quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Sobre o Noviciado na SJ

Salvador, 03 de Fevereiro de 2011


Como alguns já sabem, em dezembro de 2010 fui admitido ao Noviciado na Companhia de Jesus (jesuítas). Essa etapa quer ser uma ruptura com os padrões da sociedade, principalmente a busca desenfreada pelo maior "consumo" ou "prazer" (comodismo). Entretanto, essa etapa vai um pouco além da simples ruptura. Ela implica também no início oficial de uma história de dedicação total ao serviço do Senhor. Serei provado de diversas maneiras, no meu orgulho, no meu ânimo, na minha caridade, na minha Fé, na vocação... Enfim, será um tempo de purificar o chamado que Deus me fez para servi-lo na Companhia de Jesus, um tempo de maior conhecimento sobre mim, Deus e a Companhia.

Estou muito animado por viver essa nova etapa. Sei que Deus reserva experiências muito ricas a mim e a meus companheiros. Que nesse ano serão três, além dos outros que já estão na casa.

Amanhã, dia 04, às 15h (horário de Salvador) será a missa de entrada oficial no Noviciado. Então, hoje, despeço-me temporariamente desse espaço que ficará sem novas postagens por tempo indeterminado, pois o acesso a internet também será limitado durante este período.

forte abraço,

Gabriel Leitão
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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Amor sem fim

Procurando algumas coisas sobre Santo Agostinho na Internet, esbarrei no artigo "Amor sem fim" escrito por Paulo Henrique Fernandes Silveira para a Revista de Filosofia. É um texto de leitura agradável e interessante no qual o autor aborda Heidegger e Hannah Arendt falando "sobre o que é o amor e a possibilidade da eternidade dessa paixão, a partir da leitura de Agostinho e de Kierkegaard".

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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Esquema do Advento

Começa com as vésperas do domingo mais próximo ao 30 de novembro e termina antes das vésperas do Natal. Os domingos deste tempo se chamam 1º, 2º, 3º, e 4º do Advento. Os dias 16 a 24 de dezembro (Novena de Natal) tendem a preparar mais especificamente as festas do Natal.
O tempo do Advento tem uma duração de quatro semanas. Este ano, começa no domingo 01 de dezembro, e se prolonga até a tarde do dia 24 de dezembro, em que começa propriamente o Tempo de Natal. Podemos distinguir dois períodos. No primeiro deles, que se estende desde o primeiro domingo do Advento até o dia 16 de dezembro, aparece com maior relevo o aspecto escatológico e nos é orientado à espera da vinda gloriosa de Cristo. As leituras da Missa convidam a viver a esperança na vinda do Senhor em todos os seus aspectos: sua vinda ao fim dos tempos, sua vinda agora, cada dia, e sua vinda há dois mil anos.
No segundo período, que abarca desde 17 até 24 de dezembro, inclusive, se orienta mais diretamente à preparação do Natal. Somos convidados a viver com mais alegria, porque estamos próximos do cumprimento do que Deus prometera. Os evangelhos destes dias nos preparam diretamente para o nascimento de Jesus. Com a intenção de fazer sensível esta dupla preparação de espera, a liturgia suprime durante o Advento uma série de elementos festivos. Desta forma, na Missa já não rezamos o Glória. Se reduz a música com instrumentos, os enfeites festivos, as vestes são de cor roxa, o decorado da Igreja é mais sóbrio, etc. Todas estas coisas são uma maneira de expressar tangivelmente que, enquanto dura nosso peregrinar, nos falta alo para que nosso gozo seja completo. E quem espera, é porque lhe falta algo. Quando o Senhor se fizer presente no meio do seu povo, haverá chegado a Igreja à sua festa completa, significada pela Solenidade do Natal.
Temos quatro semanas nas quais de domingo a domingo vamos nos preparando para a vinda do Senhor. A primeira das semanas do Advento está centralizada na vinda do Senhor ao final dos tempos. A liturgia nos convida a estar em vela, mantendo uma especial atitude de conversão. A segunda semana nos convida, por meio do Batista a “preparar os caminhos do Senhor”; isso é, a manter uma atitude de permanente conversão. Jesus segue chamando-nos, pois a conversão é um caminho que se percorre durante toda a vida. A terceira semana preanuncia já a alegria messiânica, pois já está cada vez mais próximo o dia da vinda do Senhor. Finalmente, a quarta semana nos fala do advento do Filho de Deus ao mundo. Maria é figura central, e sua espera é modelo e estímulo da nossa espera.
Quanto às leituras das Missas dominicais, as primeiras leituras são tomadas de Isaías e dos demais profetas que anunciam a Reconciliação de Deus e, a vinda do Messías. Nos três primeiros domingos se recolhem as grandes esperanças de Israel e no quarto, as promessas mais diretas do nascimento de Deus. Os salmos responsoriais cantam a salvação de Deus que vem; são orações pedindo sua vinda e sua graça. As segundas leituras são textos de São Paulo ou das demais cartas apostólicas, que exortam a viver em espera da vinda do Senhor.
A cor dos parâmentos do altar e as vestes do sacerdote é o roxo, igual à da Quaresma, que simboliza austeridade e penitencia. São quatro os temas que se apresentam durante o Advento:

