quinta-feira, 5 de julho de 2007

Sobre o Capítulo "Liturgia e a Vida: sobre o lugar da Liturgia na realidade"

No capítulo I de seu livro, Introdução ao Espírito da Liturgia, o cardeal Ratzinger faz um discurso sobre "a Liturgia e a Vida".

Inicialmente, ele nos informa sobre como a Liturgia era vista nos fins do século XX. Segundo o mesmo, ela era "entendida como um 'jogo'" com regras e mundo próprios, onde teríamos uma 'fuga' do nosso cotidiano, todavia, isso não é sufiente, visto que, essas noções podem ser aplicadas a qualquer jogo e que o compromisso com as regras do mesmo cria o seu 'peso'.

Entretanto, o cardeal cita mais um aspecto da Natureza da Liturgia que tem haver com os jogos, fazendo uma comparação com a brincadeira das crianças. Onde podemos indentificar que a mesma surge como uma antecipação (ensaio) para a vida futura. A Liturgia seria então um "prelúdio da futura e eterna vida". Devemos ter em conta que nos falta o conhecimento total do plano divino e o "pensar na vida futura" parece ser algo ainda abstrato e não esclarecido. O autor nos sugere então uma nova tentativa de entender esses aspectos e nos remete à Antiga Aliança (Testamento).

O cardeal afirma que na história da "partida de Israel do Egito surgem duas finalidades diferetes para o Êxodo". A primeira que é amplamente conhecida, a Terra Prometida, onde Israel tenha suas próprias fronteiras e seja reconhecido como uma nação onde o "povo tenha liberdade e independência". A segunda, sugere (segundo a visão apresentada ao Faraó) o oferecimento do culto a Deus, "Deixa partir o meu povo para que me sirva no deserto" (Ex 7,16), entretanto, apenas após as pragas, o Faraó "autoriza a execução do culto no deserto" querendo restringir quem dos israelitas irá prestar o culto (apenas os homens, ficando no Egito as mulheres e os animais). De acordo com o avançar da história percebemos que Moisés não pode negociar a forma do culto com o Faraó, pois, o mesmo só pode ser feito à medida de Deus. Concluímos então, que Israel parte do Egito para ser um povo que serve a Deus e que há uma relação entre as duas finalidades da partida do Egito (a terra que foi prometida à Abraão será o lugar onde o povo eleito viverá para servir à Deus).

É durante a caminhada pelo deserto (mais precisamente no monte Sinais) que Deus revela ao povo à forma correta de o adorar e prestar-lhe culto (de acordo com o que Ele exige) e, "conclui a Aliança através de Moisés" (Ex 24). O autor afirma que "a verdadeira adoração de Deus é o Homem na sua maneira de viver correta, mas a vida só se tornará verdadeira obtendo a sua forma mediante o olhar para Deus". O culto serviria então como um reflexo (uma expressão) dessa vida (desse encontro com Deus). O autor ressalta três aspectos importantes adquiridos no Sinai (o culto, a lei e a moralidade), pontos que segundo ele devem estar entrelaçados.

O autor fala ainda das relações existentes entre esses três aspectos. Cita que a "lei não fundamentada moralmente torna-se ilegítima" e que, se esses dois pontos (moral e lei) não estiverem voltados para Deus de nada adiantarão, pois, privarão o Homem da liberdade verdadeira fazendo com que ele se torne diminuto.

O autor chega à conclusão que "o homem sozinho não consegue mesmo 'criar' um culto fácil porque, sem Deus se revelar, ele será sempre insignificante". O homem pode até construir formas de culto e altares a partir do seu pressentimento de Deus, mas, "a verdadeira Liturgia pressupõe que Deus responde e expõe o modo se ser venerado".

Ele analisa brevemente o episódio do Bezerro de Ouro, onde os israelitas (juntamente com o sacerdote Aarão) adoram e festejam ao bezerro supondo que esta seja a forma do deus que os livrou do Egito (para eles, o que acontece é a adoração do verdadeiro deus que os libertou quando em verdade não o é), "aparentemente tudo está em ordem", inclusive o rito. Mas se trata de um deus pagão. Segundo o cardeal, essa história nos apresenta "um culto autocrático e egoísta" onde o culto serve às necessidades daqueles homens e não à Deus.

um abraço a todos,

Nenhum comentário: