu...

E não nos deixeis cair em tentação mas livra-nos de todo o mal, amém"


Vou deixar que vocês mesmos analisem por conta própria... Mas eu grifei algumas coisas gritantes (além da modificação da letra da oração pra se adequar à melodia proposta pelos músicos podemos perceber que algumas coisas mudaram de sentido completamente, de oração sóbria e completa, passou a emotiva e errônea em alguns pontos).

Esse é só um exemplo... ainda tem o Glória in Excelsis que as pessoas teimam em afirmar que "se tiver as três pessoas da Trindade já serve". Sinceramente, e onde fica a parte da oração que fala sobre a Paz na Terra? que louva, bendiz, glorifica, dá graças...?


E os Atos penitenciais melosos? Simplesmente esqueceram da obrigatoriedade da fórmula Kyrie, Eleison! após um ato penitencial que não a tenha!

Meu Deus! Ajude-nos a ser melhores e te adorar da forma que lhe é devida! Ajude-nos a ter um coração humilde, livre-nos do egoísmo de querer coisas que mexam apenas com nossos sentimentos, fazendo com o que verdadeiro culto a Vós seja substituído por um mero encontro de pessoas.


Dominus Vobiscum.
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