I Domingo
A vigilância na espera da vinda do Senhor. Durante esta primeira semana as leituras bíblicas e a prédica são um convite com as palavras do Evangelho: “Velem e estejam preparados, pois não sabem quando chegará o momento”. É importante que, como uma família, tenhamos um propósito que nos permita avançar no caminho ao Natal; por exemplo, revisando nossas relações familiares. Como resultado deveremos buscar o perdão de quem ofendemos e dá-lo a quem nos tem ofendido para começar o Advento vivendo em um ambiente de harmonia e amor familiar. Desde então, isto deverá ser extensivo também aos demais grupos de pessoas com as quais nos relacionamos diariamente, como o colégio, o trabalho, os vizinhos, etc. Esta semana, em família da mesma forma que em cada comunidade paroquial, acenderemos a primeira vela da Coroa do Advento, de cor roxa, como sinal de vigilância e desejo de conversão.

II Domingo
A conversão, nota predominante da predica de João Batista. Durante a segunda semana, a liturgia nos convida a refletir com a exortação do profeta João Batista: “Preparem o caminho, Jesus chega”. Qual poderia ser a melhor maneira de preparar esse caminho que busca a reconciliação com Deus? Na semana anterior nos reconciliamos com as pessoas que nos rodeiam; como seguinte passo, a Igreja nos convida a acudir ao Sacramento da Reconciliação (Confissão) que nos devolve a amizade com Deus que havíamos perdido pelo pecado. Acenderemos a segunda vela roxa da Coroa do Advento, como sinal do processo de conversão que estamos vivendo.
Durante esta semana poderíamos buscar nas diferentes igrejas mais próximas, os horários de confissões disponíveis, para quando cheguar o Natal, estejamos bem preparados interiormente, unindo-nos a Jesus e aos irmãos na Eucaristia.

III Domingo
O testemunho, que Maria, a Mãe do Senhor, vive, servindo e ajudando ao próximo. Na sexta-feira anterior a esse Domingo é a Festa da Virgem de Guadalupe, e precisamente a liturgia do Advento nos convida a recordar a figura de Maria, que se prepara para ser a Mãe de Jesus e que além disso está disposta a ajudar e a servir a todos os que necessitam. O evangelho nos relata a visita da Virgem à sua prima Isabel e nos convida a repetir como ela: “quem sou eu para que a mãe do meu Senhor venha a visitar-me?
Sabemos que Maria está sempre acompanhando os seus filhos na Igreja, pelo que nos dispomos a viver esta terceira semana do Advento, meditando sobre o papel que a Virgem Maria desempenhou. Propomos que fomentar a devoção à Maria, rezando o Terço em família. Acendemos como sinal de esperança gozosa a terceira vela, de cor rosa, da Coroa do Advento.

IV Domingo
O anúncio do nascimento de Jesus feito a José e a Maria. As leituras bíblicas e a prédica, dirigem seu olhar à disposição da Virgem Maria, diante do anúncio do nascimento do Filho dela e nos convidam a “aprender de Maria e aceitar a Cristo que é a Luz do Mundo”. Como já está tão próximo o Natal, nos reconciliamos com Deus e com nossos irmãos; agora nos resta somente esperar a grande festa. Como família devemos viver a harmonia, a fraternidade e a alegria que esta próxima celebração representa. Todos os preparativos para a festa deverão viver-se neste ambiente, com o firme propósito de aceitar a Jesus nos corações, as famílias e as comunidades. Acenderemos a quarta vela da Coroa do Advento, de cor roxa.

Fonte: ACI Digital
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Algumas novidades

Esse mês de dezembro está sendo muito, muito interessante.

Primeiro, fui aceito ao Noviciado na Companhia de Jesus para o ano de 2011. Minha carta é do dia de São Francisco Xavier (03/12). Para mim não poderia ter sido melhor dia. Magnífico!!! Depois na festa da Imaculada Conceição (08/12) meus companheiros também receberam suas cartas de admissão das mãos do Padre Acrízio, SJ (provincial da BNE).

Atualmente estou em missão no Brejo Santo. Ontem apresentamos (os vocacionados e pré-noviços da Comunidade Vocacional de Fortaleza) uma pequena peça sobre a conversão de Santo Inácio. As pessoas ficaram muito interessadas e emocionadas com a apresentação.
Hoje, dia de Santa Luzia, após a celebração da missa e procissão houve uma vigília na Igreja Matriz. Um momento vibrante e solene à luz de velas e em um profundo clima de oração. A colaboração tanto dos missionários jesuítas quanto dos missionários locais foi de extrema importância para a realização deste momento.

Realmente, estou muito animado e consolado. Amanhã prosseguiremos com as visitas nas casas (iniciadas hoje) e outras atividades.

Ad Majorem Dei Gloriam
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domingo, 28 de novembro de 2010

Fobias e Pedofilia

por Pe. Luís Corrêa Lima, SJ

Em recente declaração, uma autoridade eclesiástica negou qualquer relação entre celibato sacerdotal e pedofilia. Mas afirmou que, segundo psicólogos e psiquiatras, existe uma relação entre homossexualidade e pedofilia. Isto causou indignação e protestos.

O grave problema do abuso sexual de menores pelo clero exige uma resposta lúcida e enérgica. Quando o papa Bento XVI foi aos Estados Unidos, ele disse: não se trata de homossexualidade, é outra coisa. De fato, a pedofilia é causada por uma fantasia perversa de se aproveitar da inocência da criança. A maioria dos casos ocorre dentro de casa, e o responsável é o pai ou padrasto dela. Este abuso pode ser cometido por adultos héteros ou homossexuais, ativos sexualmente ou celibatários. Não é questão de orientação sexual, nem de prática ou abstinência sexual. Distinguir as coisas, como fez o papa, afasta uma injusta suspeita de perversidade que às vezes paira sobre os gays.

E agora, o diretor da Sala de Imprensa do Vaticano, Frederico Lombardi, emitiu uma nota de esclarecimento: as autoridades da Igreja não consideram de sua competência fazer afirmações gerais de caráter especificamente psicológico ou médico, para os quais se deve remeter aos estudos dos especialistas. O que é de competência da autoridade eclesiástica são os dados estatísticos dos casos de abuso sexual tratados pela Congregação para a Doutrina da Fé, onde as vítimas são meninos e meninas em diferentes proporções. As estatísticas se referem ao conjunto destes casos, e não à população em geral.

Não se deve tomar a entrevista de uma autoridade eclesiástica como se fosse a posição oficial da Igreja. Isto é colocar indevidamente a Igreja contra os gays, e vice-versa. E nem se deve defender os gays apedrejando o celibato sacerdotal. Ordenar pessoas casadas é prática da Igreja Católica nos ritos orientais, bem como dos cristãos ortodoxos. Há quem defenda esta prática também no Ocidente, para se ampliar o acesso ao sacerdócio e aumentar o número de candidatos. Mas não se deve de modo algum acabar com o celibato por causa dos escândalos de pedofilia, nem repudiar suas motivações espirituais autênticas e legítimas, como se se tratasse de uma negação alucinada da sexualidade.

Inegavelmente há homofobia na sociedade, com conseqüências nefastas. Mas há também "celibatofobia": uma espécie de tabu da virgindade, produzido por uma sociedade hipersexualizada. Ambas as fobias são preconceitos, ambas são injustas e intolerantes. A sã cidadania deve reconhecer e estimar os diferentes âmbitos da diversidade humana, e não transformar-se em um preconceito com sinais trocados. Movidos pela fé e pela razão, podemos desejar um mundo sem fobias e pedofilia, onde haja menos muros e mais pontes.

Fonte: Revista Vida Pastoral - Setembro-Outubro de 2010 - n.274 - P. 05
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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O Filme “Chocolate” relacionado ao Curso de Teologia Pastoral “Moral da Pessoa – Afetividade e Sexualidade à luz da Fé cristã”

O filme “Chocolate” apresenta duas realidades distintas. De um lado, apresenta uma sociedade rígida, fechada em si mesma, pessoas sem vida (sem cor), escravizadas pela norma, com anseios e desejos, mas não sem possibilidade de expressá-los e, por isso, essas pessoas começam a "morrer". Por outro lado, a estrangeira que chega contradiz todos os “valores” estabelecidos na cidade. É mulher, mãe solteira, usa roupas mais alegres e despojadas, enfrenta a opressão moral do Conde e abre uma chocolateria em plena Quaresma.

Cada personagem (habitante) da cidade padece de uma espécie de atrofiamento afetivo-sexual: O conde que era muito rígido, moralista e controlador foi abandonado pela esposa, se recusa a aceitar esse fato por ser vergonhoso para si e usa de seu poder e influência para oprimir o povo através da moral religiosa (ele também carrega o peso da tradição da família que zelava pelos “bons costumes” da cidadela). Uma senhora viúva desde a Primeira Guerra Mundial que não se permitia outro relacionamento. O padre novo que era inseguro e, por isso, deixava-se levar pelo conde em relação ao que deveria ser dito (e como o deveria ser) nos sermões. A secretaria do conde que proibia o filho de brincar com os outros garotos e de encontrar a avó e, por isso, o menino vivia infeliz e somatizava essa infelicidade. A cleptomaníaca infeliz no casamento e que apanhava do marido bêbado.

É interessante notar que ao longo da trama cada personagem demonstra trazer dentro de si a vontade de ser diferente, de ser livre. E que existe, de um certo modo, uma associação cristológica em relação à vendedora de chocolates, pois ela encarna os desejos mais internos de liberdade do povo e, ao mesmo tempo, é modelo e escândalo em seus gestos, atitudes, palavras e relações.

Outro ponto interessante é que com a chegada dos ciganos (que aparentemente são mais livres, mais frágeis e mais interessantes) as tensões existentes entre a vendedora de chocolates e o conde não só ganham maior profundidade como começam a demonstrar suas consequências. A influência da moral normativa quando radicalizada parece ser apresentada como maléfica e inconsequente, na cena em que o marido bêbado interpretando as palavras do conde (“é preciso agir”) queima os barcos dos ciganos após a festa de aniversário da mãe da secretária do conde, gerando dor e risco de morte. Enquanto a influência da vendedora de chocolates gera alegria, paz, reconciliação, ato de amor e independência positiva nas cenas da festa de aniversário, da mãe repressiva (secretária do conde) que conserta a bicicleta para o filho brincar e da esposa do bêbado que toma iniciativa de não fechar a chocolateria junto com os outros que foram libertados pela vendedora.

No fim do filme somos testemunhas de que mesmo a vendedora que ajudou tantas pessoas a se libertarem da opressão moral tinha os seus grilhões. Estes eram simbolizados pelas cinzas da mãe que a faziam sentir-se condenada a uma vida nômade mesmo sentindo intenso desejo e necessidade (principalmente sua filha) de fixar residência e levar uma vida mais tranquila e confortável. Depois, aprendemos através do conde que, às vezes, para a libertação acontecer é necessário chegar ao fundo do poço e lá fazer a “experiência do chocolate”. E perceber que as normas são boas e necessárias, contanto que não aprisionem ou atrofiem a vida, que é muito mais do que ditar e seguir essas normas.

Em oposição ao seu início, o filme encerra mostrando a mesma cidade, mas profundamente modificada. Antes era um lugar cinza, deserto e triste. Este lugar cedeu espaço a outro com mais colorido, música, pessoas, livres e felizes.
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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Pós Trilha Inaciana 2009/2010!!!!

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